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Arquétipos dos Deuses Gregos

Negociação

13/10/2017

Uma das grandes dificuldades dos artistas em relação ao seu trabalho é negociá-lo. Por não o fazermos por dinheiro, é-nos difícil atribuir um valor monetário ao nosso trabalho. Ainda que saibamos o quanto nos sai do pelo e que montante nenhum no mundo chega para cobrir o custo emocional do trabalho artístico. A negociação é sempre, sempre uma dor de cabeça. 

Por outro lado, há ume rebeldia inerente a qualquer artista. De não se vender ao sistema, embora faça parte dele, de não se deixar corromper, de não querer correr o risco de perder a visceralidade. Por ter a noção de que rapidamente se torna uma marioneta do sistema, tentado pela despreocupação em relação às contas para pagar e à comida na mesa. O que dificulta a comercialização do seu trabalho, que implica uma certa frieza que não se coaduna com a característica passional de qualquer trabalho artístico digno desse nome.

A alma, ao contrário do que diz o Diabo, não tem preço.

Por isso fica difícil saber como sobreviver não vendendo a alma ao diabo, mantendo o espírito criativo, sem matar o artista que há em nós à fome.

O que comprometer e como

Na mitologia, este conflito encontra-se representado e convida-nos a integrar um ou outro padrão na nossa personalidade, fazendo as pazes com o aspeto que consideramos sombra para que possamos fazer o melhor uso do arquétipo.

É a dupla Atena – Hefesto

negociaçãoAtena é a filha do pai, já nasceu adulta, da cabeça de Zeus, porque a razão é adulta. É a estratega do Olimpo, a negociadora. Que não pega em armas a não ser quando atacada, para se defender. Ostenta um punhal numa mão e um escudo no outro braço.

Hefesto é o deus da forja, o arquétipo do rejeitado, que corresponde ao personagem do patinho feio, nos contos infantis. É o arquétipo do artista. O que pega na frustração, na tristeza, e transforma em arte. Em vez de bancar o revoltado, a vítima, o agressor. E é por isso um dos meus deuses preferidos. Apesar de ter sido gozado pelos pares e rejeitado pelo próprio pai. Sendo que a mãe, Hera, não ficou muito contente porque queria concorrer e competir com Zeus e respetiva filha Atena, e sai-lhe um deficiente físico na rifa.

A união pacífica destes dois, a amena convivência entre estes aparentes opostos, resolve a vida do artista, põe-no numa posição de respeito entre os pares e dá cor ao racional, frio, estratega que há em Atena.

Artist’s Date 283/365 – Make a Puppet Theater

Commercial work requires negotiating skills

Poças

30/09/2017

Remember, it is in the criducks job description to make puddles. They like puddles

Fazer o que está na nossa natureza, agir com a alma como guia e o ego como regulador, ao serviço desta, nunca é errado, por mais que o coletivo no-lo queira fazer crer. Nem que seja chapinhar em poças. Está aí o conto do patinho feio, e respetiva interpretação psicológica, que não nos deixa mentir. pato

O Patinho feio

O patinho feio é o arquétipo do órfão, do rejeitado, é o sozinho, o fora do padrão, o esquisito. Já os gregos diziam: sai fora da média, é alvo de projeções negativas e positivas dos outros. No caso, o patinho feio foi apenas alvo das negativas.

Antes de nascer, o patinho feio já sofria projeções negativas. Nada fez de concreto para ser julgado, foi julgado coletivamente pelo que ele é. Quando a mãe o manda embora, porque é diferente dos irmãos e ela não o protege, é uma mãe fraca, o seu potencial genuíno do patinho feio, o Self, é ferido.

Não foi respeitado na sua individualidade.

Ou há afeto e aceitação ou há abandono e rejeição.

O patinho feio relaciona-se consigo e com os outros de forma negativa, de não aceitação. Na necessidade de agradar, só piora. Há um momento em que uma velha lhe diz: estragas tudo, vai-te embora. Há um outro momento em que está na água e se sente muito bem lá, como se fosse o seu ambiente natural, não entende porquê, não consegue explicar, mas a sensação é boa, é quando vê o cisne e o acha lindo, querendo ser como ele.

Mas o patinho continua a bater na porta errada.

A dado momento, numa das casas onde foi parar, tentou deturpar-se a si mesmo para se adaptar ao padrão – numa tentativa de agradar, de se enturmar, de tanta necessidade que tem de afeto – não é em gato nem galinha e quer ser um deles.

“Se você não é igual a mim não serve”. Ler Mais…

Valores do patriarcado

29/09/2017

Os homens bem sucedidos são pais ausentes, estando emocionalmente e com frequência fisicamente fora da vida das crianças. Sacrificam a possibilidade de estar perto dos filhos pela profissão, os papéis que representam, que se baseiam nos valores do patriarcado. Também sacrificam a sua criança interior, o lado brincalhão, espontâneo, que confia, se expressa emocionalmente.

Concretizações pessoais x Poder

Por um lado, as concretizações pessoais deixam-nos num lugar seguro coletivamente. Mas não totalmente satisfatório, nomeadamente no que se prende com necessidades pessoais e afetivas. O que dá origem a um conflito interno. Entre o mundo interno dos arquétipos, predisposições poderosas, e o mundo externo dos estereótipos.

O trabalho é fonte de satisfação apenas quando coincide com o arquétipo particular de cada um. A sua natureza e os seus talentos.

A cultura patriarcal é hostil à inocência

Desvaloriza as qualidades que remetem às crianças e recompensa os homens pela sua capacidade de obedecer a uma autoridade ou ser fiel a uma ambição (ou obedecer às exigências de um deus), que vêm antes do amor e da preocupação em relação a um filho. valores

Para ser um soldado, um militar de alta patente ou um executivo moderno, um empreendedor, um homem (ou uma mulher) tem de estar disposto a matar ou reprimir os seus sentimentos. Não há espaço para vulnerabilidade, ternura ou inocência. Nem para empatia ou compaixão pelos inimigos. Estes atributos são vistos como fraquezas e têm de ser sacrificados. É preciso obedecer à autoridade e fazer o que for preciso para manter a autoridade que já se tem.

Este sistema de valores tem consequências diretas negativas nos relacionamentos entre pais e filhos rapazes. Pais autoritários reagem com raiva ao que veem como insubordinação e desobediência, punindo filhos e filhas por não obedecerem ou fazerem o que é esperado.

A necessidade de manter uma posição de autoridade contribui para os piores casos de pais abusivos. O pai não vê o seu filho como sendo apenas ele mesmo, fazendo o que fazem bebés e crianças. Reage de acordo com a sua percepção e abusa da criança.

Desafiar a autoridade é uma parte normal da aprendizagem e da descoberta das coisas por si mesmo. Ler Mais…

Pais e filhos no Patriarcado

28/09/2017

Pais emocionalmente distantes e críticos, fechados emocionalmente, competitivos ou abusivos, que rejeitam os filhos, criam neles dor, tristeza e raiva. Padrões estes que se repetem por gerações e gerações. pais

O afastamento entre pai e filho

Começa com o ressentimento do pai ou a percepção deste de que o filho é um rival. Percepção essa que pode surgir antes de o filho nascer, pois a gravidez da mulher pode ativar a sensações da infância.

O homem sai do centro das atenções e perde importância na vida da mãe e mulher nutridora. A quebra de disponibilidade da mulher começa na gravidez, podendo perder interesse no sexo, que é uma das principais formas de afirmação e de aproximação para os homens, que se sentem suplantados pelo seu rival.

Numa cultura patriarcal, pais e bebés não têm muitas oportunidades para se vincular.

No entanto, se não houver vínculo, e um pai não sentir ternura e proteção em relação a um filho e à mulher, é provável que se zangue e fique ressentido ao conotar a gravidez da mulher e o nascimento do filho com uma série de privações.

Estes sentimentos de raiva escondem frequentemente medos ainda mais profundos de abandono e sensações de insignificância.

Para evitar entrar em contacto com esses medos e essa sensação, um pai pode hostilizar verbalmente um filho, ou ridicularizá-lo, em nome da disciplina e da educação, requisitos do patriarcado.

Os filhos começam por sentir desconfiança, depois medo, depois hostilidade.

A raiva vem mais tarde, depois de o filho desistir de esperar de ser amado pelo pai. De, no fundo, esperar que o pai seja seu pai.

Se o pai nutrir, brincar ou jogar, for mentor, é um modelo positivo para o filho.

O nascimento de um filho no patriarcado preenche a necessidade do seu pai de ser pai. Depois, vem a necessidade do filho viver à altura das expectativas do pai. Em vez de vir ao mundo com dons e talentos próprios, necessidades emocionais, traços de personalidade e handicaps e, possivelmente, um propósito pessoal próprio. (Cont.)

Ref.:
Mães nas famílias patriarcais
Menina não entra

Mães nas famílias patriarcais

27/09/2017

Todos os deuses olímpicos incluindo Zeus tiveram mães sem poder. Subordinadas a um pai/marido poderoso e frequentemente abusivo, que dominava as mulheres.

Se mães e mulheres são desvalorizadas sentem-se sem poder e portanto incapazes de proteger os filhos. Consequentemente, estes sentem-se traídos, pois a mãe é a provedora, a nutridora. É a primeira experiência de um recém-nascido com o mundo e, no início da vida deste, é toda poderosa.

O facto de não conseguir posteriormente protegê-lo, de o abandonar, de pôr alguém à frente dele, constitui uma traição e uma rejeição que poderão jogar contra ela. Ou contra qualquer pessoa da qual o filho se torne emocionalmente dependente.

O efeito nos filhos maes

Em adulto, pode punir qualquer mulher com a raiva da impotência que sentiu enquanto criança, em relação à mãe. Esta cadeia de acontecimentos ajuda a explicar uma possível origem da hostilidade em relação às mulheres nas culturas patriarcais.

Quando as mulheres são oprimidas por homens poderosos, pais, maridos ou irmãos, ou por uma cultura que as limita por serem mulheres, algumas usam esse ressentimento punindo inconscientemente os filhos quando estes começam a almejar ser iguais aos pais ou expressam a assertividade que lhes é inerente ou o seu espírito tumultuoso.

Podem fazê-lo através de abuso ou rejeição, ou sarcasmo e humilhação.

Ref. – Menina não entra

(Cont.)

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