Arrependimento

28/04/2017

Um dia destes, inspirado numa cena de um filme, o J pergunta: o que farias hoje de que te arrependerias amanhã? Ontem, lançámos a pergunta para a confusão e claro rendeu conversa da boa, para umas horas valentes.

O J perguntou se não conhecíamos pessoas para quem a pergunta não fazia sentido. Conheço pessoas que não se atrevem sequer a pensar na possibilidade. Mas não psicopatas. Os psicopatas não têm empatia ou remorsos porque não têm emoções. O que é diferente de não lidar com as suas emoções ou as dos outros. É o que distingue a psicose da neurose. A distância entre uma e outra é abissal. A neurose tem volta, a psicose não.

Arrependimento

Só consigo pensar no que faria, sem me focar muito no arrependimento. Se pudesse, me permitisse…

O arrependimento não mata mas mói?

Disse que nós só nos arrependeríamos por causa da consequência. Se não há consequência, raramente haverá arrependimento. Seja a consequência externa, a reação das pessoas de quem gostamos perante a novidade, ou interna, como olharíamos para nós mesmos e viveríamos com isso depois de sabermos do que somos capazes.

Se só pudesse fazer uma coisa, não desperdiçaria a oportunidade. A minha ação seria sempre na direção do prazer. E aí as possibilidades são algumas. Agora que penso nisso, já elaborei esse assunto por causa de um exercício criativo em que era proposto descrevermos cinco vidas imaginárias. Guardo para mim as que mais me comprometem. E, na impossibilidade de as viver, transformaria algumas delas em argumentos para cinema. Essa é a maravilha da criação, a possibilidade de dar voz ao pessoal que mora na nossa cabeça. É um dos caminhos mais saudáveis e prazerosos para não acumular amarguras.

Mas se me focar no arrependimento, o que faria teria necessariamente a ver com a expressão do animal, do ogre, que mora no porão mais escuro da minha cabeça e que mantenho devidamente trancado a sete chaves, a ver se lhe perdia o medo. Caso em que a consequência seria viver comigo depois de conhecer o monstro que mora em mim.

Arrepender-me-ia sempre, sempre, se a minha ação fosse causa direta do sofrimento de alguém. A única responsável. Sofrimento a sério, não mimimi nem vitimização. Mas não seria um desejo. E a pergunta original não me faz sentido se não implicar um desejo.

E tu, o que farias hoje de que te arrependerias amanhã?

O Herói enquanto protagonista

27/04/2017

Desmistificando o conceito de herói

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