Um mito, uma danza.

26/04/2018

Siga a Danza, meu povo.

Hoje é dia de aula aberta. E no dia 25 de maio vamos dançar o herói e respetiva jornada. Com o Nuno a fazer a minha segunda parte :D Vai ser épico. Quem vamos? Inscrição obrigatória por mail.

Não há duas sem três.  Um mito, uma danza.

Depois das propostas: danzar, um livro, danzar, com percussão ao vivo, proponho agora que possamos danzar, um mito…

A ideia surgiu pela importância do Mito na narrativa da história humana, que se repercute na história do indivíduo. 

Remetendo o mito para o primordial, e tendo a Biodanza as suas raízes no primordial, este casamento tem tudo para dar certo.

Tendo a nossa cultura assento fundamental no Mito do Herói, é precisamente essa a primeira proposta:

Um mito, uma danza… ‘A Jornada do Herói’ 

Ser o herói da sua própria jornada. Sem precisar de ser o salvador do mundo. Ou de ficar escravo de hercúleas missões que servem outros, mas não o próprio. 

Já somos heróis que baste, na gestão de um quotidiano que nos exige tais aptidões (para ser pai, filho, mãe, filha, profissional, amigo, artista). No final, bem vistas as coisas, somos tão ou mais heróis do que os que, em dado momento, fruto de muito especificas circunstâncias, se destacaram e foram por isso glorificados. Mas serão mais do que os que sustentam o quotidiano de uma civilização? Não precisam eles dos heróis que todos os dias vivem a sua jornada sem o reconhecimento público? É essa a re-invenção que proponho com esta abordagem: ser o herói da sua própria história (a única que realmente conta). E tomar contacto com o facto de

uma das 1000 faces do Herói ser a nossa. 

Para esta proposta, convidei Isabel Soares, brilhante escritora (com 2 livros em 5 línguas), visceral, apaixonada, com grande fundamentação teórica em tudo o que escreve, grande estudiosa e conhecedora de Jung, o que lhe confere algo muito particular que a mim me agrada, ao ponto de fazer questão que a introdução da vivência tenha o seu contributo.

E, como a ideia é seguir caminho, na sequência da óbvia Jornada inicial, iremos inspirar-nos nos mitos dos Deuses e das Deusas gregas, sempre relacionando o poder da vivência (Nuno Pinto) com o poder da elaboração (Isabel Soares), partilhando caminhos complementares.

Evento aberto a todos os que fizeram, fazem ou vão fazer Biodanza, para participantes com e sem experiência de Biodanza.

Aos que estão longe

23/04/2018

E num dia particularmente difícil, o meu BFF já me fez o favor de me pôr a chorar copiosamente de comoção. Está mesmo, mesmo tudo certo…

Este vídeo resume a minha vida, as minhas escolhas, os meus sacrifícios, as minhas zero certezas, as minhas fortes convicções e a minha fé inabalável.

Obrigada, meu querido, obrigada… Por te lembrares de mim pelos melhores e mais nobres motivos. LYF

Um introvertido e um extrovertido entram num bar…

20/04/2018

À partida, a relação entre um introvertido e um extrovertido tem tudo para dar certo. Não por oposição, mas por compensação. Um extrovertido, normalmente, fala muito, o que poupa o introvertido, mais atreito a ouvir, de falar sobre si, coisa que, aliás, acha ótimo. 

Se o introvertido for um INFP, com tendência a ver o melhor das pessoas e a possibilidade em cada experiência, o extrovertido está, em princípio, nas 7 quintas. Para um introvertido, a experiência com o outro só existe quando é verdadeiramente boa. Os introvertidos estão e ficam lindamente consigo mesmos. Quando se dão ao trabalho de se relacionar é porque, de alguma forma, a experiência promete ser significativa. E vão manifestá-lo.

Introvertidos com intimidade entre si, principalmente se forem mulheres, em princípio, não se calam, só para se ouvirem. O que é estranho para um extrovertido, que dificilmente consegue ouvir alguém sem estar distraído com uma coisa qualquer.

Introvertidos são focados, extrovertidos tendem a ser dispersos.

Se a interação entre introvertidos implicar um homem e uma mulher, que, de preferência, se querem embrulhar, a coisa pia mais fino. A minha intuição extrovertida leva-me a falar desalmadamente, temendo silêncios constrangedores, de falta de assunto, afinidade e consequente intimidade. Nada pode ser pior para um INFP. Mas os homens, que tendem a falar menos do que as mulheres, à partida, não se importam com a minha incontinência verbal. É-me mais desconfortável do que a eles. Que, sendo introvertidos, estão tranquilos. Também por saberem intuitivamente que, quando quiserem falar, vão ter quem os há de ouvir. Com atenção total. Pois tudo o que [um INFP] quer é entrar no mundo do outro, que abra essa porta, confie o suficiente, para que a magia se dê…

Voltando ao bar e à dupla: introvertido-extrovertido

IntrovertidoA questão põe-se sempre na forma de comunicar. Principalmente quando chega a vez do introvertido se expressar. E não tem a ver com o barulho, a música alta, o excesso de proximidade entre desconhecidos. As interrupções permanentes da empregada. Se a companhia for boa, um introvertido tem a capacidade incrível de não ver mais ninguém, de mais ninguém existir, de tudo em volta ficar desfocado.

Tem olhos apenas para o interlocutor

E é precisamente o que exaspera um introvertido, que se limita a encolher os ombros, a baixar a cabeça e a ficar na sua. Até se cansar de tentar e seguir com a vida. A atenção dividida. A não concentração. A sensação de não estar a ser ouvido, considerado, desejado, até. A irrelevância. O descaso. A falta de interesse.

É como quem nos mata…

É-nos difícil falar, confiar, partilhar intimidades, vulnerabilizar. Para um INFP, que têm uma sensibilidade exacerbadíssima, é ainda mais difícil abrir mão do mundo interno e partilhá-lo com o outro. O nosso mundo interno é o que temos de mais precioso. É o que nos salva da selva que é o mundo real. Quando alguém tem a sorte e o privilégio de ser convidado a entrar nesse mundo maravilhoso que é a nossa cabeça, o mínimo que se exige, se pede, um INFP é, antes de tudo, amante da liberdade, de cada um ser como é, é atenção, dedicação, consciência do que ali está a passar-se. E que é raro, raro…

*Aguardemos o contraditório, se a minha querida ENFP não se perder pelo caminho e mo mandar entretanto. Publicarei na próxima sexta, o dia do MBTI cá em casa.

Feedback – Não basta gostar, tem de funcionar…

19/04/2018

Quantas vezes entramos em relacionamentos, de trabalho, afetivos, amorosos, porque sim, porque faz sentido, por gostarmos da persona que se nos apresenta, porque a família casa bem. Ou precisamente pelo contrário, por ser o oposto de nós e nos encantar pela diferença, pelo que gostaríamos de experienciar e viver e, por algum motivo, não conseguimos. Por ser suposto assentar, nos ser exigido socialmente. Por falta de melhor opção, por estar ali à mão, porque nos apaixonamos e perdemos a razão, por não conseguirmos não ir, resistir… Por, mesmo abaixo da nossa condição, poder ser uma plataforma para algo melhor, nunca, nunca é… Por, por, por… 

E quantas vezes nos frustramos

Por tentar e não dar certo. Por embatermos em muros a toda a hora. Pelo caminho que se estreita para que consigamos chegar ao outro, caminho esse que nos aperta, já. Por falta de liberdade, de conexão, de entendimento, de ação. Por sucumbirmos à necessidade do outro, por domínio do mesmo, para que sucumba à nossa, pelo corpo presente, por estarmos presos por fios, por não conseguirmos sair para algo melhor, pela razão que nos atrapalha e o coração que nos prende…

E a insana insistência em ficar

Na esperança sabe deus de quê, pelo medo do desconhecido, até explodirmos, mandarmos tudo para o alto, chutarmos a porta e sairmos sem rumo nem destino.

Se há coisa que a Biodanza nos mostra é precisamente que não basta gostar. Temos de querer e fazer funcionar. E, para tal, há um requisito fundamental. O feedback. É muito escancarado quando não existe. Quando queremos apenas que o outro faça o que nós queremos, como e quando queremos. O que não é relação, é, atrevo-me a dizer, dominação, egomania, prepotência, narcisismo. Nós não queremos relacionar-nos, queremos alguém que sustente a nossa necessidade, que nos sirva, apenas.

E, para quem sucumbe, nem sequer é meio para chegar ao outro. Porque esse irá sempre tentar levar a sua avante, o que resulta numa canseira imensa e, lá está, num chutar de porta.

Como em Biodanza o encontro é, em princípio, num estádio psíquico que vai além do ego, um estado de mais conexão, estamos sensíveis ao outro e à experiência. E o pior que pode acontecer é o outro não estar nem aí para quem tem à frente. Já para quem aparentemente conduz, o pior é a ausência de presença do outro. Porque podemos perfeitamente seguir e estar presente, inclusive surpreender.

O caminho do meio…

É o feedback, que vai ditar os termos da coisa. Sem ele, não há festa… Não há encontro, há uma série de desencontros, a remota possibilidade de um encontro e a volta aos desencontros.

É preciso querer algo maior, desejar intimidade e conexão para abdicar da necessidade de segurança, de poder, de domínio da situação. Das próprias emoções e temores, é sempre, sempre disso que se trata, para podermos entregar-nos, não ao outro, mas à experiência do todo de nós. O outro é apenas um meio. E a fusão é das melhores sensações do mundo. Por isso só funciona na e com a presença, a disponibilidade e a permissibilidade. E o compromisso, de ambos.

Que tem por base invisível algo maior do que a vontade do ego. O compromisso é com o Self… E o objetivo último é a plenitude, não a segurança, a mera satisfação, o prazer por si só.

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