Browsing Category

Livre

Outlander – Jamie e Sassenach

08/10/2018

O casal Jamie e Claire, de Outlander, é o melhor casal da história de todos os casais de ficção do mundo e de sempre. Do cinema e das séries. Do reino da fantasia em geral. O meu preferido. E, sim, tenho consciência que incluo aqui a dupla de Jane Austen. E a Bridget Jones… jamie

É a alteridade na perfeição

Para não falar que é lindo, não tem uma falha no discurso e no caráter, é firme quando precisa de ser, gentil na maioria do tempo, atencioso, masculino pra caramba… E ela uma verdadeira heroína, o arquétipo do futuro. Forte por dentro e feminina por fora.

Sozinha, faz mais pelo feminino, e o feminismo, do que as capazes, as #metoo e as feminazis todas juntas.

Jamie é masculino e tem o seu feminino integrado (anima), que só aparece quando tem de aparecer. E Claire é feminina e tem o seu masculino integrado (animus), que também só aparece quando tem de aparecer. Ambos funcionam individualmente e em dupla, nos papéis dos respetivos géneros e, se preciso for, até trocam de drive psíquico. Acontece muito entre casais.

A alternância perfeita, apropriada, integrada dos opostos.

Ontem, entre o Cristiano e o Bozo, revi a noite de núpcias dos dois. Que maravilha…

Eu quero um 18th century red-haired Scotish Highlander só para mim

outlander

E achava que era a única. Eu e o Nuno, que inclusive se disfarçou de escocês, com kilt e tudo, lindo, por sinal, no último Carnaval. A termos um inconsciente coletivo escocês, europeu, tão presente. Mas parece que não, não estamos sozinhos no mundo. Há uma quantidade incontável de mulheres, maduras, intelectualizadas, casadas, mães de filhos, e eventualmente de alguns homens, que fantasia com um escocês ruivo, do século 18, das Terras Altas.

Não podendo ser um Jamie Fraser, o escocês ruivo é na boa, as Terras Altas também é tranquilo. O século 18 é que é o diabo…

Mas, entre um outlander e um inlander, prefiro o segundo. E já tenho o meu, salvo seja, que ninguém é de ninguém. Um inlander moreno, da Bahia e dos anos 70. Os 40 são os novos vintage. Sempre é uma fantasia mais próxima da minha realidade do que a que envolve um escocês ruivo do século 18…

Sempre quis ir à Escócia. Vamos fazer um tour Outlander, pessoas.

A série é incrível, uma fotografia, um guarda-roupa, uma caracterização, irrepreensíveis. Realização primorosa. Riqueza de personagens, com imensa profundidade. Uma série de escoceses sarados de kilt. E de ingleses sarados de farda. E eu nem gosto de fardas…

Que se lixe o verão. Desejosa que chegue novembro, para a quarta temporada de Outlander. A primeira é a melhor. Já em estágio, inclusive. A rever as três temporadas, sempre que posso. Tudo de seguida, como eu gosto. A única forma de entrar, respirar, viver naquele mundo. É tão bom ser introvertida…

Cristiano Ronaldo e a alegadamente inatacável Der Spiegel

07/10/2018

A peça jornalística apresentada pela Der Spiegel na sua versão inglesa, na qual Cristiano Ronaldo é acusado de violação, é tendenciosa. O facto de apresentar alegados documentos comprobatórios não faz dela inatacável.

É tendenciosa no sentido em que descreve com demasiado detalhe a queixosa, implicando necessariamente a sua aparente vitimização e fragilidade, opondo-a ao predador Cristiano Ronaldo, que, por sua vez, ao lermos a reportagem, é imediatamente culpado. Sem direito a julgamento, a que outras partes sejam ouvidas, como a amiga da queixosa, a quem confessa: foi uma grande noite, à saída do quarto, à entrada no elevador…Ronaldo

Uma reportagem não é um julgamento.

O dever e a obrigação ética e moral, é aqui que a peça pode ser atacada, e muito, é o de imparcialidade. De ouvir todas as partes envolvidas, de investigação e de humanização. Numa reportagem séria, as pessoas são humanas, não deuses, semi-deuses, celebridades e desgraçadinhas. Vítimas ou agressores.

Há gente, maior, vacinada e com responsabilidades.

Mesmo que a maioria das pessoas só se baseie em achismo, ainda há quem entenda verdadeiramente do assunto e se atreva a questionar a afamada e aclamada Der Spiegel. Ainda que o Governo Sombra inteiro diga que é inatacável. Eu mantenho-me firme. E juro perante o RAP.

Como, em 9 anos de terapia, com manifestos sinais de stress pós-traumático, esta mulher não foi tratada?

Ou não há stress ou a terapeuta é uma merda. O que, convenhamos, para quem alegadamente ganhou 350 mil euros para ficar calada, com algum desse dinheiro arranjava terapeuta melhor. O Jung reencarnado, eu sugeria. Ler Mais…

Cristiano Ronaldo, CR7 e o Patriarcado: A queda de um mito… 

06/10/2018

Neste caso mediático planetário em que o nome de Cristiano Ronaldo está envolvido, vejo muitas companheiras de género dizer: e mulheres também. Acabando por exigir, mais delas do que dos homens, uma posição em defesa da alegada vítima de Cristiano Ronaldo.

Vejo muita gente extrapolar o facto de alguém dizer: eu acredito nele, usando essa afirmação como todo um conluio com o patriarcado.

Sinal verde para usar e abusar das mulheres. 
Misturando tudo e fazendo mais uma vez um desserviço.

Alternando entre vítimas e agressoras todas as mulheres. Mais patriarcal do que isto seria difícil. Mas, enquanto o projetamos nos outros, folgam as costas.

As mulheres, como os homens, são filhas do patriarcado.

Ler Mais…

#Metoo

04/10/2018

O movimento #Metoo tem o mérito de trazer para a vista de todos o que ficava entre quatro paredes, num beco escuro, num gabinete oficial, num escritório fechado.

Inúmeras mulheres têm vindo a denunciar comportamentos abusivos por parte de estrelas de Hollywood, de homens de poder, que usaram a sua condição e a sua masculinidade para se aproveitarem de mulheres, que, na posição em que se encontravam, dificilmente poderiam resistir. Não pactuar, não aceitar. 

Ainda que sendo apenas passivas

Estamos a falar de um tempo, não tão longínquo assim, em que era pratica corrente, sequer se questionava, porque era suposto ser isso o que os homens fazem.

Eu, e uma série de mulheres da minha geração, fomos vítimas disso. Havendo meios profissionais mais propícios do que outros para que isso aconteça. E sequer era escondido, era à frente de toda a gente.

As mulheres perderam segurança emocional e voz, o que as impedia de dizer o que sentiam e de agir de acordo. Muitas vezes, com o patrocínio das próprias mães, que, influenciadas pelo patriarcado, acabavam por pactuar com os agressores em vez de defender e proteger as suas crias, como faz qualquer fêmea no mundo animal.

Mulheres da minha geração continuam a aconselhar, muitas vezes a proibir, as filhas a não se vestir de determinada maneira.

Além da posição desfavorecida da qual partiam, as mulheres são fisicamente mais fracas do que os homens. Isto é biologia, não é achismo.

Felizmente, não em todas as famílias. Infelizmente, na grande maioria delas. Essa cultura vem muitas vezes de casa. A maioria das mulheres não tem voz por ser um comportamento que não lhes é estranho, ainda que sintam em cada poro que não pode ser normal.

O patriarcado é isso. É infantilizar homens emocionalmente e dar-lhes todo o poder a todos os outros níveis. E as mulheres têm muita responsabilidade nisso também. Tudo começa em casa, tudo.

O problema é o que tem sido feito em nome de uma causa tão nobre

Com o conluio e a participação ativa de muitas mulheres, nomeadamente as feminazis.

O #Metoo não é vingancinha. Não serve para dar poder às mulheres sobre os homens. Eu, particularmente, não é o que quero. Quero igualdade, justiça e consciência masculina e feminina do que é real vontade. Quero segurança emocional para as mulheres e consciência para mulheres e homens. Mesmo que não o entendam, que adorassem ser abusados pela Scarlett Johanson ou a Nicole Kidman. Não é a mesma coisa. E eu sei que dificilmente poderiam pôr-se no nosso lugar. Pensem nas mulheres da vossa vida, mães, irmãs, filhas, sobrinhas, netas. Se calhar fariam o mesmo, a maioria dos abusos é perpetrada por pessoas que a vítima conhece.

Muitas mulheres não se identificam com o feminazismo por isso. Não se trata de trocar de lado no poder, trata-se de igualdade, de consciência.

No Brasil há uma lei, a lei Maria da Penha, que protege as mulheres de abuso e violência. Há inclusive uma delegacia da mulher. Chegou a propor-se um vagão, o primeiro, do metro, só para mulheres. O que acho mais um desserviço. Homens e mulheres têm de aprender a conviver juntos, de igual para igual. E não separados. Isso só gera mais abuso e mais violência.

Tal como o #Metoo, instituições como as referidas são fundamentais para criar consciência, não para alimentar neuroses de poder. Que afetam tanto mulheres como homens. Uma mulher não tem razão só porque é mulher. Usar meios e instituições ao serviço da neurose particular de poder é pôr em causa todas as mulheres que foram e continuam a ser abusadas e assediadas todos os dias. E isso é o pior que pode fazer-se a uma mulher. Continuar a descredibilizá-la. Perpetuar ad aeternum o patriarcado. Chega.

Eu não quero homens com medo de mulheres.

Quero que continuemos a poder seduzir-nos mutuamente. A luta por poder já fez estragos demais. Há caminhos alternativos, a colaboração, em vez da competição.

Ameaçar mulheres, ainda que de forma velada, ou estás comigo ou contra mim, és machista e não és solidária com outras mulheres, é manipulá-las. E exercer poder sobre elas.

Não há valor mais masculino do que esse.

A consciência de homens e mulheres em relação a si mesmos e ao que querem é fundamental.

Educação emocional é imperioso.

Dotem as mulheres de recursos. façam-nas procurá-los. Dêem-lhes estrutura emocional, só assim poderão decidir o que querem para si. Decisão essa que é individual e intransmissível.

Criem consciência nos vossos filhos, vejam bem o exemplo que lhes dão. Eles imitam tudo, independentemente do que lhes digam. Se as vossas palavras contrariam as vossas ações, eles imitam as ações. A forma como falam com as vossas mulheres. O que exigem a filhos do sexo masculino e feminino. Promovam a igualdade, não o privilégio.

 

[Guest Post] Por um ativismo interior*

02/10/2018

*Por Rita Morgado, ontem.

Hoje mudei a foto de perfil da minha página de facebook para uma imagem negra. Aderi, portanto, a uma campanha que pretendia expor o abuso e a violência sobre as Mulheres, “eliminando as caras de Mulheres” do facebook para que se entendesse o quão pobre e triste ficaria o Mundo sem elas. 

Como os tempos têm sido demasiado polarizados e é essa polarização que nos tem devolvido tanta violência, queria esclarecer algumas coisas e talvez até ajudar à melhor compreensão do meu post da semana passada

(“Aos Homens e Mulheres da minha geração”).

Falei nesse post de um desequilíbrio ancestral das energias femininas e masculinas e da falta de Feminino fora e de Masculino dentro. Falei propositadamente em Feminino e Masculino e não de Homens e Mulheres. E porquê? Porque, como expliquei na intro do meu post, estas polaridades estão presentes nas psiques dos Homens e nas psiques da Mulheres e, por isso, este trabalho de reequilíbrio é uma responsabilidade de ambos os géneros.

Claro que a falta de equilíbrio destas energias internamente depois se reflecte fora (nas nossas relações, vidas, comunidades, sociedades, etc) e assim, penso que será útil concretizar de que forma isto se poderá traduzir, agora sim, nos Homens e nas Mulheres. Ler Mais…

Onde estão as mulheres?*

01/10/2018

Tem a certeza de que conhece as mulheres da sua vida?

Ser mulher é, desde criança, jovem adolescente, ver e sentir o seu corpo inocente ser alvo de olhares lascivos e apenas sentir medo, por sequer saber o que está por detrás desses olhares.

É não saber o que fazer, como responder.

Ser mulher é permitir que a sua inocência infantil, a sua necessidade de afeto e amor, sejam usadas em nome do desejo animal e sexual de rapazes e homens mais velhos. 

Ser mulher é confundir afeto, carinho, com abuso, violência.

Ser mulher é pensar duas vezes antes de decidir o que vestir, por não querer ser abordada na rua com palavras e gestos grosseiros, invasivos e abusivos.

Ser mulher é achar que assédio é culpa sua, de tanto que está enraizado em cada célula do seu corpo, em cada memória coletiva, que os homens fazem o que querem e as mulheres têm de aguentar.

Ser mulher é perpetuar proibições, palavras sem sentido, castigos, ações, a filhas e netas de tanta culpa que carregam por terem um corpo de fêmea, como se fosse culpa sua ou sequer tivesse mal algum.

Ser mulher é aguentar abuso porque é o que é suposto aguentar de um marido, namorado, amante.

Ser mulher é pactuar com segredos, esconder-se, é não assumir um relacionamento por ser a outra e com isso proteger o marido/namorado infiel, em vez de exigir o que é seu por direito, chamando-o à responsabilidade.

Ser mulher é ser insultada por outras mulheres por ser a outra, enquanto o homem segue impune, porque isso é o que um homem é suposto fazer.

Ser mulher é ser chamada puta, vagabunda, vaca, ordinária, por transar com vários homens. Quando o contrário, um homem que transa com várias mulheres, é um herói e inclusive alvo de cobiça por outras mulheres, que só sabem valorizar-se assim.

Ser mulher é ser oprimida apenas porque se nasceu com o sexo errado.

Ser mulher é ter de adotar atitudes e vestuário masculino para ser respeitada na rua, no local de trabalho, às vezes, até em casa.

Ser mulher é ser constantemente rebaixada na sua condição, porque está de tpm, assim, assado. Condição essa contra a qual não há o que fazer. E por que haveria?

Ser mulher é ser constantemente desvalorizada, porque fica grávida, porque tem filhos, porque é emocional, por cada uma das suas escolhas.

Ser mulher é ser invadida o tempo todo, com olhares, palavras, gestos, abordagens de homens que acham que são os únicos a fazê-lo. Na rua, nos transportes públicos, em todo o lado há gajos que acham que podem sentar-se à frente de uma mulher e bater uma. Na minha vida, conto três. Uma era uma criança e nas outras duas tinha mais de 30 anos. Ser mulher é ter medo e vergonha de admitir isto em público.

Ser mulher é andar permanentemente com medo.

Ser mulher é muitas vezes sequer saber expressar-se, apesar de sentir em cada poro do seu corpo que algo não está certo. É ver-se amordaçada na sua expressão, por não ter força física ou emocional para travar o que a violenta. Por séculos e séculos de patriarcado.

Patriarcado esse que leva um sem número de mulheres a perpetuar a mesma lengalenga.

A permitir e a pactuar que mais e mais mulheres sofram o que elas sofreram, por ignorância ou sei lá por que tipo de neurose.

Ser mulher é aguentar barbaridades em nome de um casamento, porque só assim, com um homem ao lado, as mulheres são muitas vezes valorizadas e tidas em conta. Não somos propriedade de ninguém, como ninguém o é, nem os filhos. Mas, se aparecemos sozinhas somos umas putas oferecidas ou umas desgraçadas em quem ninguém pega.

Nós não queremos ser vítimas, nós não somos vítimas, nós não odiamos os homens, eu, em particular, adoro-os. Mas estamos fartas de negar, esconder e violentar a nossa essência para sermos aceites.

Chega.

*Na sequência deste artigo da Eliane Brum

 

Guerreira

27/09/2018

Descrevem-me amiúde como Guerreira. Até numa dedicatória de um livro me atribuíram esse epíteto. É o que veem de mim. E eu nem sei bem o que isso quer dizer.

Já para não falar que sequer me revejo nesse papel…

Às vezes, confesso, até me deixa impaciente. Embora lhe reconheça projeção. Por não corresponder à verdade. Por saber da missa toda, não apenas da metade… Conheço o lado obscuro, o lado sensível, o lado criativo, artístico, a dúvida, a auto-cobrança, a desconfiança. Conheço muita coisa que talvez não transpareça. 

Já para não falar na responsabilidade que tamanho atributo acarreta

Felizmente, não vivo para corresponder a expectativas. Ao que os outros esperam de mim, se é que esperam alguma coisa… Há muito tempo. Quem dita quem sou, o que quero, como me posiciono, o que faço, escrevo, digo, sou eu… Embora muitas vezes ainda caia na falácia da provocação. Há botões que persistem em ser acionados a cada vez que estão em causa valores que me são caros.

E ainda bem…

Reconheço-me forte, reergo-me das cinzas com uma força e um entusiasmo de certa forma admiráveis, por não permitir que a minha essência se anule em prol do que me acontece. Não sucumbo perante as dificuldades, há em mim uma vontade férrea de me manter de pé.

Mas não me revejo no atributo de guerreira

Porque o meu lado sensível, emocional, sentimental é muito mais forte e muito mais condizente com a minha verdadeira natureza.

A nossa cabeça pode enganar-nos, iludir-nos, mas o corpo não mente. E a prova inequívoca é o que se me é revelado na vivência das aulas de Biodanza.

Já desconfiava, mas, na última terça-feira tive a confirmação. Vi-me e senti-me a dançar, de vestido vermelho e cabelos longos, indomável, sensual. Numa celebração qualquer. Alheada de tudo, apenas entregue à dança, ao movimento, às sensações, indiferente aos olhares alheios, em volta de uma fogueira, num tempo que não reconheço, numa civilização que me é estranha. E, nessa dança, vi todo o meu potencial. Reconheci todo o meu poder. É esse, que vem de dentro. Que é confiante, sem ser intimidante. E em perfeita sintonia e conexão com a natureza.

Entre Atena e Afrodite, prefiro Afrodite.

Com um bocadinho da natureza selvagem de Artémis. Confiante, mas com um sorriso. Inteira, mas não distante, inacessível, inatingível.

E Atena é alheada do sentimento, que lhe confere poder. Eu não quero o poder per se, não me interessa. prefiro de longe a autenticidade, a espontaneidade, à persona.  I crave connection. Que só se consegue com aproximação, não com distanciamento, isolamento, alienação do que se passa no coração.

error: Content is protected !!