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Biodanza

Projeto Olimpus – Instinto e Arquétipo*

11/03/2019

O instinto é um impulso inato para a ação, determinado biologicamente. É uma estrutura biológica e talvez até mesmo neuronal. Psicologicamente, a forma que esse instinto adota é a do arquétipo. Podemos então dizer que a forma arquetípica é a experiência do instinto no nível psicológico.

O instinto é universal, tal como o arquétipo.

A um nível psicológico, o arquétipo é a forma como experienciamos essa estrutura instintiva, biológica e neuronal.

Pois a psique tem uma estrutura predeterminada.

Nós não chegamos ao mundo como uma tábua rasa, que indica que nós apreendemos a realidade, bem como percebemos e racionalizamos as nossas experiências, não como ela é mas de acordo com pré-estruturas psicológicas a que Jung deu o nome de arquétipos.

Quando falamos de arquétipos, falamos de uma categoria abrangente, porque inclui eventos, eventos arquetípicos, como o nascimento, a morte, a união sexual, etc. Experiências pelas quais todos os homens, primitivos ou não, de todos os tempos, passaram. A esses eventos juntamos personagens, como a mãe, o pai, a criança, o líder, o inimigo. Estas verdades universais humanas são experienciadas em todos os tempos, por todas as culturas, em toda a história da humanidade. Imagens e símbolos são também eles universais, tais como o mar, o por do sol, uma flor… E, claro, narrativas e histórias, também elas universais, com os mesmos padrões, pois retratam sempre temas e personagens comuns a toda a humanidade, em todos os tempos, independentemente da cultura, do período histórico e da localização geográfica.

*Stephen Anthony Farah (Tradução e edição minhas)
Um mito, uma danza: Projeto Olimpus, sessão de apresentação 22 de Março.

Quem nunca ouviu um coração bater, não sabe o que é viver.

03/03/2019

Das experiências mais mágicas que já vivi, ouvir, de perto, encostadinha a ele, um coração bater é talvez das mais extasiantes e generosas que me permiti.

Todas as manifestações de vida me comovem

E não posso agradecer mais ao João ter-mo permitido. Por isso, a cada sugestão minimamente parecida, procuro-o para dançar. Só para o ouvir mais uma vez.

Foi o que aconteceu na semana passada.

Nós queremos repetir experiências extasiantes, e eu procurei fazê-lo. Mas o movimento da dança não mo permitiu. A dinâmica dos dois, que foi absolutamente mágica, não caminhou por aí. Até que, no abraço final, os nossos corações bateram juntos, ao mesmo ritmo, e aquela dança não poderia ter terminado da melhor forma.

Já dava por mim satisfeita.

Até ter experimentado respirar ao mesmo tempo que a Maria… O ar a vir do mesmo lugar, da barriga, o tempo da inspiração ser o mesmo, o da expiração também. Cada vez mais profundas, cada vez mais conectadas, cada vez mais sincrónicas.

A magia voltou a acontecer

E eu, que valorizo o intelecto mais do que qualquer coisa, rendi-me, por completo, à vida que pulsa nos nossos corações e ao ar que nos entra e sai dos pulmões.

E eu, que já o senti numa gaiola, de porta aberta, sem condição de o deixar sair, porque o Silvestre estava lá em baixo, com um ar muito ameaçador, deixando que o medo me toldasse a razão, que me ajudaria a lembrar-me que ele não tem como me apanhar se eu sair a voar, deixava-me ficar.

Não admira que à Biodanza também se chame dança da vida…

Agora, que nem consigo mais fechar-me, por ser tão grande que a gaiola torácica já não lhe chega, dou por mim a lembrar-me que, afinal, sem intelecto, por mais que nos custe aceitar e lidar, vivemos uma vida inteira. Sem coração, sem ar para respirar, não.

Projeto Olimpus

19/01/2019
Aos bravos Tristões e às Isoldas louras e morenas, muito grata estou por esta viagem épica, conduzida com a mestria a que o timoneiro Nuno Pinto já nos habituou. 
 
Está completa a trilogia: Jornada do Herói, Masculino, Eros e Psiquê, Feminino, e Tristão e Isolda, o casamento dos dois.
Que é como quem diz, a integração dos princípios masculino e feminino em homens e mulheres, a que o Jung deu o nome de animus e anima, arquétipos fundamentais da nossa psique por serem os que estão na base das nossas relações amorosas. Consumadas no amor romântico e no seu imenso potencial transformador.
Prova superada
Para quem não percebeu a profundidade da viagem de hoje e não se apontou, mais virá. Com ousadia, diferenciação, especificação, apropriação do arquétipo correspondente, numa dança em que faremos as pazes com o passado, danzaremos o presente e abraçaremos o futuro, de mãos dadas com os deuses, na condição que nos permite relacionarmo-nos e conectarmo-nos, a de humanos.
 
Dos deuses queremos inspiração, a nossa vida viveremos simbolicamente, nas aulas de Biodanza, e lá fora, alinhados, sem que a cabeça tome o coração ao ponto de o estrangular, nem que este e suas emoções tomem a cabeça ao ponto de a anular. 
 
Projeto Olimpus aguarda-vos. Vamos viver histórias, vamos danzar mitos, vamos integrar os deuses, vamos ser heróis. Que é como quem diz, protagonistas das nossas próprias vidas.
Muito e muito obrigada.
Um beijo especial ao Nuno, pela confiança, a parceria incrível, o caminho que estamos a trilhar juntos.
 
De mãos dadas convosco, seus lindos.

Tristão e Isolda – A alma*

18/01/2019

Para Jung, a alma não é uma figura de estilo, é uma realidade psicológica, um órgão da psique que vive no nosso inconsciente, mas que afeta profundamente as nossas vidas. A nossa alma é a parte do inconsciente que está fora do ego, da vista, mas que medeia o inconsciente em relação ao ego. É recetor e transmissor. É o órgão que recebe as imagens do inconsciente e as transmite para o ego consciente. 

A alma manifesta-se a si mesma, e ao inconsciente, através de símbolos:

As imagens que circulam no inconsciente na forma de sonhos, visões, fantasias e todas as formas de imaginação. Perdemos o nosso senso de alma porque perdemos o respeito pelos símbolos.

A mente moderna está treinada para achar que os símbolos são ilusão.

Dizemos: “é só produto da imaginação”, não percebendo que todas as partes que nos faltam e pelas quais ansiamos há tanto tempo, a estrada perdida para o paraíso, vêm constantemente ao nosso encontro através da linguagem esquecida da alma: os símbolos e imagens que emanam dos sonhos e da imaginação.

Para os homens, o símbolo da alma é a imagem da mulher.

Se um homem tem consciência disso e sabe quando está a usar a imagem da mulher como símbolo da sua própria alma, pode aprender a relacionar-se com essa imagem e a viver a sua alma internamente. Quando perceber que essa imagem lhe pertence, deu o primeiro passo na direção da consciência no amor romântico.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

Tristão e Isolda – Masculino e Feminino*

18/01/2019

O princípio feminino num homem é acima de tudo um princípio de relação; mas a anima transfere um homem para um tipo especial de relação: personifica a capacidade de um homem de se relacionar com o seu eu interno, o domínio interno da sua própria psique e do inconsciente. Curiosamente, afasta-o da relação humana, tal como afasta Tristão da sua lealdade humana para com o seu tio, do seu sentido de dever e de obrigação.

Num determinado nível da nossa evolução, a nossa relação com a nossa alma, e com o nosso mundo humano e pessoal, encontram-se num conflito mortal.

Conflito este conflito que é o ponto crucial da consciência. 

As mulheres têm uma estrutura psicológica equivalente, à qual Jung chamou Animus.

O Animus é a alma nas mulheres, tal como a anima é a alma num homem.

O animus personifica-se comumente como a força masculina e aparece nos sonhos das mulheres como figura masculina. As mulheres relacionam-se com o seu animus de forma diferente da que os homens se relacionam com a sua anima, mas há uma coisa que homens e mulheres têm em comum: o amor romântico consiste sempre na projeção da imagem da alma. Quando uma mulher se apaixona, é o seu animus que vê projetado no homem mortal à sua frente. Quando um homem bebe a poção do amor, é a sua anima, a sua alma, que vê sobreposta numa mulher.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

Tristão e Isolda – o amor romântico e a espiritualidade*

18/01/2019

O amor romântico tem estado sempre indissociavelmente ligado à aspiração espiritual. É tão óbvio que parece desnecessário dizê-lo. Ainda assim, todos nós desviamos o olhar e perdemos o óbvio.

É uma verdade demasiado próxima para que a consigamos ver.

Apenas precisamos de olhar para as histórias de amor, a poesia, as músicas que vêm do Romantismo, e percebemos que o homem apaixonado fez da mulher um símbolo de algo universal, algo íntimo, eterno e transcendente. O que ele vê na mulher fá-lo sentir que finalmente se percebeu, que vê todo o sentido da vida. Vê uma realidade especial revelada nela, sente-se completo, enobrecido, aperfeiçoado, espiritualizado, elevado, transformado num homem novo, melhor, completo.

Os grandes poetas românticos não o escondem, proclamam-no.

Os trovadores e os cavaleiros de Tristão proclamaram-no abertamente. Ao contrário de nós, que nos achamos tão sofisticados, eles tinham plena consciência do que procuravam no amor romântico. Optaram por deixar de ver a mulher como mulher e em vez disso fizeram dela um símbolo do eterno feminino, da alma, do amor divino, da nobreza espiritual, da completude.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

Tristão e Isolda – o Amor Romântico enquanto força psicológica*

17/01/2019

O amor romântico tenta experienciar o “mundo exterior” (…) faz-nos sentir inteiros psicologicamente, preenchidos na totalidade e em contacto com o sentido da vida.

É um sistema de energia que surge do das profundezas do inconsciente, desconhecido e inexplorado, das partes de nós que não vemos, não entendemos e impossíveis de ser reduzidas ao senso comum. 

Apodera-se da nossa vontade, toma-nos a cabeça, vira as nossas vidas ao contrário, reorganiza a nossa lealdade. É esta qualidade de estar fora de controlo que o amor romântico tem que nos dá a pista mais profunda para a sua verdadeira natureza.

Por isso, o ego masculino ocidental tem tanta dificuldade em lidar com o amor romântico. Por estar, por definição, fora do controlo.

Está fora do controlo porque secreta e inconscientemente é o que queremos dele, que seja extasiante.

Enquanto força psicológica, é o veículo pelo qual algo nos é devolvido, algo que foi atirado para fora da nossa cultura e das nossas vidas há muito tempo. A natureza humana tem recursos. Arranjamos maneira, mesmo inconscientemente, de nos agarrar ao que precisamos.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

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