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Outlander ao vivo

11/11/2019

Falkland – Inverness, em Outlander

O que supostamente foi filmado em Inverness, foi-o, na verdade, numa cidadezinha chamada Falkland. Onde Frank viu o fantasma de Jamie é o lugar que mais me emocionou da tour. O mais excitante, Lallybroch… 

Outlander Inverness

A pousada onde Claire e Frank ficaram.

Jamie's Ghost - Outlander

Onde Frank viu o fantasma de Jamie

 

 

Não desconsiderando o dia 31 de outubro para 1 de novembro como o dia da passagem do ano celta.

Destaco

Samhain uma celebração da natureza.

Seguir os seus ciclos, e não os do capitalismo. Voltar a integrar o feminino nas nossas vidas. Deixando os grilhões apenas para orientação e estrutura. Em relação a tudo o resto, tentar conectar o corpo todo…

Faz tanto sentido. E é tão bonito… 

A explicação para o fantasma de Jamie – logo no início da história, no século 20, a olhar a janela onde estava Claire, de costas – é provavelmente a maior expectativa em relação à série, livros incluídos. 

Diana já a deu, parece.

Oficialmente, só no último livro. Esta, de qualquer forma, faz sentido.

Escreve ela:

E é bonito…

Como boa INFP, sonhadora e idealista, identifico-me completamente. E não tem nada que ver com príncipes montados em cavalos brancos. 

Relembramos que, na série, aparece um desenho de Jamie como procurado, no quadro atrás do detetive escocês, com quem Frank fala.

Contudo, Jamie aparece como Dunbonnet. Uma das suas muitas identidades. Cabelo e barba compridos, a esconderem o rosto. E boina azul. Lindo…

Já enquanto Ghost, Jamie era Mr. MacTavish. Ainda, tão novinho…

E só se vê de costas.

Frank não tinha como o retratar.

Lamentavelmente, não me lembro de qualquer referência a isso no livro. Tal como não me lembrava deste pormenor importantíssimo da data e do desenrolar dos acontecimentos. Claire ser inconscientemente atraída para a pedra para encontrar o seu amor para a eternidade. 

Hopeless romantic, bem sei. Lindo, anyway…

Toda a Outlander Tour foi incrível. E o Kev, um dos guias da Edinburgh Black Cab Tours é simplesmente o melhor.

Recomendo vivamente.

Europa

10/11/2019

Uma das maravilhas de viajar pela Europa, pelo menos a que não foi destruída pelas guerras, é o estar constantemente a olhar para cima.

E também para o lado, as lojas de rua, com as suas portas originais, cada uma de sua cor, e, por cima, o nome e respetivo lettering, poético, pessoal e intransmissível. Mantendo a traça original, na Velha Edimburgo inteira. Bares e restaurantes incluídos. Tavernas, como em Outlander.

Noutras partes da cidade também.

Algumas ainda com os característicos cestos de flores pendurados, o efeito é lindo.

Uma viagem para outro tempo

Como se pertencêssemos a ele. E pertencemos… Chegando a casa…

A modernidade é boa mas só uma parte. A da internet, das apps, que me têm salvado a vida.

E em alguns edifícios.

Nas cidades, como nas pessoas, não adianta de muito tentar destruir, apagar, esquecer, negar a História. Faz parte de nós. De quem somos.

Gostemos ou não.

Sinto-me muito privilegiada por ter nascido numa cidade dessas. Ter feito as pazes com a minha ancestralidade. No caso da Escócia, reencontrando-me com ela. E por poder viajar aqui. Estou mesmo muito contente por ter voltado à Europa.

De onde não saio tão cedo.

Nada paga a segurança, que as pessoas tomam por garantida…

E mesmo com edifícios escuros. Edimburgo é linda, linda.

De resto, estar numa casa do século 16, onde uma das salas, mínima, custa a acreditar, foi um tribunal e a parte de cima, fechada mas visível de fora, era onde as bruxas aguardavam o julgamento. Muito incrível.

Aqui ficam dois das dezenas de exemplos:

Lallybroch

09/11/2019

Fiz o meu sobrinho de 10 anos repetir a palavra Lallybroch até à exaustão. O sotaque gaélico sair perfeito. E saiu.

Lallybroch…  Feels like home… Mágico

Como chegar a casa. Muito emocionante rever os cenários na cabeça e estar ali, no espaço de tanta emoção. O meu lugar preferido da Outlander Tour, com a Edinburgh Black Cab Tours. O mais excitante, pelo menos.

O mais emocionante foi o do fantasma do Jamie…   

E rever é viver. É muito emocionante ver daqui a emoção sentida lá. E ver a série e saber que já lá estivemos. O que é real e existe de verdade e o que é magia do cinema e da TV. Ainda mais mágico. Saber que também pisámos aquele chão, o mesmo onde Jamie quase caiu, depois da barbaridade cometida por Black Jack Randall nas suas costas.  

Thrilling, I’d say…

Só faltou mesmo tropeçar no Sam Heughan em West End… 

Direção de arte

09/11/2019
Uma das coisas que mais me encanta em Outlander, além do Jamie, da Claire e da história, é a direção de arte.
As recriações dos ambientes feitas em estúdio. 
Só quem trabalha ou trabalhou na área sabe o filme que é. A quantidade de gente, recursos, material sensível, adereços, decors, que é precisa para filmar apenas os segundos de imagem que aparecem depois no filme completo. O tempo que é preciso para construir o ambiente perfeito.
 
Há vários desses ambientes recriados na série que me deixaram de olhos esbugalhados e de boca aberta, ante o exímio trabalho de direção de arte da equipa de Outlander. Que se não ganhou todos os prémios da categoria que haveria para ganhar, pois deveria…
Um dos meus preferidos é a tipografia de A. Malcom
O nome que Jamie adotou não fossem os ingleses continuar atrás dele. Os artistas que recriaram em estúdio o interior da print shop mereciam uma estátua. A magia que envolve todo o ambiente, as folhas penduradas, a fotografia, sequer tenho palavras, os adereços e décor… Toda a cena do incêndio, na verdade… Não poderia ser mais perfeito.
De uma beleza e de uma poesia difíceis de descrever.

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Sobre a culpa e a inveja

08/11/2019
Há uma cena muito bonita e comovente, até, quer no livro quer na série, quando Jamie está preso em Ardsmuir, juntamente com os seus companheiros de batalha, uns anos depois do massacre de Culloden.
Jamie é convidado por Lord John para jantar uma vez por semana.
É um acordo que o oficial, antecessor de Lord John no cargo, já tinha. Porque Mac Dubh é reconhecido como líder e assim poderia ser um intermediário entre a corte britânica e os presos.
 
Depois desses jantares, quando Jamie volta à cela, relata a refeição. Ao pormenor. Um dos companheiros pede-lhe para falar mais devagar, para conseguir sentir o sabor dos alimentos, do vinho francês e do sherry.
 
Não há ali qualquer tipo de inveja por parte dos outros presos ou de culpa por parte de Jamie. Cada um sabe o seu lugar e está bem na sua pele.
Nos arquétipos isto é claro como água…
Há uma hierarquia que é respeitada. Jamie para além de também ser um oficial, é um homem educado. O único que teria condições para desempenhar o papel. Sem por isso se sentir superior. Há um respeito e consideração mútuos entre ele e os presos. Ele é o líder e por isso tem alguns privilégios que lhe são reconhecidos e devidos. E ninguém reclama os mesmos direitos. Até porque com direitos vêm obrigações, mas parece que essa parte não dá muito jeito…
 
Condições à parte, sinto um pouco isso quando alguns de vós dizem que viajam comigo.
 
Viajei para a Escócia e sempre que viajo faço relatos, muito para não me esquecer das coisas. Mas, no caso desta viagem em particular, é quase um dever. Principalmente as partes referentes a Outlander. Para quem não pode vir. E acima de tudo para as minhas Sassenachs preferidas, que me compreendem como ninguém.
 
Para hoje temos:
Crainsmuir, que obviamente tem outro nome; e a casa da Geillis
O jardim onde Claire vai buscar as ervas para curar o pequeno Baxter e a casa onde ele está;
E o poste onde o miúdo fica preso por uma orelha.

Claire finge que desmaia e Jamie arranca o prego com os dedos sem que o povo percebesse, soltando o miúdo e salvando-lhe a pele :)

Miúdas giras e Fiat 500

07/11/2019

Um dia destes, no Twitter, um moço pôs uma foto de um Fiat 500 vermelho, encostado ao qual estava uma mulher, falando na relação que aparentemente existe entre, e passo a citar: miúdas giras e Fiat 500.

Retuitei, com o seguinte comentário: Não sei, mas eu sou gira e tenho um Fiat 500.

Um outro moço, que já estava a participar da animada conversa que surgiu na sequência do tuite original, responde-me: foto ou não aconteceu.

Isto foi há uns dias, entretanto, fui educada e gentilmente intimada por DM para tal. Só hoje consegui quem me fizesse a gentileza de tirar a foto.

Aqui está ela.

Porque eu respondo a provocações com cara de desafio. E até chegar aqui, ainda me rendeu algumas gargalhadas.
Os moços têm piada, não têm vergonha de dizer que querem ver pernas de miúdas giras encostadas a Fiats 500. Nem medo de serem gajos. Mantendo o nível e o cavalheirismo, o meu tipo de homem preferido.

Sláinte

07/11/2019
Viajamos por motivos diferentes. E com objetivos diversos. O que procuramos e/ou esperamos nas viagens é muito pessoal.
Eu não viajo para comer.
Gastam-se fortunas e perde-se imenso tempo. Também o que investimos e onde depende de prioridades individuais.
 
Não como qualquer coisa, já não tenho idade nem físico para isso, mas também não faço grande questão de comer os pratos típicos locais só porque sim. Nem preciso de fazer refeições pesadas todos os dias. Aliás, nesta provecta idade em que me encontro, com mais um ano do que quando saí daí, já nem consigo jantar sem me sentir uma jibóia depois.
 
Garanto a minha dose de proteína, fruta e vegetais diária e não me preocupo mais com o assunto. Daí que os haggies, os borregos, os carneiros e o diabo, deixo para os escoceses.
Agora… o salmão com cream cheese…
Meu Deus… alambazo-me sempre e o mais que posso. Parece uma sobremesa…

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Países Civilizados

06/11/2019
Como é bom estar em países civilizados… Que respeitam os cidadãos…
 
Hoje, tencionava apanhar o comboio de volta a Edimburgo às 5 para as 4 da tarde, para poder chegar a uma hora decente e não gelar meia hora na paragem de autocarro à espera de poder voltar a casa. 
Sucede que esse comboio foi cancelado.

Inverness

Para colmatar a falha, arranjaram-se dois autocarros para enfiar as pessoas e levá-las até Perth, onde apanharíamos o comboio para Eddie. Assim foi. O comboio, que era para sair às 19h11, saiu uns 12 minutos depois, porque estivemos à espera do cobrador. 
 
Pouco tempo depois de partirmos, o maquinista diz-nos que acaba de saber que o nosso comboio havia sido cancelado, pede desculpa em nome da Scot Rail e diz o seguinte: quando chegarem a Edimburgo, não ponham o bilhete na maquininha para sair da estação, porque ela engole-o. Mostrem a quem lá estiver e guardem-no, pois vão precisar dele caso queiram compensação pelo atraso.
 
Paguei uma fortuna por este bilhete, ainda mais porque tenho a mania que libra e euro é tudo igual, quando não é. E isso vê-se bem em valores altos. Por isso, naturalmente, vou pedir a compensação. E como o atraso foi de mais de uma hora, era para chegar aqui às 19h30 e cheguei quase às 21h, eles vão me devolver o dinheiro do bilhete.

Como caminhar na lua… Fly London

Todo… e não apenas o do retorno…
Se houvesse dúvidas de que este é um país como deve ser, pois neste momento deixou de haver. O tom de culpa do maquinista e do senhor que me atendeu em Inverness e me informou dos autocarros, juro, parecia que tinham sido eles os responsáveis… 
Já estou a ver como seria se fosse com a CP…

Para além de ter deixado um garrafão de água de 5L de lágrimas nas terras altas, vindo, portanto mais leve, ainda recebo metade do valor que paguei por um par de botas pelo qual me encantei em Inverness.

Fly London, claro.
Quando me apaixono perdidamente por umas botas, são Fly de certeza. 
Achei por bem informar a moça que me atendeu que era uma marca portuguesa, só naquela de mostrar quem manda nesta porra. Ou pelo menos na arte do calçado…
Adenda: nem 24 horas depois, tinham-me pedido 7 dias úteis, tinha o valor total na minha conta.

É a conexão que me comove

05/11/2019
É a conexão com, e a rendição a, algo maior do que eu, atemporal, que me comove, sempre.
 
O bom de viajar sozinha é não me sentir obrigada a falar ou a ouvir o tempo todo. O mau é não ter ninguém que nos tire fotos… Falar afasta-nos da conexão. É uma necessidade do ego de retomar o controlo que perdeu com a conexão maior. Que não quero perder, nem por um segundo.
Já não tenho medo de caminhar entre os mortos.
E faço-o, sem direção ou objetivo, deixando-me guiar por algo que não controlo.
Sem pressa, olhando os nomes cravados na pedra, para sempre.
Talvez numa tentativa vã de os manter aqui, pelos que cá ficam. Com a consciência plena de que todas aquelas almas são livres, agora. Por terem vivido as suas vidas da melhor forma que puderam e souberam. Guiadas pelos deuses, a vontade, o instinto, o arquétipo.
Invejo-lhes a ausência de corpo e a presença de espírito.
 
Depois de Jamie ser açoitado duas vezes no espaço de um dia, quase morre às mãos de Black Jack Randall, mas em momento algum cede ao seu carrasco, sem nunca vergar nem mesmo verter uma lágrima, há um médico que, encarregue de lhe cuidar das feridas, lhe diz:
não está aqui ninguém, podes chorar.
Na necrópole de Glasgow, que fica numa elevação do terreno, ao lado e acima da catedral que serviu de Hôpital des Anges, em Outlander, choro os mortos dos outros. E os meus, um bocadinho, aproveitando que aqui, onde deixaram os seus ossos, estão mais pertinho do céu.

Inverness e Terras Altas

04/11/2019

A viagem de comboio de Edimburgo até Inverness, três horas e meia, onde vim quase exclusivamente para ir ao campo de batalha de Culloden, é um deleite para a vista.

Meu Deus, como as Terras Altas são lindas…

Vim o tempo todo a ler. Esperei o dia 22 de outubro para começar The Voyager (em papel), o terceiro da saga Outlander.

O bom da série é que só precisamos de levar um livro. Pequeno mas compacto. E pesadinho. 1000 e tal páginas dão conta de uma viagenzinha de 10 dias.

Devo ter lido umas 400…

Mas, de vez em quando, o olhar escapava-me para a janela e acho que até falava alto. De uma beleza… Na Escócia, até a natureza é organizada. Não havia uma folha fora do lugar. Apesar de as haver por todo o lado, o Outono na Escócia é dos mais bonitos do mundo, de certeza.

Um silêncio, uma paz quase beatífica.

Divina mesmo, eu diria.

A neve no topo das montanhas é como a cereja no topo do bolo. Também ela inatingível.

E, claro, ovelhas em todo o lado.

Três para cada escocês, como não nos cansamos de lembrar.

Inverness

Escócia, 2019

O cottage cheese deles é uma merda, though… Já em casa, tenho-me regalado com requeijão de Seia, morangos e mel. A minha fronte de proteína e vitaminas matinal. 

A sensação de paz que me invadiu depois de Culloden vai além de tudo. Sensação de ausência de corpo. Uma leveza tal que quase poderia voar…

Inverness é antiga, como é Edimburgo, apesar da parte nova desta. Um encanto.

Aqui do alto do castelo de Inverness, com o rio Ness aos meus pés, onde me sentei um bocadinho, parece até que as costas deixaram de doer.

Inverness é linda e a sensação nas Terras Altas é de luto e de reencontro. De pertença àquelas montanhas com o topo coberto de neve.

Os Fraser estão em todo o lado e too much of good whiskey is barely enough…

Inverness, Escócia, 2019.

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