Nó Celta

25/11/2019

Símbolo celta para a Eternal life – que me atraiu sem lhe conhecer o significado, ao ponto de ignorar que dizia julho.

Mas não de me passar ao lado a palavra rubi.
Sinal de símbolo inconsciente constelado na consciência.
O mesmo símbolo ficou-me atravessado numa pregadeira que eles usam nos lenços. Não aquela dos kilts, linda, que deixa um pouco de tecido preso e a ver-se, que usam perto do ombro.
É uma de pescoço.
Um nó celta que me prendeu os olhos. Sendo que papai tem com certeza ascendência celta. O inconsciente coletivo não perdoa. E o poder dos símbolos e a relação direta com temas arquetípicos está aí para prová-lo.
Muito menos brinca em serviço.
A minha cara. Para substituir a estrela vermelha que o meu bff insiste em dizer que é coisa de comuna.
Malditos os que se apropriam de símbolo universais e fazem deles seus. 

Mind the Gap

23/11/2019

“He has plunged into the healing and redeeming depths of the collective psyche, where man is not lost in the isolation of consciousness and its errors and sufferings, but where all men are caught in a common rhythm which allows the individual to communicate his feelings and strivings to mankind as a whole.

The Psyche does not trouble itself about our categories of reality; for it, everything that works is real… In psychic life, as everywhere in our experience, all things that work are reality, regardless of the names man chooses to bestow on them. To take these realities for what they are—not foisting other names on them—that is our business.” Carl G Jung

Livros – Royalties

19/11/2019

Recebi os meus primeiros royalties internacionais. Correspondentes a dois livros traduzidos em inglês, francês, espanhol e o primeiro também em italiano.

Lamentavelmente, o governo americano ficou-me com três dólares e uns trocos. De US$10… 30%.

Já em Portugal são 16%…

É mesmo só pelo amor à nobre arte da Literatura…

No calor da emoção dos 7 dólares na minha conta, quase me esqueci de agradecer às tradutoras de ambos os livros, em 4 línguas. Sem as quais nem 7 dólares seriam possíveis.

Muito menos o incrível que soam as minhas palavras noutras línguas…

Gratidão* é pouco. E voltar a apaixonar-me pelos meus livros é o melhor de tudo.

(*Aqui, curiosa e raramente, o uso da palavra gratidão está correto…)

Jornada do Herói

18/11/2019
Quando o Kev me disse que tinha ido ao Japão para ver a Escócia jogar, de propósito e só para isso, lembro-me de ter pensado: o que estes malucos não fazem pela bola…
 
Para partir para a jornada do herói, o ego precisa de um motivo, um objetivo concreto. Algo suficientemente forte que o convença a sair de casa.
E que ele entenda, aceite, ou não vai…
Para comprar o bilhete, ir até ao aeroporto e passar a porta de embarque. O Self, embora seja o vento que enfuna a vela, não chega. Mantém-nos nela, até ao fim, se conseguirmos ouvi-lo, sentir a presença de algo mais forte, inexplicável e irrecusável.
Mas é o ego que dá o passo decisivo
A minha desculpa para vir e ter viajado tanto por aqui, com tempo e sem obrigações coletivas, foi o Outlander, o Jamie.
 
Mas o que sinto quando leio os livros e vejo a série é bem mais profundo. Como o é a história dos dois. E a relação que constroem.
Por isso fui a Ayr hoje.
O porto de onde Bree vê Frank, já morto, abençoando-a na jornada. O mesmo de onde Roger parte para ir ao encontro dela.
 

Ayr, Escócia 2019.

Jornada essa que, por mais ameaçadora que seja, é para nós, está à nossa espera e nós temos condições para a cumprir. 

É a cabeça que nos ilude o tempo todo.
O corpo, o que vai além do intelecto e do pensamento, nunca nos mente. Nunca… Sem a interferência do ego controlador, ele sabe o que fazer. Para onde ir. O que lhe faz bem e o que lhe faz mal.
 
Dunure também é o porto de onde partem Jamie e Claire para a Jamaica.
 
Também é aqui que Jamie e Claire vêem o jovem Ian nadar até às ilhas Silkie. E onde Jamie havia ido antes, quando fugiu de Ardsmuir na esperança de encontrar Claire…

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O desgraçadinho

16/11/2019

Em relação ao mendigo que salvou um recém-nascido resgatando-o do lixo. À demagogia do costume que se seguiu. Nomeadamente que o salvador é um desgraçadinho, que é mendigo, dorme na rua e está à espera há meses de exames e cirurgias.

E, em resposta a este comentário:

Se calhar não está assim tão abandonado como pode parecer, talvez tenha onde dormir, talvez tenha apoio das instituições competentes e não queira. Prefira estar na rua como muitos outros. Quanto às questões clínicas já não me pronuncio.

Respondo:

É evidente que tem onde dormir e o que comer

Não dorme com um teto em cima da cabeça porque não quer. Porque isso lhe limita a liberdade. Tem de cumprir regras, chegar a horas, conviver com outras pessoas, dormir no mesmo espaço com pessoas que nunca viu…

E se não chegar a horas, não entra.

Entendo-o perfeitamente, quanto às questões de liberdade individual.

A liberdade tem um preço e o preço que ele aguenta pagar é viver na rua.

Quanto aos cuidados médicos, também não me pronuncio.

No entanto, em jeito de heads up, quando a gente decide sair do sistema, não pode exigir que o sistema cuide de nós. Apesar de haver um mínimo de dignidade que tem de ser adequada e assegurada. Queira a pessoa ou não. Nomeadamente quanto a cuidados de saúde.

Mas espera ele como espero eu

A diferença é que eu pago impostos e ele não…

Se somos todos iguais, porque é que ele há de me passar à frente se eu até pago impostos para garantir cuidados de saúde mínimos, nomeadamente, não morrer porque fiz uma cirurgia a tempo? Ler Mais…

Glasgow e Eddie

15/11/2019

Quando voltava de Inverness para Edimburgo, um moço escocês, pai de dois rapazes, homem de família, sentou-se ao meu lado no busão.

Falámos um bom bocado e uma das perguntas que lhe fiz foi: porque era Edimburgo a capital e não Glasgow, que é muito maior.

Ele falou não sei se numa regra, recomendação, lei, que nada poderia elevar-se acima do Castelo de Edimburgo e ofuscá-lo.

Castelo de Edimburgo, Escócia 2019.

Glasgow é de facto diferente.

Embora mantenha edifícios antiquíssimos e igualmente lindos, tem prédios altos. As pessoas são apressadas como em qualquer capital. E como não o são em Eddie.

Glasgow mais agitado, Eddie mais descontraído.

Tem metro. Embora pareça de bonecas, para hobbits. É mínimo e muito baixinho.

Tem uma universidade antiquíssima, também ela palco de algumas cenas de Outlander.

Linda… Que sonho, estudar ali… 

Com o Kevingrove Park ali ao lado… 

Mas Glasgow merece um texto só 

E a capital da Escócia está muito bem entregue a Edimburgo.

Parques

14/11/2019

Uma das poucas vantagens dos países em que chove dez meses por ano, como é o caso da Escócia, tive uma sorte que nem acredito, é serem muito verdes. As cidades são parques imensos.

Tudo é verde. Em todo o lado. E, em todas as planícies verdes, há ovelhas a pastar. Três para cada escocês, dizem.

Em Eddie há os Queen Gardens, enormes.

Queen Gardens, Edimburgo, Escócia 2019.

Em Glasgow há o Kelvingrove Park, junto à universidade. Passeei lá horas. No outono, particularmente bonito.

Temo que, afinal, quem tem os outonos mais bonitos é a Escócia, e não os EUA…

E este parque é um pequeno paraíso na cidade… Enorme…

Ao lado da universidade de Glasgow, também ele uma Outlander location. Que descobri por mero acaso. E me hipnotizou o suficiente para entrar e por lá deambular um bom bocado, encantada com as cores do outono e a poesia de uma ou outra folha a cair, quase a pairar, na verdade. Nada preocupada em me perder…

Glasgow também tem água. E muita. Adoro cidades com água…

Kelvingrove Park, Glasgow, Escócia 2019.

A natureza em geral, as árvore em particular, são civilizadas.

Tudo arranjadinho, por tamanhos, cores e tipos.

Mesmo nas bermas das auto-estradas. Parece paisagem de embalagem de chocolate. Lindo de mais.

Viajar pela Escócia, de combóio, autocarro ou carro, é um deleite para os olhos e um banho de poesia. Só natureza, o tempo todo. Qualquer viagem que se faça, estrada ou caminhos de ferro, é isto.

E é tão bonito…

Em toda a Escócia, onde pode haver um bocado verde, há uma árvore, ou só relva, plantada.

Toda a vista do castelo que fez as vezes de Wentworth Prison em Outlander dava um texto só…

Até onde a vista alcança e é incansável…

Jardins da “Wentworth Prison”, Escócia 2019

Kelvingrove Park é onde Claire empurra Bree no carrinho, atravessando uma ponte e passando por um escocês que toca gaita de foles.

O Livro Vermelho

13/11/2019

Uma das minhas fantasias é ter uma livraria. E dentro dela uma daquelas cabines telefónicas britânicas com prateleiras onde ponho os meus livros de psicologia para consulta.

Exceto o Livro Vermelho

Esse, só a meia dúzia de páginas do Liber Secundus, é a minha bíblia. Ficará na minha mesa de cabeceira.

Descobri que Jung apenas transcreveu uma parte. Que o livro original tem a transcrição dele e os manuscritos.

Tenho pensado no Livro Vermelho

A plataforma onde já fiz, e estou a fazer, alguns cursos de estudos de Jung aplicados, inaugurou, enquanto eu estava na Escócia, um curso sobre o Livro Novo. O título que Jung lhe deu. Perguntei se ainda ia a tempo de me inscrever.

Li três páginas do início do curso e o que era apenas um símbolo, constelou-se.

E identifiquei-me muito com o: que se lixe o que ficou para trás, mesmo que, no caso dele, tenha sido uma linha de psicologia inteira, o que importa é isto:

“The years… when I pursued the inner images, were the most important time of my life. Everything else is to be derived from this. It began at that time, and the later details hardly matter anymore. My entire life consisted in elaborating what had burst forth from the unconscious and flooded me like an enigmatic stream and threatened to break me. That was the stuff and material for more than only one life. Everything later was merely the outer classification, scientific elaboration, and the integration into life. But the numinous beginning, which contained everything, was then.” Ler Mais…

Sobre a poesia

13/11/2019

Quando fui para o Brasil, ao fim de 2 ou 3 meses, uma amiga disse:

é impressionante como a tua escrita está diferente.

Precisamos então de nos distanciar para descobrir a nossa identidade fora dos nossos inconscientes coletivos nacionais e familiares.

Terras Altas, Escócia 2019

Para com eles podermos fazer as pazes, reunindo-os ao resto da identidade.

Para sabermos quem somos e assim podermos permitir-nos perder o medo do ridículo e conseguir expressar emoção, vulnerabilidade.

Em vez de puras racionalizações.

As racionalizações protegem as emoções vulnerabilizam. Mas tornam-me real, humana, apaixonada, emocionada, visceral.

Sem medo da exposição, do ridículo ou da crítica.

No dia em que escrevi isto, leio, pela pena do JPC, por quem nutro o maior apreço, o seguinte:

E, já agora, a receber o imponderável, a aceitar o acaso da vida sem se refugiar no velho castelo do cinismo, do privilégio e da misantropia.   

Foi em SP que escrevi quase todo o Message in a Bottle, que, ainda que com algumas racionalizações, muitas, na verdade, tem lá toda a minha alma. O meu sangue, algumas das minhas lágrimas. A fonte é inesgotável…

E muita poesia…

Depois de não escrever nada de jeito há séculos, e de aqui não parar de o fazer, embora a falta de leitura de literatura portuguesa me deixe enferrujada quanto ao vocabulário. Parece que me faltam os sinónimos todos e que só conheço 100 palavras. Agora, a tomar banho, talvez tenha descoberto o que vim aqui fazer.

Perder o medo da exposição, da vulnerabilidade.

Para assim poder soltar o verbo.

O que faltava para projetos literários futuros. Encontrado nas Terras Altas, na Escócia.

Terra de bravos e orgulhosos guerreiros.

Bem humorados e apaixonados.

A Escócia está pejada de poesia. A beleza em cada detalhe. É sempre esta que me inspira. A beleza poética.

Algo aconteceu nas Terras Altas

O corpo não mente. A cabeça é que ilude…

Talvez tenha sido isso que vim resgatar aqui. E o choro, a libertação das amarras que me prendiam ao intelecto.

A rendição ao feminino, finalmente…

Tipo J

12/11/2019

O que me faz impressão nos tipo J é o pouco espaço de manobra, de versatilidade, de abertura ao surpreendente e ao inesperado.

Todos os espaços em branco ou vazios da estrutura do dia e da noite estão preenchidos com atividades diversas e interesses vários, com o maior e mais disperso número de pessoas possível.

Não é nem o espaço para a intimidade

que precisa de ser construído e para tal é preciso tempo. De quietude e de contemplação, para que os vazios verbais possam instalar-se e o espaço para a vulnerabilidade e por conseguinte a intimidade se abra.

É o espaço para a surpresa, para o que a vida nos reserva e a gente não controla. O que está à nossa espera. Não porque o ego assim o demanda, mas porque o Self assim o impera.

Não o caos sem norte que é muitas vezes a vida de um P.

A sociedade patriarcal da ordem, das rotinas e das hierarquias não o permite. Se não formos trabalhadores por conta própria e possamos gerir os nossos horários. E mesmo esses aprendem rápido que têm de manter uma rotina por forma a cumprir prazos. Pôr o cérebro para funcionar todos os dias à mesma hora, para que este se habitue e o faça naturalmente. Ler Mais…

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