Procrastinar

20/02/2017

“O não já tens”, “o pior que pode acontecer é ficares como estás”. Frases de efeito para convencer racionalmente de algo que queremos fazer e não conseguimos, por motivos emocionais, por isso procrastinamos. As ações e a vida. Seria maravilhoso se fosse tão simples. O único problema é não serem verdadeiras.

procrastinar

O que temos antes de tentar é a possibilidade.

O que temos depois, caso a nossa investida não dê certo, é a confirmação de que não é para nós. Para quem tem a ferida da rejeição e abandono, a possibilidade de dar certo é ínfima, quase inexistente, pelo menos na nossa cabeça.

Não é para a reação alheia que temos de nos preparar, aceitar, é para a morte da parte de nós que se identificou com a proposta. Procrastinar é adiar a possibilidade da fragmentação da identidade. Da rejeição de uma parte de nós que nos é muito querida. De nos identificarmos totalmente e de esse nosso lado não ser reconhecido, qualificado, validado. Outra vez.

Se tiver medo, vai com medo mesmo.

Em quem tem a ferida da rejeição e abandono, a grande maioria de nós, ainda que não necessariamente de forma literal, acresce essa dor, a possibilidade de viver tudo outra vez. Mesmo sabendo racionalmente que temos outra estrutura para aguentar, emocionalmente temos a idade em que sofremos o trauma e por isso parcos recursos para lidar com tamanha adversidade.

Ainda que a certeza de que não é para nós traria libertação, e traz. Andar para a frente, descobrir uma coisa nova para fazer no lugar daquela, libertarmo-nos dessa obrigação. E mesmo que estejamos certos de que não morremos na sequência de tamanha estocada no ego e profunda dor de alma. Só quando nos fortalecemos, nos sentimos suficientemente reconhecidos ou é mais forte do que qualquer medo, ganhamos coragem para avançar.

Palavras

20/02/2017

Não gosto assim tanto de tanta gente, prefiro palavras. O desafio é maior do que parece, abstrairmo-nos do significado e ficar apenas com o som da palavra. No limite, com a sensação que nos transmite. Há muitas palavras em português do Brasil, não raras vezes desatava a rir-me às gargalhadas ao ouvir as pessoas falar, algumas em inglês, uma em alemão e o resto em português de Portugal. Aqui ficam:

100 palavras que adoro

palavras

1) Fornicoques 2) salsifré 3) libidinoso 4) giro 5) bagulho 6) gergelim 7) surrender 8) everlasting 9) colibri 10) cherish 11) lufada 12) catadupa 13) chinfrim 14) rodopio 15) virulento 16) cabriolas 17) libertinagem 18) forrobodó 19) regabofe 20) cantarolar 21) trautear 22) tirolês 23) trufa 24) caceteiro 25) trauliteiro 26) patrioteiro 27) canícula 28) contumaz 29) virtuoso 30) apoplético 31) fraldiqueiro 32) sostra 33) mouco 34) reckless 35) martelada 36) pincho 37) bufa 38) pinocada 39) traulitada 40) píncaros 41) empiteirar 42) afobação 43) trem 44) encafifado 45) anafado 46) pintalgar 47) chinfrineira 48) solitude 49) bitolado 50) solha 51) destempo 52) dengo 53) estrela 54) retumbante 55) catrapiscar 56) pudim 57) vesgo 58) siricutico 59) faniquito 60) cafuné 61) mocoronga 62) trambolho 63) fusué 64) bololô 65) Beleza 66) bafafá 67) mitra 68) fudunço 69) putaria 70) bravio 71) sinuoso 72) ardiloso 73) dodgy 74) salamaleques 75) Serendipity 76) finitude 77) rebaldaria 78) Trash 79) cagaçal 80) estafilococos 81) pináculo 82) pífio 83) truculento 84) cambalhota 85) parola 86) bufaria 87) lingering 88) frincha 89) cafetão 90) arrepio 91) comité 92) periclitante 93) tisnado 94) guincho 95) festarola 96) sheer 97) wunderbar 98) tofu 99) bafo 100) pingonheira.

Artist’s Date 51/365 – List 100 people words you love

Sr. Freud visto por quem leu

19/02/2017

Muito bom este romance em forma de cartas ao Sr Freud. Escrito de uma forma simples, leve mas profundo, abordando assuntos “sérios” de divã mas com humor, este romance leva-nos a uma viagem pelos meandros da psicanálise e do nosso eu. Algumas cartas pareciam ter sido escritas por mim, assim eu tivesse engenho e arte, de tal modo me identifiquei. Será a Isabel Duarte Soares o meu alterego? Recomendo! Para os fãs da psicanálise e não só… Hélia Jorge (Fevereiro 2017)

Adorei, adorei le-lo, tens sem duvida uma escrita fácil de ler o que me cativou imenso em relação ao livro em si. Achei imensa piada ao facto de usares personagens conhecidas como os clientes de Freud, alguns mais antigos outros maEu e o Sr. Freudis recentes mas todos abordando temas da sua época que se encaixam a 100% na atualidade. Também reparei que nalgumas cartas ias buscar pormenores de cartas anteriores, nunca tinha visto nada escrito desta forma antes. E gostei porque automaticamente associei as cartas entrelaçadas. E A D O R E I o à vontade e o safoda da escrita, expressas o que te vai na alma sem sequer te importares minimamente que alguém pode considerar isso obsceno, fiquei mesmo fã. Beatriz Rodrigues (Agosto 2016)

Uma viagem íntima aos muitos arquétipos clássicos e modernos que movem nossas facetas sociais. Questionamentos, descobertas… O divã da psicanálise acessível por cartas endereçadas a Sigmund Freud, monólogos com as mais surpreendentes assinaturas, como um espelho em palavras lançadas segundo fragmentos brilhantes para o auto conhecimento. O mais recente livro de Isabel Soares é a confirmação de um talento surpreendente, criativo e marcado por sua patente originalidade. Paulo Nunes (Fevereiro 2015)

Mais