Buraco negro

12/01/2018

Cientistas dizem que apenas conhecemos 1% do que existe. E que tudo o resto que compõe o universo estaria num buraco negro, que concentra uma força imensa.

Imediatamente, fiz um paralelismo com o que conhecemos de nós. Há de ser ela por ela. 1% pertence à consciência, ao ego. Os outros 99% de nós são-nos desconhecidos. Mas existem, atuam em nosso nome e à nossa revelia… Fazem parte do conjunto de forças psíquicas que nos compõem.

Tal como no universo, também na nossa cabeça há um buraco negro. Assustador, porque desconhecido, escuro, cheio de um enorme vazio, onde o nada ocupa quase todo o espaço. Buraco negro

Na vida de todos os dias, o silêncio, o nada, a ausência, assustam sempre que esperamos uma resposta, não a obtemos e nos pomos a pensar nos motivos. Deixando que a imaginação e a fantasia corram soltas na nossa cabeça, criando toda a sorte de cenários apocalípticos.

Por isso fugimos do nada

Mas e se esse buraco negro fosse a origem de tudo? O que vai além do visível, do que foi pré-estabelecido? Do que alguém decretou que era assim e não assado, fazendo que nos submetamos, por precisarmos de referências e de uma base de onde possamos partir para o nosso próprio voo?

E se tudo o que existia antes do Big Bang fosse apenas um buraco negro?

Onde havia nada. E se pudéssemos voltar a esse enorme nada, num ambiente protegido, devidamente conduzidos?

Foi o que fizemos na aula de danza desta semana. E descobrimos que nesse enorme nada temo-nos a nós. Que o escuro nos aconchega no todo de nós. Que esse nada funciona quase como uma tábua rasa apenas por nós habitada, onde o todo de nós tem a capacidade exclusiva de decidir o que fazer, para onde ir, onde ficar e com quem.

Estive comigo no buraco negro, envolvida pelo próprio mistério, numa completude difícil de descrever, desfrutando de um espaço e de um tempo só meus. Dele nasci, porque faço parte dos sortudos que conseguiram vingar. E daí parti para o mundo.

Como são até comoventes os encontros em que duas pessoas querem descobrir-se, experimentar-se. Dispostas a desvelar o seu mistério, numa comunhão fusional de sensações e desejos.

A Biodanza já me proporcionou das experiências mais transcendentais de toda a minha existência. A da última semana está sem dúvida no TOP 5. Com a colaboração do João, a viagem que o meu querido amigo Nuno nos proporcionou foi do outro mundo. De onde saí mais viva do que nunca.

És o rei disto tudo. Um exemplo e uma inspiração.

Every dark thing one falls into can be called an initiation. To be initiated into a thing means to go into it… Marie-Louise von Franz

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