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Oscars

18/02/2018

Os Oscars já não têm a importância de outros tempos. Tenho preferido concentrar-me no que posso fazer e não no trabalho dos outros. Já dei para o peditório: pão e circo. Em dezembro, descobri que não sou imortal. Vai daí, decidi deixar tudo pronto. O meu contributo para o mundo, algo significativo para mim, claro, ou não valeria a pena. Como se fosse morrer daqui a seis meses. Está a correr bem. Mais do que a felicidade, o que importa é o sentido, que a vida tenha sentido, que o faça. Por isso, apenas algumas considerações, porque o cinema continua a ser uma das minhas grandes paixões.

Phantom Thread

Realização primorosa, belíssima história de amor, que muitas vezes não têm os contornos românticos e idealizados que gostaríamos, mas que ainda assim não deixa de ser amor. Daniel Day Lewis acaba como começa, em grande. Um dos meus atores preferidos de sempre e as mãos mais bonitas de Hollywood. Todos os Oscars merecidos. Até ver, o meu preferido.

*Melhor filme, realizador, ator, atriz secundária, banda sonora, guarda-roupa.

I, Tonya

O que mais mexeu comigo até agora. Interpretações magistrais de ambas as atrizes. A mãe, por mim, ganhava. Porque a atriz do filme do cartaz me irritou imenso nos Globos. Excelente banda sonora e guarda-roupa. Sempre gostei de bastidores, porque o sucesso não é só glamour. E há vitimização a rodos, a culpa não é minha, desresponsabilização total sobre o processo. Como se precisasse de alguém com um chicote. O ter de jogar o jogo, não dar para ficar só na esfera pessoal, precisar de cumprir as regras de acesso ao palco. Dois filmes sobre relação mãe e filha, este, um tipo de relação mais comum do que queremos admitir, perniciosa, péssima. Está na hora de termos mais consciência em relação a essa dinâmica. Um filme muito corajoso. Todas as nomeações merecidas. Ler Mais…

Química

19/01/2018

Está um prato cheio de bolachas com chips de chocolate ainda a fumegar em cima da bancada. O cheiro invade-te as narinas assim que entras na cozinha. Não tens fome. Ninguém está por perto. O que fazes? quimica

Se estás a sorrir, já sei qual é a tua resposta. É a mesma que a minha. E aposto que te faz confusão que as pessoas resistam, passem pelo prato e vão à sua vida como se nada fosse.

Tenho uma novidade para te dar. A culpa não é tua. Não és um descontrolado mental. É uma questão da química do teu cérebro. És, como eu, sensível ao açúcar, e o teu cérebro, e por sua vez o teu corpo, reage e processa-o de forma diferente. Além das alterações no corpo, dá origem a estados psíquicos que oscilam entre: eu sou o maior da minha aldeia ou eu sou a maior merda do mundo. A boa notícia é que há o que fazer.

Inclusive, mandar passear toda a gente que te acusou de falta de força de vontade.

E ainda há quem negue a ciência. Abençoadinha…

É uma merda, mas é bom.

18/01/2018

Certa vez perguntaram ao Tom Jobim como era morar em Nova Iorque. Respondeu que era bom, mas era uma merda. E no Rio, no Brasil? É uma merda, mas é bom.

É mais ou menos como viver. E o sexo, que, mesmo quando é mau, é bom. A gente perde umas calorias, uns quilos, dá e recebe uns amassos, e tal.

E como as aulas de danza, que mesmo quando são menos boas, são boas.

Foi o que aconteceu comigo na última. Fui para um lugar onde não queria ter ido nem gosto de estar, o vazio, o nada do nada, onde estou completamente sozinha, no escuro, o pior lugar do mundo para se estar.

Tinha ido além de mim e tentado vários giros sufi. Para a esquerda, para a direita e de olhos fechados, porque gosto mesmo é da moca, da vertigem, de perder o controlo da cabeça. E, na sequência desses giros, entrei num transe que me levou para o primitivo de mim, o instintivo, o animal selvagem e sexual, daí a alusão.

Senti-me de certa forma poderosa, por ter sobrevivido à vertigem, à tontura, por não ter caído nem sucumbido. E aí veio a surpresa do nada, do vazio, da maior solidão de todas.

Foi uma merda, mas foi bom…

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