Browsing Category

Artist Date

Liberdade, Liberdade.

28/06/2017

“If I sabotage my artist I may well expect an eating binge, a sex binge, a temper binge.”

O impulso criativo é uma via de libertação. E é normal termos medo da liberdade, parece que não sabemos o que fazer se não houver uma sociedade a dizer-nos como devemos comportar-nos.

É muito verdadeira a frase que ilustra o date de hoje. A comida, o sexo, o fumo, os copos, os achaques podem bem camuflar necessidades maiores, mais verdadeiras, autênticas, reais.liberdade

Aconteceu-me comover-me várias vezes com uma parte específica do texto que escrevi ontem. Nesse momento, o que o meu cérebro disparou foi um: vai fumar. E dali não saía. Mecanismo inconsciente e automático que queria impedir-me de sentir, de entrar em contacto com o que foi vivido na dança e materializado em palavras. Não é lógico, explicável, não faz sentido nenhum. Mas é o que acontece. Com as memórias más e as boas, as sensações desconfortáveis, boas ou más, que nos libertam. A permissão que não nos damos para sentir, olhar de frente, assumir, integrar. O que preenche verdadeiramente, e não o que nos alimenta o padrão e nos deixa à fome de tudo o que verdadeiramente nos torna mais nós.

Enchemo-nos do que sequer nos dá mais prazer, atulhamo-nos de toxinas, acabamos com o corpo e enfraquecemos a mente. Dando todo o poder do mundo ao nosso predador particular, que alimentamos a mel.

Conhecer esses mecanismos não impede que corramos para a solução mais óbvia, a que conhecemos, como comer, transar, fumar, para fugir a algo maior e mais profundo. Mas permite que descubramos alternativas menos autodestrutivas. E a elas recorramos, uma vez, duas, três, até que se tornem mecanismos automáticos que substituam os outros, que apenas contribuem para que fiquemos na mesma. Mantendo o artista, o criativo, que há em nós encarcerado, enquanto nos queixamos da vida e nos focamos no que nos mantém infelizes, chatos, amargurados e moralistas.

Não há pior do que o moralista frustrado, mina tudo de bom que a que podemos chegar.

Artist’s Date 178/365 – Decorate a vase

Muito mais eu

27/06/2017

Acabei este fim-de-semana um ciclo de seis workshops de aprofundamento da dança da vida, que começou em janeiro de 2016 e se espalhou por um ano e meio, com intervalos de uns meses entre cada módulo.

No último, lembrei-me do primeiro, do quão longínquo me parecia o fim.

E agora aqui estou, a mesma mas com uma noção muito maior e mais aprofundada de tudo quanto é meu.

Um desafio e tanto. Pensava ficar-me pelos três primeiros módulos, era o que me fazia sentido. Acabo a descobrir que são os últimos três que dão sentido a tudo. São os que mais nos desafiam individualmente, por serem direcionados, a partir de uma escolha de cada um.terra

Um desejo, um medo e um elemento.

E se algum dia pensar que não vou conseguir fazer determinada coisa, me sentir tolhida pelo medo, preciso de me lembrar que dancei, em alguns momentos sozinha, o que mais desejei, mais temi e mais me fez falta. Que me surpreendi e me deixei tomar por mim mesma à frente de meia centena de pessoas. Que me deixei comover pela minha lusitanidade, deixei-me cuidar e amar. Que me entreguei ao meu mais secreto desejo e enfrentei o meu maior medo. Que, quando achava que o pior já tinha passado, os medos vencidos e os desejos assumidos, dou de caras com a terra e o ímpeto de me enfiar nela, sem medo dos bichos que lá moram, com uma vontade voraz de sorver toda a vida que ela contem.

E depois de nela me misturar, talvez de me batizar, fazendo as pazes com o medo, o animal que há em mim vê finalmente a luz do dia, num urro épico que ninguém calou, castrou ou limitou. Seguido ainda de mais um ou dois, para ter a certeza de que nada dele ficou preso na sombra.

E tudo aconteceu pelo corpo, a dança, o deixar-me tomar pela música, ouvindo as orientações dos mestres e desligando o cérebro para tudo o resto, deixando vir à tona o que tinha de vir, sem pensar, conter, tentar entender. O corpo sabe antes da cabeça, percebe antes, contem todas as informações. É a cabeça que, ao querer controlar e não o escutando, aprisiona muitas vezes o que  nos é vital. A dança dança-te, em vez de tu dançares a dança.

Dancei e o mundo dançou comigo

Há elaborações que não mais preciso de fazer, quando a coisa é boa, de entender, bastando-me apenas a sensação, ficando nela, maior milagre do que este seria difícil.

Sou a mesma, mas muito mais eu. Mais desperta para o afeto, o amor, a concretização, a presença, a humanização. Mais desperta para o que importa. E o que importa é a comunhão, o sermos todos um e o mesmo, e cada um único e inclonável.

Obrigada ao meu mais querido e reconhecido mestre, que me levou mais longe do que alguma vez pude imaginar, aos meus queridos companheiros de jornada, que me conhecem agora melhor do que a minha própria família e amigos de 500 anos, não tenho palavras para descrever o quão preciosa foi a vossa acolhida, o vosso companheirismo, a vossa presença, a vossa coragem que me inspirou em tantos momentos, e aos facilitadores participantes, cujo apoio foi crucial para fazer desta jornada mágica, épica, inesquecível.

E ao Grande Mestre Rolando Toro, pela criação da dança da vida.

Artist’s Date 177/365 – Take a singing lesson

Todas as sugestões de dates têm sempre uma imagem e uma frase associadas. A do de hoje reza assim: Dance, and the world dances with you. E que às vezes são mais sugestivas do que o date em si. É o caso desta. Talvez o desafio de ir a uma aula de canto seja maior do que o de escrever sobre a frase que supostamente o ilustra. Mas é o que me apetece.

Chocolate, Animal Selvagem e Rimas

26/06/2017

Fim de semana de dança,
A prometer encher a pança
Começou a urrar
Acabou a cantar

Um ano e meio a dançar
Identidade, afetividade, amor
Desejos, medos e elementos.
Dou por mim a gritar
Num urro que veio de dentro

Um tempo tão longínquo e inócuo
Termina não sem muita insolência
Com determinação e muito foco
Chega ao fim a inocência

O processo foi duro e doloroso
Apaziguador e um tanto moroso
Valeu cada momento
E que venha outro tempo.

Artist’s Date 176/365 – Speak in Rhyme

Ainda não decidi se sou um urso, um tigre, um leão ou outro animal qualquer. Sei que é muito bom poder urrar, ou rugir. E que tenho muito orgulho do animal que há em mim. Daí que ontem não visitei um zoológico, mas deixei que o animal selvagem que também sou saísse finalmente da jaula onde o mantive enclausurado mais de 40 anos, e que foi altamente libertador. selvagem

Artist’s Date 175/365 – Go to the Zoo
Artist’s Date 174/365 – Eat Drink a chocolate malted muffin

Deixem os turistas em paz

23/06/2017

Ontem, para encontrar uma amiga de SP no Terreiro do Paço, saí no metro no Rossio e fiz a rua Augusta a pé.

Há imenso tempo que não ia ao centro de Lisboa, porque a cidade me faz cada vez pior e talvez por falta de motivos suficientemente fortes para tal. A última vez tinha sido por ocasião da presença de amigo paulistano, mas era de noite.turistas

Ontem, que felizmente dava para aguentar, vi Lisboa à luz do dia, com o céu mais azul do mundo, a água do rio com cara de mar, e uma vida indescritível. Tudo renovado, tudo colorido, tudo bonito de verdade. Acho que até disse alto:

Lisboa é uma cidade mesmo bonita. E que sorte tenho de ser a minha.

Gosto muito de ser lisboeta, mas não gosto do que a cidade faz comigo. Morar na praia tem-me mantido sã nesse sentido.

Saio então no metro no Rossio e, para além das cores da cidade, o que me deu uma alegria imensa foi ver a quantidade de gente diferente que circula pela capital do império.

Adoro gente de todas as cores, todos os tons, louros, ruivos, brancos transparentes, morenos, gente de calções e óculos escuros, em bando, sozinha ou em casal. Gente de mapa na mão, a descobrir, a encantar-se com a minha cidade que é mesmo a mais bonita do mundo. Adoro ir girando a cabeça, observando os moços bonitos, as miúdas sorridentes, gente de todas as idades, a forma como se vestem, os cortes de cabelo, as vozes, todas as línguas que se ouvem por todo o lado, entenda-as ou não, sentir a boa disposição no ar, um silêncio quente.

Lisboa, além de tudo, é uma cidade silenciosa.

E a isso devemos o gene português. O silêncio é das melhores coisas do mundo.

O Terreiro do Paço está uma maravilha

Em boa hora se de lá tirou a burocracia dos fatos cinzentos para se lá plantar espaços cheios de comidas boas e lugares alternativos. Jamais a culinária portuguesa irá perder-se. Deixem que haja opção de comida mais leve, pelo amor de deus, estão 60 graus… 

Resolvemos ir a pé até ao Chiado.

Passámos em frente ao Martinho da Arcada e deu-me uma coisa no coração. Olhámos uma para a outra e convencemo-nos ali, naquele momento, que já havíamos de ter partilhado uma mesa no Martinho, dividindo o tampo de mármore com o Pessoa.

As velhas e os gatos de Alfama

A ser verdade que tiraram as velhas e os gatos de Alfama para lá alojar viajantes, acho mal. Alfama é das velhas, dos gatos gordos nas janelas e do cheiro a alfazema dos lençóis pendurados nos estendais, ocupando as vielas. Dos fados a sair das janelas e dos boémios.

Mas a culpa não é dos turistas, arranjem lá outro bode expiatório. E bem sei que o desporto nacional é reclamar, arranjem outro motivo, e…

Deixem os turistas em paz.

Para uma cosmopolita, alguém que ama a sua cidade e a quer ver feliz, não há nada melhor. Ignorem-nos, contornem-nos, vão à vossa vida e deixem-nos curtir.

Artist’s Date 173/365 – Go People-watching Downtown

*A segunda foto é da minha loja preferida de todo o sempre, onde já deixei verdadeiras fortunas. A fachada faz jus ao conteúdo, é linda, alternativa, com pinta e diferente.

Pet

22/06/2017

Não tenho animais domésticos, como já estou cansada de repetir. Este é o único animal que consigo desenhar, porque conta uma histórinha. É o que há…

Artist’s Date 172/365 – Draw your pet

error: Content is protected !!