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Livre

O medo do feminino*

06/05/2019

No outro dia, amigo chocado dizia que uma mulher na Índia havia sido queimada com ácido por algo tão prosaico como, sei lá, querer conduzir, ter um amante, não sei bem. Disse-lhe que na Índia é o prato do dia. Ouvi o mesmo método ser usado no Brasil, o país onde o sexo é tudo menos tabu. E sempre que uma mulher se atreve a ser autónoma.

Congratulámo-nos todos muito por, aqui no Ocidente, sermos civilizados.

Foi nos Anos 60, ontem, que as mulheres eram tratadas com paternalismo e enviadas para a cozinha, para cuidar das crianças. Ou apareciam em público apenas para que ornassem bem com os maridos. Não lhes era permitido emitir qualquer tipo de opinião, sequer frequentar universidades de medicina ou Direito.

É preciso ser mulher e carregar em todas as células a violência, o abuso, a prepotência do masculino para saber que só à superfície as coisas mudaram.

Basta olhar para as relações pessoais…

Quantos homens são capazes de parar quando a mulher lhes diz que não? Quantas mulheres cedem, mesmo não querendo, quando têm o seu homem em cima delas? Quantos homens invadem o corpo de uma mulher que não conhecem na rua, com olhares e bocas? Hoje, em Portugal? Quantas mulheres não têm medo de andar na rua sozinhas, de noite ou de dia? Quantas mulheres apenas se sentem valorizadas com um homem ao lado? Quantas mulheres são olhadas de esguelha por não terem um parceiro? Não precisarem de um homem para se sentirem realizadas? Ler Mais…

Torpor

15/04/2019

A verdade, Dr. Jung, é que é difícil aguentar viver sem o torpor. O torpor que nos aplaca a existência e o facto de sermos banais, iguais a toda a gente, nem piores nem melhores, distinguindo-nos uns dos outros pelas escolhas individuais, conduzidas com mais ou menos consciência. E apenas nos destacamos por nos dedicarmos mais ao que nos propusemos vir fazer a este mundo.

Enquanto que na Europa os ladrões esperam que as pessoas saiam de casa para lhes assaltar o domicílio, ou fazem roubos por esticão, no Brasil, os bandidos fazem questão de nos obrigar a olhar para eles, para isso apontando-nos uma arma à cara, tal é a sua necessidade de reconhecimento. E o poder que adquirem forçando alguém a reconhecê-los.

A teoria não é minha, mas encaixa bem e faz sentido.

Não quero chegar a velha, espero não passar dos 70 ainda assim, a correr o risco de tossir um pulmão, andar com uma bomba de oxigénio agarrada ao nariz, perder resistência física além da inevitável. Por isso, deixei de fumar. Também me irrita a dependência que se perpetua num ato tão estúpido como o de fumar um cigarro. Isso do prazer é para os fortes. O comum mortal como eu é viciado em nicotina. Mas eu não quero o cheiro, os cinzeiros cheios, nada que tenha a ver com o ato exceto a sensação de acalmia que me dá quando acendo um cigarro e inalo o fumo. Ler Mais…

What if

12/04/2019

But what if I should discover that the least among them all, the poorest of all the beggars, the most impudent of all the offenders, the very enemy himself — that these are within me, and that I myself stand in need of the alms of my own kindness — that I myself am the enemy who must be loved, what then?

“Modern man in search of a soul” C.G. Jung p. 241

Projeto Olympus – A Génese –

18-19 de Maio – Inscrições obrigatórias: biodanzanunopinto@gmail.com

Projeto Olympus – Arquétipos

10/04/2019
Os arquétipos são padrões inerentes; predisposições na psique humana.

Há diferença entre padrões arquetípicos e arquétipos ativados: um arquétipo é como um padrão invisível, que determina qual a forma e estrutura que um cristal irá adotar quando se formar, algo que só acontece se existirem as condições certas, no momento certo. Quando o cristal se forma, é reconhecível.

Tal como o crescimento de uma semente depende das condições do solo e do clima, a presença ou ausência de alguns nutrientes, o amor e carinho, ou o descaso, por parte do jardineiro, etc. 

Em condições ótimas, o potencial total da semente é realizado.

Na psique é um pouco mais complexo, pois há mais variáveis a considerar…

Quando um arquétipo ativo em vez de uma expectativa externa é a base do papel que desempenhamos, há profundidade nessa escolha. Quando também encontramos significado, o arquétipo ao qual Jung deu o nome de Self também está no processo.

Jean Shinoda Bolen, tradução e edição minhas

Projeto Olympus – A Génese 18-19 de Maio Inscrições obrigatórias biodanzanunopinto@gmail.com

Masterpiece

08/04/2019

Jung disse, e cito de cor, pode ser que me falhe uma palavra ou outra, mais ou menos isto: se o Processo de Individuação é a grande conquista da identidade, a integração do Animus e da Anima é a

Masterpiece

Animus é o arquétipo masculino na psique feminina e Anima é o arquétipo feminino na psique masculina.

Projeto Olympus – A Génese –
18 e 19 de Maio

fala disto e muito mais. Vinde.

X coisas que reorganizei com Ricky Gervais

30/03/2019
O tema e o sujeito

A piada é sobre o tema, nunca sobre as pessoas que sofrem de, são, implantaram ou tiraram. O sujeito nunca é o alvo da piada.

É sobre sentimento

Os sentimentos são pessoais, lide com as suas próprias emoções em vez de se ofender, de policiar o discurso, de controlar tudo e todos por ser incapaz de lidar consigo mesmo.

Mais importante ser popular do que estar certo

Deixou de haver factos para apenas passar a haver opinião. A minha opinião é mais importante do que o teu facto. Poucas ou nenhumas reportagens, artigos/crónica com base em alguma coisa concreta, estudada, factual, às vezes, com uma vida dedicada ao estudo de algum fenómeno. Demasiadas opiniões e respetivos artigos.

Não estou a dar-te uma escolha

Nós podemos preocupar-nos com as criancinhas na Síria, os animais mal-tratados, o ambiente, a pobreza em África, tudo ao mesmo tempo, sem que uma causa exclua a outra. São apenas prioridades e interesses pessoais que definem a escolha das causas. Que são, precisamente, pessoais. De resto, nenhuma causa é superior a outra só porque é nossa.

Rir, rir, rir…

Nós podemos rir de uma coisa sem que isso nos qualifique como más pessoas. É a coisa, não o sujeito. E o sujeito pode rir das coisas mais inomináveis, sem necessariamente se rever nelas. Muito menos se identificar.

After Life

É ver. Só o último episódio é que não tem jeito nenhum, meio metido a martelo, zero a ver com Gervais. Tudo o que alguém enlutado queria dizer e não pode.

Projeto Olympus – Do Arquétipo ao Complexo*

18/03/2019
Os arquétipos são inatos, universais e hereditários.

Contêm experiências partilhadas e o conhecimento da nossa espécie. São reconhecíveis em imagens, ideias, padrões, formas ou estrutura. Estas formas ou estruturas arquetípicas têm um efeito profundo em nós, na nossa psicologia, na forma como o nosso processo cognitivo funciona. São apenas conhecíveis indiretamente, pelas manifestações arquetípicas. Expressam tendências não aprendidas, comandam as nossas experiências e são inconscientes.

Estes arquétipos constelam na nossa psique de uma forma única e pessoal.

Os arquétipos são incrivelmente estáveis, daí a persistência de padrões de comportamento em nós e no mundo.

Cada complexo é a expressão pessoal de uma forma universal. E tem no seu núcleo um ou mais arquétipos à volta dos quais se constitui.

Podemos então dizer que um complexo é a manifestação do arquétipo no inconsciente pessoal.

Como personalidade autónoma

A integração da imagem arquetípica pelo ego leva à sua humanização, torna o ser na sua condição mais humana, uma mistura de amores e ódios, em vez de um só monstro que precisa de ser repelido e reprimido.

No entanto, e no caso das projeções que fazemos do nosso feminino (homens) e do nosso masculino (mulheres), se os aspetos pessoais e coletivos se encontram divididos, o aspeto coletivo por si só não se consegue integrar e permanece uma ameaça a todos os relacionamentos.

Ao reconhecer a presença do arquétipo no nosso mundo interno, na nossa imaginação e na projeção no feminino (no caso dos homens), podemos formar uma imagem mais humana da nossa mãe, da nossa mulher, desenvolvendo uma relação mais equilibrada e afetuosa com elas.

*Stephen Anthony Farah (Tradução e edição minhas)
Um mito, uma danza: Projeto Olympus, sessão de apresentação 22 de Março.
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