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Droughtlander

08/05/2019
Enquanto o período de Droughtlander me mata aos poucos…

Ouvi dizer que a 5ª temporada é já para setembro. E não para janeiro de 2020, como havia sido previsto.

Aproveito para informar que já li o 8º livro publicado, o 9º ainda está em processo de escrita. E que voltei ao primeiro, tencionando ler todos de seguida, incluindo da metade que já li para a frente. E comprá-los em papel. Um a um…

Entretanto, deve dar tempo à Diana de acabar o 9º…

Diana essa que adiantou, enquanto mostrava os títulos dos capítulos do 9º, sempre super criativos e com duplos sentidos, poéticos, literários, que haverá um Outlander 10.

Se entre cada livro passam dez anos, não sei como vai arranjar a vida dela

Sem Jamie e Claire não há história.

E nem com uma imaginação como a minha aquela gente vivia tanto tempo naquela época. Se chegassem aos 40 era uma sorte…

E eu não estou preparada para um Jamie velho…

Arte

28/04/2019

Arte é a capacidade de transformar as coisinhas do dia a dia, as nossas maiores vilezas, os temores mais profundos e as nossas mais banais vulnerabilidades, em momentos de conexão cósmica.

É a proeza de disfarçar as nossas miudezas e mundanidades com a quinta-esssência das metáforas. De expor fraquezas em figuras de estilo oblíquas.

O verdadeiro criativo é o que transforma crises existenciais em arte

Foi o que fizeram o Joel Neto e a Catarina F. Almeida em: A vida no campo, a peça.

De uma coragem extraordinária. Encenação muito criativa, sensação, como disse a Yara, de estar na cozinha de casa deles a assistir a uma coisa que não era suposto assistir.

Nada é novo, porque todos passámos pelo mesmo, sentimos o mesmo, nos revemos em cada projeção, amuo, mutismo, incapacidade de ver com a devida distância um problema que não era um problema, apenas disfarçava um maior, o verdadeiro problema. Revemo-nos em tudo, mesmo que nunca tenhamos tido um casamento de 20 anos sem filhos.

E ao mesmo tempo é sublime

Pela coragem, o tornar a banalidade numa obra de arte como o teatro, a interpretação dos atores. A leitura de algumas entradas do primeiro A vida no campo, a minha preferida lida por mim aqui, a primeira vez que vesti vermelho depois de o meu pai morrer. Entre outras. Todas preferidas. A do quarto, a do barco…

A 24 de Maio sai A vida no Campo II – Os anos da maturidade.

E eu mal posso esperar.

A Vida no Campo é um dos meus livros preferidos de sempre.

Parabéns, Joel e Cate. Essa dupla de luxo é decididamente para continuar ;)

Segue programa completo pelo país. Lisboa esgotou as duas sessões em Almada. Mas, com o sucesso que foi, era coisinha para passar para um teatro maior, por uma temporada. Vale muito, muito a pena. Ou o gozo…

Hipster #sqn

26/04/2019

Comprei umas calças de regar nabos, como se diria no meu tempo. Agora deve ser hipster ou lá o que é…

Na verdade, as calças vinham enroladas o suficiente para dar a meio da canela. Achei um bocado ridículo, tendo em conta o frio, e a minha perna parecer uma lula ressequida. Mas não uma lula qualquer, uma daquelas de fundo de mar, onde o sol nunca chega. Não sei se existe, mas se houver é sensivelmente desta cor.

Vai daí, desarregacei as calças e ainda assim ficaram curtas.

Como ficam ali pelo fim do tornozelo início da canela, não é hipster. Ainda por cima pus umas meias a verem-se. E não são das que é suposto verem-se, por fazerem parte do autefite.

Se enrolasse a meia para dentro do botim téne, para que não se visse, poderia ser hipster, com a condescendência da canela em vez do tornozelo, temos de dar um desconto aos velhos, que eles até são esforçados.

Como não, só se vê a meia por cima da bota e entre a calça, é só INFP, que, dizem, não se sabe vestir.

1000 vezes um estilo próprio do que a lula ao léu.

Cotão

12/04/2019

Nunca serás uma escritora como deve ser enquanto não te virares do avesso. De verdade. Como quando viras malas ao contrário para as esvaziar e limpar e tens de esticar bem os cantos para lhes sacar o cotão que se lá acumula.

Tens de chegar ao cotão. Ao osso.

Quando deixares de ter medo do medo. Não te importares que os outros conheçam as tuas fantasias, as que se acumulam no canto mais escuro da tua cabeça. E as outras.

Podes ter a disciplina que quiseres.

Sentar o rabo na cadeira e, persistentemente, aí ficares. Mesmo que não saia nada. Levantares-te cedo e seres de uma obstinação doentia. Às 8 e meia em ponto, estares em frente ao computador. Desligares-te às 6 e meia. Arranjares um método, uma fórmula, cumprires horários escrupulosamente. Atribuires-te metas. Nunca serás uma escritora como deve ser enquanto não perderes a vergonha.

Talvez tenhas de partir de um ponto diferente de onde tens partido. Perderes o medo da exposição. Não te deixares atrair pelo doce veneno da vaidade. Resistir ao torpor. E não temer o cotão…

40*

10/04/2019

A teta caída que há em mim saúda a teta caída que há em você

Em dez dias faço 40 anos. Sempre tive preguiça de gente que lida mal com o envelhecimento e descobri, recentemente, que isso se devia ao fato de que era jovem. Agora faço 40 e entendo de uma única vez, em forma de explosiva e intensa descarga de realidade, que não é fácil deixar de ser uma garota, uma menina, uma mocinha. Não é fácil deixar de ser filha, namorada, novo talento, pessoa que, por estar começando a vida (e ter colágeno), tem todas as desculpas (e colágeno).

É como se uma festa, que nem era assim tão boa, por fim acabasse e eu pudesse ir para casa descansar. Vou tirar esses malditos sapatos lindos que eu só aturava porque os mais confortáveis pareciam de velho. Vou tirar essa energia abobada, esse contentamento elétrico, essas falsas disposições que eu só aparentava porque viver constantemente meio triste e cansada parecia coisa de velho. Ler Mais…

Paternalismo*

02/02/2019

“Hoje, olhamos para a Lei Seca com curiosidade arqueológica. Um erro. O espírito da Lei Seca, ao contrário da própria lei, sobreviveu nas nossas democracias. O nome desse espírito? Paternalismo.

A grande diferença é que as justificações paternalistas abandonaram a “moralidade pública” e optaram agora pela “saúde pública”.

Mudança cosmética, não mais.

Christopher Snowdon entende por “paternalismo” a tendência das democracias ocidentais de produzirem legislação para protegerem as pessoas delas próprias. (…)

Para o paternalismo, a função do poder é coagir as pessoas a escolherem certos caminhos “para o seu próprio bem”.

(…) o único motivo que legitima o Estado a interferir na liberdade de alguém é para evitar danos a terceiros.

Salvar a alma (ou a saúde) do indivíduo não basta.

Exceto para quem tem uma concepção fascista do poder —e “fascista” no sentido preciso do termo. Mussolini, por exemplo, defendia que a liberdade fascista era superior à liberdade das democracias burguesas porque o Estado fascista cuidava de cada indivíduo.

Pois bem: “cuidar do indivíduo” é o mantra moderno. Em nome de quê? Da saúde, claro. Para repetir o clichê, haverá coisa mais importante do que a saúde? (…)

Para certos indivíduos, o prazer pode ser mais importante do que os dois anos extras de velhice funcional.
Donde, que legitimidade tem o Estado para determinar qual o valor mais importante para a minha vida, sobretudo quando a minha conduta não causa dano a terceiros?

Por outro lado, se aceitarmos que a saúde e a longevidade suplantam qualquer outra consideração subjetiva, (…) o Estado (…) deveria proibir também qualquer atividade humana que pusesse em risco a minha sobrevivência.

Mas o paternalismo não é apenas uma violação grosseira da minha autonomia.

O paternalismo médico incorre numa violação deontológica severa: propõe-se “curar” uma população sem o consentimento dela.

Eu sou livre para aceitar ou recusar certos tratamentos médicos. Mas não sou livre quando o Estado decide que tipo de comidas, bebidas ou divertimentos eu posso consumir.

A tirania do bem não deixa de ser uma forma de tirania.

No século 19, confrontado com a possibilidade de se proibir o comércio do álcool, John Stuart Mill afirmava: as pessoas não são crianças nem selvagens. São pessoas e devem ser respeitadas como tal —seres imperfeitos, às vezes viciosos, mas senhores do seu destino. (…)

Ironicamente, a ambição humana de produzir um mundo perfeito é tão forte como os vícios que o paternalismo persegue sem descanso.

*João Pereira Coutinho, @folhasp

Tristão e Isolda – amor romântico

14/01/2019

O amor romântico não é amor, mas um complexo de atitudes acerca do amor – sentimentos involuntários, ideais e reações. Como Tristão, bebemos a poção e damos por nós possuídos: apanhados em reações automáticas e sentimentos intensos, um estado quase visionário. […] 

Uma das grandes necessidades da modernidade é aprender a diferença entre amor humano, enquanto base para o relacionamento, e amor romântico, enquanto ideal interno, caminho para o mundo interno. O amor não sofre por se libertar dos sistemas de crenças do amor romântico. O amor só melhora quando distinguimos amor de romance.

*Robert A. Johnson, in: We (tradução minha)

Um mito, uma danza: Tristão e Isolda, 18 de janeiro, inscrição obrigatória por mail: biodanzanunopinto@gmail.com

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