The Shadow

21/05/2019

“The shadow is a living part of the personality and wants to live with it in some form. It cannot be argued out of existence or rationalized into harmlessness. This problem is exceedingly difficult, because it not only challenges the whole man, but reminds him at the same time of his helplessness and ineffectuality.

Strong natures – or should one call them weak? – do not like to be reminded of this, but prefer to think of themselves as hero’s who are beyond good and evil, and to cut the Gordian knot instead of untying it. Nevertheless, the account has to be settled sooner or later. In the end one has to simply admit that there are problems which one cannot solve on one’s own resources.

Such an admission has the advantage of being honest, truthful and in accord with reality, and this prepares the ground for a compensatory reaction from the collective unconscious.”

Carl Jung In: The Archetypes and the Collective Unconscious

Mãe e Pai

20/05/2019

Se pensarmos no tipo que nos atrai, iremos encontrar certamente muitas semelhanças com a nossa mãe e o nosso pai, ou com quem de nós cuidou, ou um antagonismo total dos mesmos. Que vem da relação com a mãe e o pai, primordial, pela via dos nossos pais particulares.

Corroboro assim a ideia da noção que temos de amor, e que pauta todos os nossos relacionamentos, é a do modelo de amor que tivemos da nossa mãe… Desse modelo de vínculo.

Essa é a primeira das nossas ligações

Há uma citação de um jornalista, escritor, professor de que, e de quem, gosto muito, João Pereira Coutinho: Mesmo que a liberdade de escolha me leve a escolher maus caminhos, é preciso não subestimar a importância do erro nesse processo de aprendizagem chamado vida humana. Limitar ou abolir o erro deixaria os indivíduos num estado permanente de ignorância e infantilidade.

Nós não somos o que fizeram connosco, nós somos o que fizemos com o que fizeram connosco. Carl G. Jung

Fim

Temas arquetípicos do feminino

19/05/2019
Também temos então temas arquetípicos diferentes:

O do masculino é a relação com o pai. A repetição ou não da história de Urano, Cronos e Zeus. O cinema reproduz o mesmo tema arquetípico, todos os filmes com protagonistas masculinos têm uma questão com o pai. Ou falam dela… Hierarquia, autoridade, sigo-lhe os passos ou faço o meu próprio caminho? E se escolher o meu caminho, ele aprovará e gostará de mim? Enfrento-o? Envergonho-o?

O do feminino é a relação.

São séculos de patriarcado a proteger o ego masculino e as mulheres não fogem a essa regra. Pois fazem o que for preciso para manter a relação. É esse o tema arquetípico delas.

Mesmo as mulheres com arquétipos das deusas virgens, que não precisam de um relacionamento para se sentirem realizadas (Héstia, Atena e Artémis), quando estão num relacionamento é frequente aparecer outro arquétipo, de deusa vulnerável (Perséfone, Deméter e Hera), que precisa do relacionamento para se sentir realizada, precisamente para manter esse relacionamento, pois é esse o seu tema existencial, arquetípico. E nenhuma deusa virgem sustenta sozinha um relacionamento… Por isso muitos homens reclamam das mulheres depois de casar, acham que elas mudam e que aquela não foi a mulher com quem casaram. Foi, tem é outro arquétipo ativado.

Já que falamos de identidade e de masculino e feminino, e de arquétipos de ambos, então se calhar o melhor é começar pelo princípio…

Pelo arquétipo materno e paterno

Na mitologia, temos três tipos de pais arquetípicos: Zeus, Poseidon e Hades. E dois tipos de mãe: Hera e Deméter.

Psiquicamente, o arquétipo tem uma trajetória, ou uma de três opções, caminhos, já que a consciência tende a ser polarizada.

Pai – Arquétipo

Passivo (Hades) /Emocionalmente distante (Zeus) ———— Orientador (integrado) ————- Autoritário (agressivo, violento, descontrolado, prepotente (Poseidon).

Um arquétipo paterno integrado é orientador e disciplinador, mas com Eros, não autoritário.

Mãe – Arquétipo

Passiva, cuidadora, mãezona, codependente, ninho vazio (Deméter-mãe boa) ———– Nutridora, (integrado) ——— Autoritária, invejosa, poder, rigidez (Hera – mãe bruxa; madrasta).

Um arquétipo materno integrado é nutridor, afetuoso, carinhoso, incentivador. Responsabiliza o filho, prepara-o para o mundo, mas apoia-o e deixa-o tomar as suas próprias decisões.

Quando se diz que alguém tem um complexo materno ou paterno a pessoa encontra-se numa das polaridades do arquétipo, matriarcal ou patriarcal.

Porque até determinada idade aceita-se que a culpa é dos pais. Depois disso não, a nossa vida é da nossa responsabilidade, independentemente do que fizeram connosco.

Nós construímos um pai e uma mãe internos com base nas figuras dos nossos, em princípio, mas a forma como eles se desenvolvem na nossa psique, e no tipo de pai ou mãe internos em que se transformam, é outra história, que inclusive pode ser a inversa da vivida.

Filho de pai passivo torna-se autoritário.

(Cont.)

A sombra do feminino

18/05/2019

Quase o que parece um século depois, as questões de identidade de género e respetiva ideologia estão na ordem do dia.

No entanto, biologicamente, continua a ser clara a diferença entre masculino e feminino.

O feminismo voltou em força, mas do jeito patriarcal, querendo poder sobre os homens, de que o #metoo é o mais recente e mediático exemplo.

Não, a gente não quer poder sobre os homens. E homem nenhum aceitaria isso. 

Dinâmicas de casal à parte, onde é frequente a inversão de papéis.

Coletiva e individualmente, o que a gente quer é uma consciência equilibrada e não polarizada no patriarcal ou no matriarcal.

Quer alteridade

A amena convivência entre os opostos. E do que o mundo ocidental precisa é de resgatar o feminino perdido.

Não é à toa que a maior manifestação de trans, drags, cross dressers etc é no masculino. É o feminino farto de estar na sombra a irromper pelo coletivo à força e de maneira a ser notado, pela necessidade urgente de ser integrado na consciência.

Nas mulheres, o feminino vem pela via do poder. Hera, cansada de estar na sombra de Zeus, e de viver o seu poder através dele, mostra que o poder não faz só parte da vida arquetípica do masculino. Quando resolve reclamar para si o poder que lhe pertence, fá-lo pela sombra e a sombra de Hera é destruidora.

Ou da autopunição, da qual a obsessão com a magreza, a idealização do corpo perfeito, sem curvas…, é apenas um exemplo.

Precisamos, sim, de feminino, mas integrado e não dominador. Ou destruidor…

Feminino com Eros.

Como o da ida da primeira-ministra da Nova Zelândia, recentemente eleita, à AG da ONU, com o filho bebé ao colo. Mostrando que uma mulher pode liderar sem perder a conexão com o feminino.

Aliás, é essa conexão com a sua natureza feminina que a impede de ser uma tirana.

O feminino precisa do masculino para se equilibrar e o masculino precisa de Eros, caso contrário torna-se um tirano.

Orientação sexual à parte, psiquicamente, também somos diferentes. Temos temas existenciais diferentes e movemo-nos por coisas diferentes. Sendo que todos temos tudo, masculino e feminino, patriarcal e matriarcal.

Masculino/patriarcal: ação, razão, lógica, ordem, lei, hierarquia, poder, intelecto, autoridade

Feminino/matriarcal: nutrição, relação, passividade, contemplação, criatividade, prazer, gestação, emoção, coração

(Cont.)

Feminino e Masculino

17/05/2019

Um dos projetos de uma vida, se a tiver e para tal houver disponibilidade, e talvez o mais ambicioso, é escrever um tratado sobre o feminino. Tipo Lobo das Estepes mas mais para loba da floresta. O feminino é o tema sobre o qual mais tenho bibliografia.

Enquanto o tratado não acontece, vou escrevendo ensaios.

Jung diz mais ou menos que se o Processo de Individuação é a grande conquista da Identidade, a integração do animus (Yang – arquétipo masculino na psique das mulheres) e da anima (Yin – arquétipo feminino na psique dos homens) é a masterpiece.

O mundo, e a consciência, começou por ser feminino. Com a chegada do Patriarcal, Zeus, o feminino começou por ser perseguido, haja em vista o que acontecia a qualquer mulher minimamente intuitiva e que usasse o seu conhecimento para ajudar pessoas. Conhecimento esse que não podia ser entendido com a razão e por isso também era ameaçador para os padres, detentores do conhecimento e com ele dominavam tudo e todos, incluindo reinados inteiros.

Quando ameaça, a gente tenta destruir.

Denegrindo a imagem, controlando pelo medo, etc. O patriarcado teve o seu expoente máximo aí e na 2ª guerra mundial, em Hitler. O militarismo é a sombra do patriarcal.

Excesso de ordem e disciplina e zero Eros. Hitler é a personificação disso.

Os movimentos feministas vieram tentar equilibrar e o movimento hippie make love not war foi decididamente um movimento do feminino.

Não foi há muito tempo que as mulheres precisavam de um pseudónimo masculino para poderem escrever em jornais. E publicar livros. E só nos anos 60 as mulheres puderam frequentar cursos de Direito e Medicina. Juntamente com os negros, já que falamos em minorias…

Angela Merkle, para liderar um país e um continente, simbolizá-lo, tal como já havia feito Thatcher, e a própria Rainha de Inglaterra, masculinizou-se. As mulheres Atena perderam até a capacidade de rebolar… (Cont.)

Jung manda beijos de luz pra vocês

17/05/2019

“There is no coming to consciousness without pain. People will do anything, no matter how absurd, in order to avoid facing their own Soul. One does not become enlightened by imagining figures of light, but by making the darkness conscious.” C.G. Jung

Arquétipos na ficção

13/05/2019

Os Arquétipos também estão na ficção, óbvio, por isso nos identificamos tanto com personagens de séries e filmes.

A propósito do feminino e do feminismo na ordem do dia, há duas séries sobre o tema a passar neste momento na TV.

Uma na RTP 2, espanhola, chama-se: um olhar diferente. Se não me engano, ao fim-de-semana, dois episódios. Um num dia outro noutro.

Dá perfeitamente para identificar Heras, Atena, Afrodite, Perséfone, naquelas personagens.

Na ficção, é fácil saber que arquétipo está na nossa sombra, é o personagem que nos irrita e/ou nos fascina…

Outra chama-se Gentleman Jack.

Na HBO. Confesso que já me andava a entediar o personagem gay obrigatório em todas as novas séries. Na grande maioria delas, o protagonista.

Não me enfiem a homossexualidade goela abaixo, porque eu também não enfio a minha heterossexualidade goela abaixo de ninguém.

Discriminação positiva não deixa de ser discriminação.

E paternalismo. E condescendência…

Em Gentleman Jack faz todo o sentido que a personagem principal seja homossexual. Não dá a sensação: agora vais ter de levar com isto porque está na ordem do dia e é assim que se vendem produtos televisivos.

Na primeira série, os arquétipos do feminino; na segunda, o feminino em todas as suas dimensões, incluindo a mais masculina, a da protagonista.

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