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A Jornada do Herói – Ao encontro da alma

25/06/2018
Jornada do Herói – A saga continua: Ao encontro da Alma

Sempre achei que a vida não podia ser só nascer, estudar, trabalhar, casar, ter filhos e morrer. A minha alma queria mais. Tinha de haver algo que nos diferenciasse uns dos outros. E a existência era grandiosa, misteriosa, complexa o suficiente para se resumir a isso. Não descansei enquanto não descobri o propósito de tudo.

Foi assim que me apaixonei por Jung, por causa do conceito de Self e de Processo de Individuação, que trouxe para a sua linha de psicologia e me justifica a existência.

O Self, enquanto grande mestre orientador da psique. Um maestro que conduz a orquestra de arquétipos que moram na nossa cabeça, na direção de um propósito maior e diferenciador; e o Processo de Individuação, na sua proposta de totalidade – ou da integração da identidade, como o viu Rolando Toro, criador da Biodanza – e da vivência a partir do Self.

O Processo de Individuação é para toda a gente. Ou temos dele consciência e nele participamos ativamente, ou acontece à nossa revelia. Cada um terá o seu.

A Jornada do Herói  é o primeiro passo nesse sentido

Pois cada Jornada representa uma etapa na direção dessa conquista, ao encontro da Alma. Quem se juntar a nós, no próximo dia 8 de julho, vai dar um salto quântico nesse sentido…

Um Mito, uma Danza: A Jornada do Herói – Ao encontro da alma

Inscrição obrigatória por e-mail para: biodanzanunopinto@gmail.com

Mudam-se os tempos, mudam-se os Heróis.

15/06/2018

No outro dia passou no AXN Black um filme com o Robert Redford já com uns aninhos, ao ponto de ainda ser credível que aguentasse carregar pedregulhos de um lado para o outro e o Mark Ruffalo não tivesse um cabelo branco que fosse e não se vislumbrasse uma ruguinha naquela carinha laroca.

Tenho visto tantos filmes que dou por mim a não aguentar os primeiros minutos da grande maioria deles. O que não aconteceu com este. heróis

The Last Castle é de 2001

E, apesar de já fazer parte do terceiro milénio, ainda preconiza o Herói como os gregos o idealizam: alguém que se destaca da média e que por isso é alvo de projeção positiva e negativa do resto da humanidade.

No caso, Robert Redford como herói e o resto dos presos como massa liderada. Apesar de a liderança já ser mais adaptada ao mundo moderno e às necessidades coletivas atuais, o protagonista aproveita e conta com as valências de cada um para melhor conduzir o seu intento, livrar aquela cadeia daquela liderança, ou seja, toda a gente participa, mas eu ainda sou especial. Em vez de uma quase anulação das particularidades individuais em nome de um líder único e isolado que sabe o que é melhor para nós, típico do patriarcal. Ainda é notória esta questão.

O que contrasta com Deadpool, de 2016…

Era filme que não veria, confesso… Mas passou este fim-de-semana na SIC e, porque já me tinha sido referenciado, gravei para ver depois.

Wade, Deadpool, o herói deste Marvel, é, apesar da fantasia que caracteriza este tipo de filme, um herói mais humanizado. Não tem a seriedade e a altivez do herói do tipo interpretado por Robert Redford. Esse distanciamento que implica inconscientemente de que só alguns podem ser heróis, de que é preciso ter nascido com e em certas condições para tal. É engraçado, tem todos os defeitos possíveis, o que vai induzindo que só assim se é herói, na vulnerabilidade da imperfeição, sem que esta implique ser incapaz para a vida. Ou que tenha, sozinho, de resolver os problemas da humanidade inteira.

Mais digno de nota ainda é o papel do feminino neste filme.

E que vem na linha do que já se tem vindo a fazer nos filmes para crianças.

A namorada de Wade, com quem termina por já não ser perfeito e por isso não desejado, para além de se salvar sozinha da caixa onde tinha sido presa, ainda salva o herói da morte certa, dando uma paulada no inimigo (papel que estava até então atribuído a um dos coadjuvantes masculinos).

Um feminino mais autónomo

E, no fim, mostra que tem uma palavra a dizer: aceita-o, mesmo não sendo perfeito, condição dos heróis de outros tempos, caracterizados por atributos físicos que vão nesse sentido: musculados, inabaláveis, indiferentes a quase tudo, como Aquiles, o herói da guerra de Tróia. Em Deadpool, Wade fica com o rosto desfigurado por causa de um procedimento para se livrar de um cancro, mais uma vez, o herói humanizado, que tem doenças, tal como o comum mortal.

Este tipo de heróis gera uma identificação maior. E que se adequa às necessidades e aos tempos atuais. Já não implica que depositemos as esperanças num salvador. Mas que nos apropriarmos das nossas capacidades para nos salvarmos a nós mesmos. E assim podermos viver e conviver por identificação, em parceria e companheirismo. Em vez de estarmos à espera de ser resgatados por alguém. Ou por um trabalho, um cargo, que nos tiranize. Disputando poder…

Somos heróis e somos deuses, sem com isso deixando de ser humanos e acima de tudo humanizados.

É o que nos pede o tempo presente.

Os Heróis e o Cinema

13/06/2018

O cinema segue sendo o meio mais eficaz para veicular informação e retratar momentos e movimentos sociais, psicológicos, culturais. Como tal, e apesar de usar arquétipos, o que quer dizer que temas e personagens, heróis incluídos, são universais e existem desde os primórdios dos tempos, acompanha as questões que estão debaixo de foco social. Na verdade, quase se antecipam. 

Prova disso são os filmes para crianças, da Pixar/Disney.

Como o Brave (2012), Inside Out (2015) Maleficent (2015) Moana (2016), Coco (2017), que desconstroem estereótipos arquetípicos de meninas dependentes e frágeis, aludindo a deusas vulneráveis, que precisam do relacionamento para sua realização, substituindo-as por outros, como o de Artémis (Brave e Moana), deusa independente. Que apelam ao equilíbrio entre o matriarcal e o patriarcal, humanizando a mãe (Maleficent), que humanizam os heróis, considerando emoções como medo, raiva, tristeza (Inside Out). Ou que exultam valores como o da família, em vez da conquista épica, o da colaboração, e não do individualismo, o da humildade (Coco).

Os filmes, os desenhos animados, são o primeiro contacto que as crianças têm com os símbolos do inconsciente coletivo e a primeira forma pela qual apreendemos conhecimento. O reconhecimento psíquico pelo símbolo tem um impacto mil vezes maior do que o que apreendemos pelo intelecto. Por ser inquestionável, não estar ao alcance da dúvida do ego. O que apreendemos pela arte – seja ela a música, o cinema, a literatura, que ressoa e nos transforma, nos traz paz, tranquilidade, reconhecimento, ainda que não consigamos explicar intelectual ou racionalmente, e que nos outros não tenha o mesmo impacto – é inquestionável, mesmo que não encontre eco nos outros.

O ego sucumbe sempre perante algo que se encaixa emocionalmente.

E o mesmo acontece com os filmes para adultos. Independentemente do género, que, na verdade, é o jeito pelo qual recebemos, aceitamos e acolhemos informação. E, por isso e nesse sentido, é eficaz, gostemos ou não. Apreender conhecimento de forma lúdica, criativa, intuitiva, sem necessariamente infantilizar, continua a ser a forma mais inteligente de passá-lo.

Nada de bom se consegue à força, negando essência e alma. Nada…

Os arquétipos continuam então a refletir temas e potenciais comportamentais, e a acompanhar os tempos. As necessidades sociais.

E hoje, é clara a substituição dos heróis épicos pelos heróis humanizados. Homens e mulheres, que, por sua vez, são representadas de forma cada vez mais autónoma. Não descurando ou negando o relacionamento, que faz parte da vida. Mas substituindo o padrão arquetípico. Que antes era de vulnerabilidade (Hera, Deméter e Perséfone), que já foi de independência (Artémis, Atena e Héstia) e que cada vez mais é alquímico, Afrodite, que reúne características de ambos os tipos de consciência: relaciona-se, mas não depende de um homem para se sentir realizada, para ser salva… Sendo livre para escolher. Saiba mais

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Afrodite, sua linda…

06/06/2018

Afrodite

Qualquer pessoa que já se apaixonou, por alguém, algum lugar, ideia ou objeto, foca e compreende com a consciência de Afrodite.

O modo “apaixonado” como Afrodite trata outra pessoa, como se fosse fascinante e bela, é característico das mulheres que personificam o arquétipo.

Esse modo apaixonado é também a forma natural de relatar e colher informações para muitas mulheres e homens que gostam das pessoas e concentram a sua atenção total nelas.

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Tipos de Heróis

01/06/2018

Porque os heróis não são super, somos tu e eu, os heróis de todos os dias. Vamos vivê-los, 08 de julho. ‘Bora?

Só para iniciados: biodanzanunopinto@gmail.com

(Para os outros)

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A vida a repetir os mitos – O rapto de Perséfone

24/05/2018

Fui a dois casamentos na Roménia, de duas romenas com dois alemães. O meu realizador preferido perguntou-me se era o mesmo, tamanha a coincidência. No entanto, parece que não foram só estes, vai saber o que atrai romenas e alemães…

Nestes casamentos, uma das tradições é que a noiva seja raptada durante a cerimónia.

O rapto de Perséfone

Como não tem nada a ver com a nossa tradição, lembro-me de achar estranho. Ninguém soube responder-me de onde vinha tal coisa, quando perguntei o motivo.

Só sabiam que era tradição.

A ler sobre Perséfone, a Rainha do submundo que foi raptada pelo tio Hades, e levada para “o inferno” enquanto jovem, descubro que, na dinâmica de relacionamento entre ela e a mãe, um homem é considerado intruso.

O casamento é um ritual que representa o fim da inocência, da infância, e o início da idade adulta. Que implica um corte do cordão umbilical com a mãe. O que, para mulheres tipo Perséfone, com mães tipo Deméter, é dificílimo, porque ambas estão confortáveis nessa dinâmica.

No outro dia, falava com o Nuno sobre este mito e ele contava-me que, numa apresentação, o António Sarpe, Diretor da Escola de Biodanza de Lisboa, dizia, e concordei, que o rapto de Hades era o masculino, o animus, de Perséfone a tomar uma atitude em relação àquele excesso de feminino. Obrigando Perséfone a contactar com o seu oposto e a relacionar-se com ele. Oposto esse que é masculino e que traz equilíbrio psíquico à jovem Perséfone, ao mesmo tempo que lhe incute um drive de ação, típico do masculino, segundo Jung, que lhe permite sair da passividade de filha para o mundo exterior.

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Pessoa e os Deuses

14/05/2018

Creio nos Deuses como numa verdade e numa salvação, A sua presença adoça e simplifica. Nada lógico me leva a preferir-lhes qualquer outro deus, mais antigo ou mais recente. Ver as fontes e os bosques habitados realmente por entes reais de outra espécie não me parece mais absurdo do que aceitar que tudo derivou do nada, que Deus é a essência disto tudo. E eu tive a felicidade de tal nascer que naturalmente sinto a presença de entes reais nos bosques e nas fontes, que, sem preconceitos clássicos, Neptuno (Poseidon) é para mim uma personalidade real. Vénus (Afrodite) um ente verdadeiro e Júpiter (Zeus) o pai terrível e existente dos calmos deuses todos. 

Nada me interpreta a natureza melhor, nem me faz amá-la mais. A presença de uma nereida alegra-me quando me encontro ao lado de uma fonte. E é grata a companhia dos silenos quando atravesso humanamente sozinho o sossego sóbrio dos bosques frescos.

Os amores dos deuses, a sua humanidade afastada não me dói nem me repugna. Repugna-me a morte de um Deus, Cristo na cruz, vítima de seu próprio pai numa religião que pretende ser enternecida.   

Fernando Pessoa e os Deuses, pela pena de Ricardo Reis, nesta edição magnífica da Tinta da China.

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