Atitudes

16/10/2017

Um dia destes, enquanto me preparava para contar a um amigo uma desavença que se tinha passado entre mim e outra mulher, ele saiu-se com um: tu tens problemas com mulheres. Rapidamente lhe respondi com um exemplo de um homem, acrescentando: eu tenho problemas com algumas atitudes. E formas de posicionamento.

Se é facto inegável que me dou melhor com homens do que com mulheres, os homens tendem a ser menos cri-cri, mais abstratos, descontraídos, autênticos, até, no social, a verdade é que não discrimino. Tal como também não digo amén a tudo o que um homem diz, principalmente à forma como o diz, acho-os uns estúpidos, às vezes, muito menos recuso tudo o que uma mulher afirma. atitude

Não tenho agenda

Algo que as feministas têm dificuldade em entender. Acusando-me muitas vezes de ser contra as mulheres, não ser solidária, o diabo.

Temos pena. Não cedo a essa manipulação de primeiro ano do ciclo. Ou concordas, aceitas e acatas tudo o que diz a líder, ou és contra nós e não gostamos de ti.

Sou a primeira a lançar-me para a linha da frente para defender e proteger quem quer que seja que esteja a ser vítima de uma injustiça, de um abuso, de uma humilhação, uma manipulação. Que esteja a ser travado no seu direito de se manifestar em relação a que tema for.

E faço-o muitas vezes sozinha, sem reforços.

Como sou a primeira a criticar e a gozar, a expor ao ridículo, basicamente, alguém que seja manipulador, sacana, que se aproveite das fraquezas e do isolamento alheio para dominar, controlar, expiar a neurose.

A luta pela igualdade de direitos é válida

Mas não pactuo com gente que queira que o mundo inteiro lhe patrocine e legalize a neurose. Com gente que não esteja interessada em melhorar as coisas, equilibrá-las. Gente que quer apenas queixar-se e vitimizar-se sem fazer o mínimo esforço para olhar para dentro e ver o que está ao seu alcance fazer para melhorar a sua condição.

Gente que só quer arranjar confusão, criar conflitos.

Não discrimino homens, mulheres, gays, lésbicas, transexuais, bissexuais, pretos, ciganos. Mas aponto o dedo sim, acuso sim, questiono sim, ponho a nu sim, atitudes. Que impeçam a expressão, que limitem, que diminuam, que não queiram construir. Que usem e abusem do sistema em benefício próprio, prejudicando o coletivo. Perpetradas por homens, mulheres, gays, lésbicas, transexuais, bissexuais, pretos, ciganos, brancos ou azuis.

E a forma como se expõem, como as pessoas se posicionam. Que se prendam com os valores que tenho por invioláveis.

Voltamos à questão do humor. Se o que está por detrás da piada até é válido e precisa de ser apontado, a forma como é feito pode afastar-me liminarmente e criticar a atitude, a forma pouco criativa, agressiva, cruel e muitas vezes violenta como é colocada.

Repito, não tenho agenda.

Não me filio a partidos políticos que me obriguem a escolher um lado só para não ir contra o partido, quando e sempre que isso me violentar. Como não me filio a instituição ou organização alguma que me limite a liberdade, o discernimento.

E é isto que a grande maioria das pessoas tende a não entender. Porque divide o mundo entre esquerda e direita, entre bons e maus, e confunde um ser humano e suas incontáveis complexidades com uma opinião, uma ação. Sem ver o todo. Porque se serve de algo externo a si para tomar decisões, assumir posições. É gente comprometida.

E gente comprometida não é de confiança.

Se calhar, uma série de atitudes, dentro do mesmo padrão de comportamento, que normalmente se prende com o poder, fazem uma pessoa. Mas nunca qualificam um género inteiro.

Razoabilidade é preciso. E consciência.

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