Browsing Category

Livros

O meu olhar para a literatura mudou e a culpa é do Joel

31/07/2017

Nos livros como na vida, depois de Clarice, apetecia-me continuidade. Literatura da boa numa história. Estive com O Casamento, Nelson Rodrigues, na mão e optei pelo Manual das mulheres de limpeza. Pela história pessoal da autora, podia ser que me inspirasse e me desse esperança. Literatura

Tempo perdido e dinheiro mal gasto

A vantagem dos 40 é não mais ficarmos onde não vamos para lado algum. Não tenho vida que chegue para perder tempo com livros mal escritos. Agridem-me como punhaladas.

Li 110 páginas numa hora, isto só pode ser um péssimo sinal, e desisti. É um livro que não vai para lado nenhum, atabalhoado, escrita sofrível, ruidoso. E arrependi-me amargamente por ir na conversa do comum mortal, do sucesso. A resenha do New York Times induziu-me em erro, achei que ainda nele se podia acreditar. Pelos vistos não.

Depois d’A Vida no Campo apercebo-me consciente e finalmente do que faz de um livro um bom exemplar dessa nobre arte que é a literatura.

É o lugar a partir de onde se escreve e o tempo que se leva a fazê-lo. É a capacidade de maravilhamento que nos gera. O deixar-nos de boca aberta e respiração sustida pela magnitude da prosa. A beleza poética do que é dito, do que toca sem chocar, de um jeito orgânico, que é a única forma de nos chegar.

A brutalidade gera rejeição e resistência

Clarice é crua e ainda assim sublime. Porque escreve de um lugar sofrido mas rendido. É a rendição, sem submissão, que a torna magnífica. É decididamente onde quero chegar.

Nesse lugar o tempo é outro

Não há pressa, atropelos, manobras de diversão, acima de tudo ruído. Há Kairos, o estritamente necessário e todo o tempo do mundo para se chegar a algum lado, como se impõe com o que psiquicamente nos desafia. Há ritmo sem que se lhe sinta a velocidade, solavancos ou paragens abruptas.

De nada adianta o ter de ser, a brutalidade, o forçar. Nada gera.  A literatura, como tudo o resto, tem de ser orgânica, fluir, como se diz na modernidade.

E o que faz de alguém escritor e dos bons há de ser o olhar que tem sobre a vida e a forma como escreve sobre a mesma. Que tem muito de paixão pelo ofício. E algum fascínio pela própria vida e seus mistérios.

 

Me and Mr Freud

22/05/2017

E, à semelhança do que aconteceu com o meu primeiro livro, e do que aconteceu em francês e espanhol, também o segundo, Eu e o Sr. Freud, foi traduzido para inglês. E está disponível nas plataformas digitais do costume. Tradução da Teresa De Gruyter, numa colaboração de que me orgulho muito e a quem estou infinitamente grata*. Freud

A primeira livraria a chegar-se à frente é sempre, sempre, a Barnes & Noble. O que me deixa particularmente feliz. Depois a Apple, a Kobo e por aí vai.

Foi um prazer trabalhar no seu livro e agora aguardo com antecipação a publicação. Espero que o meu trabalho tenha correspondido às suas expectativas. Pelo meu lado posso dizer que gostei muito do desenvolvimento do tema – interessante, cativante, por vezes hilariante, introspetivo, reflexivo e até motivacional – identifiquei-me frequentemente com as personalidades e com a maneira como vivo (ou tento viver) a minha vida. Gostei particularmente da comunicação aberta entre nós. Ajudou muito! Obrigada. Desejo muito sucesso e, já sabe, sempre que precisar, disponha. Teresa de Gruyter.

Colaborar não é impor

*Aliás, neste processo de rever as minhas palavras noutras línguas das coisas que mais me dá prazer é constatar o compromisso com o texto por parte das tradutoras, dando-lhe primazia. E esse é o único tipo de colaboração em que acredito, o que privilegia o resultado, a criação, e não o que dá prioridade à vontade, ao ego, à teimosia, ao orgulho. O que dá espaço à expressão e não o que quer vingar pela imposição.

Grata a vós, Maria Carda (Message in a Bottle e Eu e o Sr. Freud Espanhol); Christa Parish (Message in a Bottle Inglês); Isa Magalhães (Message in a Bottle Francês); Alexandra Lúcio (Eu e o Sr. Freud Francês) Teresa de Gruyter (Eu e o Sr. Freud inglês).

Mr. Freud and I II

05/04/2017

Proud and Moved:

The reconstruction works are already underway, the scene is gradually changing, the buildings, which I imagine colourful, begin to take shape, the building contractors are following my plans to the letter, the spaces for the windows are already defined, they will be huge, so that I can look out on to the parks and gardens that will one day bloom. The grass begins to grow, slowly, its green almost dazzling me, and the flowers wait for spring to show its smiley face. The trees remain intact, their secular trunks have not been shaken by the actions of Man, its roots are strong and are firmly suck in the ground, more fertile than ever. Its lush and huge canopies being the only sign of life left from the original scene, and are eager for nature to fulfil its role and return to its natural habitat, the park, which soon will blossom, in time, without hurrying, respecting the cycle and the natural order of things.

The mornings already toast me with the first early rays of sun; soon everything will be flowery, full of colour, movement, life.

In: Mr. Freud and I, a book originally written in Portuguese.

Mr. Freud and I

04/04/2017

Quando te comoves com as tuas próprias palavras escritas noutra língua:

“I’ve found myself a renegade ever since my younger brother took onto himself everything that was considered valid in the Western civilization, Dr Freud. Voted to darkness, me and my other brother, the most emotional one of us, and that’s where I live. I’m part of the inner world and I’m not very good at relating to the external one. Nevertheless, I need to take charge of the helm whenever I find myself threatened, in other words, every time I’m not recognised as a part of a whole.

I want nothing more than a little attention, the consideration that I’m owed, the respect that I deserve. I keep many secrets that need to be unveiled. I also want the light, even though I cannot stand it for too long.” Mr. Freud and I, o meu segundo livro, em breve, também em inglês.

I’m lovin’ it

A psicologia [analítica] e eu

20/03/2017

Cá vamos nós outra vez… Depois do Filipe Nunes Vicente, e de amiga psicóloga que, depois de ler o Eu e o S. Freud, me disse que sonhava com pacientes assim, foi o meu mestre de dança: tu que és psicóloga… Neguei prontamente. Explicando que não estava para ser acusada de me afirmar como algo que não sou. Tão simplesmente porque não sou licenciada em psicologia.

No dia em que fez um ano que o meu pai se foi embora para sempre, havia sido a mulher de um colega dele, psicóloga, a chamar-me: cara colega. Sabendo, ao contrário do meu querido mestre de dança, que eu não era licenciada na área.

psicologia

Na semana passada, um amigo do meu pai estava impressionadíssimo como eu tinha acertado o motivo pelo qual uma conhecida dele que morava em Londres não mais se imaginava a morar aqui. Conhecida essa que, provavelmente, apenas intui, não tem disso consciência. Acontece-me com frequência, desde sempre.

Sou boa nisso, sempre fui. Até mesmo antes de sequer saber da existência de Jung. Com a Psicologia, só aprimorei o que já era meu. Uma intuição fortíssima que se direciona para esta área. Talvez por ser das coisas que mais me fascina e desperta a curiosidade nesta vida: a cabeça das pessoas, como funciona, o porquê deste comportamento, daquela escolha, daquela vida.

Achava que era por causa da minha conversa, por explicar muita coisa com a psicologia. É mais forte do que eu, quando dou por mim, já foi. Quero fazê-lo o mínimo possível, pelo menos em conversas informais, embora me procurem muitas vezes para isso. Prefiro guardar esse tipo de abordagem para o atendimento, o aconselhamento, com hora e dia marcados. Mas estou cada vez mais convencida de que é natural em mim, faz mesmo parte da minha identidade, é verdadeiramente meu…

E preciso de o assumir com toda a propriedade e honra que tal nobre ciência me merece.

Ler Mais…

error: Content is protected !!