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JH – Processo Individuação

Mudam-se os tempos, mudam-se os Heróis.

15/06/2018

No outro dia passou no AXN Black um filme com o Robert Redford já com uns aninhos, ao ponto de ainda ser credível que aguentasse carregar pedregulhos de um lado para o outro e o Mark Ruffalo não tivesse um cabelo branco que fosse e não se vislumbrasse uma ruguinha naquela carinha laroca.

Tenho visto tantos filmes que dou por mim a não aguentar os primeiros minutos da grande maioria deles. O que não aconteceu com este. heróis

The Last Castle é de 2001

E, apesar de já fazer parte do terceiro milénio, ainda preconiza o Herói como os gregos o idealizam: alguém que se destaca da média e que por isso é alvo de projeção positiva e negativa do resto da humanidade.

No caso, Robert Redford como herói e o resto dos presos como massa liderada. Apesar de a liderança já ser mais adaptada ao mundo moderno e às necessidades coletivas atuais, o protagonista aproveita e conta com as valências de cada um para melhor conduzir o seu intento, livrar aquela cadeia daquela liderança, ou seja, toda a gente participa, mas eu ainda sou especial. Em vez de uma quase anulação das particularidades individuais em nome de um líder único e isolado que sabe o que é melhor para nós, típico do patriarcal. Ainda é notória esta questão.

O que contrasta com Deadpool, de 2016…

Era filme que não veria, confesso… Mas passou este fim-de-semana na SIC e, porque já me tinha sido referenciado, gravei para ver depois.

Wade, Deadpool, o herói deste Marvel, é, apesar da fantasia que caracteriza este tipo de filme, um herói mais humanizado. Não tem a seriedade e a altivez do herói do tipo interpretado por Robert Redford. Esse distanciamento que implica inconscientemente de que só alguns podem ser heróis, de que é preciso ter nascido com e em certas condições para tal. É engraçado, tem todos os defeitos possíveis, o que vai induzindo que só assim se é herói, na vulnerabilidade da imperfeição, sem que esta implique ser incapaz para a vida. Ou que tenha, sozinho, de resolver os problemas da humanidade inteira.

Mais digno de nota ainda é o papel do feminino neste filme.

E que vem na linha do que já se tem vindo a fazer nos filmes para crianças.

A namorada de Wade, com quem termina por já não ser perfeito e por isso não desejado, para além de se salvar sozinha da caixa onde tinha sido presa, ainda salva o herói da morte certa, dando uma paulada no inimigo (papel que estava até então atribuído a um dos coadjuvantes masculinos).

Um feminino mais autónomo

E, no fim, mostra que tem uma palavra a dizer: aceita-o, mesmo não sendo perfeito, condição dos heróis de outros tempos, caracterizados por atributos físicos que vão nesse sentido: musculados, inabaláveis, indiferentes a quase tudo, como Aquiles, o herói da guerra de Tróia. Em Deadpool, Wade fica com o rosto desfigurado por causa de um procedimento para se livrar de um cancro, mais uma vez, o herói humanizado, que tem doenças, tal como o comum mortal.

Este tipo de heróis gera uma identificação maior. E que se adequa às necessidades e aos tempos atuais. Já não implica que depositemos as esperanças num salvador. Mas que nos apropriarmos das nossas capacidades para nos salvarmos a nós mesmos. E assim podermos viver e conviver por identificação, em parceria e companheirismo. Em vez de estarmos à espera de ser resgatados por alguém. Ou por um trabalho, um cargo, que nos tiranize. Disputando poder…

Somos heróis e somos deuses, sem com isso deixando de ser humanos e acima de tudo humanizados.

É o que nos pede o tempo presente.

Os Heróis e o Cinema

13/06/2018

O cinema segue sendo o meio mais eficaz para veicular informação e retratar momentos e movimentos sociais, psicológicos, culturais. Como tal, e apesar de usar arquétipos, o que quer dizer que temas e personagens, heróis incluídos, são universais e existem desde os primórdios dos tempos, acompanha as questões que estão debaixo de foco social. Na verdade, quase se antecipam. 

Prova disso são os filmes para crianças, da Pixar/Disney.

Como o Brave (2012), Inside Out (2015) Maleficent (2015) Moana (2016), Coco (2017), que desconstroem estereótipos arquetípicos de meninas dependentes e frágeis, aludindo a deusas vulneráveis, que precisam do relacionamento para sua realização, substituindo-as por outros, como o de Artémis (Brave e Moana), deusa independente. Que apelam ao equilíbrio entre o matriarcal e o patriarcal, humanizando a mãe (Maleficent), que humanizam os heróis, considerando emoções como medo, raiva, tristeza (Inside Out). Ou que exultam valores como o da família, em vez da conquista épica, o da colaboração, e não do individualismo, o da humildade (Coco).

Os filmes, os desenhos animados, são o primeiro contacto que as crianças têm com os símbolos do inconsciente coletivo e a primeira forma pela qual apreendemos conhecimento. O reconhecimento psíquico pelo símbolo tem um impacto mil vezes maior do que o que apreendemos pelo intelecto. Por ser inquestionável, não estar ao alcance da dúvida do ego. O que apreendemos pela arte – seja ela a música, o cinema, a literatura, que ressoa e nos transforma, nos traz paz, tranquilidade, reconhecimento, ainda que não consigamos explicar intelectual ou racionalmente, e que nos outros não tenha o mesmo impacto – é inquestionável, mesmo que não encontre eco nos outros.

O ego sucumbe sempre perante algo que se encaixa emocionalmente.

E o mesmo acontece com os filmes para adultos. Independentemente do género, que, na verdade, é o jeito pelo qual recebemos, aceitamos e acolhemos informação. E, por isso e nesse sentido, é eficaz, gostemos ou não. Apreender conhecimento de forma lúdica, criativa, intuitiva, sem necessariamente infantilizar, continua a ser a forma mais inteligente de passá-lo.

Nada de bom se consegue à força, negando essência e alma. Nada…

Os arquétipos continuam então a refletir temas e potenciais comportamentais, e a acompanhar os tempos. As necessidades sociais.

E hoje, é clara a substituição dos heróis épicos pelos heróis humanizados. Homens e mulheres, que, por sua vez, são representadas de forma cada vez mais autónoma. Não descurando ou negando o relacionamento, que faz parte da vida. Mas substituindo o padrão arquetípico. Que antes era de vulnerabilidade (Hera, Deméter e Perséfone), que já foi de independência (Artémis, Atena e Héstia) e que cada vez mais é alquímico, Afrodite, que reúne características de ambos os tipos de consciência: relaciona-se, mas não depende de um homem para se sentir realizada, para ser salva… Sendo livre para escolher. Saiba mais

cursos@isabelduartesoares.com

Tipos de Heróis

01/06/2018

Porque os heróis não são super, somos tu e eu, os heróis de todos os dias. Vamos vivê-los, 08 de julho. ‘Bora?

Só para iniciados: biodanzanunopinto@gmail.com

(Para os outros)

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Comprometimento

02/02/2018

Um dia destes, a caminhar com uma amiga, dizia-me: as pessoas só dão valor ao que é pago. Frase que ouvi vezes sem fim no Brasil. Por outro lado, pensava eu, porque querem as pessoas descontos, pagar menos, de borla, até. E isso alastra-se que nem uma praga a propostas de trabalho, imagine-se. Como se vivêssemos todos do ar. Ou só determinada atividade fosse considerada trabalho.

E se é muito caro, num país como Portugal, em que a média dos salários é baixa, também ninguém se chega à frente. Por outro lado, o português gosta de um exclusivozinho. Pela-se por uma área VIP, dá-lhe uma sensação de importância e de poder. Vê-se isso nos restaurantes que têm lista de espera de sei lá quanto tempo. Há uma série de fenómenos que não entendo e esse é um deles. O de que a carneirada decide o que é bom. Quando a maioria nem gosta assim tanto, mas se os outros gostam, então também devo ter de gostar, não devo estar a perceber bem a coisa. comprometimento

Excluindo a questão do poder miudinho. E indo além da sensação de conquista, que dá o podermos pagar alguma coisa de que gostamos ou que queremos fazer.

Certa vez, li um autor de quem gosto muito responder a alguém que lhe tinha pedido um livro dos seus, de borla. Dar um livro a alguém que nem sequer vai lê-lo? Para quê?

E a jornada do herói voltou a responder à minha dúvida.

É uma questão de comprometimento

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O Herói enquanto protagonista

31/01/2018

Desmistificando o conceito de herói, esclarecendo alguns preconceitos que existem em relação à palavra.

O Curso Jornada da Alma: Jornada do Herói e Processo de Individuação – uma jornada de vida – Fevereiro 2018

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