Arte

28/04/2019

Arte é a capacidade de transformar as coisinhas do dia a dia, as nossas maiores vilezas, os temores mais profundos e as nossas mais banais vulnerabilidades, em momentos de conexão cósmica.

É a proeza de disfarçar as nossas miudezas e mundanidades com a quinta-esssência das metáforas. De expor fraquezas em figuras de estilo oblíquas.

O verdadeiro criativo é o que transforma crises existenciais em arte

Foi o que fizeram o Joel Neto e a Catarina F. Almeida em: A vida no campo, a peça.

De uma coragem extraordinária. Encenação muito criativa, sensação, como disse a Yara, de estar na cozinha de casa deles a assistir a uma coisa que não era suposto assistir.

Nada é novo, porque todos passámos pelo mesmo, sentimos o mesmo, nos revemos em cada projeção, amuo, mutismo, incapacidade de ver com a devida distância um problema que não era um problema, apenas disfarçava um maior, o verdadeiro problema. Revemo-nos em tudo, mesmo que nunca tenhamos tido um casamento de 20 anos sem filhos.

E ao mesmo tempo é sublime

Pela coragem, o tornar a banalidade numa obra de arte como o teatro, a interpretação dos atores. A leitura de algumas entradas do primeiro A vida no campo, a minha preferida lida por mim aqui, a primeira vez que vesti vermelho depois de o meu pai morrer. Entre outras. Todas preferidas. A do quarto, a do barco…

A 24 de Maio sai A vida no Campo II – Os anos da maturidade.

E eu mal posso esperar.

A Vida no Campo é um dos meus livros preferidos de sempre.

Parabéns, Joel e Cate. Essa dupla de luxo é decididamente para continuar ;)

Segue programa completo pelo país. Lisboa esgotou as duas sessões em Almada. Mas, com o sucesso que foi, era coisinha para passar para um teatro maior, por uma temporada. Vale muito, muito a pena. Ou o gozo…

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