Esquerda e Direita

14/10/2018

Chateia-me um bocado esta falsa divisão entre esquerda e direita. Principalmente por a esquerda se ter apropriado de valores humanos e humanitários que, naturalmente, não lhe pertencem. Valores esses comungados por muitos católicos, muitas vezes alvo de insultos pela própria esquerda. 

Quando é socialismo, é solidariedade. Quando é catolicismo, é “a puta da caridadezinha”.

Chateia-me por ser mais uma forma de dividir para reinar, do nós contra eles. Chateia-me principalmente por ser redutor e manipulador. Porque implica que nós, os de esquerda, somos os bons e vocês, os de direita, são  maus. Como se tivéssemos 15 anos e não houvesse caminho do meio. Que não fosse igualmente comprometido.

Jamais votaria à esquerda do PSD (Portugal), jamais. Como jamais votaria num militar. O que não quer dizer que seja má. Sou humanista até ao fim da minha vida e os valores que defendo são condizentes com essa condição. Não pertencem a qualquer partido político, existem bem antes deles.

O que acredito e defendo também não faz de mim má, intolerante com os pobrezinhos, preconceituosa ou o que for. Faz de mim gente, pessoa, que defende que quanto menos Estado, melhor Estado. Mas que, ainda assim, defende a presença do Estado sim. Que este deve garantir saúde, educação, segurança e justiça. Isso não faz de mim comuna, de esquerda, faz de mim um ser humano. Ler Mais…

Sem Glúten, com Paixão.

10/10/2018

Sofia é a minha guru da culinária. Comecei a cozinhar com ela, em março de 2015. Só cozinho sem glúten e não uso qualquer produto refinado ou processado. Desde então, fiz dezenas de receitas do site, algumas sei de cor, e de workshops que frequentei. Já falei dela aqui várias vezes.

Ontem, celebrámos o lançamento do: Sem Glúten, com Paixão. #semglutencompaixao

O seu primeiro livro. Uma edição primorosa. Fotografias incríveis e, o que mais me encanta, muito pessoal. As crianças que aparecem são as suas duas filhas mais novas, tem 4. Dois já grandes. Esta coisa de partilhar a família para a posteridade, num livro, um objeto material, que isto do digital pode muito bem um dia desaparecer tudo e aí?

É de uma generosidade imensa, a partilha da intimidade.

Quem pensa que tem de ir ao cume dos Himalaias buscar ingredientes para as receitas, esqueça. A Sofia é das pessoas mais práticas que conheço. E as receitas usam muito os mesmos ingredientes. E, ao mesmo tempo, são super versáteis.

E, porque é apaixonada, e tem uma noção estética que muito me agrada, nada é descurado. E tudo é delicioso. Desde a apresentação aos sabores.

Quem pensa que não pode comer tudo o que gosta, nada tema, engordei. Só que, e essa é outra das mais-valias da Sofia, tudo é saudável. Nunca mais comprei produtos processados. Quero bolachas, faço-as. E são deliciosas.

E não é por mais nada a não ser: sinto-me muito mais leve, menos pesada, com mais energia, desde que parei de comer glúten. E, quando como, percebo porque parei. Ler Mais…

Outlander – Junte-se a esta causa

09/10/2018

O facebosta diz que o meu aniversário está a chegar. E convida-me a angariar fundos para uma causa que me é querida.

A causa que escolho é a dos Red-Haired Scotish Highlanders do século 18. Com passagem pela Escócia e os tours de Outlander. Para, pessoalmente, me encarregar de os ajudar.

Donativos aceites por paypal e transferência bancária.

Faça parte desta causa. O movimento dos escoceses ruivos do século 18 das Terras Altas precisa e agradece a sua ajuda.

Abaixo, um dos exemplares da espécie ameaçada. Ajude-me a salvar os Escoceses Ruivos das Terras Altas.

Outlander – Jamie e Sassenach

08/10/2018

O casal Jamie e Claire, de Outlander, é o melhor casal da história de todos os casais de ficção do mundo e de sempre. Do cinema e das séries. Do reino da fantasia em geral. O meu preferido. E, sim, tenho consciência que incluo aqui a dupla de Jane Austen. E a Bridget Jones… jamie

É a alteridade na perfeição

Para não falar que é lindo, não tem uma falha no discurso e no caráter, é firme quando precisa de ser, gentil na maioria do tempo, atencioso, masculino pra caramba… E ela uma verdadeira heroína, o arquétipo do futuro. Forte por dentro e feminina por fora.

Sozinha, faz mais pelo feminino, e o feminismo, do que as capazes, as #metoo e as feminazis todas juntas.

Jamie é masculino e tem o seu feminino integrado (anima), que só aparece quando tem de aparecer. E Claire é feminina e tem o seu masculino integrado (animus), que também só aparece quando tem de aparecer. Ambos funcionam individualmente e em dupla, nos papéis dos respetivos géneros e, se preciso for, até trocam de drive psíquico. Acontece muito entre casais.

A alternância perfeita, apropriada, integrada dos opostos.

Ontem, entre o Cristiano e o Bozo, revi a noite de núpcias dos dois. Que maravilha…

Eu quero um 18th century red-haired Scotish Highlander só para mim

outlander

E achava que era a única. Eu e o Nuno, que inclusive se disfarçou de escocês, com kilt e tudo, lindo, por sinal, no último Carnaval. A termos um inconsciente coletivo escocês, europeu, tão presente. Mas parece que não, não estamos sozinhos no mundo. Há uma quantidade incontável de mulheres, maduras, intelectualizadas, casadas, mães de filhos, e eventualmente de alguns homens, que fantasia com um escocês ruivo, do século 18, das Terras Altas.

Não podendo ser um Jamie Fraser, o escocês ruivo é na boa, as Terras Altas também é tranquilo. O século 18 é que é o diabo…

Mas, entre um outlander e um inlander, prefiro o segundo. E já tenho o meu, salvo seja, que ninguém é de ninguém. Um inlander moreno, da Bahia e dos anos 70. Os 40 são os novos vintage. Sempre é uma fantasia mais próxima da minha realidade do que a que envolve um escocês ruivo do século 18…

Sempre quis ir à Escócia. Vamos fazer um tour Outlander, pessoas.

A série é incrível, uma fotografia, um guarda-roupa, uma caracterização, irrepreensíveis. Realização primorosa. Riqueza de personagens, com imensa profundidade. Uma série de escoceses sarados de kilt. E de ingleses sarados de farda. E eu nem gosto de fardas…

Que se lixe o verão. Desejosa que chegue novembro, para a quarta temporada de Outlander. A primeira é a melhor. Já em estágio, inclusive. A rever as três temporadas, sempre que posso. Tudo de seguida, como eu gosto. A única forma de entrar, respirar, viver naquele mundo. É tão bom ser introvertida…

Cristiano Ronaldo e a alegadamente inatacável Der Spiegel

07/10/2018

A peça jornalística apresentada pela Der Spiegel na sua versão inglesa, na qual Cristiano Ronaldo é acusado de violação, é tendenciosa. O facto de apresentar alegados documentos comprobatórios não faz dela inatacável.

É tendenciosa no sentido em que descreve com demasiado detalhe a queixosa, implicando necessariamente a sua aparente vitimização e fragilidade, opondo-a ao predador Cristiano Ronaldo, que, por sua vez, ao lermos a reportagem, é imediatamente culpado. Sem direito a julgamento, a que outras partes sejam ouvidas, como a amiga da queixosa, a quem confessa: foi uma grande noite, à saída do quarto, à entrada no elevador…Ronaldo

Uma reportagem não é um julgamento.

O dever e a obrigação ética e moral, é aqui que a peça pode ser atacada, e muito, é o de imparcialidade. De ouvir todas as partes envolvidas, de investigação e de humanização. Numa reportagem séria, as pessoas são humanas, não deuses, semi-deuses, celebridades e desgraçadinhas. Vítimas ou agressores.

Há gente, maior, vacinada e com responsabilidades.

Mesmo que a maioria das pessoas só se baseie em achismo, ainda há quem entenda verdadeiramente do assunto e se atreva a questionar a afamada e aclamada Der Spiegel. Ainda que o Governo Sombra inteiro diga que é inatacável. Eu mantenho-me firme. E juro perante o RAP.

Como, em 9 anos de terapia, com manifestos sinais de stress pós-traumático, esta mulher não foi tratada?

Ou não há stress ou a terapeuta é uma merda. O que, convenhamos, para quem alegadamente ganhou 350 mil euros para ficar calada, com algum desse dinheiro arranjava terapeuta melhor. O Jung reencarnado, eu sugeria. Ler Mais…

Cristiano Ronaldo, CR7 e o Patriarcado: A queda de um mito… 

06/10/2018

Neste caso mediático planetário em que o nome de Cristiano Ronaldo está envolvido, vejo muitas companheiras de género dizer: e mulheres também. Acabando por exigir, mais delas do que dos homens, uma posição em defesa da alegada vítima de Cristiano Ronaldo.

Vejo muita gente extrapolar o facto de alguém dizer: eu acredito nele, usando essa afirmação como todo um conluio com o patriarcado.

Sinal verde para usar e abusar das mulheres. 
Misturando tudo e fazendo mais uma vez um desserviço.

Alternando entre vítimas e agressoras todas as mulheres. Mais patriarcal do que isto seria difícil. Mas, enquanto o projetamos nos outros, folgam as costas.

As mulheres, como os homens, são filhas do patriarcado.

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#Metoo

04/10/2018

O movimento #Metoo tem o mérito de trazer para a vista de todos o que ficava entre quatro paredes, num beco escuro, num gabinete oficial, num escritório fechado.

Inúmeras mulheres têm vindo a denunciar comportamentos abusivos por parte de estrelas de Hollywood, de homens de poder, que usaram a sua condição e a sua masculinidade para se aproveitarem de mulheres, que, na posição em que se encontravam, dificilmente poderiam resistir. Não pactuar, não aceitar. 

Ainda que sendo apenas passivas

Estamos a falar de um tempo, não tão longínquo assim, em que era pratica corrente, sequer se questionava, porque era suposto ser isso o que os homens fazem.

Eu, e uma série de mulheres da minha geração, fomos vítimas disso. Havendo meios profissionais mais propícios do que outros para que isso aconteça. E sequer era escondido, era à frente de toda a gente.

As mulheres perderam segurança emocional e voz, o que as impedia de dizer o que sentiam e de agir de acordo. Muitas vezes, com o patrocínio das próprias mães, que, influenciadas pelo patriarcado, acabavam por pactuar com os agressores em vez de defender e proteger as suas crias, como faz qualquer fêmea no mundo animal.

Mulheres da minha geração continuam a aconselhar, muitas vezes a proibir, as filhas a não se vestir de determinada maneira.

Além da posição desfavorecida da qual partiam, as mulheres são fisicamente mais fracas do que os homens. Isto é biologia, não é achismo.

Felizmente, não em todas as famílias. Infelizmente, na grande maioria delas. Essa cultura vem muitas vezes de casa. A maioria das mulheres não tem voz por ser um comportamento que não lhes é estranho, ainda que sintam em cada poro que não pode ser normal.

O patriarcado é isso. É infantilizar homens emocionalmente e dar-lhes todo o poder a todos os outros níveis. E as mulheres têm muita responsabilidade nisso também. Tudo começa em casa, tudo.

O problema é o que tem sido feito em nome de uma causa tão nobre

Com o conluio e a participação ativa de muitas mulheres, nomeadamente as feminazis.

O #Metoo não é vingancinha. Não serve para dar poder às mulheres sobre os homens. Eu, particularmente, não é o que quero. Quero igualdade, justiça e consciência masculina e feminina do que é real vontade. Quero segurança emocional para as mulheres e consciência para mulheres e homens. Mesmo que não o entendam, que adorassem ser abusados pela Scarlett Johanson ou a Nicole Kidman. Não é a mesma coisa. E eu sei que dificilmente poderiam pôr-se no nosso lugar. Pensem nas mulheres da vossa vida, mães, irmãs, filhas, sobrinhas, netas. Se calhar fariam o mesmo, a maioria dos abusos é perpetrada por pessoas que a vítima conhece.

Muitas mulheres não se identificam com o feminazismo por isso. Não se trata de trocar de lado no poder, trata-se de igualdade, de consciência.

No Brasil há uma lei, a lei Maria da Penha, que protege as mulheres de abuso e violência. Há inclusive uma delegacia da mulher. Chegou a propor-se um vagão, o primeiro, do metro, só para mulheres. O que acho mais um desserviço. Homens e mulheres têm de aprender a conviver juntos, de igual para igual. E não separados. Isso só gera mais abuso e mais violência.

Tal como o #Metoo, instituições como as referidas são fundamentais para criar consciência, não para alimentar neuroses de poder. Que afetam tanto mulheres como homens. Uma mulher não tem razão só porque é mulher. Usar meios e instituições ao serviço da neurose particular de poder é pôr em causa todas as mulheres que foram e continuam a ser abusadas e assediadas todos os dias. E isso é o pior que pode fazer-se a uma mulher. Continuar a descredibilizá-la. Perpetuar ad aeternum o patriarcado. Chega.

Eu não quero homens com medo de mulheres.

Quero que continuemos a poder seduzir-nos mutuamente. A luta por poder já fez estragos demais. Há caminhos alternativos, a colaboração, em vez da competição.

Ameaçar mulheres, ainda que de forma velada, ou estás comigo ou contra mim, és machista e não és solidária com outras mulheres, é manipulá-las. E exercer poder sobre elas.

Não há valor mais masculino do que esse.

A consciência de homens e mulheres em relação a si mesmos e ao que querem é fundamental.

Educação emocional é imperioso.

Dotem as mulheres de recursos. façam-nas procurá-los. Dêem-lhes estrutura emocional, só assim poderão decidir o que querem para si. Decisão essa que é individual e intransmissível.

Criem consciência nos vossos filhos, vejam bem o exemplo que lhes dão. Eles imitam tudo, independentemente do que lhes digam. Se as vossas palavras contrariam as vossas ações, eles imitam as ações. A forma como falam com as vossas mulheres. O que exigem a filhos do sexo masculino e feminino. Promovam a igualdade, não o privilégio.

 

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