A ditadura do pensamento único

20/10/2018

Talvez o que melhor espelhe a ditadura do pensamento único neste momento do mundo seja a que se prende com a identidade de género.

E o #metoo pensamento único

Biologicamente, é simples: nascemos com um pénis, somos do sexo masculino. Nascemos com uma vagina, somos do sexo feminino. O que se passa no corpo e na cabeça de cada um, orientação sexual incluída, depois de nascer, é problema seu. E só a si cabe resolver, aceitar.

E não ofender-se…

O ofendido é um tirano emocional, que quer impor as suas questões pessoais aos outros, não se permitindo lidar com elas e ultrapassá-las, ou equilibrá-las, mantendo-se infantilizado. É um polícia do discurso igualzinho ao nazi que quer impor uma ditadura de pensamento único. Opõe-se à liberdade, à diferença, tal como qualquer opressor.

Não é o mundo que tem de vergar-se à sua diferença.

É o indivíduo que tem de aceitá-la e encontrar forma de se adaptar ao coletivo. Sem perder a sua individualidade, a sua identidade. Sem se sentir ameaçado na sua existência.

A bandeira da homossexualidade, do feminismo militante, do LGBTQ… ou de qualquer outra minoria, não deve ser então levantada ou usada com o objetivo de obter vantagens e/ou poder sobre os demais. Não tem de ser imposta. Ninguém tem de engolir o que quer que seja. Apenas aprender a conviver com a diferença. E a respeitá-la. Mesmo que não a aceite…

E aproveitar para pensar o que tanto incomoda na sexualidade alheia.

Não me interessa se a pessoa se sente atraída por pessoas do mesmo sexo, do sexo oposto ou de ambos. Daí que a orientação sexual não deva ser tida em conta na hora, por exemplo, de contratar. Ou de assumir um cargo público. É uma questão da vida privada e nela deve permanecer. Aliás, só mostra o quão pouco democrática é a cabeça da maioria das pessoas para que a sexualidade alheia ainda seja uma questão. Um heterossexual não precisa de dizer que é heterossexual, porque raio um homossexual tem de o fazer? Afinal, somos iguais…

O que é preciso é regular, para que ninguém seja discriminado. Nem favorecido. Discriminação positiva é discriminação à mesma. Disfarçada de tolerância.

Nessa linha de pensamento, as minorias não têm de ser protegidas. Desculpadas e perdoadas caso cometam qualquer tipo de crime. Se envolvam em cenas de pancadaria, assaltos, etc. Muito menos oprimidas, como é evidente. Mas integradas na sociedade, cumprindo deveres e obrigações. Assumindo responsabilidade pelas suas vidas, suas escolhas, sua identidade. Não é justo, não é equilibrado que uns paguem as escolhas de outros, que só têm direitos e não querem saber de obrigações.

Vítima e perseguidor, e salvador, são uma e a mesma pessoa.

O que se sente no movimento #metoo é um ajuste de contas contra o macho opressor e um desejo de poder e controlo sobre os homens, por parte das mulheres. O que leva a uma total perda de credibilidade. Prestando um desserviço à causa: a consciência de que somos todos seres humanos e a nenhum é dado o direito de superioridade em relação ao outro.

Não me interessa qualquer movimento que se proponha oprimir quem quer que seja. Porque não resulta. O oprimido, mais cedo ou mais tarde, vai rebelar-se. E polarizar o seu discurso para ver defendido o direito à sua existência enquanto ser: masculino, feminino (negro, índio, pobre, homossexual, drag queen, travesti…)

Eu não quero dominar os homens. Nem ser subjugada por eles. Quero que caminhemos lado a lado.

Homens e mulheres complementam-se. Tal como masculino e feminino. É neste equilíbrio de forças que está a virtude. A polarização, o conflito, é psíquico. E é psiquicamente que tem de ser resolvido.

A realidade social tem limites. O Estado tem um papel regulador, ou deveria. Jamais o de determinar o que pode e não pode ser dito. Esse é um Estado policial, que dispenso. Por me limitar na questão fulcral da existência, a liberdade.

A liberdade de pensamento é crucial para a existência. E liberdade de expressão não é dizer tudo o que nos passa pela cabeça. Isso é uma deturpação da democracia. Um abuso, um desequilíbrio. Pois a nossa expressão tem impacto no coletivo.

É precisa responsabilidade coletiva na hora de nos expressarmos.

O incitamento ao ódio, à intolerância, ao radicalismo tem consequências diretas no comportamento de grupos sociais. A liderança tem de ser consciente. E o discurso, nesse sentido, policiado. Pelo próprio.

A liberdade religiosa é um direito constitucional. A imposição, ou tentativa de negação, da mesma é que leva à intolerância. Ao desrespeito pela mesma. E crimes perpetrados sob essa bandeira têm de ser punidos, para que haja consciência e responsabilização. Independentemente da religião professada. Crime é crime.

Cidadãos livres e conscientes da sua liberdade agem com base nas suas convicções. E não com base no medo. O medo jamais reflete uma escolha consciente. Uma escolha com base no medo é uma escolha manipulada.

A afirmação da minha identidade é apenas isso. E não uma imposição.

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