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Livre

1K/1S/1M – Devagar e Sempre

29/03/2017

Depois de ter dito aqui que ia reverter a coisa e tentar correr 3km por dia, para completar os 15 por semana, volto ao plano inicial. O de correr 5km em meia hora, três vezes por semana.

A questão é que o principal motivo pelo qual corro só acontece depois dos três quilómetros. Quando o cérebro consegue desligar e parar de resolver todos os problemas da humanidade, nomeadamente o que tenho para fazer. Isto porque ao fim do primeiro quilómetro as soluções começam a chegar, a criatividade a saltitar. O que é bom, não estou a queixar-me. Mas já não me chega, para isso caminho. O que gosto na corrida só acontece além do cansaço e que descrevo aqui. [Primorosamente, com toda a modéstia.]

Consciência

Ontem, depois de uma semana parada por causa do inverno que chegou de braço dado com o horário de verão, voltei a correr e, claro, pus o temporizador para a meia hora do costume. Não corria há mais de uma semana, não me ia pôr com a mariquice dos três quilómetros em vinte minutos. Tinha saudades de correr, imensas. E constatei exatamente que os três quilómetros só moem. A coisa começa a dar algum prazer depois. A sensação dos músculos a trabalhar, a retesar, adoro, o cansaço a instalar-se, o ego a querer parar, sempre no boicote, sempre a poupar-se, a determinação em seguir em frente.

Devagar e sempre

Mesmo que não chegue aos 5km em meia hora. Que a passada média esteja mais perto dos 7 minutos por km do que dos 5, mas, de preferência, que não os ultrapasse, aos 7 minutos. O que importa é a meia hora. A paciência, a persistência e distração qb.

Preciso de me lembrar de me distrair. É o que me tem faltado e por isso há meses sem fim que não sinto a magia da corrida, e tem-me feito imensa falta.

No pior de todos os lutos era a única coisa que me dava alento

Ligações Perigosas*

28/03/2017

“Aceitamos o amor que achamos que merecemos” é talvez das frases mais emocionalmente cruéis que circulam pela internet. Não ajuda, não resolve, não melhora, não serve para coisa alguma. A não ser para nos fazer sentir ainda pior. É apenas fatalista, culpabilizadora, quase um: toma que é para aprenderes. Como se o facto de não sermos amados fosse culpa nossa, da nossa exclusiva responsabilidade. É um emocional porta-te bem caso contrário não te amo.

Pior do que isto para a autoestima de um futuro adulto só a rejeição e o abandono.

A variante psicológica desta frase é: “a relação que temos com a nossa mãe, ou com quem de nós cuidou, é o modelo de relação que adotamos para o resto da vida”.

Igualmente fatalista, igualmente redutora, igualmente cruel, no caso, duplamente. Durante uns tempos deixei que me convencesse, não mais.

Ligação

Conexão, ligação, contacto, vínculo, cumplicidade, empatia.

Compreensão, entendimento, aquiescência, anuência.

Algumas destas palavras são sinónimos, todas são variantes mais ou menos intensas, mais ou menos íntimas, mais ou menos extrapoladas da mesma sensação. No fundo, nomes diferentes para o mesmo desejo. Desejo esse que é visceral, primordial, permanente e constante, desde que nascemos até morrermos.

Não é carência, dependência, fraqueza de caráter, é bem mais profundo do que isso.

É o garante da sanidade.

Formas distorcidas de conexão podem levar a noções distorcidas de Amor, que carregamos nas costas e propagamos de relação em relação. Ou dele fugimos. Mas o Amor não tem que ver com merecimento, neurose, condicionamento.

É a ausência de conexão que leva à adoção de comportamentos mais ou menos destrutivos. E é conexão que procuramos em tudo quanto fazemos, em todas as relações, conversas, que mantemos.  Como o fazemos é escolha nossa e por isso da nossa responsabilidade, sim. E muitas vezes a forma como a procuramos tem precisamente o efeito contrário, o de afastamento. E precisamos de ter disso consciência, assumir essa responsabilidade. Por detrás disso pode estar precisamente o medo de nos ligarmos, e de sofrermos com e por causa disso.

O nosso maior desejo também é o nosso maior medo

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Nem machismo nem feminismo. Humanismo, por favor.

24/03/2017

É isto que sinto em relação ao feminismo sem nunca ter conseguido articulá-lo decentemente.

feminismoO feminismo não é igualdade: o feminismo, na sua origem e na sua essência, é um movimento feito de forma libertária contra os homens e em favor da autossuficiência da mulher… Inclusive da independência sexual, se é que me entendes. A homossexualidade deixa de ser uma tendência para ser uma opção: “eu não quero viver com um homem”.

Se forem ler os textos fundadores do feminismo, esta doutrina / corrente acredita inclusive que o ato sexual entre homem e mulher implica a submissão da mulher pelo homem por via da penetração. Eu não discuto o que é o feminismo para ti.

Sou contra o que é o feminismo para quem o fundou. Por isso prefiro ser humanista, e entender que há um papel para homens e um papel para mulheres; que em dignidade somos iguais; que vocês são muito melhores que nós; mas que não sabemos nem podemos viver uns sem os outros. JBR

Somos diferentes, fomos diferentes e sempre, sempre seremos diferentes.

É aceitar isso, conviver com essa realidade e aproveitar, que é bem divertido, se nos abstivermos de fazer comparações idiotas e sem sentido e deixarmos de competir, passando a colaborar. Porque, como diz o Zé, não podemos viver uns sem os outros.

Uma mulher tem de fazer o que uma mulher tem de fazer

23/03/2017

Esta foi a casa onde Natalie Goldberg escreveu o seu mais famoso livro: Writing Down the Bones. Acho fascinante. E ponho-me a pensar nisso de reunir as condições necessárias para não sei quê. As únicas condições necessárias são a subsistência garantida. O resto, é fazer. Condições demais, às vezes, estou convencida, até atrapalham…
Natalie

1K/1S/3M – DDR

22/03/2017

Ainda não consegui chegar aos 5km em trinta minutos. Também acontece ter as coxas transformadas em duas pedras, perder o entusiasmo e não aguentar correr meia hora num dos três dias da semana destinados ao efeito. Vai daí, resolvi alterar os planos. Assim como assim, já passaram três meses. Posso mudar as regras do jogo no fim do caminho. Adaptá-las, melhor dizendo.

Correr à mesma 15KM por semana, mas distribuí-los por cinco dias, em vez de três.

Não ressaco à terça e quinta e garanto a Dose Diária Recomendada de exercício, meia hora, distribuída da seguinte forma: vinte minutos de corrida, cinco de aquecimento e cinco de arrefecimento e está feito. Nos dias de maior nervoso, correrei mais.

Os entendidos falam até em caminhada, em vez de corrida, mas se só caminho dá-me faniquito.

Também gosto da sensação da corrida. De resto, já aprendi a usar o músculo certo, estou aqui com os glúteos on fire à conta disso.

Esta é a primeira semana, vamos ver como me aguento. Como a primavera está de tpm e se promete chuva para a semana inteira, não sei se terei grandes coisas para contar. Mas pode ser que os senhores da meteorologia também estejam de tpm e o sol apareça.

O que sei é que temos de adaptar a vida ao que conseguimos fazer, com o corpo todo, e não apenas com o ego. E que as receitas são, mesmo, individuais.

Continuidade, persistência, resiliência, permanência. Manutenção, estrutura, construção, caminho percorrido, sustentação. É isso, sustentação.

caminho

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