Joel Neto

17/06/2018

Maravilhoso, Joel Neto, não estamos sozinhos nessa loucura de querer mudar o mundo. E eu ainda não perdi a esperança de fazê-lo, também, pela literatura. Doando ao mundo um objeto, um livro, vários, muitos… para a eternidade.

Meridiano28

Hoje perguntaram-me de uma revista a que chamamos cor-de-rosa, e a que me deu um prazer quase inusitado responder: “Se mandasse, que medidas tomaria para proteger os profissionais da escrita?” Respondi: “Educavaas pessoas. Não é preciso darem subsídios aos escritores. Eduquem as pessoas e a literatura prosperará. Nenhuma pessoa educada é avessa à leitura.”

E ainda, e mais importante:

Não deixem nunca de fazer planos. E não desistam de mudar o mundo.” Porque, realmente, foi tudo o que aprendi até hoje, e também nunca foram sobre mais do que isso estas crónicas: é preciso fazer planos até ao fim – até ao último dia das nossas vidas; e é preciso não desistir de mudar o mundo – nem no último dia delas.

É ler a crónica seguindo o link ou esperar pela Vida no Campo.

Venha de lá essa Vida no Campo 2 :)

Meridiano 28, de Joel Neto, nos Tops de tudo quanto é livraria do país.

Há que manter o espírito Cristiano Ronaldo “até ao fim, c…”

15/06/2018

Não sei em que momento da sua História, Portugal começou a ter medo de existir. Entre os Descobrimentos e os dias de hoje, houve alguma coisa que se firmou no inconsciente coletivo português que faz que nos mantenhamos na média, na linha de água, a acharmos que precisamos de um pai, bons alunos, co-dependentes. Não sei quem nos convenceu de que somos pequeninos, que não merecemos bater-nos pelo que acreditamos, que a culpa é nossa por sermos fracos, que não conseguimos, que não chegamos mais longe, que não podemos.

Não sei quem nos convenceu a ter medo do sucesso, a ser preguiçosos, a fazer o mínimo para nos safarmos. Não sei quem nos convenceu de que ser bom é mau e o que é bom é ser desgraçadinho, de que não seremos gostados se formos bons, de que a preguiça é uma virtude e o chico espertismo uma qualidade. Não sei em que momento nos esquecemos das nossas qualidades, dos nossos talentos, do que somos bons a fazer. Não sei em que momento deixámos de o ser, desistimos de nós.

rapazes

Não temos de ser os melhores do mundo, da Europa, da turma, do bairro. Mas temos o dever e a obrigação de sermos o melhor que conseguirmos, de fazermos o melhor que pudermos com o que temos, frase que não me tem saído da cabeça ultimamente. E sermos reconhecidos por isso. Não nos temermos, não deixarmos que o monstro limitador e preguiçoso que mora na nossa cabeça nos defina. Mesmo que tenhamos de perder alguém pelo caminho, se perdermos, é porque não nos faz falta. Ler Mais…

Mudam-se os tempos, mudam-se os Heróis.

15/06/2018

No outro dia passou no AXN Black um filme com o Robert Redford já com uns aninhos, ao ponto de ainda ser credível que aguentasse carregar pedregulhos de um lado para o outro e o Mark Ruffalo não tivesse um cabelo branco que fosse e não se vislumbrasse uma ruguinha naquela carinha laroca.

Tenho visto tantos filmes que dou por mim a não aguentar os primeiros minutos da grande maioria deles. O que não aconteceu com este. heróis

The Last Castle é de 2001

E, apesar de já fazer parte do terceiro milénio, ainda preconiza o Herói como os gregos o idealizam: alguém que se destaca da média e que por isso é alvo de projeção positiva e negativa do resto da humanidade.

No caso, Robert Redford como herói e o resto dos presos como massa liderada. Apesar de a liderança já ser mais adaptada ao mundo moderno e às necessidades coletivas atuais, o protagonista aproveita e conta com as valências de cada um para melhor conduzir o seu intento, livrar aquela cadeia daquela liderança, ou seja, toda a gente participa, mas eu ainda sou especial. Em vez de uma quase anulação das particularidades individuais em nome de um líder único e isolado que sabe o que é melhor para nós, típico do patriarcal. Ainda é notória esta questão.

O que contrasta com Deadpool, de 2016…

Era filme que não veria, confesso… Mas passou este fim-de-semana na SIC e, porque já me tinha sido referenciado, gravei para ver depois.

Wade, Deadpool, o herói deste Marvel, é, apesar da fantasia que caracteriza este tipo de filme, um herói mais humanizado. Não tem a seriedade e a altivez do herói do tipo interpretado por Robert Redford. Esse distanciamento que implica inconscientemente de que só alguns podem ser heróis, de que é preciso ter nascido com e em certas condições para tal. É engraçado, tem todos os defeitos possíveis, o que vai induzindo que só assim se é herói, na vulnerabilidade da imperfeição, sem que esta implique ser incapaz para a vida. Ou que tenha, sozinho, de resolver os problemas da humanidade inteira.

Mais digno de nota ainda é o papel do feminino neste filme.

E que vem na linha do que já se tem vindo a fazer nos filmes para crianças.

A namorada de Wade, com quem termina por já não ser perfeito e por isso não desejado, para além de se salvar sozinha da caixa onde tinha sido presa, ainda salva o herói da morte certa, dando uma paulada no inimigo (papel que estava até então atribuído a um dos coadjuvantes masculinos).

Um feminino mais autónomo

E, no fim, mostra que tem uma palavra a dizer: aceita-o, mesmo não sendo perfeito, condição dos heróis de outros tempos, caracterizados por atributos físicos que vão nesse sentido: musculados, inabaláveis, indiferentes a quase tudo, como Aquiles, o herói da guerra de Tróia. Em Deadpool, Wade fica com o rosto desfigurado por causa de um procedimento para se livrar de um cancro, mais uma vez, o herói humanizado, que tem doenças, tal como o comum mortal.

Este tipo de heróis gera uma identificação maior. E que se adequa às necessidades e aos tempos atuais. Já não implica que depositemos as esperanças num salvador. Mas que nos apropriarmos das nossas capacidades para nos salvarmos a nós mesmos. E assim podermos viver e conviver por identificação, em parceria e companheirismo. Em vez de estarmos à espera de ser resgatados por alguém. Ou por um trabalho, um cargo, que nos tiranize. Disputando poder…

Somos heróis e somos deuses, sem com isso deixando de ser humanos e acima de tudo humanizados.

É o que nos pede o tempo presente.

Um mito, uma dança: ‘A Jornada do Herói’ e a saga continua…

15/06/2018

Já tínhamos falado da possibilidade de seguir com esta proposta, na sequência da épica aula de dia 25 de Maio. Temos estado tão excitados, tão entusiasmados, que já tentámos uma data (30 de Junho), que, apesar do interesse cada vez maior, se revelou inoportuna para alguns, porque colada com um projecto de aprofundamento e em final de mês. Por isso, decidimos, apesar do tempo que já dispersa para férias, propor o dia 08 de Julho.

Assim, queremos convidar todos os que já fazem ou fizeram Biodanza (pois a ideia é ir mais longe em relação à primeira proposta) a participar na próxima ‘Jornada do Herói’. Esta jornada será composta por duas vivências, com enquadramento teórico e audiovisual, já que desejamos trazer a visualização de um pequeno filme (pequeno mesmo) que ajudará também a um melhor enquadramento da Jornada do Herói, tal qual a vemos e que passa por trazer para a nossa vida, nosso quotidiano, o que vemos nos filmes e que poderemos pensar que só ali acontece. A Vida acontece, em cada respiro, em cada passo, o herói habita cada um de nós, em cada momento. Então porque não, tornar a própria vida num evento épico, cheio de intensidade e pleno de transformações conduzidas pelo próprio… O teu filme, só tu podes realizar, argumentar, produzir e representar. O que, em Biodanza, se pode dizer também… a tua vida, só TU podes vivê-la! 

Juntas-te à saga? Este é o teu chamamento…!
Mais info: biodanzanunopinto@gmail.com

Os Heróis e o Cinema

13/06/2018

O cinema segue sendo o meio mais eficaz para veicular informação e retratar momentos e movimentos sociais, psicológicos, culturais. Como tal, e apesar de usar arquétipos, o que quer dizer que temas e personagens, heróis incluídos, são universais e existem desde os primórdios dos tempos, acompanha as questões que estão debaixo de foco social. Na verdade, quase se antecipam. 

Prova disso são os filmes para crianças, da Pixar/Disney.

Como o Brave (2012), Inside Out (2015) Maleficent (2015) Moana (2016), Coco (2017), que desconstroem estereótipos arquetípicos de meninas dependentes e frágeis, aludindo a deusas vulneráveis, que precisam do relacionamento para sua realização, substituindo-as por outros, como o de Artémis (Brave e Moana), deusa independente. Que apelam ao equilíbrio entre o matriarcal e o patriarcal, humanizando a mãe (Maleficent), que humanizam os heróis, considerando emoções como medo, raiva, tristeza (Inside Out). Ou que exultam valores como o da família, em vez da conquista épica, o da colaboração, e não do individualismo, o da humildade (Coco).

Os filmes, os desenhos animados, são o primeiro contacto que as crianças têm com os símbolos do inconsciente coletivo e a primeira forma pela qual apreendemos conhecimento. O reconhecimento psíquico pelo símbolo tem um impacto mil vezes maior do que o que apreendemos pelo intelecto. Por ser inquestionável, não estar ao alcance da dúvida do ego. O que apreendemos pela arte – seja ela a música, o cinema, a literatura, que ressoa e nos transforma, nos traz paz, tranquilidade, reconhecimento, ainda que não consigamos explicar intelectual ou racionalmente, e que nos outros não tenha o mesmo impacto – é inquestionável, mesmo que não encontre eco nos outros.

O ego sucumbe sempre perante algo que se encaixa emocionalmente.

E o mesmo acontece com os filmes para adultos. Independentemente do género, que, na verdade, é o jeito pelo qual recebemos, aceitamos e acolhemos informação. E, por isso e nesse sentido, é eficaz, gostemos ou não. Apreender conhecimento de forma lúdica, criativa, intuitiva, sem necessariamente infantilizar, continua a ser a forma mais inteligente de passá-lo.

Nada de bom se consegue à força, negando essência e alma. Nada…

Os arquétipos continuam então a refletir temas e potenciais comportamentais, e a acompanhar os tempos. As necessidades sociais.

E hoje, é clara a substituição dos heróis épicos pelos heróis humanizados. Homens e mulheres, que, por sua vez, são representadas de forma cada vez mais autónoma. Não descurando ou negando o relacionamento, que faz parte da vida. Mas substituindo o padrão arquetípico. Que antes era de vulnerabilidade (Hera, Deméter e Perséfone), que já foi de independência (Artémis, Atena e Héstia) e que cada vez mais é alquímico, Afrodite, que reúne características de ambos os tipos de consciência: relaciona-se, mas não depende de um homem para se sentir realizada, para ser salva… Sendo livre para escolher. Saiba mais

cursos@isabelduartesoares.com

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