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À atenção das (in)Capazes

13/07/2018

Lou é mulher de uma coragem inacreditável. Verdadeiramente independente. O retrato de uma Atena. O legado de Lou Andreas Salomé ficará para sempre na história do feminismo e do mundo. Feminismo esse que, se não começou aqui, deveria ter começado.

Lou merece-o e muito mais. Long Live.

Com direito a Apólo, Dionísio, Nietzsche, Rilke. E até um bocadinho de Freud. Fotografia, banda sonora, história, temas, tudo absoluto neste filme. Tudo.

E eu preciso do The Dual Orientation of Narcisissm para viver.

Feminismo de pacotilha, de sofá, my ass.

Não és a Madonna

13/07/2018

Aos parolos que usam esse argumento para justificar os 15 lugares de estacionamento da Madonna. RAP explica.

Não o encontrei completo, infelizmente. Mas ainda deve dar tempo de puxar atrás a box e rever, que vale a pena. Nomeadamente a parte em que ele diz: eu gostava de ver estudos que comprovem que os posts da Madonna valem milhões e atraem pessoas para a cidade.

O Mundial

12/07/2018

O Mundial de futebol, como o Europeu, é assim uma espécie de férias. Jogos a toda a hora, equipas muito diferentes, futebol na TV sempre que a ligamos. Tenho muitas e boas memórias de pré adolescência e adolescência, no tempo em que os verões eram intermináveis, havia tempo para tudo, mas eu escolhia ler, exceto quando havia bola. E jogos olímpicos.

O meu pai era aficionado de todos os desportos

E era quem mandava no comando da TV. Nos últimos tempos, adormecia com ele na mão. Por isso, os comandos lá de casa ou estavam todos enrolados em fita-cola à volta da tampa das pilhas. Ou nem tampa tinham. Um clássico.

Lembro-me das horas intermináveis da Volta à França, a Itália, a Portugal… Não conseguiu convencer-me a gostar daquilo. Nem de hipismo, na rtp2, quando não havia mais nada.

Mas convenceu-me a gostar e a perceber de tudo o resto. Fórmula 1, Ténis, quase todos os desportos olímpicos, até luta greco-romana, que só via para o ouvir a rir-se dos atletas com a cara no rabo uns dos outros, e dedos… Só comecei a gostar de atletismo muito mais tarde, que ele via por horas infinitas. E, claro, de futebol, desde sempre, nomeadamente desde 1982, tinha eu 10 anos.

Nunca conseguia fazer grande coisa em tempo de Mundial e Europeu.

E se num momento estou a reclamar que há jogos demais, no minuto em que começam, esqueço tudo e vejo o que posso.

Ainda sou do tempo em que passavam todos os jogos na RTP e era uma festa.

Que havia invasão de campo pelos adeptos e os jogadores ficavam praticamente nus. (Agora, os filhinhos deles brincam no relvado onde os pais disputaram e ganharam jogos. O jogo da vitória da Croácia contra Inglaterra foi a coisa mais bonitinha). E que Portugal raramente chegava às fases finais. E, quando chegava, ficava logo na fase de grupos. Por isso, habituei-me a ver tudo e todos. E a adorar.

No ano em que morreu, e que fomos campeões europeus, fez anteontem dois anos, já não estava aqui, desliguei-me. Não vi muitos dos jogos e parei de escrever sobre os eventos futebolísticos. Costumava cobrir todos os jogos. Mas estava em luto profundo, e tinha mais que fazer.

Este ano, voltei a ver tudo. E a ressaca monumental que se abate sobre mim quando, depois de dias e dias de jogos, deixa de haver é quase insuportável. Conto literalmente os dias para as rondas seguintes, tamanha a crise de abstinência.

De futebol a sério, de atletas a comer a relva, a lutar pelas suas nações. E até a entrar em campo de cabeça aberta e uma faixa em volta, a parecerem queijos da serra. Enfim, daquela garra, daquela paixão, que não se veem nos jogos dos campeonatos nacionais.

Num minuto há jogos todos os dias, no minuto seguinte acordo e já é a Final.

Por mim, havia disto todos os verões. São as minhas férias de mim.

E que a Croácia seja campeã do Rússia 2018.

O sentido da vida

07/07/2018

Amanhã, 8 de julho. E a saga continua.

Ainda vais a tempo: biodanzanunopinto@gmail.com

Portugal x Uruguai

26/06/2018

Portugal defronta o Uruguai no jogo dos oitavos de final do Mundial de 2018 e o meu coração está dividido. Adoro o Uruguai. Jogo rápido, têm paixão, sangue a correr nas veias, são focadíssimos e raçudos. Qualidades que me dão um tesão* imenso.

O meu coração chora pelas imensas saudades do Forlan, dos melhores de sempre. Por outro lado, gosto muito da garra do Suarez, que, fisicamente, me faz lembrar um primo muy querido. E, finalmente, tenho uma paixão assolapada e já não tão secreta assim pelo gato do Cavani. Nada a fazer, tenho uma queda por atletas…

É uma vida muito difícil…Uruguai

*Queria arranjar um sinónimo mas não consigo. Tesão, no sentido brasileiro do termo, é a palavra…

Mariana Portela

21/06/2018

A delicadeza da prosa, as metáforas mais improváveis, o casamento de palavras inesperado, narrativa a fazer lembrar Eça de Queiroz em alguns momentos. Voz originalíssima, uma coragem imensa, a vulnerabilidade exposta com uma mestria poética invejável. Consegue o portento de me fazer querer demorar nas palavras, como se as saboreasse, as eternizasse, como à mais bela melodia, nos meus ouvidos, no meu palato, nas pontas dos meus dedos. Tal é a vontade de cravá-las no cérebro. Na verdade, tudo acontece à revelia do meu ego, o impacto é subtil e numinoso.

É o primeiro livro de Mariana Portela Mariana Portela

Numa edição primorosa, que dá vontade de agarrar para sempre, pelo toque da capa, que  ainda conjuga as minhas cores preferidas: azulejo português e vermelho. A divisão por temas, os azuis que os ilustram, um primor do princípio ao fim.

Extasiante

Tem de haver um nome que ilustre a forma como escreve, ainda o desconheço. Faltam-me as palavras para qualificá-lo. Não chegariam, talvez até o limitassem. Inibo-me então de continuar. Deixo um excerto, difícil é escolher, são umas atrás das outras…

Agora, quando o cheiro de finitude das velas invade as reminiscências de nós dois, coloco-me à disposição do Universo para receber as respostas do que está enclausurado há tantos anos na minha carne. Existe algum pedaço de vida que nos é amputado, pelas coisas que fazemos?

Com os olhos inchados de tamanha realidade, sinto-me pequena, frente àquilo que não vivemos nós. De todas as dores, essa, mais clichê, é a que mais dilacera uma alma bipolar: o lado que sonha.

E a foto de capa, belíssima…

Lançamento de “Viver é fictício”, de Mariana Portela, em Lisboa, ainda este mês.

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