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Livros

Livros – Royalties

19/11/2019

Recebi os meus primeiros royalties internacionais. Correspondentes a dois livros traduzidos em inglês, francês, espanhol e o primeiro também em italiano.

Lamentavelmente, o governo americano ficou-me com três dólares e uns trocos. De US$10… 30%.

Já em Portugal são 16%…

É mesmo só pelo amor à nobre arte da Literatura…

No calor da emoção dos 7 dólares na minha conta, quase me esqueci de agradecer às tradutoras de ambos os livros, em 4 línguas. Sem as quais nem 7 dólares seriam possíveis.

Muito menos o incrível que soam as minhas palavras noutras línguas…

Gratidão* é pouco. E voltar a apaixonar-me pelos meus livros é o melhor de tudo.

(*Aqui, curiosa e raramente, o uso da palavra gratidão está correto…)

Parques

14/11/2019

Uma das poucas vantagens dos países em que chove dez meses por ano, como é o caso da Escócia, tive uma sorte que nem acredito, é serem muito verdes. As cidades são parques imensos.

Tudo é verde. Em todo o lado. E, em todas as planícies verdes, há ovelhas a pastar. Três para cada escocês, dizem.

Em Eddie há os Queen Gardens, enormes.

Queen Gardens, Edimburgo, Escócia 2019.

Em Glasgow há o Kelvingrove Park, junto à universidade. Passeei lá horas. No outono, particularmente bonito.

Temo que, afinal, quem tem os outonos mais bonitos é a Escócia, e não os EUA…

E este parque é um pequeno paraíso na cidade… Enorme…

Ao lado da universidade de Glasgow, também ele uma Outlander location. Que descobri por mero acaso. E me hipnotizou o suficiente para entrar e por lá deambular um bom bocado, encantada com as cores do outono e a poesia de uma ou outra folha a cair, quase a pairar, na verdade. Nada preocupada em me perder…

Glasgow também tem água. E muita. Adoro cidades com água…

Kelvingrove Park, Glasgow, Escócia 2019.

A natureza em geral, as árvore em particular, são civilizadas.

Tudo arranjadinho, por tamanhos, cores e tipos.

Mesmo nas bermas das auto-estradas. Parece paisagem de embalagem de chocolate. Lindo de mais.

Viajar pela Escócia, de combóio, autocarro ou carro, é um deleite para os olhos e um banho de poesia. Só natureza, o tempo todo. Qualquer viagem que se faça, estrada ou caminhos de ferro, é isto.

E é tão bonito…

Em toda a Escócia, onde pode haver um bocado verde, há uma árvore, ou só relva, plantada.

Toda a vista do castelo que fez as vezes de Wentworth Prison em Outlander dava um texto só…

Até onde a vista alcança e é incansável…

Jardins da “Wentworth Prison”, Escócia 2019

Kelvingrove Park é onde Claire empurra Bree no carrinho, atravessando uma ponte e passando por um escocês que toca gaita de foles.

Sexta transplanetária

29/07/2019

Na sexta-feira passada ocorreu a festa transplanetária organizada pela minha amiga e guru de MBTI Mariana Portela. Que, com a generosidade que lhe é natural, convidou-me para ler no seu sarau. Aqui fica o que eu disse:

Obrigada à  Mariana, pelo convite e a honra; obrigada ao espaço, todo o mundo, e à mídia ninja, pela acolhida e a divulgação.

Hoje faria aniversário Carl Jung, que me salvou várias vezes, também ele um ET. Celebremo-lo pois então. Só vim aqui por isso.

Outra coisa que  também nos salva várias vezes, talvez todos os dias e nem nos damos conta, é o Amor, a mais sublime forma de redenção.

E de transcendência.

E Foi nesse estado de graça, do amor e da paixão, que escrevi o texto que se segue, cujo título roubei descaradamente aos Legião Urbana, e que se chama Eduardo e Mônica. Aqui vai, dedicado a todas as pessoas de coração grande.

Eduardo e Mônica*

De que nos serve o intelecto, mi amor, se não temos o carinho dos gestos? De que nos serve sermos éticos, exemplares, corretos, se nos falta a compaixão, a identificação com o outro, o humanismo, a capacidade de largar tudo e ir a correr cuidar dele? De que nos serve o sentido do dever, meu querido, sem a generosidade incondicional dos afetos, sem liberdade emocional? De que nos serve o que fazemos pelo outro, my love, se apenas o fazemos pelo nosso ego e não, nem que seja um bocadinho, para ver o outro feliz? Só para ver o outro feliz. De que nos serve a dedicação ao outro, se não conhecermos os nossos próprios limites? De que nos serve estarmos cheios de razão e nos faltar o coração? De que nos servem as ideias, a prossecução dos mesmos fins, se corremos em direções opostas? De que nos servimos, se não nos damos? De que nos servem as palavras, se nos faltam as ações? De que nos serve fazermos sentido, my darling, se nos falta tudo o resto? De que nos serve o desejo, se nos falta o sentimento? O prazer, se nos falta o envolvimento? De que nos serve a paixão, sem mais nada? De que nos serve amarmos o outro, se não for apenas pelo facto de existir?

O segundo, é um texto do meu segundo livro, um conjunto de cartas para Dr. Freud. Não sei se o Tom Sawyer era famoso no Brasil. Mas é uma referência da minha infância e até adolescência, [porque tinha irmãos mais novos que também viam]. Esta carta foi escrita pelo amigo do Tom, Huck, Huckleberry Finn.

Barco a remos

Um relacionamento, qualquer que seja, é como um barco a remos encostado à margem de um rio, preso com uma corrente e um cadeado ao corrimão de ferro da escada de pedra. Enquanto um segura no barco e no corrimão, o outro, também agarrado ao corrimão para não se desequilibrar, põe primeiro um pé, depois o outro. O que segurou o barco faz o mesmo, primeiro um pé, depois o outro. Já lá dentro, depois de soltar a corrente, um pega no remo e encosta-o à escada de pedra, fazendo força, para afastar o barco da margem, para que possam ambos levá-lo a bom porto. O barco é pesado, os dois precisam de remar até meio do rio, para poderem pôr o barco na direção certa e ir em frente. Se só um rema, o barco anda em círculos. Se ambos remam com a mesma força, vai direitinho. Se enfiam o remo mais fundo, o barco anda mais devagar, é preciso fazer mais força, se os remos ficam mais à superfície, a travessia é mais leve e o barco vai mais rápido. A força que ambos fazem tem de ser equilibrada, de contrário, o barco navega na direção das margens, onde há sempre pedras escondidas pelas águas verdes e nem sempre tão transparentes do rio, e onde o barco vai certamente encalhar. Pode ser que não seja preciso mergulhar no rio para o tirar de lá, pode ser que um dos ocupantes tenha de entrar dentro de água para descobrir que pedra está a encalhar o barco. As margens do rio também têm plantas, normalmente frondosas, compridas e emaranhadas, onde o barco poderá ficar preso e só com algum esforço, de ambos, poderá desprender-se e voltar ao meio do rio. Se só um rema, enquanto o outro descansa, para além de andar em círculos, vai cansar-se e desistir. Se ambos param de remar, o barco vai à deriva, e quem decide o seu rumo é a força da água e das correntes, sozinha, o que, já sabemos, não vai dar bom resultado, o barco vai acabar por encalhar, embicar numa margem, sem conseguir sair de lá sozinho. Se, a meio da travessia, um resolve saltar, dar um mergulho, o outro fica sozinho no barco, tentando segurá-lo. O que saltou está mais livre, nada um pouco até onde há pé, mas certamente vai acabar com os pés no lodo, enterrado até aos joelhos, de onde é difícil sair, para ambos os lados, barco ou margem. Ambos precisam decidir levar o barco até à praia fluvial, pará-lo e puxá-lo, para que não seja arrastado pela água para o meio do rio, sozinho, à deriva. Ambos precisam de sair, apanhar sol, nadar, se tiverem vontade. Um de cada vez ou os dois ao mesmo tempo. Ambos precisam voltar ao barco e fazer um esforço para o tirar da margem, o orientar no sentido certo e o fazer seguir em frente, para que possam chegar a bom porto, um que agrade a ambos. De contrário, pode ser que um nunca compareça na hora da partida.

Seu,

Huck

Que se lixe a moléstia

06/04/2019

A fazer um curso de applied studies em Jung e, no módulo sobre projeção, o gajo diz exatamente o que digo sobre a realidade em: “A verdade é que não há vida sem magia”, Eu e o Sr. Freud.

“Essa história de realidade é bem subjetiva, Dr. Freud.

A realidade é o que vemos, como vemos, como queremos vê-la. A verdade, Dr. Freud, é que a realidade, quem a faz somos nós.

A minha realidade, apesar de já ter conhecido um pouco de mundo, é diferente da sua, da do porteiro da padaria e da do milionário da Óscar Freire. A minha realidade é diferente da de um político, da de um delegado do Ministério Público e da de um médico. Somos todos adultos, nenhum de nós vive num mundo paralelo.

Nem nos foi diagnosticada qualquer psicose.

Nós vemos a realidade como melhor nos convém, o que cabe nas nossas convicções, aquilo em que precisamos de acreditar para nos movermos, nos definirmos, vivermos. A realidade pode até ser “a verdade dos factos”, Dr. Freud, no entanto, pergunte a um político o que é a realidade. Ele vai mostrá-la com factos diferentes dos seus, ainda assim, factos. E aí, em que é que ficamos?”

Projeto Olympus – A génese – 18-19 de Maio.

Inscrições obrigatórias por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

Eduardo e Mônica*

07/08/2018

De que nos serve o intelecto, mi amor, se não temos o carinho dos gestos? De que nos serve sermos éticos, exemplares, corretos, se nos falta a compaixão, a identificação com o outro, o humanismo, a capacidade de largar tudo e ir a correr cuidar dele? De que nos serve o sentido do dever, meu querido, sem a generosidade incondicional dos afetos, sem liberdade emocional? De que nos serve o que fazemos pelo outro, my love, se apenas o fazemos pelo nosso ego e não, nem que seja um bocadinho, para ver o outro feliz? Só para ver o outro feliz. De que nos serve a dedicação ao outro, se não conhecermos os nossos próprios limites? De que nos serve estarmos cheios de razão e nos faltar o coração? De que nos servem as ideias, a prossecução dos mesmos fins, se corremos em direções opostas? De que nos servimos, se não nos damos? De que nos servem as palavras, se nos faltam as ações? De que nos serve fazermos sentido, my darling, se nos falta tudo o resto? De que nos serve o desejo, se nos falta o sentimento? O prazer, se nos falta o envolvimento? De que nos serve a paixão, sem mais nada? De que nos serve amarmos o outro, se não for apenas pelo facto de existir?

*Legião Urbana

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A Little Prayer

29/07/2018

O bom dos 40 é que a gente perde a vergonha. É o primeiro grande contacto que temos com a realidade: já não tens a vida toda pela frente. E tens pouco tempo a perder.

Ontem, fiz a coisa mais difícil da minha vida. Li alto, para um bando de desconhecidos e alguns conhecidos, o texto mais íntimo que alguma vez escrevi.

Será o último capítulo de um livro.

Vazio

20/07/2018

Tenho ideia de nunca ter chegado a uma conclusão em relação a qual o melhor vazio: se ficar, se partir. Quando temos ou somos visita na casa de alguém e somo-lo por prazer, por gozo, por afeto genuíno. Quando ninguém se impede de fazer o que lhe apetece. E não chegamos a ser um peso na vida do outro, a que a cerimónia quase obriga. vazio

Talvez pudéssemos começar por aí.

Já que o peso só existe se não somos genuínos. Se deixamos de fazer uma coisa que é da nossa vontade, por estarmos em casa de alguém e de certa forma nos sentirmos moralmente coagidos a fazer o que o outro planeou. Ou a estar permanentemente com ele, já que nos acolheu na sua casa.

Já fui muito mais visita do que recebi visitas.

E achava sempre que partir era melhor do que ficar. Por causa das ausências de objetos que deixamos de ver entre os nossos. Dos lugares que visitámos juntos e que agora, sozinhos, nos parecem vazios, sem a mesma graça, monótonos, sem o diferente que acrescenta. Ler Mais…

A psicologia [analítica] e eu*

20/03/2018

Cá vamos nós outra vez… Depois do Filipe Nunes Vicente, e de amiga psicóloga que, depois de ler o Eu e o Sr. Freud, me disse que sonhava com pacientes assim, foi o meu mestre de dança: tu que és psicóloga… Neguei prontamente. Explicando que não estava para ser acusada de me afirmar como algo que não sou. Tão simplesmente porque não sou licenciada em psicologia.

No dia em que fez um ano que o meu pai se foi embora para sempre, havia sido a mulher de um colega dele, psicóloga, a chamar-me: cara colega. Sabendo, ao contrário do meu querido mestre de dança, que eu não era licenciada na área.

psicologia

Na semana passada, um amigo do meu pai estava impressionadíssimo como eu tinha acertado o motivo pelo qual uma conhecida dele que morava em Londres não mais se imaginava a morar aqui. Conhecida essa que, provavelmente, apenas intui, não tem disso consciência. Acontece-me com frequência, desde sempre.

Sou boa nisso, sempre fui. Até mesmo antes de sequer saber da existência de Jung. Com a Psicologia, só aprimorei o que já era meu. Uma intuição fortíssima que se direciona para esta área. Talvez por ser das coisas que mais me fascina e desperta a curiosidade nesta vida: a cabeça das pessoas, como funciona, o porquê deste comportamento, daquela escolha, daquela vida.

Achava que era por causa da minha conversa, por explicar muita coisa com a psicologia. É mais forte do que eu, quando dou por mim, já foi. Quero fazê-lo o mínimo possível, pelo menos em conversas informais, embora me procurem muitas vezes para isso. Prefiro guardar esse tipo de abordagem para o atendimento, o aconselhamento, com hora e dia marcados. Mas estou cada vez mais convencida de que é natural em mim, faz mesmo parte da minha identidade, é verdadeiramente meu…

E preciso de o assumir com toda a propriedade e honra que tal nobre ciência me merece.

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Gayle

15/01/2018

Houve uma época, ali à volta dos 30 anos, em que a obsessão da vez eram autores britânicos com profundidade e leveza e bom humor. O meu preferido, por juntar os três ingredientes que não dispenso de uma forma perfeita e orgânica, era o Mike Gayle.

Mas li de um tudo, Tony Parsons, Nick Hornby, David Lodge…

O que me encanta na literatura e no cinema europeus em geral, e nos britânicos em particular, é precisamente o realismo das suas histórias. Não há heroísmos desmedidos, há gente de carne e osso, com os mesmos defeitos que nós, a tentar sobreviver neste mundo louco que nos calhou. E do sentido de humor, a sua capacidade para brincar com eles mesmos, de se olhar no espelho, da ausência de miserabilismo e de autocomiseração.

Geram identificação, e não frustração…

Gayle

Não me lembro onde comprei o primeiro livro de Mike Gayle, talvez no aeroporto de Berlim, tinha a mania de comprar livros em aeroportos, no tempo em que vendiam literatura, agora só vendem manuais de tudo e mais alguma coisa para totós, o que é lamentável. Não sou totó nem tenho paciência para manuais. Mas lembro-me do motivo. Porque tinha a palavra “compromisso” no título e, acima de tudo, por causa da imagem.

Sou das que se rende a uma boa capa. É meio livro vendido.

Devorei-o e, como sempre acontece com os autores de que gosto, obcequei. Li mais alguns e a identificação era sempre enorme. O conteúdo foi devidamente absorvido e integrado na consciência e parei. Nem sei se ainda os tenho, talvez até os tenha doado.

Recentemente, andava na plataforma internacional que uso para comprar livros e, por causa do romance que pretendo escrever, achei que era boa ideia voltar à literatura do género. Foi aí que me apanhei em frente ao Mike Gayle de novo. Nem sei como… Talvez o meu inconsciente me tenha levado até lá, não me lembrava dele há 15 anos… Vi que tinha publicado uma série de livros entretanto, entre os quais um chamado Turning Forty. Ler Mais…

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