Beleza poética

18/12/2017

Na minha ida semanal às compras com mamãe, tenho-me encantado com as flores expostas à saída do Pingo Doce. Ao contrário da fruta, que, independentemente da época, podemos encontrar a que que quisermos num qualquer supermercado de esquina, é a modernidade, as flores permanecem fieis à sua essência e só despontam quando é a época delas.

Estou cada vez mais convencida de que as coisas podem não vir como as esperamos, queremos que viessem, mas vêm certamente da forma que têm de vir. Se não formos rigorosos, de vistas curtas, se soubermos render-nos a uma sabedoria maior do que o ego, a sabedoria total.

E não é uma questão de positivismo, de tentar tirar o maior partido, de ver coisas onde não existem. Mas de plenitude.

Um olhar artístico que se sobrepõe à rigidez e ao olhar crítico do ego

Mesmo numa experiência que aparentemente não satisfaz, nos perturba de alguma forma, há sempre alguma coisa que a faz valer a pena e que está longe do racional, do tentar não lidar com a perturbação, do podia ser pior, que é argumento que me tira do sério.

I began to notice that each moment was not without its beauty

Artist’s Date 346/365 – Visit a Plant Store (15 Dez.) Ler Mais…

O Sexo e a Cidade

16/12/2017

Apesar das torres gémeas no genérico, dos primórdios da internet, dos discman e dos head phones unidos por uma auréola, da ausência de telemóveis, a dar os primeiros passos lá para o meio. De a Carry ter menos dez anos do que eu, da frustração de não assinar uma coluna num jornal, da histeria do êxtase manifestamente exagerada, mas engraçada, não sou screamer e não faço favores nem alimento egos pouco esforçados e quase nada dedicados à causa. Dos outfits foleiros e muitas vezes desapropriados, das saídas à noite e de dia, de ninguém cozinhar. O Sexo e a Cidade permanece real.

E a identificação total

O argumento, as perguntas iniciais escritas em Mac antigo, as obsessões e as compulsões, as dúvidas, as questões de poder tão bem retratadas. As coisas de que tentamos convencer-nos para manter um relacionamento, quando tudo nos desconvence. Tudo real. Tudo transversal a todo o ocidente.

Mais de 15 (?) anos depois, comecei a rever todas as temporadas, episódio a episódio, por ordem.

Não gostamos de quem deveríamos (Aidan), não resistimos a quem pouco nos acrescenta (Big), não basta um gajo ser querido e afetuoso. Aidan, por exemplo, não me convence, é extrovertido e colante demais…

Às vezes não ter nada a ver connosco e ainda assim…

O que me encanta, ou não fosse eu das letras e não escrevesse sobre outra coisa que não relacionamentos, é o argumento. O texto é inteligente, humorista muitas vezes, humanista em todas elas. A construção de personagens também. Têm um padrão definido, como temos todos, mas não se fecham em si mesmas, tendo múltiplas camadas, segredos escondidos, gavetas fechadas e esqueletos no armário.

Não precisa de crimes para sobreviver e nunca, nunca perde o interesse.

É para seguir Michael Patrick King para onde for.

Conseguiu fazer de um livro absolutamente repugnante e mal escrito uma série intemporal. E fabulosa.

Dizer não de vez*

15/12/2017

Fácil é dizer não, virar as costas, bater a porta, ignorar, deixar ladrar os cães enquanto a caravana passa. Erguer um muro e deixar fazer ricochete. A ameaça à sobrevivência emocional e física é por demais evidente para ser encarada com leviandade.

O difícil é dizer não de vez a quem é simpático, de falinhas mansas, jeito afetuoso e perfil cuidador. Prestável, elogioso, protetor, disponível. Presente, pelo menos, aparentemente. Dizer não

É largar o conforto, a cama, mesa e roupa lavada. A mesada, a sopinha acabada de fazer no dia em que chegamos tarde. Dizer não à oferta: deixa que eu faço, eu pago, eu resolvo.

Eu cuido

Sem os meus cuidados, o meu amor, a minha dedicação, o meu afeto… não sobrevives. Ninguém cuida de ti melhor do que eu.

São relações de co-dependência

E minam a autoconfiança de quem se entrega para não ofender, não desapontar, não fazer a desfeita.

Não há altruísmo, generosidade, dedicação. Quem a tal empreitada se propõe, alimenta-se disso. A sua sobrevivência depende de alguéns dispostos à infantilização total.

É a sombra do arquétipo da Deméter, a mãe boa.

Mas que não se pense que funciona apenas no feminino. No caso dos homens, tem outros contornos. Igualmente difíceis de descortinar. São os conquistadores, os Don Juans. Viciados em sedução. Afetuosos, um pouco femininos, sensíveis qb.

Autonomia precisa-se e o jeito é sair. Não necessariamente romper, mas se for preciso, afastar.

Se o amor for puro, deixa voar. E acolhe sem cobrança.

É o passarinho que precisa voar além do ninho. O filho que precisa ir à vida, garantir-se. Sem depender da mãe, ou da mulher, para tudo. É uma questão de sobrevivência, esta do dizer não de vez.

Estar preparado para a luta, a chantagem emocional, a manipulação a vários níveis. E resistir.

*Título roubado aos Xutos & Pontapés, em jeito de homenagem ainda a tempo ao porreiraço do Zé Pedro, que descanse em paz. Ou não… Que faça uma mega festa lá no céu, ao som de Rock ‘n Roll.

Late Dates

14/12/2017

Este date tem o patrocínio do meu querido BFF, que me mandou esta foto de Bruxelas, quando lhe disse que adorava mercados de Natal. A Grand Place fica ainda mais bonita nesta época do ano. E esta foto faz-lhe jus. Mesmo que nenhum de nós tenha pendurado as luzes de Natal na árvore.

Artist’s Date 342/365 – Hang some X-mas lights   (11 Dez.) Ler Mais…

MBTI – INFP

12/12/2017

Só numa das vezes em que fiz o teste MBTI me deu outro resultado, do qual nem me lembro mais. De resto, foi sempre INFP. Com ele, é enviado um relatório de 50 e algumas páginas sobre este tipo de personalidade. INFP

Ao lê-lo, senti-me finalmente acolhida. Na minha diferença, na minha forma particular de ver o mundo e de entender a vida.

Foi nesse sentido que o MBTI me salvou

Já contei essa história várias vezes aqui. Comecei a seguir algumas páginas e grupos de introvertidos e de INFPs em particular e a apaziguar o espírito inquieto e indomável.

Volta e meia, refazia o teste.

O que aconteceu quando o meu pai morreu. Aí uns dois meses depois. Deu 98% de introversão. Naturalíssimo. Estava em luto profundo e não queria saber de ninguém. Nessa altura, pedi o perfil completo, que é pago. E adorei. Deu-me mais luzes sobre este tipo e ajudou-me no pior momento da minha vida, mais uma vez, a apaziguar-me.

Voltei a fazê-lo mais vezes, as percentagens mudam, o tipo mantém-se.

Nestes grupos, havia coisas com as quais me identificava mas que já me irritavam um bocado. Por já estar devidamente acolhida e apaziguada com o facto de ser uma comum mortal e não um alien e por, ocasionalmente, me perguntar: e agora, o que faço com isso.

Foi quando conheci a Mari…

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