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INFP

29/07/2017
Como é que se vive sem este conhecimento?

 infp

Publicidade

25/07/2017

À atenção das agências e produtoras de publicidade:

Aos homens não lhes basta ser jeitosinhos e bonitinhos. Esta moda de contratar barrigas tanquinho com um palminho de cara para fazer tudo quanto é anúncio pode até parecer uma boa ideia, mas a gente olha duas vezes e não se convence, porque o tanto de burrinhos que transparecem tira-nos logo a vontade de lavar a roupa, comer planta e tomar banho com um gel não sei quê do Continente ou lá o que é. E nem para os mandar fazê-lo servem, de tanto que haveríamos de ter de repetir as instruções. Grata.

h3

14/07/2017

Estava em casa, infeliz, o monstro a aproximar-se devagarinho e sorrateiro, um texto altamente depressivo a nascer na minha cabeça, um quinto andar altíssimo e a janela aberta.

Faço uma sondagem no twitter: sushi ou h3? O Sushi é ao pé de casa, vou lá, peço e como no recesso do lar. O h3 obriga-me a encarar uma praça de alimentação cheia de gente, sozinha a uma sexta-feira à noite. Há exposições às quais ainda me poupo. E há cada vez mais liberdades das quais não me privo. Além disso, ultimamente, o Sushi não tem preenchido todos os buracos existenciais.

h3

100% de votos no Sushi.

Dirijo-me ao estabelecimento comercial mais próximo onde há um h3, estava a precisar da combinação: batata-ovo-carne, escolho o benedict, sempre tem espinafres, para não ser tudo mau, quase às dez da noite, ainda por cima não corri hoje, adormeci, e, com uma fome de loba, enquanto esperava que o hamburguer viesse, digo: estou quase a roubar uma batata. A miúda da caixa pergunta-me se quero uma batata, repito a frase, ela pega numa tenaz, dá-me a maior batata alguma vez vista e, quando recebo o prato, a montanha de batatas era a maior de toda a minha vida de h3, que é longa, bem longa…

A vida é o que acontece quando estás com a cabeça e o corpo no mesmo sítio.

Lispector

10/07/2017

A comparação é, para dizer o mínimo, generosa. No limite, impossível. Ainda que Clarice Lispector tenha sido mencionada mais do que uma vez, por pessoas diferentes, sem que tenham falado umas com as outras.

A única coisa que tinha lido era Laços de Família. Um livro pequeno de contos que li de uma penada. Ficou-me a ideia de que era demasiado deprimida para o meu gosto. Não ao nível de Virginia Wolf, mas deprimida ainda assim. Só que me vez de se matar, mandava para fora.

Até me identifico com a depressão, mas não com a crueza.

E nunca mais pensei nisso. Lispector

Recentemente, amiga de SP, uma das primeiras pessoas a mencionar o que escrevo e Clarice Lispector na mesma frase, esteve em Lisboa e trouxe-me o Todos os Contos. Um livro com cara de ter acabado de sair.

Comecei a lê-lo ontem e apaixonei-me logo pelo prefácio. Há muito tempo que não me acontecia, o dia a ir-se embora lá fora e eu a não conseguir levantar-me para acender a luz.

Entendo a referência, Lispector diz o que ninguém quer ouvir e eu faço muito isso no que escrevo. Mas ela é um génio. Tenho ideia que li um conto inteiro, Obsessão, sem conseguir respirar. A sensação de que Clarice conhece todos os meus segredos e os descreve com uma poesia e uma arte que me faz sentir menos miserável na minha existência está a fazer da leitura voraz.

A possibilidade de haver literatura, poesia, beleza, no que mais nos envergonha é coisa para me fazer suspirar de alívio e de esperança.

Estava a precisar disto como de pão para a boca…

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