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Arquétipos dos Deuses Gregos

Deuses e Homens – Os Deuses e eu

16/02/2018

Depois de um dos arquétipos mais importantes e significativos do inconsciente coletivo de todos nós, o do Herói, vamos conhecer os dos olímpicos, os deuses gregos.

Deuses e Homens – Março e Abril 2018

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Mulheres que não gostam de mulheres

27/10/2017

Há aquela coisa irritante das mulheres sonharem com o dia em que os homens adivinham o que querem. Muitas vezes quando nem elas conseguem assumir ou perceber exatamente qual a necessidade do momento. Daí que se tornam cobradoras, chatas, quezilentas, resmungonas, queixosas, afirmativas. Hera

Odeio este papel

E recuso-me a representá-lo. Não quero ser conotada com essa postura, tenho a mania que sou diferente, já se sabe. E não aguento ver companheiras de género a cair nesta falácia, de meninas mimadas. Apetece-me dar-lhes dois gritos, clamar por independência, autodeterminação, coragem, autenticidade.

Que assumam a carência e expressem o desejo de abraços e beijinhos. Mimos e afetos. E tal…

Mas a verdade é que gostaria que assim fosse. Que não precisasse de o dizer. De forçar. No fundo, queria ter a certeza de que o outro o faria por vontade própria e não porque lhe pedi, sugeri, exigi.

Uma espécie de selo de garantia de amor. Em vez da sensação de controlo.

Que o nível de conexão fosse tal que soubéssemos imediatamente do que o outro foge, o que quer, lhe faz falta. E como demonstrá-lo sem o invadir, o comprometer, o envergonhar, diminuir. Que não precisasse de verbalizar o impacto que o descaso provoca em mim. Que pudéssemos minimizar os efeitos da vida conectando-nos, e não afastando-nos. Disfarçando necessidades e vontades de formas mais ou menos criativas. Mais ou menos autodestrutivas, mas nunca satisfatórias: consumindo lixo, engolindo sapos, vomitando vitupérios.

Diz-me o Thomas Moore, ao ouvido: falar em seu nome [dos lugares sombrios] e a partir deles abre um caminho que conduz à comunhão e à intimidade genuínas.  

Quem representa este conflito na mitologia é Hera, a rainha do Olimpo, casada com Zeus e humilhada por ele.

Deus nos ajude…

Negociação

13/10/2017

Uma das grandes dificuldades dos artistas em relação ao seu trabalho é negociá-lo. Por não o fazermos por dinheiro, é-nos difícil atribuir um valor monetário ao nosso trabalho. Ainda que saibamos o quanto nos sai do pelo e que montante nenhum no mundo chega para cobrir o custo emocional do trabalho artístico. A negociação é sempre, sempre uma dor de cabeça. 

Por outro lado, há ume rebeldia inerente a qualquer artista. De não se vender ao sistema, embora faça parte dele, de não se deixar corromper, de não querer correr o risco de perder a visceralidade. Por ter a noção de que rapidamente se torna uma marioneta do sistema, tentado pela despreocupação em relação às contas para pagar e à comida na mesa. O que dificulta a comercialização do seu trabalho, que implica uma certa frieza que não se coaduna com a característica passional de qualquer trabalho artístico digno desse nome.

A alma, ao contrário do que diz o Diabo, não tem preço.

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A Bela e o Monstro – Perséfone e Hades

12/07/2017

Uma das combinações mais improváveis e das mais retratadas no cinema é a mocinha que se apaixona pelo rufia e o rufia que se encanta com ela.

excêntrico

Aos olhos da lógica, não faz sentido algum, mas a mitologia esclarece.

O arquétipo da mocinha é o da Perséfone, filha da mãe e rainha do submundo.

Perséfone é uma das três deusas vulneráveis, o que quer dizer que precisa do masculino para sua realização. É filha de Deméter e Zeus e é raptada por Hades, o príncipe das trevas, que a desposa sem com ela se casar formalmente, tornando-a rainha do submundo, quando está com ele. Quando não, durante a primavera e o verão, está com a mãe, Deméter, e volta a ser Core, a eterna jovem.

Perséfone é dependente, ora de Hades ora da mãe.

A união com Hades é uma tentativa de se livrar da dependência da mãe. E de lutar contra a menininha que há nela. Pelo choque. Desafiando a mãe e relacionando-se com o pior elemento possível, o malandro, o marginal, o desviado social, a sombra. Que vê nela a pureza que lhe falta, a inocência. A possibilidade de sair das trevas.

A psicologia por sua vez diz o que é preciso fazer para as Perséfones da vida se livrarem do encosto.

Hera – vamos de arquétipos?

29/06/2017

A necessidade de ser como Hera vem como realização para algumas mulheres no início da meia-idade; por essa época já tiveram uma série de relacionamentos ou ficaram tão enfocadas em suas carreiras que o casamento não se tornou prioridade. Até esse ponto, atenderam à inclinação de Afrodite de mudar de um relacionamento para outro, ou a tendência de Perséfone de evitar compromissos, ou ao enfoque de Artemis e Atena no alcance de objetivos.  

Diz-lhe qualquer coisa? Viu a luz? Entendeu a sua postura na vida? Identificou amigas?

Pois é, é esta a semelhança que as mulheres do século XXI têm com as deusas gregas da antiguidade. Vai se a ver e são mais próximas de nós do que alguma vez poderíamos imaginar.

As deusas correspondem a padrões de comportamento a que chamamos arquetípicos e que são comuns a toda a espécie humana. De todos os tempos.

A compreensão dos mitos gregos e respetiva tradução simbólica na vida prática e atual é das minhas formas preferidas de autoconhecimento. Por ser criativa e nada, nada julgadora. Por não nos formatar num padrão que dá jeito à sociedade mas que faz de nós um produto do coletivo, frustrando e encarcerando numa jaula a nossa verdadeira identidade e essência. O que faz de nós frustrados e amargos.

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