As séries de advogados e eu

13/08/2018

Quando achava que depois de Ally McBeal e Boston Legal série de advogados alguma iria reconquistar-me, eis que surge: The Defenders

The Defenders

Se calhar já tem dez anos…

Tem um advogado novo e gato, um mais velho que é o big boss, uma jovem mulher brilhante, um argumento genial, reviravoltas incríveis, catchy desde o início, do melhor.

Na TV Series, 3€/mês.

De nada

Eduardo e Mônica*

07/08/2018

De que nos serve o intelecto, mi amor, se não temos o carinho dos gestos? De que nos serve sermos éticos, exemplares, corretos, se nos falta a compaixão, a identificação com o outro, o humanismo, a capacidade de largar tudo e ir a correr cuidar dele? De que nos serve o sentido do dever, meu querido, sem a generosidade incondicional dos afetos, sem liberdade emocional? De que nos serve o que fazemos pelo outro, my love, se apenas o fazemos pelo nosso ego e não, nem que seja um bocadinho, para ver o outro feliz? Só para ver o outro feliz. De que nos serve a dedicação ao outro, se não conhecermos os nossos próprios limites? De que nos serve estarmos cheios de razão e nos faltar o coração? De que nos servem as ideias, a prossecução dos mesmos fins, se corremos em direções opostas? De que nos servimos, se não nos damos? De que nos servem as palavras, se nos faltam as ações? De que nos serve fazermos sentido, my darling, se nos falta tudo o resto? De que nos serve o desejo, se nos falta o sentimento? O prazer, se nos falta o envolvimento? De que nos serve a paixão, sem mais nada? De que nos serve amarmos o outro, se não for apenas pelo facto de existir?

*Legião Urbana

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De volta à conexão

06/08/2018

Depois de 15 dias de folia, mais 15 de mobilidade reduzida por causa de uns pontos nas costas, mais um fim-de-semana de canícula insuportável, inauguro a temporada de caminhadas ao fim do dia. No inverno caminho à hora que fizer mais calor. 

Leva um tempo para mudar de hábitos, mesmo os bons.

Mas vale a pena. A conexão, a sensação do movimento, o passo acelerado, o alívio da tensão, a libertação, a sensação de plenitude.

A que até há um mês era a minha very own private beach tem agora um co-proprietário.

Partilharmos os nossos lugares especiais é convidarmos o outro a entrar no nosso mundo. Melhor do que isso, só quando se revê no mesmo espaço, sem saber que há muito o escolhemos como nosso e só nosso. Maior conexão seria difícil. E nunca mais vou vê-la da mesma maneira. Agora, é ainda mais especial.

Quando a maré está vazia, só lá cabemos nós.

Netflix: o melhor amigo do introvertido.

06/08/2018

Nestes dias de canícula insuportável, com as mãos em chagas por causa do calor e da alergia a todo o tipo de metais, incluindo o de que é feito o meu computador, dediquei-me ao mais recente fenómeno de massas: Netflix de seu nome. netflix

Diziam-me que era bom para séries e filmes…

Se for para ajudar os argumentistas a viver, pagando-lhes direitos de autor, ’tou dentro.

Uma verdadeira bosta quanto a filmes, qualquer um deles pode ser visto na TV normal. Daí que não vale a pena pagar extra para tal.

Já quanto a séries, o que mais prometia, outra bosta, mas menos má. Mecanismo valeria a assinatura, excelente. Gypsy, infelizmente, só tem uma temporada. De resto, enche-me um bocado a paciência a frequência com que o tema: assassínio aparece nas sinopses. Rara é a série que não seja à volta disso. ‘Tou de saco cheio de violência.

Vamos antes aprender a lidar connosco e com os outros.

E cheguei à conclusão de que é isso que me chateia, mesmo quanto ao meu tipo preferido, a que dediquei mais tempo e, na minha modestíssima opinião, a única coisa que vale verdadeiramente o investimento: os documentários.

Tudo muito americano e por isso demasiado fake. Como se as coisas de cabeça fossem curáveis e ainda mais por passe de mágica. Mesmo que tenha gostado de alguns.

Sou e serei team BBC.

Take your pills, que mostra a sociedade doentia em que os EUA se tornaram, e para a qual arrastam toda a sociedade ocidental: a que usa comprimidos para mascarar sintomas do corpo que simplesmente informam: já chega, estás a dar cabo de nós, mas que a cabeça não aceita, e que faz de 90% dos estudantes universitários americanos aditos a adderall, para aguentar a performance. Atletas incluídos. Tudo fake, as miúdas da ginástica não são as melhores porque têm bons treinadores, porque se dedicam à causa, mas porque tomam comprimidos… Phelps idem. E que é o resultado de uma sociedade que vive para o consumo e para se ser o melhor, custe o que custar. Desconsiderando personalidades, maneiras de ser, tipos psicológicos. A sensação com que fiquei foi que nos querem transformar a todos em STJs. Deus me livre… Uma doença mental e das boas… Simplesmente porque acaba com a diversidade, que é o que nos torna mais ricos e mais humildes.

Hunting Ground, produzido por um casal que conheci nos EUA, sobre abuso sexual e violação entre estudantes americanos de universidades de topo, de todo o tipo, incluindo: Harvard, Princeton, Berkley, e como se protegem, e aos abusadores, por causa da reputação, em detrimento das miúdas abusadas e violadas. Bom de tão chocante.

Innsaei, muito bom, com exemplos europeus e por isso sempre mais realista.

E o melhor de todos: The Last Shaman, sobre um introvertido, INFP de certeza, que vai para a Amazónia, Peru, tentar o último recurso antes de se matar: um ritual de ayahuasca. Humanista, realista, o que se quer: conexão, empatia, gente de verdade por detrás do personagem.

E, com tanta reclamação, porque é então o melhor amigo do introvertido?

Porque durante todo esse tempo não pensei em fumar ou em nada que me autodestruísse ou deprimisse.

Influencer? RAP explica.

01/08/2018

Dizem-me que agora há uma profissão chamada influencer. Funciona como as vozes na cabeça, mas, pelo menos por enquanto, pretende apenas acicatar o consumo. Sugerir que você compre esta bebida, frequente aquela academia, calce determinado sapato. São os antigos comerciais da televisão, mas agora mais modernos, porque são feitos por pessoas cuja profissão tem o nome em estrangeiro. E, não sei por que, costuma envolver o jogo da velha. Depois de revelar que é um consumidor feliz de determinado produto, o influencer diz coisas precedidas pelo jogo da velha: #bonsmomentos, #olhasóquemaravilha, #nãoseiseaguentotantafelicidade etc. 

A profissão de influencer levanta, contudo, um problema de filosofia da linguagem. Exercer influência sobre outros é uma coisa que se faz, não uma coisa que se diz. É como, por exemplo, a sedução. “Eu agora estou a seduzir-te muito com este meu sensacional encanto” não seduz ninguém. Anunciar “vou seduzir-te” costuma inviabilizar a sedução. O encanto precisa de ser demonstrado com palavras, mas não enunciado.

Ora, o requisito prévio para influenciar pessoas costumava ser omitir o fato de estarmos a tentar influenciá-las. Quando uma pessoa desconfiava que estavam a querer influenciá-la, resistia a ser influenciada. Ser influenciável não era exatamente uma qualidade.

@FolhaSP

A Little Prayer

29/07/2018

O bom dos 40 é que a gente perde a vergonha. É o primeiro grande contacto que temos com a realidade: já não tens a vida toda pela frente. E tens pouco tempo a perder.

Ontem, fiz a coisa mais difícil da minha vida. Li alto, para um bando de desconhecidos e alguns conhecidos, o texto mais íntimo que alguma vez escrevi.

Será o último capítulo de um livro.

A minha guerra com os lojistas e as pessoas que atendem o público em geral

25/07/2018

Digo bom dia, independentemente da hora. Invariavelmente, respondem-me: bom dia não, boa tarde. Ou: Bom dia? Boa noite! dia

Ainda é dia, o dia não sei quantos do mês em curso, do ano da graça de 2018.

Ganho sempre…

Houve um jovem que chegou a responder-me, certamente numa tentativa de solidariedade: eu digo bom dia porque ainda não almocei. Coibi-me de lhe responder: o mundo não gira em torno da hora a que o senhor almoça…

Já o senhorzinho, que me atendeu agora mesmo, limitou-se a segurar-me na mão e a rir-se. Como o meu pai fazia com quase toda a gente, com imenso sucesso.

As pessoas ainda não estão familiarizadas com a ideia de totalidade… Só conhecem a polaridade.

O dia e a noite podem ser entidades separadas, mas juntas formam um dia completo de 24 horas…

Um dia, nós, os que procuramos a completude, dominaremos o mundo…

E Jung ressuscitará para nos salvar.

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