Autoridade

13/08/2019

Confundida muitas vezes com autoritarismo, a autoridade anda pelas ruas da amargura, Dr. Jung…

Séculos e séculos de investigação científica,  precisamente para equilibrar os excessos do feminino e do masculino, contra a crendice e a ausência de lógica e de razão, para vir o novo milénio querer dar cabo de tudo.

A autoridade tem sido muitas vezes reduzida a um sentido só, ao seu extremo, o da autoridade policial. Sendo esta uma associação emocional pela sombra, o resultado, já sabemos, é a rejeição.

No entanto, tem na sua origem a palavra autor.

Poder-me-ia dizer que autoria faria as vezes. Mas autoria apenas quer dizer que somos autores de qualquer coisa, criadores ou co-criadores. E não que dominamos, ou temos pelo menos conhecimento profundo de, determinado assunto.

Andou o senhor, e tantos outros, a investigar a psique, 20 volumes de obras completas sobre o tema, para, de repente, não haver mais factos, apenas opiniões. Sem fundamento de qualquer tipo exceto uma parca experiência de vida de pouco mais de uma dúzia de anos. Os mais velhos conseguem ser piores, aos novos até lhes perdoamos a arrogância da juventude.

Resumindo-se ao é a minha opinião.

Esquecendo-se que a forma como vemos o mundo é pessoal e intransmissível, e naturalmente válida, mas é apenas isso, e é indiscutível. Não podemos ver o mundo da mesma maneira, a nossa história de vida é diferente.

A nossa personalidade também.

Pior conseguem ser os que usam interpretações erradas de textos científicos sérios para justificar a sua neurose pessoal.

Em vez de lidarem com ela.

Já que uma coisa é a forma como vemos o mundo, outra é pôr em causa a ciência, dizendo que a terra é plana ou que, mesmo tendo dois cromossomas X, sou homem. E vice-versa, mesmo tendo um cromossoma X e outro Y sou mulher. Argumentando que o género é uma construção social, ignorando a ciência e a própria biologia duas vezes. Para a última, basta ter olhos na cara para perceber a diferença.

Não há lugar a subjetividade…

E depois de cirurgias completamente invasivas chegam à conclusão que não lhes resolveu o problema… Que está simplesmente, e no limite, na aceitação. No viver com isso da melhor maneira possível.

Gente que diz que a mente, nem sei bem o que isso é, só conheço a psique e a cabeça, adiante, é uma merda. Experimentem andar sem ela, a ver se vão longe…

Mas quando digo que o que faz falta na vida de toda a gente é terapia, eu é que tenho mau feitio. A psicologia aliada ao auto-conhecimento serve precisamente para distinguir “verdades” de neurose.

Gente de 18 anos que lê um parágrafo de Kant e diz que não concorda, porque tem um primo e um tio… O narcisismo chegou a este ponto, caro Dr. Jung. O mundo gira à volta e define-se com base na experiência individual, sem qualquer tipo de elaboração psíquica.

Apetece-me responder: vão estudar.

Não que negue a intuição, o instinto, tudo isso foi previsto por si, inclusive. Estudado e devidamente investigado… Principalmente o instinto de sobrevivência, muitas vezes associado a experiências da primeira infância, com as quais aprendemos a proteger-nos, com os recursos que tínhamos mais à mão.

A questão é validar.

E para tal, bem como para o nosso equilíbrio psíquico e o nosso bem-estar físico e emocional, essa validação tem sempre de ser feita consultando a razão e a emoção, o matriarcal e o patriarcal, o feminino e o masculino, a cabeça e o coração.

Há sempre um elemento de cada um destes pares que nos é mais desconfortável. É precisamente esse que nos vai fazer sair do complexo neurótico e trazer-nos à razão.

Às vezes também me apetece muito chorar…

Ao ponto a que as pessoas chegam. De ignorar inclusive ações criminosas, traições imperdoáveis, apenas para não pôr em causa as suas convicções. Bem sei que sem elas é difícil viver, fazem parte de quem decidimos ser, mas são apenas uma pequena parte. Tendo normalmente a ver com a ideia que temos de nós mesmos, com o nosso ego e a nossas persona. E que nos Impede de chegar à totalidade psíquica, que engloba isso e muito mais, incluindo todos os cantos escuros da nossa psique.

Aceitemo-los ou não…

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