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Psicologia – Autores

Psicologia – Autores: Carl Gustav Jung

16/12/2016

Jung começou por ser discípulo de Freud, o pai da psicanálise. Posteriormente, afasta-se de forma irreversível e por divergências várias, criando a sua própria linha, a Psicologia Analítica. Sobre esse momento e corte, há um filme excelente a todos os níveis e que recomendo vivamente, chamado: um método perigoso.

Apesar de ambos viverem na época da ciência, ou se prova ou não existe, Jung tinha uma postura corajosa em relação às questões que o assolavam. As suas dúvidas, existenciais e outras, foram sempre mais fortes, prevalecendo em relação ao coletivo, à mentalidade da época, ao que era exigido socialmente, na vida civil e profissional. Respondeu a todas as questões, existenciais e outras, que lhe surgiam, estudando religião, ele próprio muito próximo, por conviver diretamente com pastores protestantes, pai e tio, astrologia, indo para o Oriente, estudando o iChing etc. Com uma humildade imensa, desafiando os cânones da época, indo além. Foi por isso apelidado de místico pelos seus pares e nem isso o demoveu. Havia algo maior que o movia.

Há três questões fundamentais na psicologia analítica que divergem da Psicanálise de Freud. Jung via a libido como energia psíquica, e não apenas sexual; Introduziu o conceito de inconsciente coletivo, e os arquétipos, dando uma dimensão universal à psique; e personalizou os sonhos, por assim dizer. Para Freud, os sonhos não tinham qualquer sentido, digamos assim, eram meros produtos aleatórios do inconsciente. Jung veio dizer que os sonhos são cartas do Self, mensagens do inconsciente individual de cada um, que vêm compensar uma atitude polarizada do ego. Há também sonhos premonitórios e outros, mas a terapia de sonhos de Jung versa sobre a referida compensação psíquica, a meu ver, fascinante. Ler Mais…

Psicologia – Autores: Joseph Campbell

13/12/2016

Joseph Campbell era um mitólogo americano, podia bem ter sido psicólogo, não praticante, digamos. Se fizermos um paralelismo entre a psicologia de Jung e Campbell poderíamos deduzir que ambos chegaram à mesma conclusão. Ao processo de individuação de Jung, Joseph Campbell chamou: Jornada do Herói, dizendo-nos: follow your bliss. Assim, Campbell traz, tal como Hillman, a noção de propósito de vida. De algo maior do que o comum: estudar, trabalhar, casar, ter filhos e morrer, não desfazendo.

Campbell dedicou uns bons anos à causa dos mitos, descobrindo que havia correspondência entre mitologias de lugares distantes e completamente diferentes, sem a mínima hipótese de os seus povos se comunicarem. Os personagens desses mitos, os arquétipos, tinham características comuns nas várias histórias que se contavam em todos os cantos do mundo.

Onde mais e melhor Campbell fala sobre este tema é em The Hero with a Thousand Faces, o seu livro mais famoso. Trata-se de um estudo exaustivo sobre os diversos tipos de heróis e personagens, na perspetiva dos mitos de vários povos. É aqui que nos demonstra que os mitos não são teorias abstratas ou crenças dos antigos, mas modelos práticos que nos permitem entender o modo como vivemos.

Campbell articulou de forma clara o que sempre existiu: os princípios de vida contidos na estrutura de uma história.

A partir dos estudos de Campbell, Christopher Vogler adaptou as regras não escritas dos contadores de histórias ao cinema. Todos os argumentos do chamado cinema clássico, de Hollywood ou não, que incluem protagonista, antagonista, pessoa que ajuda o herói a mudar, mentor, etapas pelas quais o herói tem de passar, o tesouro (a mudança), são escritos de acordo com esta estrutura mítica.

Quando tomei pela primeira vez contacto com a Jornada do Herói, percebi imediatamente que tinha um potencial que ia além da ficção. Quando estudei jornalismo literário, descobri que entretanto já alguém tinha chegado à mesma conclusão. A jornada do herói não é mais do que a jornada da vida. Quando olhamos atentamente para a nossa história, e se conhecermos as etapas da Jornada, facilmente conseguimos identificar todos os momentos. E os personagens.

A jornada do herói pressupõe sempre, que o desafio com o qual o protagonista é confrontado, para além de estar à sua altura, serve para o levar além dele mesmo, no sentido do seu propósito, que pode não ser consciente. Para tomar contacto com partes suas que precisa de integrar, delas tomando consciência. Versando também sobre algo que o protagonista terá de viver, um relacionamento amoroso, por exemplo. Na verdade, a nossa jornada é composta por uma série de j0rnadas do herói, que, obviamente, inclui heróis e heroínas…

Aqui ficam alguns títulos:
The Hero with a Thousand Faces
The Power of Myth
Myths to Live by
Pathways to Bliss
The Masks of God
Reflections on the Art of Living

Próximo autor: Carl G. Jung

Psicologia – Autores: James Hillman

12/12/2016

James Hillman foi o psicólogo americano pós-junguiano que mais e melhor estudou a área da psicologia analítica dedicada aos arquétipos. Questão central na psicologia de Jung acrescentou, aos já conhecidos conceitos de inconsciente de Freud, o inconsciente coletivo. Com os arquétipos como protagonistas, este conceito veio dar um carater universalista à psicologia, unindo, numa dimensão maior, todos os povos do mundo, pois dele fazem parte valores e questões universais que nos tocam a todos, sejamos nós do Hemisfério Norte ou do Sul, cristãos ou muçulmanos, do Leste ou do Ocidente.

Como todos os junguianos, e esse também é um dos motivos pelos quais Jung me convenceu, James Hillman é, antes de psicólogo, ou talvez em paralelo, um humanista. Com a enorme vantagem, de escrever de uma forma acessível, como quem conta uma história. Uma das suas grandes qualidades, atribuída aos americanos em geral.

Sem nunca entrar em esoterismos, tem a particularidade de abordar as questões psíquicas com um toque que vai além da ciência pura e dura. Não apelando à religião, menciona a existência do que poderíamos chamar alma.

Ao que comummente chamamos alma, e por ter uma conotação religiosa que não agrada a muita gente, Jung deu o nome de Self, arquétipo que está no centro da nossa psique, a quem devemos tudo e mais alguma coisa. É, digamos, o protagonista da existência.

Na sua obra, James Hillman introduz o conceito de daimon, para falar de um propósito maior para a nossa existência do que a mera satisfação do ego. Que nos permite uma vida social e de trabalho, mas não chega para nos satisfazer existencialmente. Por isso é, de longe, o meu pós-junguiano preferido e a minha primeira referência nesta área.

Em paralelo com Joseph Campbell, posso dizer que foi com James Hillman que resgatei uma paixão antiga, a psicologia. Que, enquanto ciência que estuda a cabeça das pessoas, só me faz sentido se abarcar todas as dimensões humanas, indo além das elites. Foi essa a genialidade de Jung, para além de revelar a sua melhor qualidade, a humildade.

Aqui ficam alguns títulos:
The Soul’s Code
The Force of Character
Kinds of Power
Myth of Analysis
Re-visioning Psychology
Emotion
Senex and Puer (Arquétipo do velho sábio e do eterno jovem, mais conhecido pelo complexo de Peter Pan)

Próximo autor: Joseph Campbell

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