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Biodanza

Eros e Psiquê – Os relacionamentos

17/11/2018

As mulheres ressentem-se muito da mudança de atitude dos homens, depois de conquistadas. Da falta de cuidado, de carinho e afeto, de atenção. E os homens, por sua vez, queixam-se que as mulheres perdem a magia, deixam de ser doces, femininas, deusas divinas, depois de assegurado o relacionamento. Isto acontece porque ambos pararam de projetar o seu género oposto idealizado e divino nos respectivos parceiros, e começaram a vê-los como são, além da projeção. E também porque ambos perderam a conexão com o feminino. Que garante a humanização do relacionamento, por um lado, e a conexão entre os amantes, por outro.

Se não sabes para que servem os mitos, é para isto.

De sorriso involuntário no rosto, de alma e coração cheios. Feliz por sentir e ver a magia dos mitos e da dança a manifestar-se nos corações dos Eros e Psiquês, que se juntaram hoje para dançar e celebrar o masculino e o feminino em todos nós.

Obrigada a vós, e ao Mestre Nuno Pinto, pela criatividade e a mestria como conduziu mais de 30 almas nesta viagem incrível pelos meandros da imaginação, da conexão, da integração, da plenitude.

Parabéns pela coragem. Eterna e profundamente grata pela confiança. A magia acontece enquanto dançamos. E é bonito de se ver.

Um mito, uma danza: Eros e Psiquê

15/11/2018

Para uma melhor e mais proveitosa aula de Biodanza de amanhã, convido a ver o vídeo abaixo. É uma introdução ao tema do mito: Eros e Psiquê, que vai ajudar a que a experiência seja ainda mais proveitosa.

Um mito, uma danza: Eros e Psiquê, com: Nuno Pinto

Inscrições obrigatórias por e-mail para biodanzanunopinto@gmail.com

As condições visuais e estéticas não são as melhores, mas o que importa verdadeiramente é o conteúdo… Pelo facto, pedimos desculpa.

Eros e Psiquê – Fernando Pessoa

15/11/2018

Conta a lenda que dormia 
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
Do além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa adormecida,
Se espera, dormindo espera.
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado.
Ele dela é ignorado.
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino –
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E, vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora.

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão , e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

Fernando Pessoa

Este meu romantismo ainda um dia me há de matar…

12/11/2018

Robert A. Johnson, um dos meus autores junguianos americanos preferidos, escreveu, entre outros, três livros. Baseando-se em diferentes mitos e histórias, explora os meandros da psicologia feminina (She), da psicologia masculina (He) e do amor romântico (We). Neste último, servindo-se do mito de Tristão e Isolda, diz-nos que esse mito nos mostra que o amor romântico é um ingrediente necessário para a evolução da psique ocidental. Que só alcançamos a totalidade, deixando-nos prontos para a fase seguinte da evolução da consciência, quando aprendemos a viver conscientemente com o amor romântico, ou seja, com as vastas forças psicológicas que representa. Na evolução da consciência, no nosso maior problema está sempre a nossa mais rica oportunidade.

Este meu romantismo ainda um dia me há de matar… 😍

“O outro traz-nos notícias de nós”, já diria Rolando Toro, criador da Biodanza. Se essas notícias puderem ser adocicadas com amor e romance, e muita dança, nada mais temo nesta vida.

O que é um mito

10/11/2018

À pergunta: o que é um mito, uma criança respondeu: a myth is something that is true on the inside but not true on the outside. O professor não entendeu… 

A vida é muito mais rica nos meandros da criatividade, da imaginação e da poesia. Da sensibilidade.

Faz-me lembrar um episódio com o meu sobrinho mais velho, a quem lhe foi pedido que escrevesse um postal a um amigo. O meu pai tinha morrido há 15 dias. O João resolveu escrever o postal à avó porque ela estava muito triste. A professora baixou-lhe a nota porque era para escrever para um amigo. Fosse eu mãe dele tinha ido tirar satisfações. Não é a nota que está em causa, mas o privilegiar da regra em detrimento do sentimento. E o que isso fará com a cabeça dele. Teria dado nota máxima aos dois miúdos. E chumbado a professora…

Por um mundo [com] mais [professores] INFPs…

No próximo dia 16 de novembro, vamos dançar a paixão, celebrar o amor, conquistar a totalidade, caminhar pelo mundo, sem perder a essência.

Vamos dançar Eros e Psiquê, o mito que inspirou, entre outros, o grande Fernando Pessoa.

Inscrições obrigatórias para: biodanzanunopinto@gmail.com

Um mito, uma danza: Eros e Psiquê

05/11/2018

Certa vez perguntaram a Joseph Campbell, o maior mitólogo americano, para que serviam os mitos. Ao que ele respondeu: os mitos servem para nos conhecermos e nos entendermos melhor.

Pelo poder simbólico que todos os mitos têm, encontramos sempre algo que ressoa em nós. Eros e Psiquê

O mito de Eros e Psiquê, ao qual Fernando Pessoa dedicou um poema, é talvez um dos mitos mais estudados por psicólogos junguianos, dado, precisamente, o poderoso simbolismo nele contido.

É um mito que fala do feminino, e não apenas das mulheres, tendo em conta o conceito de anima, o arquétipo feminino em cada homem, e o de animus, o arquétipo masculino em cada mulher. Da importância de conhecer, de descobrir como se manifestam e de unir estas duas forças arquetípicas na psique de todos nós. Forças estas que estão, na grande maioria do tempo em conflito, em lados opostos dentro da nossa cabeça.

Na Jornada da protagonista desta história, a heroína Psiquê, uma mortal, vamos ver como se materializa a jornada no feminino. Como podemos, homens e mulheres, partir para o mundo, e nele subsistir, sem perder a nossa essência.

É um mito sobre a força do amor, da paixão, sobre a capacidade de receber ajuda do exterior, mostrando que não estamos sós e que nada conseguimos sozinhos.

É um mito sobre a capacidade de dizer não ao que nos desvia do nosso foco, sobre resiliência, sobre paciência, sobre a humanização dos heróis. Sobre a passagem da adolescência, do ego infantilizado, à idade adulta.

Vamos contá-lo, traduzir o seu conteúdo simbólico e dançá-lo.

16 de Novembro, às 19H30. Evento aberto a todos os que fizeram, fazem ou vão fazer Biodanza.

Vagas limitadas! Obrigatória confirmação de inscrição por e-mail: biodanzanunopinto@gmail.com

Guerreira

27/09/2018

Descrevem-me amiúde como Guerreira. Até numa dedicatória de um livro me atribuíram esse epíteto. É o que veem de mim. E eu nem sei bem o que isso quer dizer.

Já para não falar que sequer me revejo nesse papel…

Às vezes, confesso, até me deixa impaciente. Embora lhe reconheça projeção. Por não corresponder à verdade. Por saber da missa toda, não apenas da metade… Conheço o lado obscuro, o lado sensível, o lado criativo, artístico, a dúvida, a auto-cobrança, a desconfiança. Conheço muita coisa que talvez não transpareça. 

Já para não falar na responsabilidade que tamanho atributo acarreta

Felizmente, não vivo para corresponder a expectativas. Ao que os outros esperam de mim, se é que esperam alguma coisa… Há muito tempo. Quem dita quem sou, o que quero, como me posiciono, o que faço, escrevo, digo, sou eu… Embora muitas vezes ainda caia na falácia da provocação. Há botões que persistem em ser acionados a cada vez que estão em causa valores que me são caros.

E ainda bem…

Reconheço-me forte, reergo-me das cinzas com uma força e um entusiasmo de certa forma admiráveis, por não permitir que a minha essência se anule em prol do que me acontece. Não sucumbo perante as dificuldades, há em mim uma vontade férrea de me manter de pé.

Mas não me revejo no atributo de guerreira

Porque o meu lado sensível, emocional, sentimental é muito mais forte e muito mais condizente com a minha verdadeira natureza.

A nossa cabeça pode enganar-nos, iludir-nos, mas o corpo não mente. E a prova inequívoca é o que se me é revelado na vivência das aulas de Biodanza.

Já desconfiava, mas, na última terça-feira tive a confirmação. Vi-me e senti-me a dançar, de vestido vermelho e cabelos longos, indomável, sensual. Numa celebração qualquer. Alheada de tudo, apenas entregue à dança, ao movimento, às sensações, indiferente aos olhares alheios, em volta de uma fogueira, num tempo que não reconheço, numa civilização que me é estranha. E, nessa dança, vi todo o meu potencial. Reconheci todo o meu poder. É esse, que vem de dentro. Que é confiante, sem ser intimidante. E em perfeita sintonia e conexão com a natureza.

Entre Atena e Afrodite, prefiro Afrodite.

Com um bocadinho da natureza selvagem de Artémis. Confiante, mas com um sorriso. Inteira, mas não distante, inacessível, inatingível.

E Atena é alheada do sentimento, que lhe confere poder. Eu não quero o poder per se, não me interessa. prefiro de longe a autenticidade, a espontaneidade, à persona.  I crave connection. Que só se consegue com aproximação, não com distanciamento, isolamento, alienação do que se passa no coração.

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