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Message in a bottle

Os livros não se escrevem depressa

18/11/2017

Os três primeiros capítulos do meu primeiro livro foram escritos em 2006. Quatro anos depois, ao relê-los, gostei tanto do formato que achei que poderia fazer daqueles primeiros textos um livro. Escrevi o quarto capítulo e, ao fim de mais uns três ou quatro, começou a dar-me a pressa. E dei por mim a forçar. O que nunca é bom. 

Há escritores mais metódicos do que outros. Com horas para começar e para acabar. Como se trabalhassem num escritório das nove às cinco. Eu sou mais intuitiva. O que não quer dizer necessariamente que seja caótica.

Sinto muitas vezes que o livro se escreve sozinho.

Os primeiros capítulos nascem espontaneamente, de uma vontade emocional de expressão e de uma necessidade psíquica de me dar continente. Ao fim de dois ou três textos com o mesmo bordão ou tema, crio o conceito a partir daí. Defino-o, e à ideia, que fica à deriva no meu cérebro, até que o texto começa a surgir. Compulsivamente. Como se soubesse que ou é assim ou morre. Não consigo prolongar as coisas indefinidamente. Cansa-me e dá-me nervoso. Por isso, só se esgota porque lhe ponho um fim, determino o número de capítulos, sou simbólica nisso, os números são-me importantes nesse particular, e a coisa torna-se quase obsessiva até lhe dar um término.

Os livros também não se forçam

Ontem, dei com uns quatro pergaminhos que não chegaram a figurar no livro. Fruto desse processo de auto-pressão, foram escritos a partir da persona, o que destoava do tom que queria dar-lhe. Dois eram apenas referências, um ao Você, do Tim Maia, outro apenas dizia que a psicanálise já havia afiançado que nós decidimos quando nos apaixonamos, fazendo referência a uma intenção minha de estudar documentário, com as devidas reticências. Os outros dois eram demasiado pessoais e íntimos. Um descrevia o potencial destinatário e o outro todas as minhas sombras, as que conhecia, pelo menos.

Se um dia chegar a Best Seller, ou antes mesmo de morrer, divulgo-os.

Pulitzer – Message in a Bottle em Italiano

09/09/2017

E à semelhança do que havia acontecido em espanhol, francês e inglês, o meu primeiro livro, Message in a Bottle, foi traduzido para italiano e já está disponível no iTunes e noutras plataformas digitais. MIB IT

Por este andar ainda chegamos a Pulitzer

Diz o tradutor da versão italiana: “Queria dizer que o livro me apaixonou muito e espero que tenha um grande sucesso também nessa versão italiana! Mas tenho quase certeza disso! Espero também podermos continuar a nossa colaboração nesse sentido.”

Resta-me agradecer à plataforma pela oportunidade incrível, nem nos meus sonhos mais megalómanos imaginaria uma coisa destas. E aos tradutores que se apaixonaram pelo livro e quiseram traduzi-lo. A saber: Maria* (Espanhol), Christa (Inglês), Isa (Francês) e Federico (Italiano).

Pela paciência, a dedicação e acima de tudo por me fazerem apaixonar pelo livro a cada vez.

Muito obrigada. Foi um prazer imenso trabalhar com cada um de vós.

*Uma palavra especial à Maria que, para além de ter traduzido os meus dois livros para espanhol, é a responsável pelas capas deste, nas versões traduzidas. Vale ouro.

Compromissos publicitários

17/02/2017

Também estamos no GoodReads, todas as versões do Message in a Bottle e agora também o Sr. Freud. Ó pra eles aqui.

Message in a Bottle - Isabel Duarte Soares

O MIB, os leitores, a Raquel e eu.

24/11/2016

Aproveitando a vinda de uma amiga para a Europa, tratei de mandar vir os últimos exemplares físicos disponíveis do Message in a Bottle, que restavam na Editora, em SP. Eram três e soube imediatamente quem seriam os destinatários, fazendo questão que fossem eles, quisessem ou não, sendo eu a última pessoa deste mundo a querer impor o que quer que seja a alguém, menos ainda quando se trata de mim ou de algo meu, deus me livre. Relacionamentos comigo, só na base da livre expressão e vontade. Favores emocionais são dívidas que jamais se quitam, não, obrigada.

O Message in a Bottle é o meu xodó, é um livro muito especial e não é só porque foi o primeiro que tive coragem de escrever e publicar, voluntariamente. Por isso e por milhares de outras razões, os dois exemplares que restavam, o terceiro é meu, teriam de ir parar às mãos de pessoas muito, muito especiais. mibsoldout

Um dos exemplares seria para o Joel, o outro para a Raquel. Ontem entreguei-lho, em mãos. Foi quase mágico, disse-me que sabia que iria ter um exemplar em papel, quando nem eu imaginava algum dia voltar a vê-los. Respondi-lhe que, dentro do possível, queria que os meus livros estivessem nas mãos de quem valoriza o que tenho para dizer, o aprecia, na forma e no conteúdo, sem favores, com vontade, urgência e voracidade. Que me lê de borla mas faz questão de comprar os meus livros, de pagar por eles. Independentemente de querer chegar ao maior número possível de pessoas e é por isso que continuo a escrever publicamente, na internet.

A Raquel é uma dessas pessoas, que me lê madrugada fora, para além de ter sido um reencontro. Conhecemo-nos há muitos anos, imediatamente senti por ela um carinho e uma empatia enormes. Só nos vimos uma vez. Muito tempo passou, mesmo muito tempo, e, porque quando temos de ficar na vida uns dos outros ela encarrega-se de nos pôr no caminho certo, reencontramo-nos recentemente, dando-nos a oportunidade de dizer tudo o que não dissemos da primeira vez, de nos aproximarmos, de nos fazermos presentes, apreciadas, queridas e acarinhadas. E eu não podia estar mais grata pela sua presença, o seu afeto, o seu carinho, a sua admiração, a sua generosidade, que são mútuos, em cada gesto, em cada cheiro em cada tudo. Ainda por cima é linda.

Obrigada aos dois, por aceitarem esta oferta, e a todos os outros, que fazem questão de contribuir. Estarão sempre presentes nos meus agradecimentos. E nas minhas orações, fora eu pessoa de reza.

MIB, agora, só em formato digital.

Por falar em mercado…

13/09/2016

É assim que os vejo, servos da ciência, que é feita por indivíduos, que se esquecem de que não existe apenas o que conhecemos, que é mais seguro sabermo-nos ignorantes, por só essa curiosidade nos conduzir à descoberta. Os servos dos números – essa ciência tão exata que pode ser deturpada e manipulada por qualquer um, e nos permite iludir-nos, que joga a nosso favor e contra nós –, insistindo em incluir-nos neles, como se fôssemos títulos da bolsa, uma pera, um bocado de carne, inanimados, como se o nosso valor fosse o mesmo e dependesse do mercado, essa entidade sem alma nem cor, sem tons; essa entidade escura, sem brilho, que nos trata como objetos, incapaz de reconhecer que temos vida, interesses que mudam, consciência que clareia e sombras que se transformam em luz. Usamos esse ser inanimado chamado mercado, porque o tal que é só um e está ofuscado pela sua grandiosidade, também sabe que basta que se junte um outro mar de gente para que a maré mude, com a perfeita consciência de que até o passado pode ser alterado, basta que olhemos para ele de uma forma diferente, da única forma que nos permite avançar, viver de outra maneira, melhor, mais consciente, sem perder o caráter – o tal que se mantém desde que nascemos, que nos torna diferentes, únicos, cujas peculiaridades não cabem no mercado. In: Message in a Bottle 

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