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Arquétipos dos Deuses Gregos

Histórias e Mitos*

17/06/2019

Jung said that universal human experience is shared and relayed through story and myth.

Each of us are living our own myths and there are experiences and events that shape our myth.

As a human being we are confronted by situations that are archetypal in nature.

These events occur, sometimes only once, other times repeatedly.

Depth psychology attempts to help an individual to bring unconscious influences and beliefs into consciousness.

When we speak of depth psychology, in other words psychology that deals with the unconscious component in our psyches, we talk about therapy that address this unconscious component and its effects on the individual.

Jung offers a way of exploring these archetypal patterns and experiences through symbolisation.

To symbolise your unique experience in the world, you can relate your story to a myth, a song, a movie, a book, a picture, a painting or even a dream.

This form of symbolisation transforms your personal experience from a pedestrian meaningless story into a myth, with a magical, numinous quality. It will contain your experience and your story in a deeper more layered way filled with potential and meaning.

Myth contains this layered meaning as well and the power of myth is found not only in the stories from Greek and Roman mythology, but in modern day stories as well.

Any story that stays with you contains something which you are unable to consciously express or resonates at an unconscious level with your personal myth. These are wonderful gifts from the unconscious.

*Créditos: Copyright © The Centre of Applied Jungian Studies

Jung, Mitologia e Biodanza – A União Perfeita

07/05/2019

Partilhamos intenções, nesta união entre psicologia, mitologia e Biodanza.

O Nuno pela via da Biodanza, um excelente instrumento para o autoconhecimento e a autoperceção do que é nosso, urge viver e expressar, por não deixar dúvidas.

E eu pela via do intelecto, da elaboração psicológica, que permite a ação. E da mitologia.

Em plena harmonia com o coletivo

Cada um com o seu método, sem que nos atropelemos mutuamente. Pelo contrário, combinando valências para conseguirmos chegar ao maior número de pessoas possível, considerando diferentes tipos de aprendizagem, sensibilidades, vontades.

Colaboramos, em vez de competirmos.

Já que ambos queremos o mesmo: que cada um encontre o seu caminho. Se sinta confortável na sua pele. Viva a sua vida de acordo com o que quer para si, de verdade.

Os arquétipos dos deuses e respetivos padrões de comportamento universais dão-nos permissão mental e emocional para viver em toda a nossa plenitude e vontade, validando opções.

A Biodanza fá-lo pelo corpo. E pela emoção associada.

Sem emoção não há evolução. Pois só após a integração emocional dos conteúdos podemos dizer que nos “resolvemos”.

E uma ponte que nos une: essa vontade louca de contribuir para um mundo melhor.

Biodanzanunopinto#isabelduartesoares#projetolympus #umitoumadanza

*Este texto foi escrito há um ano (Abril 2018). Um ano depois, estamos aqui, assim :)

 

Ossos

07/03/2019

Há uma cena na mitologia grega em que os deuses estão reunidos à mesa com os homens e Zeus encarrega Prometeu de arranjar maneira de definir os privilégios entre eles. Prometeu desencanta um boi enorme, sacrifica-o e divide a parte para dar aos deuses e a parte que cabia aos homens. Que definiria o estatuto de uns e de outros. Prometeu esquarteja o bicho e separa os ossos da carne. Na travessa dos ossos, cobre-os com a gordura mais apetitosa e suculentas. Na travessa das melhores carnes, cobre-as com as partes mais repelentes. E dá a Zeus para escolher. Zeus escolhe a primeira e fica furioso ao descobrir que Prometeu o enganou.

À primeira vista, o comum mortal também se congratula com a ousadia.

Mas quem precisa constantemente de comer são os homens, não os deuses. Afinal, o que Prometeu deu a Zeus foi a força animal, a eternidade. Os ossos são a única coisa que fica da existência, a força vital, que nunca morre.

Zeus, provavelmente, teria escolhido os ossos…

A capela dos ossos, em Évora, cuja frase muito divertiu o meu forever sweetheart, diz o mesmo: Nós, que aqui estamos, pelos vossos esperamos.

Um dos melhores livros que li sobre escrita chama-se precisamente: write down the bones. Escreve até aos ossos. Fura tudo até lá chegares.

Aí está a tua verdadeira voz.

E a junguiana Jean Shinoda Bolen usa a mesma referência para distinguir o que é conhecimento intelectual do que é conhecimento que vai além da explicação racional, aquele que nós sabemos que é nosso, e só nosso, porque o sentimos nos ossos. É difícil de explicar, de ser partilhado ou entendido com quem não o sente em todo o corpo, até aos ossos…

A água mais gelada é a que nos dói nos ossos…

O conhecimento arquetípico dos padrões existenciais dos deuses gregos, os seus arquétipos, fala-nos diretamente aos ossos. É de pura existência que se trata. A que vai além das exigências sociais, do ego, da persona. É a nossa verdadeira natureza e contém tudo de que precisamos para nos sentirmos nós. De verdade, sem buracos ou vazios existenciais.

*Conheci o texto da imagem no Outlander, um dos momentos mais épicos da relação dos dois.

Feminismo

03/10/2018

A imagem é a capa da revista Utne Reader, de Maio de 1967, com chamada para um artigo cujo título é:

o que é o feminismo hoje? feminismo

Na tentativa de definir feminismo, muitas das que se dizem feministas acabam a estrangular verbalmente muitas mulheres. Votando-as ao isolamento quando defendem causas e acusam mulheres de serem machistas por não subscreverem que uma mulher feminista e feminina é apenas o que dizem ser. Prejudicando mais do que contribuindo para a causa. Tentando inclusive afastar os homens da mesma.

Definindo o feminismo de acordo com a sua própria definição do que é ser mulher.

Quando fariam melhor se trouxessem os homens para o debate. Os incluíssem no processo, para que estes integrem as características do feminino nas suas consciências. Ajudando as mulheres a integrar o masculino nas suas próprias consciências.

Nos anos 60 como hoje…

Uma mulher não é menos mulher porque se casa e vive para o marido e o casamento. (Hera)

Uma mulher não é menos mulher porque escolhe ser sexualmente livre, sorrir, sentir-se bem no seu corpo, maquilhar-se. (Afrodite)

Uma mulher não é menos mulher por querer ser apenas mãe, como se fosse pouco. Por escolher ficar em casa a cuidar dos filhos e a cozinhar (Deméter).

Uma mulher não é menos mulher, nem lésbica, por não depender de homem nenhum, sequer de um relacionamento, para se sentir realizada. (Artémis)

Uma mulher não é menos mulher por se dedicar exclusivamente à carreira, optando por não ter filhos. (Atena)

Uma mulher não é menos mulher, nem bruxa, por ser introspetiva, quase infantil, por ter uma conexão com o inconsciente de onde obtém conhecimento e sabedoria, que não é menos conhecimento e menos sabedoria por não ser cientificamente provado. (Perséfone)

Uma mulher não é menos mulher por querer ficar em casa, não gostar de discutir os assuntos do mundo, preferir ficar na sua, ser sábia, de confiança, reclusa (Héstia)

Uma mulher não é menos mulher por fazer as suas próprias escolhas, mesmo que vão contra o que achamos pouco digno, superficial, uma perda de tempo.

Muito menos ser socialmente ostracizada pelas escolhas que faz.

Ou prejudicada no seu trabalho pelo simples facto de ser mulher.

Ser feminina, e feminista, é abraçar todas as causas das mulheres. É protegê-las, no sentido de as orientar, quando não têm idade ou maturidade emocional para tal. E, ainda assim, deixá-las livremente decidir o que é melhor para si. Sem paternalismo. Sem procurar controlar ou exercer qualquer tipo de poder sobre as suas companheiras de género.

Por mais que nos custe….

E a única coisa a fazer é dotar todas as mulheres de força emocional para que possam dizer sim, não, talvez ao que quiserem.

Guerreira

27/09/2018

Descrevem-me amiúde como Guerreira. Até numa dedicatória de um livro me atribuíram esse epíteto. É o que veem de mim. E eu nem sei bem o que isso quer dizer.

Já para não falar que sequer me revejo nesse papel…

Às vezes, confesso, até me deixa impaciente. Embora lhe reconheça projeção. Por não corresponder à verdade. Por saber da missa toda, não apenas da metade… Conheço o lado obscuro, o lado sensível, o lado criativo, artístico, a dúvida, a auto-cobrança, a desconfiança. Conheço muita coisa que talvez não transpareça. 

Já para não falar na responsabilidade que tamanho atributo acarreta

Felizmente, não vivo para corresponder a expectativas. Ao que os outros esperam de mim, se é que esperam alguma coisa… Há muito tempo. Quem dita quem sou, o que quero, como me posiciono, o que faço, escrevo, digo, sou eu… Embora muitas vezes ainda caia na falácia da provocação. Há botões que persistem em ser acionados a cada vez que estão em causa valores que me são caros.

E ainda bem…

Reconheço-me forte, reergo-me das cinzas com uma força e um entusiasmo de certa forma admiráveis, por não permitir que a minha essência se anule em prol do que me acontece. Não sucumbo perante as dificuldades, há em mim uma vontade férrea de me manter de pé.

Mas não me revejo no atributo de guerreira

Porque o meu lado sensível, emocional, sentimental é muito mais forte e muito mais condizente com a minha verdadeira natureza.

A nossa cabeça pode enganar-nos, iludir-nos, mas o corpo não mente. E a prova inequívoca é o que se me é revelado na vivência das aulas de Biodanza.

Já desconfiava, mas, na última terça-feira tive a confirmação. Vi-me e senti-me a dançar, de vestido vermelho e cabelos longos, indomável, sensual. Numa celebração qualquer. Alheada de tudo, apenas entregue à dança, ao movimento, às sensações, indiferente aos olhares alheios, em volta de uma fogueira, num tempo que não reconheço, numa civilização que me é estranha. E, nessa dança, vi todo o meu potencial. Reconheci todo o meu poder. É esse, que vem de dentro. Que é confiante, sem ser intimidante. E em perfeita sintonia e conexão com a natureza.

Entre Atena e Afrodite, prefiro Afrodite.

Com um bocadinho da natureza selvagem de Artémis. Confiante, mas com um sorriso. Inteira, mas não distante, inacessível, inatingível.

E Atena é alheada do sentimento, que lhe confere poder. Eu não quero o poder per se, não me interessa. prefiro de longe a autenticidade, a espontaneidade, à persona.  I crave connection. Que só se consegue com aproximação, não com distanciamento, isolamento, alienação do que se passa no coração.

Inconsciente Coletivo

26/09/2018

Um dos mais significativos contributos de Carl Jung para a Humanidade foi o conceito de Inconsciente Coletivo. Apenas reconhecido pela sua linha de psicologia, a psicologia analítica.

Corresponde à camada mais profunda e mais ancestral da nossa psique e diz-nos, no fundo, que todos somos um. Com base na teoria dos arquétipos, os personagens que habitam este inconsciente, Jung defende que os seus padrões, potenciais, estão presentes em cada um de nós e determinam muitas vezes inúmeras das nossas ações e inações. inconsciente coletivo

A maioria das pessoas chama-lhe vidas passadas

Provavelmente, por não conseguirem explicá-lo de outra forma. Dada a ausência de relação com a experiência individual. Pois o que está armazenado na nossa memória coletiva é tudo o que foi vivido e não processado pelos nossos ancestrais.

Causando sombra, medo, castração, inibição.

Uma forma de nos apercebermos dos potenciais arquetípicos em nós, vivenciados ou não, é conhecer os mitos gregos (no caso da civilização ocidental, outras civilizações têm outros mitos, mas com base nos mesmos arquétipos).

E os padrões de personalidade dos respetivos deuses.

Ontem, a ler sobre a parceria Artémis-Perséfone, os arquétipos mais presentes na minha consciência, apercebi-me de como o patriarcado me influencia. E porque me irrita tanto a conversa esotérica, sem base científica, lógica, racional (características do patriarcado, que anulou o feminino).

Quando um grupo qualquer é perseguido ou vitimizado, aprende a sentir-se impotente e culpado por aquilo que pode ou não ter cometido. Isso é, sem dúvida, o que aconteceu no final da Idade Média com os milhões de mulheres Perséfone-Artémis, que eram curandeiras, parteiras, xamanesas, videntes ou simplesmente excêntricas. (…) Na sociedade comum, a antiga paranoia cristã ainda paira na consciência patriarcal, disfarçada de desprezo racionalista.

É importante a consciência crítica de Atena

A mais racionalista das deusas e, por isso, a preferida do pai Zeus, para dar fundamento ao que pulsa no inconsciente. E, acima de tudo, para que os seus conteúdos possam ser acolhidos pela comunidade. Que ainda é quase exclusivamente patriarcal. Ainda sofre com a memória do que aconteceu a milhares de mulheres Artémis-Perséfone, que ameaçavam o masculino e a sede de controlo e poder.

A memória do que aconteceu com essas mulheres está enraizada no inconsciente coletivo. O medo delas também. Do que representavam: a liberdade, o acesso ao inconsciente, fonte de sabedoria milenar, a sabedoria feminina, intuitiva, que ameaça a sociedade de consumo e demais instâncias de poder e co-dependência.

Autoconhecimento segue sendo urgente…

Nomeadamente, o contacto com a intuição, a sabedoria feminina, que equilibra com o patriarcal e traz Eros para todas, todas as decisões e discussões. Sem Eros não há vida, há projeção, neurose, ignorância, radicalismo, fundamentalismo.

Negar o inconsciente coletivo é perder uma oportunidade imensa de nos apaziguarmos com o que não conseguimos explicar, apenas sentir. O que tem feito por mim vai além do mágico, é sublime.

Os mitos gregos parecem uma realidade demasiado distante para que os tenhamos na devida conta.

No entanto, estão presentes em cada escolha.

Em cada medo, em cada projeção, em cada neurose, em cada área que consideramos vida. Tudo o que é vida é arquetípico. E é um desperdício de potencial não conhecer o que cada arquétipo traz para a vida de todos os dias. Acima de tudo, para os nossos relacionamentos, causando isolamento, self-doubt, ausência de conexão. O que resulta em dependência, pois deixa-nos à mercê dos outros, das suas escolhas, decisões, medos, fobias, neuroses…

Pode ser confortável, mas não é real. A vida que temos para viver continua à nossa espera. E vai cobrar-nos, de uma forma ou de outra, que a honremos e a vivamos. Com autenticidade.

As deusas e eu

06/09/2018

A primeira vez que preenchi o questionário sobre as deusas gregas, há uns oito anos, lembro-me que o resultado foi igual, ou seja, que os meus dois arquétipos preferenciais são Artémis, destacadíssima, e Perséfone.

Basicamente, mantém-se tudo. 

Variam as percentagens. Tenho muito mais de Afrodite hoje do que tinha há 8 anos. As duas deusas com quem menos me identifico também se mantêm: Deméter e Hera, pela mesma ordem. Apesar de as percentagens estarem um bocadinho acima. (Há 8 anos, tinha 7 de Deméter e 2 de Hera…) O que quer dizer que, psicologicamente, as características que correspondem a estas duas deusas estão mais integradas na minha consciência.

Um bocadinho, pelo menos…

Não me incomoda a manifesta diferença entre Artémis e todas as outras. Sempre foi o arquétipo com o qual mais e melhor me identifiquei. Muito menos me surpreende que os dois arquétipos que representam a juventude, Artémis e Perséfone, sejam os mais presentes em mim.

Síndroma Peter Pan never ends

Gosto do equilíbrio entre Atena e Afrodite. E mais ainda que Afrodite ganhe por dois a Atena. O que quer dizer que a minha predisposição para os relacionamentos, para o amor, para a vida vivida, é maior do que era. E que os livros, ainda que ocupem sempre um lugar cimeiro na minha vida, estão a ser preteridos em relação à experiência. Revelando uma apetência maior para a vivência da experiência do que para a fantasia.

De resto, nem tudo está perdido.

Há uma forma de equilibrar a presença dos arquétipos na nossa consciência. Pelo método associativo trazido para a psicologia por Carl Jung. O que pode revelar o que nos está a bloquear em relação àquele arquétipo e cujas características não estamos a desenvolver por as considerarmos “más”, desapropriadas, defeitos.

Não condizentes com a ideia que temos de nós.

Este questionário apenas peca por não incluir um dos arquétipos de que mais gosto, Héstia, por ser uma deusa pouco falada e quase nunca lembrada. Era a mais velha de seis irmãos e é caseira, na dela, introvertida e virgem. No sentido em que não precisa de um relacionamento, de um homem, para se sentir completa.

De resto, é um guia excelente de autoconhecimento e de esclarecimento de questões internas.

Se quiser saber quais os arquétipos mais e menos presentes em si, escreva-me para: contacto@isabelduartesoares.com

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