Browsing Category

Cursos

Mulheres que não gostam de mulheres

27/10/2017

Há aquela coisa irritante das mulheres sonharem com o dia em que os homens adivinham o que querem. Muitas vezes quando nem elas conseguem assumir ou perceber exatamente qual a necessidade do momento. Daí que se tornam cobradoras, chatas, quezilentas, resmungonas, queixosas, afirmativas. Hera

Odeio este papel

E recuso-me a representá-lo. Não quero ser conotada com essa postura, tenho a mania que sou diferente, já se sabe. E não aguento ver companheiras de género a cair nesta falácia, de meninas mimadas. Apetece-me dar-lhes dois gritos, clamar por independência, autodeterminação, coragem, autenticidade.

Que assumam a carência e expressem o desejo de abraços e beijinhos. Mimos e afetos. E tal…

Mas a verdade é que gostaria que assim fosse. Que não precisasse de o dizer. De forçar. No fundo, queria ter a certeza de que o outro o faria por vontade própria e não porque lhe pedi, sugeri, exigi.

Uma espécie de selo de garantia de amor. Em vez da sensação de controlo.

Que o nível de conexão fosse tal que soubéssemos imediatamente do que o outro foge, o que quer, lhe faz falta. E como demonstrá-lo sem o invadir, o comprometer, o envergonhar, diminuir. Que não precisasse de verbalizar o impacto que o descaso provoca em mim. Que pudéssemos minimizar os efeitos da vida conectando-nos, e não afastando-nos. Disfarçando necessidades e vontades de formas mais ou menos criativas. Mais ou menos autodestrutivas, mas nunca satisfatórias: consumindo lixo, engolindo sapos, vomitando vitupérios.

Diz-me o Thomas Moore, ao ouvido: falar em seu nome [dos lugares sombrios] e a partir deles abre um caminho que conduz à comunhão e à intimidade genuínas.  

Quem representa este conflito na mitologia é Hera, a rainha do Olimpo, casada com Zeus e humilhada por ele.

Deus nos ajude…

Negociação

13/10/2017

Uma das grandes dificuldades dos artistas em relação ao seu trabalho é negociá-lo. Por não o fazermos por dinheiro, é-nos difícil atribuir um valor monetário ao nosso trabalho. Ainda que saibamos o quanto nos sai do pelo e que montante nenhum no mundo chega para cobrir o custo emocional do trabalho artístico. A negociação é sempre, sempre uma dor de cabeça. 

Por outro lado, há ume rebeldia inerente a qualquer artista. De não se vender ao sistema, embora faça parte dele, de não se deixar corromper, de não querer correr o risco de perder a visceralidade. Por ter a noção de que rapidamente se torna uma marioneta do sistema, tentado pela despreocupação em relação às contas para pagar e à comida na mesa. O que dificulta a comercialização do seu trabalho, que implica uma certa frieza que não se coaduna com a característica passional de qualquer trabalho artístico digno desse nome.

A alma, ao contrário do que diz o Diabo, não tem preço.

Ler Mais…

Poças

30/09/2017

Remember, it is in the criducks job description to make puddles. They like puddles

Fazer o que está na nossa natureza, agir com a alma como guia e o ego como regulador, ao serviço desta, nunca é errado, por mais que o coletivo no-lo queira fazer crer. Nem que seja chapinhar em poças. Está aí o conto do patinho feio, e respetiva interpretação psicológica, que não nos deixa mentir. pato

O Patinho feio

O patinho feio é o arquétipo do órfão, do rejeitado, é o sozinho, o fora do padrão, o esquisito. Já os gregos diziam: sai fora da média, é alvo de projeções negativas e positivas dos outros. No caso, o patinho feio foi apenas alvo das negativas.

Antes de nascer, o patinho feio já sofria projeções negativas. Nada fez de concreto para ser julgado, foi julgado coletivamente pelo que ele é. Quando a mãe o manda embora, porque é diferente dos irmãos e ela não o protege, é uma mãe fraca, o seu potencial genuíno do patinho feio, o Self, é ferido.

Não foi respeitado na sua individualidade.

Ou há afeto e aceitação ou há abandono e rejeição.

O patinho feio relaciona-se consigo e com os outros de forma negativa, de não aceitação. Na necessidade de agradar, só piora. Há um momento em que uma velha lhe diz: estragas tudo, vai-te embora. Há um outro momento em que está na água e se sente muito bem lá, como se fosse o seu ambiente natural, não entende porquê, não consegue explicar, mas a sensação é boa, é quando vê o cisne e o acha lindo, querendo ser como ele.

Mas o patinho continua a bater na porta errada.

A dado momento, numa das casas onde foi parar, tentou deturpar-se a si mesmo para se adaptar ao padrão – numa tentativa de agradar, de se enturmar, de tanta necessidade que tem de afeto – não é em gato nem galinha e quer ser um deles.

“Se você não é igual a mim não serve”. Ler Mais…

Valores do patriarcado

29/09/2017

Os homens bem sucedidos são pais ausentes, estando emocionalmente e com frequência fisicamente fora da vida das crianças. Sacrificam a possibilidade de estar perto dos filhos pela profissão, os papéis que representam, que se baseiam nos valores do patriarcado. Também sacrificam a sua criança interior, o lado brincalhão, espontâneo, que confia, se expressa emocionalmente.

Concretizações pessoais x Poder

Por um lado, as concretizações pessoais deixam-nos num lugar seguro coletivamente. Mas não totalmente satisfatório, nomeadamente no que se prende com necessidades pessoais e afetivas. O que dá origem a um conflito interno. Entre o mundo interno dos arquétipos, predisposições poderosas, e o mundo externo dos estereótipos.

O trabalho é fonte de satisfação apenas quando coincide com o arquétipo particular de cada um. A sua natureza e os seus talentos.

A cultura patriarcal é hostil à inocência

Desvaloriza as qualidades que remetem às crianças e recompensa os homens pela sua capacidade de obedecer a uma autoridade ou ser fiel a uma ambição (ou obedecer às exigências de um deus), que vêm antes do amor e da preocupação em relação a um filho. valores

Para ser um soldado, um militar de alta patente ou um executivo moderno, um empreendedor, um homem (ou uma mulher) tem de estar disposto a matar ou reprimir os seus sentimentos. Não há espaço para vulnerabilidade, ternura ou inocência. Nem para empatia ou compaixão pelos inimigos. Estes atributos são vistos como fraquezas e têm de ser sacrificados. É preciso obedecer à autoridade e fazer o que for preciso para manter a autoridade que já se tem.

Este sistema de valores tem consequências diretas negativas nos relacionamentos entre pais e filhos rapazes. Pais autoritários reagem com raiva ao que veem como insubordinação e desobediência, punindo filhos e filhas por não obedecerem ou fazerem o que é esperado.

A necessidade de manter uma posição de autoridade contribui para os piores casos de pais abusivos. O pai não vê o seu filho como sendo apenas ele mesmo, fazendo o que fazem bebés e crianças. Reage de acordo com a sua percepção e abusa da criança.

Desafiar a autoridade é uma parte normal da aprendizagem e da descoberta das coisas por si mesmo. Ler Mais…

Medo

28/09/2017

Uma das preocupações conscientes ou inconscientes associadas à vontade de nos voltarmos mais para a nossa essência, resgatarmos quem somos de verdade, relaciona-se com o medo de perdermos as pessoas que fazem parte da nossa vida, algumas desde sempre. Aliado a esta perda, há o medo de outras perdas. Do trabalho seguro, que não nos satisfaz sempre que se relaciona com o cumprimento de um papel exclusivamente voltado para a necessidade do coletivo, mas que está a anos luz de nos preencher individualmente. medo

Medo esse que tem por base relações de co-dependência

A co-dependência tem origem em relações fundeadas no ego. Na necessidade exclusiva de preencher uma necessidade real, com base em relações de poder e controlo.

As relações de poder e controlo, sem o mínimo de consideração e afeto, apreço e prazer, pelo gozo de gostar, são falsas relações no sentido em que implicam condições.

Só estamos e ficamos enquanto exercemos influencia sobre a pessoa. Enquanto, por um lado, nos sentimos importantes e poderosos, quando estamos do lado de quem se relaciona enquanto puder de alguma forma exercer poder e influência sobre os demais; e, por outro, quando, erradamente, achamos que a ação do outro se prende com preocupação e amor genuínos.

É preciso ter em conta que, apesar de aparentemente não ser óbvio, a vítima também controla o agressor, o controlador. E exerce poder sobre ele.

Sem vítimas não há agressores

Sem pessoas que não precisam que os outros lhes digam o que fazer, quem ser, o que ser, não há quem tenha esse poder.

O verdadeiro poder vem de dentro. Não precisamos de impor condições aos outros para que gostem de nós, nos relacionarmos.

Sempre que há uma sensação, um medo, de falarmos a nossa verdade, não nos submetermos, de pensarmos com a nossa cabeça e manifestarmos os nossos quereres e desejos, temendo que não gostem de nós, nos abandonem, nos rejeitem, estamos numa relação de co-dependência. Ler Mais…

error: Content is protected !!