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Saúde mental – Ricardo Araújo Pereira e Bumba na Fofinha

30/03/2020

Ontem foi o Ricardo Araújo Pereira a falar em saúde mental. Brincando com a compensação em relação à comida para reprimir tensão psicológica interna face ao confinamento a que estamos sujeitos e aos tempos em que vivemos.

Hoje, a Bumba fala no mesmo.

São os dois humoristas, com muita gente a segui-los.

Pode ser que se perca de vez o estigma que existe em relação à psicologia em Portugal e se considere que a saúde mental é tão ou mais importante do que a saúde física.

PEÇAM AJUDA

Saúde mental e redes sociais

30/03/2020

O Covid19 privou-nos de quase tudo do mundo externo que nos distrai no dia a dia. Futebol, compras, saídas à noite, jantares, almoços e copos com os amigos, atividade física em ginásios, viagens, alguns até, infelizmente, do trabalho, deixando-nos apenas a internet, com redes sociais, canais de notícias, cultura, entretenimento e tudo o resto.

Não há lugar onde mais e melhor observamos a sombra coletiva do que nas redes sociais.

Que substituíram as caixas de comentários dos sites de notícias, talvez por serem mais visíveis para toda a gente. Inclusive gente que nos conhece.

O excesso de informação, na grande maioria das vezes pouco factual e que instiga mais à divisão social e ideológica, ao ódio, à projeção da sombra, do que informa, ainda que pareça que nos dá uma sensação de controlo, saber o que se passa, revela-se mais prejudicial do que útil.

A sombra coletiva tem várias caras:

queixume, reclamação, vitimização, agressividade, ativa e passiva, discurso de ódio, policiar a vida alheia, cobrar de tudo e de todos o que nós deveríamos fazer individualmente, mas também uma certa infantilização psíquica, que consiste precisamente em não reconhecer, e por isso não lidar com, todas as emoções que o coletivo rejeita, apregoando posturas psíquicas fixas e idealizadas, que em nada ajudam à integração desses conteúdos sombrios.

Publicar conteúdos, nossos ou de outros, tem por objetivo último a dopamina da interação, do like, da vontade de sermos vistos e ouvidos, por nos dar uma sensação de existência. Por isso o fazemos.

Na esperança de sermos vistos e ouvidos.

No momento que atravessamos, sem outras coisas a que nos habituámos que nos dessem essa mesma sensação, voltamo-nos para as redes sociais em massa.

Constatamos rapidamente que nos faz sentir pior do que melhor, psiquicamente falando. Por nem sempre obtermos o resultado que esperamos e por nos distraírem de nós.

Silenciar, desligar notificações ou até mesmo apagar aplicações de redes sociais do telemóvel é uma solução possível. Sair delas também. Concentrando-nos no que nos dá verdadeira sensação de estarmos vivos.

No entanto, é pelas redes sociais que também comunicamos e nos ligamos.

Os introvertidos, em particular, que as usam para se manterem ligados ao mundo, com a distância social de que precisam para viver, dificilmente passam sem elas. Contudo, e em especial nesta fase do mundo, é imperativo escolher criteriosamente o que nos traz paz e tranquilidade, nos inspira ou, no limite, nos diverte, nas redes sociais.

Há uma série de artistas a fazer lives.

Para todos os gostos. Que se têm revelado particularmente úteis, no sentido em que nos entretêm nestes tempos tão difíceis, mas também por permitirem contactarmos com pessoas que, normalmente, estão fora do nosso alcance.

Gosto particularmente de ouvir o Matthew Mcconaughey e o Richard Rankin, por causa do tom de voz. Sou particularmente sensível a histeria, gente aos berros, falsa felicidade, performance sem sentido.

Mas também pelo que dizem.

O Matthew porque me inspira, o Roger, nome da personagem em Outlander, por não esconder que as celebridades são pessoas normais, como tu e eu.

O Sam Heughan, com a dancinha do Jamie, um dia destes, fez-me sorrir, coisa que ainda não tinha acontecido nesse dia. E as lives do Tom Misch, que ainda por cima é giro, animam-me o espírito e soltam-me o corpo.

Não perco o Ricardo Araújo Pereira ao domingo, na SIC.

Há outros humoristas nas redes sociais dispostos a divertir-nos também, depende muito do gosto de cada um. É escolher o que nos faz sentir bem. Em paz, de preferência.

E eliminar tudo o resto.

Reduzir ao máximo a presença, ativa e passiva, nas redes sociais é imperioso. Impondo-nos, por exemplo, um tempo limitado para tal.

Optemos por quem nos inspire, não quem nos perturbe.

Os chamados guilty-pleasures não passam de conteúdos sombrios que não vivemos, não conhecemos e por isso não integramos. Que nos irritam mais do que nos ajudam. Não é hora para lidar com eles desta forma.

Há outras, muito melhores e mais eficazes. Que deixo para outro dia.

Saúde mental em tempos de Covid-19

27/03/2020

Nestes tempos que todos vivemos, faz parte da saúde mental sentir apatia, ansiedade, raiva, medo, frustração, tristeza, vontade de chorar, de gritar, de dizer palavrões, de culpar, de reclamar, de apurar responsabilidades, de criticar, de julgar, de policiar a vida alheia, de cobrar dos outros o que nos falta…

Não só é natural como é perfeitamente aceitável

Apesar de o mundo coletivo ditar que não podemos senti-las, todas estas e outras emoções são nossas. Não nos definem, mas são nossas.

Não tenhamos pudor em expressá-las, vivenciá-las, aceitá-las e apropriarmo-nos delas, por serem parte de nós.

O que não é natural são estados psíquicos permanentes.

Aceitar, o que não podemos controlar, é a palavra de ordem.

Quanto mais rápido aceitarmos, mais rápido integramos conteúdos sombrios que projetamos no mundo. E mais rápido esses conteúdos deixam de nos condicionar.

É importante a saúde física.

O exercício físico liberta do corpo uma série de emoções nele presas. E, por conseguinte, alivia-nos a cabeça, o que faz que durmamos melhor.

Há uma serie de vídeos no youtube com aulas de tudo e mais alguma coisa. É só escolher.

Uma caminhada ou uma corrida, ao ar livre e puro, também são válidas, se puder. Faça-o sozinho, por, no mínimo, meia hora.

Tudo o resto pode fazer em casa.

Além disso, algo tão simples como respirar profundamente, 10 vezes, de olhos fechados e sem distrações, reduz e muito a ansiedade e a tensão que acumulamos no corpo. Se meditar resulta para si, faça-o, pelo menos uma vez por dia.

A alimentação faz parte dessa saúde não só física, como também mental.

Consumir proteína em todas as refeições, sendo muito útil fazê-lo antes de qualquer outro alimento, reduz consideravelmente a vontade de comer doces.

Que usamos muitas vezes para combater a ansiedade.

Muitos alimentos que contém proteína engordam. Mas são alimentos saudáveis e que saciam verdadeiramente. Mais vale isso do que açúcar…

Mantenha-se hidratado e consuma vitamina C. Prefira-a em alimentos, em vez de suplementos.

Cozinhar tira-nos da cabeça.

E nada como um confinamento forçado e tempo a mais para voltarmos a fazê-lo. Gosto particularmente do site Glutenfree. Que também tem instagram e página de facebook.

A Sofia sabe do que fala. É muito séria e honesta. A comida é saudável, as receitas criativas e a postura dela inspira-me imenso.

Já não o fazia há muito tempo.

Redescobri esse prazer que é também verdadeiramente terapêutico.

Enquanto cozinho, ouço música, canto do alto dos meus pulmões e danço. O cheiro do forno dá uma sensação de conforto muito boa e faz da casa onde estamos confinados um espaço muito acolhedor. Cantar mantém os demónios longe e dançar alimenta o corpo e o espírito.

Se não pode pôr as mãos em ninguém, ponha as mãos na massa.

No entanto, tão importante quanto a saúde física é, agora mais do que nunca, a saúde mental.

Depois de vomitar todos os impropérios que me ocorreram, de dizer tudo o que tinha entalado, encontro-me em condições de fazer a minha parte.

Com sentido de responsabilidade, falando apenas e só do que sei, no sentido de contribuir para que nos sintamos melhor, mais capazes, mais equilibrados, no meio de tanto medo, tanta incerteza, tanto desespero, tanta frustração.

É o que me proponho fazer daqui em diante

Enquanto tiver algo para acrescentar. Ao mundo, à expansão da responsabilidade individual e da consciência coletiva.

Todos os dias úteis, um tema diferente.

Covid-19 – Introvertidos explicam

26/03/2020

Este é sem dúvida o momento dos introvertidos. Dos intuitivos, dos empáticos, dos sensíveis. É um momento excelente para estar vivo. Um paraíso de silêncio. Só é pena ser preciso morrer tanta gente.

E a liberdade individual ser cerceada de uma forma tão extrema.

Ninguém melhor do que nós está à vontade com as recomendações exigidas agora, numa tentativa de conter a pandemia que assola o mundo e que não poupa ninguém. Porque ao que chamam isolamento social é, para a grande maioria dos introvertidos, estilo de vida. 

Eu, em particular, vivi para isto a vida inteira.

Para ver os britânicos a fazer filas para entrar em livrarias, por causa da orientação governamental no sentido do isolamento social.

Também gosto do silêncio, odeio multidões, conversa de circunstância, excesso de ruído e de estímulo externos. E o único espaço exterior de que gosto é a natureza. De preferência, sem uma única pessoa à vista. A presença de pessoas deixa os introvertidos extenuados.

Arrasados, exaustos.

As recomendações fazem sentido, nós podemos ajudar a entendê-las. E temos algumas coisinhas para dizer sobre o assunto.

Quando saem para a rua, em dupla ou mais, para além de terem de falar uns com os outros, ocupam passeios e paredões inteiros, não permitindo aos restantes que respeitem a distância de segurança, sem os obrigar a ir para o meio da estrada.

De resto, se forem sozinhos, demoram-se menos tempo.

E voltam para casa mais rápido.

A não ser que sejam menores de 12 anos, ou incapacitados física ou mentalmente, não precisam de estar permanentemente acompanhados. Além disso, os vossos amigos e família estão à distância de uma ligação, uma mensagem de texto. Há uma série de coisas que podem fazer juntos. Sejam criativos. Ler Mais…

Covid-19 – Natureza

25/03/2020

A natureza, como o planeta, existe há milhões de anos.

Nunca precisou nem precisa que o Homem lhe diga o que fazer para se salvar e/ou equilibrar. Pois arranja sempre maneira de tratar do assunto. Eliminando tudo o que não faz falta ao seu equilíbrio. Incluindo o Homem. Mas as pessoas ainda acham que precisam de ajudar animais a beber água em bebedouros.

Sem qualquer noção do ridículo…

Desde que Itália parou, o mesmo já se tinha verificado com a China, as emissões de CO2 na atmosfera baixaram brutalmente.

O ambiente não precisa de ativistas de espécie alguma.

Muito menos de uma adolescente aos berros a culpar meio mundo pela sua existência. Adolescente essa que deveria estar na escola, a aprender. Para poder falar apenas e só sobre o que sabe, com base em conhecimento. Científico, real, factual. E não em todo o tipo de insanidade e neurose que lhe enfiaram na cabeça. Não apresentando soluções, apenas críticas.

E de uns pais responsáveis e conscientes.

Ademais, os avisos estavam à vista. No entanto, ninguém parou para pensar. Nem ninguém fez a sua parte, evitando deslocações de carro quando podem ser feitas a pé, por exemplo. Ninguém se preocupou em poupar recursos, optando pelo teletrabalho que, como se vê agora, não só é possível como desejável. Ou em perceber de uma vez que 90% das reuniões presenciais podem ser evitadas, bastando meia dúzia de mails para resolver a maioria dos assuntos.

Nenhuma empresa produtora de tecnologia parou dois segundos para pensar que não precisamos de modelos, atualizações, a cada minuto, tornando os aparelhos obsoletos ou a funcionar mal, para perpetuar um consumo insano de dispositivos que não acrescentam em nada aos antigos. Sequer fazem falta. Apenas alimentam um sistema que cria falsas necessidades às pessoas, provocando um consumo desenfreado de objetos inúteis e quantidades industriais de lixo eletrónico. Ler Mais…

Covid-19 – Cristiano Ronaldo

24/03/2020

Da próxima vez que uma autoridade de Bruxelas ou da ciência vier pedir a cura a Cristiano Ronaldo por ser jogador de futebol e ganhar, e bem, milhões, bata na boca antes de falar. Ele, como toda a gente, faz o que sabe e pode, com o que tem.

O que Cristiano Ronaldo tem, em doses industriais, é dinheiro e humanismo.

E acaba de os usar, financiando uma ala de um hospital do Porto para tratamento Covid-19. Com todo o equipamento necessário. E, se preciso for, pagará a recursos humanos para ajudar no combate à doença.

Responsabilidade individual e consciência coletiva é isto

O jornal Público prefere usar o titulo: Cristiano Ronaldo terá uma ala hospitalar com o seu nome.

Quando o que ele fez foi FINANCIAR uma ala hospitalar inteira com tudo o que é preciso para ajudar pacientes e pessoal hospitalar. E, como forma de agradecimento, o hospital vai dar o nome dele a essa ala. Jornalismo de merda é isto.

Cristiano Ronaldo segue sendo o maior.

Dentro e fora de campo. É o rei disto tudo. Um EXEMPLO e um orgulho nacionais.

Covid-19 – Consciência coletiva

24/03/2020
Vamos à responsabilidade e consciência coletiva.

Jornalistas que agora dizem que andam a falar nisto há que tempos e ninguém ligou nenhuma. Tivessem feito, nos últimos anos, jornalismo responsável, em vez de sensacionalismo. Em troca de cliques e likes. Pode ser que confiássemos e acreditássemos mais em vocês.

A crise da imprensa não é culpa da internet. É culpa da vossa preguiça. 

Jornalistas de canais de TV privados, convencidos de que são o Messias, sem consciência nenhuma, tem aproveitado para propagandear agenda de esquerda sem o mínimo de responsabilidade, a mínima noção do impacto na consciência coletiva. Tudo vale pelas audiências. Até a partilha de vídeos descobertos na Internet, com 9 anos, transmitidos como se fossem atuais.

A mesma empresa que tem uma coisa chamada fact check, sabe deus com que critério, não faz fact check.

Quanto ao outro tipo de jornalismo, ninguém mais sai das redações para investigar merda nenhuma, o “jornalismo” é feito de traduções de notícias veiculadas por outros países e órgãos de comunicação social. Sem qualquer referência à fonte. Numa preguiça e falta de ética revoltantes.

Artigos pagos por marcas são chamados jornalismo.

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Covid-19 – Consciência Individual

23/03/2020

Este é também o momento de consciência individual. E de auto-responsabilização.

Há uma série de valores e instituições que não são negócio, não dependem do mercado. Nenhuma deles é propriedade da esquerda. Que, aliás, e com uma desonestidade intelectual deplorável, tem sido especialista em se apropriar de tudo o que é valor humano e chamá-lo seu. Há anos e anos.

Parem de instrumentalizar e politizar valores que são de todos.

Educação, segurança, saúde e justiça são valores e conceitos de gente e país civilizado. Não dependem de ideologia. Muito menos são sua propriedade. São os únicos que precisam de ser garantidos pelo Estado. SEM ideologia. Quanto a tudo o resto, o Estado só precisa de regular.

E olhem para vocês e as vossas atitudes, antes de politizar tudo numa tentativa ridícula de serem superiores, melhores do que os outros.

Quantos de vocês, que batem no peito a dizer que são de esquerda, acumularam papel higiénico, enlatados, álcool em gel? Comprimidos para reforçar o sistema imunitário, benurons, sabe Deus o que mais. Sem sequer pensarem que nem toda a gente tem orçamento para abastecer 10 carros de supermercado de coisas de que não precisa?

Em Portugal, a população ativa é de 5 milhões (dados 2019). Um milhão deles têm trabalho precário.

Pensaram neles quando esgotaram tudo quanto há nos supermercados? Pensaram que existe gente diferente de vocês quando açambarcaram tudo quanto é dose individual e deixaram tudo quanto é dose familiar nas prateleiras?

Eu, que moro sozinha – e somos muitos, muitos a morar sozinhos, novos e velhos, que não têm força para carregar sacos pesados… – tive de trazer 10 bifes de frango e um saco de batatas que dá para alimentar uma família, porque as doses individuais e os sacos mais pequenos tinham desaparecido.

É um desperdício de recursos.

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Covid-19 – O mundo ao contrário

22/03/2020

E de repente, perante uma pandemia que não poupa ninguém, ricos ou pobres, ocidente ou oriente, norte ou sul, desta vez, ninguém fica a rir-se, ninguém se sente superior a ninguém, o mundo virou-se de cabeça para baixo. Em 195 países, 188 já reportaram casos de covid-19. Não nos iludamos. Não quer dizer que nos restantes não existam. Apenas não são conhecidos ou reportados. Ninguém está a salvo. Ninguém está protegido.

Fazendo que os tempos obriguem a que sejamos Self, e não ego…

Que o eixo se inverta de uma vez e que o ego trabalhe ao serviço do Self e não o contrário. Que trabalhe na direção do bem comum e da totalidade, em vez de ficar ao serviço da megalomania, da prepotência, do desejo de poder e controlo, do narcisismo puro e duro.

Tempos esses de proteção e preservação da vida, individual e coletiva, não de destruição da mesma.

Ainda há um mês toda a gente queria garantir que morria. Hoje, toda a gente fica muito chocada com o facto de os médicos terem de decidir quem vive e quem morre por falta de meios. E agora vão ter de me ouvir: todos vocês que andaram aí a gritar pela eutanásia, bem como os deputados que a aprovaram, são responsáveis por dar ao Estado o poder de decidir quem vive e quem morre.

Enquanto o vírus corona se espalhava pelo mundo, o Parlamento corria para aprovar a lei. Que poderia perfeitamente ter esperado. E agora corre atrás do prejuízo, em vez de ter apostado na prevenção.

É o tempo de nos voltarmos para o que temos vindo a desprezar e a desconsiderar.

Sem qualquer consciência, individual ou coletiva.

A ciência, que tem sido desprezada como nunca, em prol de ideologias de extrema esquerda que em NADA contribuem para ajudar as pessoas a lidar com os seus problemas. Muito menos a resolvê-los. Ou, no limite, a aceitá-los. Ler Mais…

Corona

21/03/2020

Desde que o Corona vírus chegou a Itália, e que todos percebemos que a ameaça era real e global, já tive todo o tipo de reação.

Brinquei, mas não gozei, nem desdenhei, gritei, disse todos os palavrões que uso normalmente, várias vezes, irritei-me muito, e ainda me irrito, quanto maior presença nas redes sociais, mais me irrito. Procurei culpados, exigi responsabilidades, cobrei-as, assustei-me verdadeiramente, tive muita raiva e chorei. Várias vezes. Demorei ainda mais para adormecer do que é costume.

Assumi todas essas emoções

Vivi-as, e continuo a vivê-las, todas. Apropriei-me de todas elas. São todas minhas. E todas naturais.

Estas e outras não passam de tentativas de controlar o incontrolável.

E nós só conseguimos responder com o que conhecemos. Matemáticos, por exemplo, tentam prever a curva e o número de mortos e infetados, porque é o que lhes dá segurança, sensação de controlo, desconhecendo e desconsiderando todas as variáveis. Sem cuidado algum quanto ao impacto que isso poderá ter na cabeça das pessoas.

E de lidar com a impotência perante um inimigo invisível.

Faz parte do meu processo de aceitação. Processo esse que é progressivo.

Não partilho informação que não posso confirmar como verdadeira, em lado nenhum. E que só serve para espalhar o medo e a paranóia. Não entrei em paranóia. Mas procurei sintomas que nem uma desesperada. Muito menos dei ordens a alguém. Não policiei a vida de ninguém. Sequer me atrevo a reclamar dos velhinhos que moram sozinhos e que saem para encontrar os amigos, porque sei muito bem que temos de fazer o que nos faz sentir seguros. E os velhinhos sabem disso melhor do que ninguém. Viveram muito mais do que nós, viram muito mais do que nós, sabem o que é melhor para a vida deles do que nós. Obrigar velhinhos que moram sozinhos a ficar isolados em casa é matá-los. Porque é muito fácil dar-lhes ordens, fazer-lhes companhia já são outros 500.

Não acumulei, a única coisa que acumulo e acumulei a vida toda foram livros, tudo o resto compro à medida das minhas necessidades, não tenho um único frasco de álcool em casa, nem de gel desinfetante. Não corri para os supermercados. Nem para farmácias, esgotando tudo quanto é caixa de benuron. Ler Mais…

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