Lotaria

22/09/2017

lotaria

Podia ter jogado no euromilhões, no totoloto, na raspadinha. Tudo modernidades que não existiam quando o livro foi publicado. Mas desta vez, resolvi ser fiel ao desafio e comprar um bilhete da lotaria, coisa que nunca antes tinha feito. Podia ter comprado na tabacaria ao lado de minha casa, era mais perto. Comprei no quiosque da esquina, porque uma vez comprei lá carteirinhas de cromos para os meus sobrinhos e saiu um importantíssimo que eles não arranjavam em lado algum. A senhora cheia de paciência a explicar-me como funcionava a coisa e certamente a pensar: porque não joga ela no euromilhões como toda a gente?

Anda à roda na segunda-feira. Se não voltar a aparecer por aqui, ou em lado nenhum, já sabeis porquê.

Artist’s Date 262/365 – Buy a Lottery Ticket

 

Sentido

21/09/2017

Ontem, ia arrumar um livro que tinha acabado de ler e deparei-me com três cujo título incluía a palavra “sentido”. Um trouxe de casa dos meus pais, chama-se o sentido da alma, está mal traduzido, tinha um marcador na segunda página, o meu pai deve ter começado a lê-lo e pô-lo imediatamente de lado. Foi nesse que peguei para ler. O outro, chama-se o sentido da vida humana e foi-me oferecido por um amigo do meu pai. E o terceiro, o sentido do fim, que comprei e li aqui há dias. sentido

Este fim-de-semana, revi um filme de que gosto muito. É baseado num livro do Nick Hornby, é com o Hugh Grant, cujo personagem, para variar, me faz rir do princípio ao fim, sou fã incondicional do Hugo Grande, e é a prova de que os britânicos são os reis disto tudo. Gosto do realismo, da autenticidade, dos europeus, apesar da sensação de que esta minha mania de ver o mundo como gostaria que ele fosse ainda um dia me há de matar. Em contraponto com a plasticidade dos blockbusters de Hollywood, aquela coisa comum às novelas que nos diz que somos ou bonzinhos ou o pior que há no mundo. E da ausência de drama. Do facto de os britânicos conseguirem quase sempre pôr-nos a rir nas piores situações. Não para fugir delas, mas para as aligeirar um bocadinho.

Nos tirar do olho do furacão, dar-nos perspetiva.

Nessa história, o personagem principal vive de direitos de autor de uma música que o pai criou e não faz rigorosamente nada. A vida corre-lhe de feição, não tem chatices, divide o tempo em unidades de meia hora e chega à conclusão que não sabe como as pessoas arranjam tempo para trabalhar, se o dia dele está todo preenchido.

Até ao dia que conhece Marcus. E a mãe.

A vida estava ótima, Will era Ibiza, um homem é sim uma ilha, dizia, não havia chatices de maior, compromisso zero.

Só carecia de sentido, de significado. Era meaningless

O que me tocou particularmente. E ali ficou a ressoar. Dois dias depois, deparei-me com os três títulos na minha estante. Não pode ser coincidência.

No mundo pós-moderno do consumismo desenfreado, da hiperatividade, da esquizofrenia que nos leva a mantermos a cabeça, os braços, as mãos, ocupados o tempo todo sob pena de sermos excomungados, é obrigatório ter objetivos. Para termos por que lutar e bem assim nos mantermos ocupados. Queres sentir-te importante, diz que tens imenso que fazer.

Ando a evitar a expressão: faz sentido, porque também ando a querer evitar racionalizações para poder validar o que sinto, deixando-me apenas ficar com a sensação enquanto critério de avaliação.

Mas não o sentido. Pelo contrário. Cada vez mais quero a sensação do sentido, em detrimento do fazer por fazer, ir por ir, para cumprir um papel, dar vazão à neurose, colmatar uma carência.

Leveza sim, mas com sentido.

Nada de vazio, de relações, projetos, coisas, acontecimentos, momentos cheios de nadas. Nem grandes nem pequenos.

Gemas

21/09/2017
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Alma e criatividade

20/09/2017

Quem adota como recurso comportamentos autodestrutivos para recuperar a ilusão de controlo, evitando ficar numa posição de impotência que irá abalar a autoestima e ajudar a enraizar crenças de não merecimento entre outras, tem na criatividade uma saída.

A criatividade é um canal direto para a alma. alma

Comportamentos autodestrutivos que que se materializam em compulsão. Por compras, sexo, álcool, drogas, cigarros, comida.

É uma espiral.

Um gatilho é disparado e o comportamento é adotado, à revelia do nosso controlo. Precisamente para recuperar a ilusão de controlo. Sobre a vida, os acontecimentos, os outros.

Esse desconforto vem de um lugar escuro na nossa cabeça. Aquele em que nos escondemos para nos protegermos da vergonha, da exposição, da sensação de rejeição, não aceitação, repressão.

A criatividade é um recurso saudável e orgânico para lidar com a frustração. “É oxigénio para a alma”, como nos diz o date de hoje. Traz-nos de volta para respirar ar puro. Liberta-nos. Em vez de nos colocar numa espiral recessiva de vícios espoletados por reflexos de Pavlov, sobre os quais não temos controlo algum, muito menos nos resolvem o problema.

Criatividade é conexão real, autêntica.

Artist’s Date 260/365 – Buy a dime-store wig

Porquê os Arquétipos?

19/09/2017

Os arquétipos são predisposições poderosas e invisíveis que regem emoções e comportamentos, afetando o trabalho e os relacionamentos.

São potenciais (universais) e estão ou não ativados. Caso em que estão presentes especificamente em nós, funcionando de forma consciente ou inconsciente (à nossa revelia).

Conhecer os arquétipos, a forma como atuam e o que os caracteriza, é uma oportunidade que nos damos de melhorar a autoestima e o sentido de adequação às necessidades do coletivo. Sem violarmos, matarmos ou castrarmos a nossa essência. O mais profundo e autêntico de nós. Que, quando negado ou reprimido, é grande causador de dor e conflito.

É, portanto, uma das abordagens possíveis para resolver conflitos.

Sendo padrões de personalidade universais, falam todas as linguagens, criativa, simbólica (visual), emocional, intelectual, e por isso o entendimento é acessível a todos os tipos de aprendizagem e interiorização de conteúdos. arquétipos

Um dos mitos que simboliza o conflito que advém da aparente incompatibilidade entre os desejos e necessidades individuais e os estereótipos em conformidade com o coletivo é o de Procusto. Que, às portas de Atenas e em jeito de portagem, obrigava todas as pessoas que quisessem entrar na cidade a deitarem-se numa cama, que tinha sempre o mesmo tamanho. Se acaso sobrasse espaço, seriam esticadas até corresponderem exatamente ao tamanho da cama. Se fossem maiores, veriam as suas pernas cortadas para na cama caberem.

Isto é o que o coletivo faz com o indivíduo. Não me ocorre simbolismo mais poderoso do que o cortar de pernas para caber no que alguém decide que é aceitável, correto, certo.

Mais óbvio só cortarem-nos as asas…

Se tomarmos por exemplo o tema da traição, dependendo do arquétipo que nos rege, a nossa reação é diferente.

Assim:
Zeus iria querer matar o homem;
Apólo a mulher;
Hermes iria querer saber os detalhes;
Hefesto optaria por expor os dois amantes ao escrutínio da sociedade.

Conhecer os arquétipos ativados em nós, e nos outros:

  • proporciona melhorias nos relacionamentos, já que nos entendemos melhor e aos motivos pelos quais reagimos como reagimos;
  • é um meio que nos permite fazer escolhas mais conscientes, de acordo com a nossa verdadeira personalidade e essência;
  • torna-nos mais autênticos ao dar-nos uma liberdade maior para desenvolver traços e potenciais que são predisposições inatas e por isso completamente fieis à nossa natureza, diminuindo assim os conflitos internos.
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