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O caminho arquetípico do masculino – Guerreiro (último)

14/08/2019

A energia psíquica do guerreiro concentra-se na habilidade, poder e precisão.

E no controlo, interno e externo, psicológico e físico.

Treinar homens para serem tudo o que puderem ser, em pensamento, sentimento, discurso e ação.

As ações do guerreiro nunca são exageradas, dramáticas. O guerreiro jamais age para se certificar de que é tão poderoso quanto espera ser. Jamais despende energia excessiva, apenas usa a que precisa.

Quando Fergus, na terceira temporada, fala em armas e Jamie, devastado pela morte de Claire, diz que já houve guerras demais…

É treinado para ter autocontrolo, que começa pelo da cabeça e das ações, se estiverem certas, o corpo acompanha-as. Tem uma atitude mental positiva, o que implica um espírito inconquistável, uma coragem imensa, que seja destemido, responsável pelas suas atitudes e que tenha autodisciplina, com controlo e mestria da cabeça e do corpo.

E capacidade para aguentar a dor, física e psicológica.

Está disposto a sofrer para alcançar o que pretende alcançar. É leal a algo além dele mesmo, a uma causa, um objetivo, transpessoal. E devoto a ela, seja uma causa, um deus, uma civilização.

Quando aceita dar-se a Black Jack Randall para salvar Claire

É emocionalmente distante, a clareza de pensamento faz parte dessa distância. A forma distante de experienciar uma situação ameaçadora é objetificando-a, o que permite uma visão da mesma mais clara e vantajosamente estratégica.

O guerreiro é então capaz de agir considerando menos os seus sentimentos, pois agirá com mais eficiência sem que o próprio esteja à sua frente.

Quando Jamie leva Claire até às pedras duas vezes… E imediatamente antes de Culloden.

Na vida temos muitas vezes de dar um passo atrás numa determinada situação para ganhar perspetiva. O guerreiro precisa de espaço para brandir a sua espada. Precisa de se separar dos seus oponentes no mundo externo e dos seus oponentes internos, das suas emoções negativas.

Quando adia o confronto com Black Jack Randall em Paris

O guerreiro é frequentemente um destruidor. Mas a energia psíquica positiva do guerreiro destrói apenas o que precisa de ser destruído, para que algo novo, fresco, mais vivo e mais virtuoso possa surgir.

Há uma frase que ele diz, que não sei de cor, mas é algo do género: o poder (ou a política) não me interessam pelo simples prazer de dominar ou destruir o outro. 

Há muitas coisas no nosso mundo que precisam de ser destruídas: a corrupção, a tirania, a opressão, a injustiça, sistemas de governos obsoletos e déspotas, hierarquias corporativas que se atravessam no caminho do desempenho da empresa, estilos de vida e empregos que não nos preenchem, maus casamentos. E, no próprio ato de destruir, a energia do guerreiro está frequentemente a construir novas civilizações, novos empreendimentos comerciais, artísticos e espirituais para a humanidade, novos relacionamentos.

Quando a energia do guerreiro se relaciona com as outras energias masculinas, algo verdadeiramente esplendido emerge.

Quando o guerreiro se conecta com o Rei

o homem com acesso a estes poderes administra conscientemente o reino. E as suas ações decisivas, a clareza de pensamento, a disciplina e a coragem são de facto criativas e geradoras.

A interação do guerreiro com o arquétipo do mágico

é o que permite canalizar e direcionar a força para o cumprimento de objetivos.

A mistura com a energia do amante

dá ao guerreiro a compaixão e um senso de relação com todas as coisas. O amante é a energia masculina que traz o homem de volta à relação com seres humanos em toda a sua fragilidade e vulnerabilidade. O amante faz do homem sob a influência do guerreiro um compassivo, ao mesmo tempo que cumpre o seu dever.

Isto não se vê na série, mas há uma cena em que o pequeno Fergus pede a Jamie que o puna/mate, porque o miúdo não conseguiu cumprir a promessa de proteger Claire. Jamie salva-lhe a honra, com a punição, mas torce-se todo ao executá-la.

Contudo, quando o guerreiro funciona por si, sem se relacionar com os outros arquétipos, os resultados do mortal mesmo acedendo ao guerreiro positivo (o guerreiro na sua totalidade) podem ser desastrosos.

Dougal é o exemplo perfeito disto, querendo inclusive que Jamie morra para lhe ficar com Lallybroch.

Como dissemos, o guerreiro na sua forma pura é emocionalmente distante. A sua lealdade transpessoal relativiza a importância das relações humanas. É muito notório no sexo. As mulheres, para um guerreiro, não servem para este se relacionar, apenas para se divertir.

O amor de Jamie e Claire… Não preciso de dizer mais nada…

Na vida de todos os dias, os homens com profissões que exigem devoção transpessoal e longas horas de disciplina e sacrifício têm normalmente vidas emocionais pessoais devastadoras…

Como o arquétipo do Guerreiro se manifesta na sombra, sob consulta.   

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Autoridade

13/08/2019

Confundida muitas vezes com autoritarismo, a autoridade anda pelas ruas da amargura, Dr. Jung…

Séculos e séculos de investigação científica,  precisamente para equilibrar os excessos do feminino e do masculino, contra a crendice e a ausência de lógica e de razão, para vir o novo milénio querer dar cabo de tudo.

A autoridade tem sido muitas vezes reduzida a um sentido só, ao seu extremo, o da autoridade policial. Sendo esta uma associação emocional pela sombra, o resultado, já sabemos, é a rejeição.

No entanto, tem na sua origem a palavra autor.

Poder-me-ia dizer que autoria faria as vezes. Mas autoria apenas quer dizer que somos autores de qualquer coisa, criadores ou co-criadores. E não que dominamos, ou temos pelo menos conhecimento profundo de, determinado assunto.

Andou o senhor, e tantos outros, a investigar a psique, 20 volumes de obras completas sobre o tema, para, de repente, não haver mais factos, apenas opiniões. Sem fundamento de qualquer tipo exceto uma parca experiência de vida de pouco mais de uma dúzia de anos. Os mais velhos conseguem ser piores, aos novos até lhes perdoamos a arrogância da juventude.

Resumindo-se ao é a minha opinião.

Esquecendo-se que a forma como vemos o mundo é pessoal e intransmissível, e naturalmente válida, mas é apenas isso, e é indiscutível. Não podemos ver o mundo da mesma maneira, a nossa história de vida é diferente.

A nossa personalidade também.

Pior conseguem ser os que usam interpretações erradas de textos científicos sérios para justificar a sua neurose pessoal.

Em vez de lidarem com ela.

Já que uma coisa é a forma como vemos o mundo, outra é pôr em causa a ciência, dizendo que a terra é plana ou que, mesmo tendo dois cromossomas X, sou homem. E vice-versa, mesmo tendo um cromossoma X e outro Y sou mulher. Argumentando que o género é uma construção social, ignorando a ciência e a própria biologia duas vezes. Para a última, basta ter olhos na cara para perceber a diferença.

Não há lugar a subjetividade…

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Deus é mulher

12/08/2019
Deus é mulher é o título da tour da Elza Soares deste ano.

Elza é provavelmente uma das maiores defensoras das mulheres, do Brasil. Nos seus shows, e muito por causa da sua história de vida, sem se vitimizar, apela sempre à força das mulheres, à união.

Já o tinha testemunhado no show anterior, Mulher do fim do mundo.

Neste, eram frequentes os pedidos: cadê as mulheres? E só as mulheres gritavam ou acenavam. Quero ouvir só as mulheres. E lá íamos nós.

Os homens poderiam fazê-lo, poderiam celebrá-las, às mulheres das suas vidas, mães, irmãs, sobrinhas, mulheres, namoradas. Poderiam aplaudir. Mas não. Ficavam quietos, braços ao longo do corpo, quase imóveis, à espera que acabasse a ovação.

Juntamente com o clássico em todos os shows: “você vai-se arrepender de levantar a mão para mim”, repetido até à exaustão, para que nos fique gravado na memória e o possamos acessar rapidamente.

Foi isto o show inteiro.

E se na grande maioria do tempo estive meio de lado e mal me apercebi, antes do encore fui à procura dos meus amigos, que estavam bem atrás, ao pé do técnico de som. Aí, dava para ter uma perspetiva boa de toda a gente, por estar mais central. E era impressionante… Ler Mais…

Dixit

08/08/2019

Um dia destes, num jantar, descobri o jogo da minha vida, criado a pensar em mim, de certezinha. Chama-se Dixit e consiste num baralho de cartas com imagens muito inconsciente coletivo. Ganha quem primeiro fizer 30 pontos.

Das duas vezes que jogámos, ganhei. Com vantagem considerável.

Como qualquer pessoa, gosto muito de ganhar e pouco de perder.

No entanto, o que me deu particular gozo não foi só ganhar. Foi ganhar um jogo como este…

Todos começamos com 6 cartas

E cada um de sua vez joga uma carta voltada para baixo e dá-lhe um título. Os outros escolhem, de entre as suas cartas, a que mais se pode assemelhar àquele título.

Ganhamos pontos se adivinharem qual é a nossa carta, mas também ganhamos se outras pessoas apostarem numa carta que não é a de quem jogou. Isto é particularmente incrível. Quer dizer que a nossa carta é tão boa, e a nossa intuição também, que os outros acreditam ser a primeira carta lançada. E não ganhamos ponto algum se toda a gente adivinhar a nossa carta ou se ninguém adivinhar.

A carta que joguei na vez de outra pessoa dar o título foi várias vezes a carta escolhida, por três pessoas. Éramos 5. (Obviamente, a pessoa que deita a carta e escolhe o título não aposta… E nunca votei na minha própria carta.)

O que quer dizer que toda a INFP que há em mim e todo o Jung que me define estão a fazer um excelente trabalho.

No que ao simbolismo diz respeito.

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O caminho arquetípico do masculino – Guerreiro II

05/08/2019

Felizmente, a maioria dos homens não precisa viver o arquétipo do guerreiro num campo de batalha. Mas precisa de saber quando é apropriado e em que circunstâncias pode usar a sua agressividade.

E fá-lo através da clareza de pensamento, do discernimento.

Quando Claire (quase) é violada por um desertor britânico, à sua frente, Jamie, com uma arma apontada à cabeça, confia que Claire, tendo aprendido a defender-se com um punhal, consiga safar-se. Assim é. E, nesse momento, Jamie reverte a situação. Consegue sacar a arma ao oficial inglês e corta-lhe a garganta no mesmo segundo.

Quando Angus aponta uma faca ao pescoço de Claire, recusando-se a ser julgado por uma sassenach wench, Jamie evita uma desgraça, e poupa a mulher que ama, dizendo: se ela não quer, deixa-a, sobra mais (comida) para nós.

O guerreiro está sempre alerta, sempre desperto.

Jamie dorme com um olho aberto e outro fechado… Acorda ao mínimo barulho.

Sabe como se concentrar física e mentalmente.

Quando Black Jack Randall tenta excitá-lo, provocar-lhe uma ereção, Jamie, enojado, subjugado, consegue controlar o que seria uma manifestação de anuência face aos avanços de Randall. E só é dobrado quando Randall não lhe dá a mínima hipótese e o viola brutalmente até obter de Jamie uma reação.

Um guerreiro sabe o que quer e como alcançá-lo.

Jamie quis Claire desde o momento em que a viu. Mas soube esperar. Alcançou o seu objetivo por um meio diferente do habitual, casando com ela por indicação de Dougal, e, pouco a pouco, conquistou-a.

A clareza de pensamento faz dele um estratega, um tático.

Por isso, consegue avaliar com precisão as circunstâncias e adaptar-se à situação no terreno.

Há um exemplo excelente deste tipo de inteligência do guerreiro. Durante o gathering, em que os membros do clã Mackenzie vão, um a um, jurar fidelidade a Colum. Jamie, sabendo se Fraser e com um moto diferente, tal como um tartan, Laird das suas próprias terras, Broch Tuarach, esconde-se. E assim pretende ficar até ao dia seguinte, quando já não corria perigo. Quando Claire tropeça nele, e este a leva de volta ao castelo, é apanhado por membros do clã que de o forçam a fazer o juramento. A sala estava pejada de homens do clã Mackenzie, prontos a cortar-lhe a garganta caso ousasse desafiar Colum.

Perante Colum, seu tio, Jamie apresenta-se com o seu tartan e o seu alfinete, Je Suis Pret. Não jura fidelidade a Colum, porque a fidelidade dele está com o seu clã, Fraser, mas dá-lhe o que tem: ajuda e boa vontade. Obediência, devida pelo laço de parentesco, pondo-se às suas ordens, apenas enquanto pisar as terras do clã Mackenzie.

O guerreiro sabe quando tem a força para derrotar o adversário, usando meios convencionais, e quando precisa de adotar uma estratégia não convencional.

Sabendo que não teria força para derrotar os adversários, tinha menos homens e menos armamento, Jamie adota uma dessas estratégias não convencionais. Junta uns tantos homens do seu clã, dirigem-se, na calada da noite, ao acampamento onde estavam os ingleses, às vésperas de Culloden, e retiram-lhes os pinos dos canhões. Que os fez, aos escoceses, ganharem essa batalha.

Ou a cena das vacas, quando Rupert, Murtagh e Angus resgatam Jamie de Fort William.

O guerreiro avalia com precisão a sua força e as suas capacidades.

Se entende que um ataque frontal não vai resultar, desvia-se da agressão do seu oponente. Identifica-lhe o flanco e avança para a batalha.

Jamie usa muito o sentido de humor para dobrar Claire quando esta está furiosa. É um meio de não a atacar frontalmente, não é isso que quer. Desvia-se da agressão, verbal e física, Claire é assim mesmo, mas não permite que isso o deixe numa posição de vulnerabilidade de onde não conseguiria sair. De uma posição que lhe afete a masculinidade.

Esta é a diferença entre o guerreiro e o herói.

O homem (ou o rapaz) em contacto com o arquétipo do herói não conhece as suas limitações. Romantiza a sua invulnerabilidade. O guerreiro, no entanto, com a clareza de pensamento que lhe é característica consegue ser realista em relação às suas capacidades e limites, quando a situação se apresenta.

Além da prática, do treino, o que permite a um guerreiro alcançar a clareza de pensamento é viver com a consciência da sua morte iminente.

Sabe que não vai durar muito.

Jamie tem essa consciência desde o início da história. Com a cabeça a prémio e a memória da violência de Black Jack Randall marcada nas suas costas, sabe que a vida é curta e frágil. E dorme o tempo todo com um punhal debaixo da almofada. É a primeira coisa de que saca ao mínimo sinal de perigo.

Mas, em vez de isso o deprimir, essa consciência condu-lo a uma força de viver impressionante. E que os outros desconhecem. Não há tempo para nada a não ser atos significativos, quando vivemos com a morte como nosso companheiro eterno. Não há tempo para hesitar. A sensação de morte iminente leva o homem que aceder à energia psíquica do arquétipo do guerreiro a ações decisivas. O que quer dizer que ele nunca foge da vida. Não pensa demasiado, porque pensar demasiado pode levar à dúvida, a dúvida à hesitação e a hesitação à inação. Que pode levar à perda da batalha. O homem guerreiro evita a autoconsciência tal como a definimos comummente. O que faz das suas ações reflexos inconscientes. Mas ele treinou para essas ações, exercitando-se com uma autodisciplina notável.

(Continua…)

O caminho arquetípico do masculino – O Guerreiro

03/08/2019

Como usamos o exemplo de um personagem, Jamie Fraser, para ilustrar as características dos diferentes arquétipos, resolvemos começar pelo do guerreiro.

Todos os arquétipos, e os quatro em causa não fogem à regra, coabitam ao mesmo tempo na psique individual. Não estão fechados em caixinhas na nossa cabeça e é só abrir a porta correspondente para aceder aos seus conteúdos. Nós, e a nossa psique, somos um emaranhado de características e de vozes (arquétipos), muitas vezes indistintas.

E sem lógica alguma.

Considerando que escolhemos o exemplo de um personagem, pela sua complexidade e profundidade, nem sempre as características e atitudes do personagem se encaixam claramente num arquétipo. Na mesma fala, postura, atitude, momento, vários arquétipos aparecem, na sombra e na consciência, tornando difícil, se não impossível, no limite, um desperdício, encerrá-los numa categoria.

Feita a ressalva, avancemos…

Ares, o deus grego da guerra, corresponde ao arquétipo do guerreiro, acumulando também o arquétipo do amante. É com ele que Afrodite mantém um caso, traindo o marido, Hefesto, o deus da forja.

Aqui, tal como na psicologia analítica, separamo-los.

Como já dissemos, Ares é um deus nada bem quisto entre os gregos. Por isso, as características que lhe são atribuídas são sombrias. E assim permaneceram na memória coletiva.

De homens e de mulheres.

Ficámos apenas com a memória da força bruta, da violência, do temperamento intempestivo e da agressividade. Esquecendo-nos inclusive que ele começou por ser o deus da dança, uma característica marcadamente do feminino.

Com a quantidade de guerras e a especial perversão que as acompanha, é natural que se rejeite a identificação com o arquétipo do guerreiro.

No entanto, sempre que negamos um arquétipo, individual e coletivamente, o que expressamos dele é a sua sombra, apenas. Neste caso, a violência emocional e física.

A verdade é que um guerreiro é muito mais do que isso.

Já que a energia psíquica do guerreiro está universalmente presente nos homens e nas civilizações que criam, defendem e desenvolvem. Podemos mesmo dizer que é vital para a construção do mundo.

A agressividade é uma atitude perante a vida que desperta, dá energia e motiva.

Força-nos a aceitar a ofensiva e a sair de uma posição de defesa ou de observação em relação ao que temos pela frente, sejam afazeres sejam problemas. A única forma de enfrentar a batalha da vida é cara a cara e o único movimento é em frente.

Um exemplo claro deste movimento em frente, na personagem de Jamie Fraser, é quando avança, sem medo, de espada na mão e aos berros, em Culloden, sabendo que não iria sobreviver. E não se poupando à batalha, luta ferozmente e, enquanto líder do clã, dá o exemplo aos seus conterrâneos.

(Continua…)

O caminho arquetípico do masculino II

31/07/2019

No livro, aparece a sombra de vários arquétipos do masculino e que constituem o personagem. É, aliás, o confronto entre duas sombras, a dele e da personagem feminina com quem contracena, Claire, e a permanência do casal junto, depois da tormenta, que torna ambos os personagens tão fascinantes.

Amam-se, apesar de se conhecerem.

Vamos usar o personagem da série sempre que revelar o arquétipo integrado (ou não). E o do livro, para ilustrar a sombra.

O livro, ou, melhor dizendo, o manual, que servirá de base a este ensaio, por resumir de forma exemplar e bem simples um assunto tão complexo quanto o do masculino, deus abençoe os americanos, chama-se: “King Warrior Magician Lover” (Rei, guerreiro, sábio, amante), de Moore & Gillette.

A ordem não é sequencial.

Até porque, cada pessoa nasce com um arquétipo diferente ativado. Por isso, pode mesmo viver o sábio na infância, ou na adolescência.

Estes quatro arquétipos resumem os dos deuses gregos, oito, sendo os principais, a estrutura central da psique, de acordo com a Psicologia Analítica, de Carl Jung.

Jamie Fraser é um guerreiro escocês das Terras Altas, com a cabeça a prémio e procurado pelo exército britânico, que, poucos anos antes de Culloden, aterroriza clãs de uma ponta à outra do país. Apaixona-se perdidamente por uma sassenach, inglesa em gaélico, e juntos, e separados, vivem tudo e mais alguma coisa. Até aos 50 anos, pelo menos.

São oito os livros publicados, o nono na iminência de o ser e um décimo prometido. Mas os que já estão escritos cobrem todos os arquétipos em todas as suas versões. E ainda sobram.

Na foto, guerreiro.

O guerreiro não é um arquétipo muito bem quisto na mitologia grega. Por representar emoções com as quais os gregos não gostam muito de se identificar, como a força bruta, por exemplo. O que talvez tenha inibido o masculino de exercer este arquétipo.

Agora, segundo definição dos autores e com a ilustração do personagem escolhido, vai ser muito óbvia a vontade de viver este arquétipo incrível.

(Continua…)

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