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Vírus

31/12/2019

Um vírus altamente contagioso espalhou-se pelo mundo obrigando toda a gente a usar máscaras que tapem nariz e boca. As comunicações à distância estão sob vigilância apertada e não oferecem qualquer tipo de segurança ou privacidade. Para comunicarmos uns com os outros, temos de sair para a rua. A única forma de contacto que nos resta é olharmo-nos nos olhos.

Sem palavras ou gestos, vemo-nos uns aos outros pela primeira vez.

Popularidade

17/12/2019

Há muito tempo que a popularidade deixou de ser sinónimo de qualidade. Começou com os reality shows e descambou por completo com a internet. Que é o expoente máximo do tornar gente estúpida famosa.

Nem todos podemos ser o Sam Heughan que, para além de ser o melhor Jamie Fraser possível, tratar os fãs da série, e dele, com imenso carinho e paciência, aproveita a popularidade que a série lhe dá.

Não só para a produzir, juntamente com a sua co-star Caitriona Balfe, garantindo o seu lugar ao sol por mais uns bons anos. Mas também para capitalizar a experiência, enaltecendo a Escócia e respetiva cultura, ao criar o seu próprio Whiskey e Tartan.

Chamando-lhes Sassenach Spirits e Sassenach Tartan.

A isto chama-se inteligência, junta esperteza com sensibilidade, fugindo de usar o seu próprio nome, não cedendo, portanto, à armadilha do ego. Optando antes pela palavra que faz tremer qualquer mulher que conheça a série.

Saber usar a popularidade a seu favor é para poucos, talvez para os que sejam suficientemente humildes para ter consciência de que não são ninguém sem audiência.

E que a popularidade não é eterna.

Qualquer pessoa quer associar-se a alguém decente, simpático, empático e bem disposto. Ninguém quer associar-se a gente desagradável, mal educada, rude, agressiva e defensiva. Ainda por cima, sem o mínimo de noção de si mesma.

Se há coisa que tenho por certa é que a vida não perdoa.

De resto, as pessoas cavam as suas próprias sepulturas. A gente só assiste de bancada. E se congratula no fim por nunca ter embarcado na carneirada.

Antes e depois de Outlander

14/12/2019
Comprei dois livros da Ferrante, porque os temas me interessam. Um deles com várias histórias. Pulei a primeira, uma chatice sem tamanho. A segunda, a que mais me interessa, e que me levou a comprar o livro, deixei ao fim do segundo capítulo, ainda tenciono lá voltar. É a vida antes e depois de Outlander.
Foi para lá que voltei. Voyager, o terceiro da saga.
Das duas uma, ou a Diana Gabaldon me arruinou o prazer da leitura fora da saga, ou fará de mim a melhor escritora que conseguir ser. 

Enquanto isso, na savana…

11/11/2019

Porque ansiamos e sucumbimos a doces ou comida gordurosa?

It’s a puzzle why we binge on the sweetest and greasiest food we can find, until we consider the eating habits of our forager forebears. In the savannahs and forests they inhabited, high-calorie sweets were extremely rare and food in general was in short supply. A typical forager 30,000 years ago had access to only one type of sweet food – ripe fruit. If a Stone Age woman came across a tree groaning with figs, the most sensible thing to do was to eat as many of them as she could on the spot, before the local baboon band picked the tree bare. The instinct to gorge on high-calorie food was hard wired into our genes. Today we may be living in high-rise apartments with over-stuffed refrigerators, but our DNA still thinks we are in the savannah. That’s what makes us spoon down an entire tub of Ben & Jerry’s when we find one in the freezer and wash it down with a jumbo Coke.

In: A Brief History of Humankind, Harari.

25 de Outubro

25/10/2019

A pensar no que vou fazer hoje. Estão 4 graus em Edimburgo, sensação térmica 0 graus. O que me lembra que a hora vai mudar este fim-de-semana e, a propósito disso, um fotografo escocês que conheci ontem, e que me fez imenso lembrar o irmão mais velho do meu pai, lamentava o facto de agora serem seis meses de miséria, a anoitecer, no norte da Escócia, às três da tarde. Perguntei se não influenciava o humor dos escoceses. Claro, respondeu.

That’s why we have wiskey.

Com o Kev, o meu guia de Outlander, da Edinburgh Black Cab Tours, que recomendo vivamente. À porta de casa da Geillis. Onde inclusive vive gente… e cuja placa na porta diz: private. Não fosse alguém lembrar-se de entrar por ali a fora à procura de uma poção qualquer…)

*

Muito e muito obrigada a todos pela lembrança e os votos. O afeto e o carinho deixaram-me com o coração quentinho de amor.

Em particular aos que fizeram referência ao Jamie, aos kilts e à Escócia em geral.

Especialmente às minhas companheiras de Outlander, as minhas obsassenachs preferidas. Fizeram me rir e não foi pouco. Seguiremos juntas, firmes e fortes, até ao fim.

Um abraço ainda ao Nuno, pelo que passo a citar: “espero que um dia encontres um guia, também de kilt, mas fisicamente mais distante do Kev e mais próximo do jamie.” Deus te ouça, meu querido.

Love ye all

 

Eleições

06/10/2019

Aqui onde tenho votado nas últimas eleições, as secções são por ordem alfabética. Já não há secção dos velhinhos, sempre a que tinha maiores filas.

O movimento aqui está forte e eu paguei 3,5€ por 1 rosca grande de pão de Deus. Isto está bom é pros vendedores de cenas e pros restaurantes.

Deve ser a isto que chamam a festa da democracia

Vi velhinhos apoiados em tudo, até em cegos. A minha mãe tem 85 anos, só sai à rua de bengala e já votou. Ou vai votar. Estes velhinhos tem uma capacidade de sacrifício que a geração de 70 já não tem.

Mas que ainda assim tem mais do que os mileniais. 

Nunca apanhei filas para ir votar, três, quatro pessoas no máximo à minha frente e é sempre a andar. Espero que não seja hoje. É de propósito, o povo não gosta de esperar e a espera seria um ótimo motivo para desistir.

Obsessões

05/10/2019

Da nobre arte de não ser como as outras pessoas:

Que estás a fazer num sábado à noite, Isa?

A limpar o pó e a arrumar livros.

Afastei de mim todos os de inspiração e técnica. Só ficaram os cadernos de mãos à obra. E já que estava de swiffer em punho, foi tudo de uma vez.

Foi esta que estive a compor, basicamente.

Uma das minhas obsessões: livros sobre escrever. Li os quase todos. Entretanto, passou-me a febre.

James

29/09/2019

O meu síndroma de Peter Pan é tão grande que, em vez de arranjar crushes famosos condizentes com a minha já provecta idade, troco os velhos pelos novos, tipo o Johnny Depp pelo James Franco.

História verdadeira, Netflix.

Mas não troco um James pelo outro, though…

*Série excelente: unbelieveble. Idem.

Fantasy*

29/09/2019

“The psyche creates reality every day.

The only expression I can use for this activity is fantasy.

Fantasy is as much feeling as thinking; as much intuition as sensation.

Fantasy therefore seems to be the clearest expression of the specific activity of the psyche. It is pre-eminently the creative activity from which answers to all unanswerable questions come.

It is the mother of all possibilities where, like all psychological opposites, the inner and outer worlds are joined together in living union.

Fantasy it was, and ever is, which fashions a bridge between the irreconcilable claims of subject and object, introversion and extraversion.

It is fantasy alone in which the worlds are united.

*Jung

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