Tristão e Isolda – o Amor Romântico enquanto força psicológica*

17/01/2019

O amor romântico tenta experienciar o “mundo exterior” (…) faz-nos sentir inteiros psicologicamente, preenchidos na totalidade e em contacto com o sentido da vida.

É um sistema de energia que surge do das profundezas do inconsciente, desconhecido e inexplorado, das partes de nós que não vemos, não entendemos e impossíveis de ser reduzidas ao senso comum. 

Apodera-se da nossa vontade, toma-nos a cabeça, vira as nossas vidas ao contrário, reorganiza a nossa lealdade. É esta qualidade de estar fora de controlo que o amor romântico tem que nos dá a pista mais profunda para a sua verdadeira natureza.

Por isso, o ego masculino ocidental tem tanta dificuldade em lidar com o amor romântico. Por estar, por definição, fora do controlo.

Está fora do controlo porque secreta e inconscientemente é o que queremos dele, que seja extasiante.

Enquanto força psicológica, é o veículo pelo qual algo nos é devolvido, algo que foi atirado para fora da nossa cultura e das nossas vidas há muito tempo. A natureza humana tem recursos. Arranjamos maneira, mesmo inconscientemente, de nos agarrar ao que precisamos.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

Tristão e Isolda – o feminino*

15/01/2019

Quando aprendermos a caminhar ao sol e a ver as cores da terra, a respeitar o nosso corpo físico, a acordar a música na vida, a ouvir os nossos sonhos, a mostrar afeto às pessoas que amamos, faremos a paz. 

Uma das grandes forças do feminino interno é a capacidade de deixar pra lá, de desistir do controlo do ego, de parar de tentar controlar pessoas e situações, de entregar ao destino e esperar pelo fluxo natural do universo.

Abandonar a espada significa parar de tentar entender pelo intelecto ou a lógica, parar de tentar forçar as coisas.

Pegar na harpa significa esperar pacientemente, ouvir uma voz suave que vem de dentro, pela sabedoria que não vem da lógica ou da ação, mas do sentimento, intuição, do irracional e do lírico.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

Tristão e Isolda – A Espada e a Harpa

15/01/2019

Para o homem ocidental, o ego precisa de ser heróico. Só o espírito heróico nos eleva acima do egocentrismo, pondo-nos ao serviço de um ideal maior que nos traga para a nossa tarefa individual. 

Duas coisas são exigidas a um herói: a espada e a harpa

Tristão precisa da espada para derrotar os inimigos, a espada simboliza a precisão, a agressividade do poder masculino. Com a espada, o herói aborda o mundo com agressividade, controla a situação, assume uma posição de força e derrota o adversário. É o intelecto discriminado, que divide e analisa, corta problemas e ideias para os entender, é a faculdade lógica da mente.

Todos precisamos do poder da espada, de ser lógicos e analíticos, assertivos e fortes. Mas, noutros momentos, nem a lógica nem a força servem. Aí, temos de nos voltar para a harpa.

Com o poder da harpa, Tristão mostra sentimentos e expressa amor e estabelece relacionamentos. É com ela que conquista o tio. E outros. A harpa representa o poder de desenvolver um senso de valores, de afirmar o que é bom e verdadeiro, apreciar a beleza, a harpa permite a um herói por a espada ao serviço de um ideal. Precisa dos dois. Sem a espada, a harpa perde o seu efeito. Mas sem a harpa, a espada fica resumida a força bruta e egoísta… A espada não constrói um relacionamento… para tal, precisamos de aprender a linguagem da harpa.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

 

Solidão e solitude

14/01/2019

Para um introvertido, a solidão é lugar sagrado. Vital, de verdade. É o que nos permite criar, discernir, fora do ruído externo, o que nos é ou não precioso. É o meio de nos conectarmos connosco. E o espaço de que precisamos para respirar. Por isso, a minha solidão, ainda que esteja habituada a ela, é o que me salva. Não me faz impressão alguma. Prefiro-a mil vezes a estar sozinha numa sala cheia de gente, que não me diz nada e se alimenta de conversas vazias, de maledicência, de coscuvilhice, de assuntos do mundo, em discussões acesas que escondem vulnerabilidades imensas e nos isolam ainda mais.

Os introvertidos precisam de ficar sozinhos para conseguirem sobreviver no mundo.

Mas a solidão dos outros faz-me impressão.

Principalmente durante as festas, o Natal.

Se o ano novo concebo passá-lo sozinha, encho-me de tristeza de saber que outros o passarão. O Natal é-me inconcebível. Embora prefira passá-lo sozinha, apesar de me custar, a fazê-lo com famílias que não são a minha, por piedade, sem presentes nem histórias comuns, por mais que adore ouvir histórias das vidas dos outros. Histórias que marquem momentos, que definam caráter, que determinem escolhas. Custa menos a passar.

E na doença, e na velhice.

A solidão entre os doentes e os velhinhos, por estarem vulneráveis no seu ponto máximo, parte-me o coração.

Também me faz impressão a solidão na morte. O estarmos entregues a estranhos, porque os nossos não conseguem aguentar a nossa impotência e a inevitabilidade do fim. Faz-me impressão, imensa, saber que morreremos sozinhos, sem ninguém para nos dar a mão. Um beijinho na testa de boa viagem, nada…

À minha solidão, chamo-a pelo nome. À dos outros, embora fosse a pessoa que melhor a compreendesse, chamo solitude. Por me parecer sempre involuntária, mais uma resignação. Ou talvez seja ao contrário. A primeira involuntária e a segunda escolhida, ainda que por necessidade. Embora o dicionário as dê como iguais.

Estar sozinho requer alguma coragem.

A reclusão pode ser assustadora, somos nós sozinhos com os nossos demónios. Mas também é lugar de paz, e de vida. Uma vida imensa. Que sai da escuridão onde coabitamos. Porque, na dança com os nossos demónios, os corpos fundem-se e tornamo-nos num só. E, nessa fusão, novos seres surgem. Criativos, luminosos, cheios de cor, fantasia e liberdade.

A fantasia também é realidade.

É uma realidade diferente da do mundo das notícias. Mas é uma realidade total, por ser a nossa. Com tudo o que a compõe. Fantasmas, escuridão, desejos ocultos, fantasias insanas, mundos incríveis onde tudo acontece.

A idade vai dando uma convicção cada vez maior de que os fretes não valem a pena. Que nada compensa a sensação de estar num lugar onde não nos sentimos confortáveis. Muito menos com gente que pouco ou nada nos diz.

Ficar sozinho talvez requeira apenas resignação. E, para essa, talvez seja precisa ainda mais coragem…

Tristão e Isolda – amor romântico

14/01/2019

O amor romântico não é amor, mas um complexo de atitudes acerca do amor – sentimentos involuntários, ideais e reações. Como Tristão, bebemos a poção e damos por nós possuídos: apanhados em reações automáticas e sentimentos intensos, um estado quase visionário. […] 

Uma das grandes necessidades da modernidade é aprender a diferença entre amor humano, enquanto base para o relacionamento, e amor romântico, enquanto ideal interno, caminho para o mundo interno. O amor não sofre por se libertar dos sistemas de crenças do amor romântico. O amor só melhora quando distinguimos amor de romance.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

Tristão e Isolda – Brancaflor**

13/01/2019

São as qualidades femininas que trazem significado à vida: a conexão com outros seres humanos, a capacidade de suavizar poder com amor, o reconhecimento dos nossos sentimentos e valores internos, o respeito pelo ambiente, o deleite em relação à beleza da Terra e a busca introspetiva por sabedoria interna.

Com estas qualidades em défice, não encontramos muito significado.

Com as nossas espadas e lanças, construímos impérios, mas estes não nos dão um senso de significado ou de propósito. 

A morte, num mito ou num sonho, significa que algo abandonou a mente consciente; mas permanece no inconsciente, à espera de renascer na consciência.

Vemos, hoje, pessoas a tentar trazer Brancaflor do inconsciente de volta à consciência. Pessoas a tentar aprender a expressar sentimentos, a mostrar afeto, a acordar para o lado intuitivo da vida. Algumas destas coisas falham, tornam-se modinha, são reduzidas a abraços autoconscientes e a espontaneidade forçada, mas, pelo menos, as pessoas estão a tentar encontrar Brancaflor.*

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

**Brancaflor é a mãe de Tristão

À integração masculino e feminino psíquicos** Rolando Toro deu o nome de Identidade

12/01/2019

A psique vê a nossa capacidade para o relacionamento e o amor como uma qualidade “feminina”, proveniente do lado feminino da psique. Contrastando com a capacidade para o poder, o controlo das situações e a defesa do território, como forças que encontramos no departamento “masculino” da psique. Para nos tornarmos homens e mulheres completos, cada um de nós precisa de desenvolver ambos os lados da psique. Temos de ser capazes de lidar tanto com o poder como com o amor, exercendo controlo e fluindo com espontaneidade, valorizando um e outro, no momento específico de cada um. 

Quando falamos de “feminino” neste sentido, não queremos dizer obviamente que se “relaciona com as mulheres”.

Estamos a falar de qualidades psicológicas internas que são comuns a homens e mulheres. Quando um homem desenvolve as forças do seu lado feminino, completa, na verdade, a sua masculinidade.

Torna-se um homem mais inteiro à medida que vai sendo cada vez mais humano.

O homem mais forte é o que é capaz de mostrar genuinamente amor aos seus filhos. Ao mesmo tempo que trava as suas batalhas no mundo do trabalho, durante o dia. A sua força masculina é aumentada e equilibrada pela sua capacidade feminina de se relacionar, de expressar afeto e sentimentos.

Em cada um de nós há potencialidade para a totalidade. Para unir as partes em conflito dentro de nós num todo. Temos um nome simples para esta totalidade do indivíduo: Jung chamou-lhe Self.*

(Rolando Toro chamou-lhe: Identidade)

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

**Entre outros princípios que compõem a totalidade psíquica…

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