Abençoada seja a ciência

01/02/2018

No outro dia, dei um cheirinho do que seriam pessoas sensíveis ao açúcar. E aqui há tempos falava no que acontecia comigo durante a corrida e respetivas propriedades viciantes. Que não se prendiam com as endorfinas, fiz desporto a vida toda e sei bem a diferença entre a sensação depois de um desporto normal e a que sentia durante a corrida. Hoje descubro que se deve a um neurotransmissor fascinante chamado beta-endorfina.

As pessoas sensíveis ao açúcar têm um desequilíbrio químico que se resume na baixa de dois neurotransmissores:

A Seretonina, que lida com a disposição e o comportamento. Nos níveis certos traz otimismo, paz de espírito, com influência direta no autocontrolo, e aumenta níveis de criatividade, dando uma sensação de relaxamento. Quando o cérebro não a produz em quantidade suficiente, temos vontades incontroláveis de álcool, doces ou hidratos de carbono. Todos açúcares.

E a Beta-endorfina, que lida com a dor e o bem-estar, tem impacto direto na autoestima, na tolerância à dor, inclusive emocional, proporciona sensação de conexão com os outros e dá-nos a capacidade de ação pessoal e responsável. Quando em baixa, afeta a nossa capacidade para lidar com situações dolorosas e os sentimentos de esperança em relação ao futuro são substituídos por desespero. Causa depressão, impulsividade, vitimização.

Por isso a corrida vicia. Naquele momento em que já não aguentamos mais, o cérebro liberta beta-endorfinas que nos trazem uma imensa sensação de paz e conexão.

A base dos antidepressivos é a seretonina. Por isso as pessoas se sentem um pouco melhor na proporção inversa em que as farmacêuticas se enchem de dinheiro à conta dos desgraçados. O problema é que não resolve a questão das pessoas sensíveis ao açúcar. Que precisam de equilibrar também as beta-endorfinas e os níveis de açúcar no sangue. O que se consegue com alimentação. E não com drogas de pouca dura, como o chocolate, os comprimidos, o álcool…

Por uma descompensação química no cérebro

Pessoas sensíveis ao açúcar sofrem frequentemente de depressão, apatia, tristeza, cansaço, impulsividade, são reativas e propensas a fúrias. Muitos dos seus comportamentos que odeiam estão relacionados com o desequilíbrio químico que existe nos seus cérebros. Estas pessoas reagem mais intensamente à presença e ausência de açúcar no sangue. É uma adição hereditária e afeta os mesmos sistemas bioquímicos no nosso corpo que são afetados por drogas como morfina e heroína. 

O açúcar, para além de bloquear a dor, o que explica tudo, dá moca, podemos sentir-nos eufóricos imediatamente a seguir ao seu consumo. Vê-se imenso nos miúdos. E se não tivermos a nossa dose de açúcar, podemos ter sintomas de abstinência.

A maioria não faz ideia de que é uma dependência fisiológica e que tem solução.

O cérebro liberta um químico poderoso chamado beta-endorfina em resposta ao cheiro de chocolate, por exemplo. O chocolate liberta beta-endorfinas que aumentam a sensação de autoestima. Este neurotransmissor opera ao nível celular, é muito mais poderoso do que poderíamos imaginar e por isso incontrolável pela mera força de vontade. Mas tratar da autoestima a comer chocolate não resulta por muito tempo. Como qualquer outra droga, quanto mais no-la damos, mais o nosso cérebro pede.

A autoestima tem de vir de dentro… De um equilíbrio bioquímico

As células cerebrais precisam de um abastecimento regular de glicose para que nos sintamos bem. A glicose resulta da quebra dos hidratos de carbono, para que possa passar para a corrente sanguínea e ser transformada pelas nossas células em energia, na medida do necessário. Quando o nível de açúcar no sangue é baixo, as células não obtém o açúcar de que precisam e desatam a enviar sinais de alarme, sintomas de baixa de açúcar no sangue.

O que acontece com o açúcar é o que acontece com as drogas e o álcool: a subida é a pique, no caso, libertação de insulina que produz mais açúcar para as células, com a consequente boa disposição, energia e tal, e a queda idem, abaixo dos níveis normais.

Por isso as pessoas se viciam.

O recetor responsável pela substância enviada pelo neurotransmissor reage ao excesso e faz uma downregulation, fecha canais de entrada da substância, o que quer dizer que a quantidade que nos dava o hit vai ter de ser maior.

Estou fascinada com isto.

E vice-versa, se os níveis de seretonina e beta-endorfinas estão muito baixos, o cérebro abre mais recetores. O que pode ocasionar um excesso de entrada das substâncias, naqueles momentos em que depois de contenção absoluta, nos enchemos de açúcar descontroladamente. [Todos os sensíveis ao açúcar são compulsivos] Pois quando damos açúcar demais, desenvolvemos uma dependência, o cérebro adapta essa quantidade às nossas necessidades e eleva o padrão. Queixando-se com sintomas de privação quando não recebe essa mesma quantidade.

Pessoas sensíveis ao açúcar tem mais recetores de beta-endorfinas. E os analgésicos estão para as beta-enforfinas como os antidepressivos para a seretonina.

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