Educar e Amar

12/10/2017

Faz-me muita impressão ouvir gente a minha idade e mais nova preocupada apenas em educar os filhos. Quando a prioridade haveria de ser amá-los primeiro e educá-los depois. Esta coisa do educar é uma conversa salazarenta. E perigosa. Que nos prepara para viver no coletivo, à custa da castração da nossa identidade. O que nunca, nunca é bom.

afetoPrincipalmente porque quando se fala em educação fora de casa pressupõe-se que toda a gente apreende conteúdos da mesma maneira. O que é falso e causador de muita frustração e muita crença errada: de que não somos suficientemente bons, inteligentes, capazes. Lembro-me sempre da frase atribuída a Einstein, que dizia:

Se julgarmos um peixe pela sua capacidade de subir às árvores, vai achar a vida toda que é estúpido.

E se qualificarmos gente como mais e menos capaz nos permite um controlo social de massas mais eficaz, também é verdade que é um desperdício de qualidades e valências que nos podem fazer chegar a todos, enquanto sociedade, coletivo, mais longe. E poupar fortunas em cuidados de saúde, entre outros.

Toda a gente tem capacidade de entender tudo, desde que se fale a sua língua. A aprendizagem, emocional e intelectual, tem de ser orgânica. A força e a imposição são características do patriarcal e está mais do que provado que não funciona. Que é pelo equilíbrio que lá chegamos, de forma orgânica, que se encaixe em nós, na nossa forma de entender.  Só entendemos as coisas na nossa linguagem, só nos permitimos até mesmo ao que é mais duro, desde que fale a nossa língua. E é só isso que haveria de nortear a nossa vida.

Cooperação em vez de competição

É falso, é mentira, o ter de. A castração de partes nossas por serem erradas, a repressão das mesmas. Isso é claro na psicologia. É o que leva a projetar a sombra, aos bodes expiatórios. A cada um o que é de cada um, com amor, aceitação, consciência.

Ninguém é melhor do que ninguém

Preocupados que estamos que os nossos filhos sejam aceites no coletivo, que tenham amigos, que vivam uma vida socialmente aceitável, de acordo com os padrões impostos e independentemente da essência de cada um, esquecemo-nos de os amar.

De como se faz, como se ama.Biodanza Porto

A Biodanza propõe que voltemos a amar, ensinando-nos a fazê-lo através da dança. Começamos por amar-nos a nós mesmos, integrando a totalidade da nossa identidade. E a partir daí, aos outros.

Posso dizer com a maior sinceridade e todo o amor do mundo pelo meu processo que resgatei a vontade de me relacionar com a Biodanza. Deixando para lá o medo de me perder no outro, na dinâmica do relacionamento, anulando-me e às minhas vontades.

Se mora no Porto e arredores e quer conhecer um pouco mais deste método tão revolucionário e ao mesmo tempo tão ancestral, a palestra e vivência de amanhã são para si. Fica o convite.

E a oportunidade para conhecer a Escola de Biodanza do Porto, já este fim-de-semana, pelo diretor da mesma e meu querido amigo Nuno Pinto.

Escola Biodanza Porto

  • Ana Maria Silva 12/10/2017 at 14:40

    Que gratidão pela tua escrita clarividente, sincera e plena de significado. Já to tinha dito, mas hoje reforço com muito interesse próprio, que é bom e eu gosto.

    • Isa 12/10/2017 at 15:09

      Obrigada, minha querida, o prazer é meu. É uma escrita que vem da paixão, da verdade, da conexão. Do coração, do mais autêntico de mim. Que bom que passa para fora do jeito certo :) Grande beijo.

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