Comida

16/04/2018

A minha relação com a comida mudou a partir do momento em que tomei consciência do que era, de facto, comer.

Comecei por retirar o glúten da minha vida e percebi que, tal como algumas pessoas, o glúten só ocupa espaço. Enche, finge que nutre, mas, na verdade, não alimenta nem satisfaz. Só ilude. 

Desde então, faço o meu próprio pão.

E nunca mais comprei nem consumi nada processado. O que me apurou o paladar. Ao ponto de, raramente, comida confecionada fora de casa me saber ao que quer que seja.

Às vezes, o pão acaba e não faço logo outro. No dia seguinte, vou ao supermercado da esquina buscar um pãozinho para o pequeno-almoço, acordo com uma fome de leoa e sou capaz de comer este mundo e o outro. Daí que, de manhã, o discernimento não é muito e, por vezes, compro e como mais do que deveria. Para constatar que, por mais que coma, nunca me sinto satisfeita. Antes, ficar cheia e a rebentar era o critério que determinava que havia comido o suficiente.

Corria o sério risco de me transformar num paquiderme de médio porte, quando…

Há relativamente pouco tempo, descobri que sou sensível ao açúcar. O que se traduz num défice de produção de seretonina. Para combater essa sensibilidade, que, no meu caso, se traduz num comportamento compulsivo de consumo de chocolate, mas poderia ser de álcool, cigarros…, o objetivo é o mesmo, o de conexão e evasão ao mesmo tempo, é importante manter os níveis de beta-endorfina satisfatórios.

As beta-endorfinas são as hormonas responsáveis pela sensação de conexão e paz absoluta que quem corre sente num determinado momento. Ou quem cria. Ou quem inspira e expira profundamente, por isso há tanta gente que não vive sem Ioga. E que são diferentes das endorfinas, para as quais basta a prática regular de exercício físico.

Descobri-o ao ler um livro chamado: Potatoes, not Prozac, cuja autora propõe três refeições por dia, a intervalos de 5 a 6 horas entre cada uma. Sendo que em todas as refeições tem de estar assegurada uma determinada quantidade de proteína e o objetivo dos intervalos é desabituar o corpo de consumir açúcar e/ou alimentos que em nada acrescentam, apenas, lá está, iludem.

Não é fácil esquecer o açúcar. Nem aguentar cinco a seis horas sem ingerir alimentos. Eu bebo chá, porque ninguém merece… E já quebrei o jejum várias vezes. Ainda agora emborquei um pacote de Malteasers. Mas o que importa é que introduzi, no meu sistema e nas minhas rotinas, a proteína a todas as refeições e ganhei consciência das horas entre cada uma delas.

Não sei se conseguirei viver sem açúcar

E continuo a achar particularmente irritantes as pessoas que dizem que apenas um quadrado de chocolate preto basta para as satisfazer… Eu não descanso enquanto não despachar um pacote desses aí da imagem…

Mas sei que há uma diferença abissal entre o que nos nutre de verdade e o que nos ilude, nos engana. Nos leva a acreditar que colmatamos uma carência, quando, pelo contrário, apenas abrimos um buraco ainda mais fundo a cada vez que consumimos algo que não nos nutre verdadeiramente. Apenas ocupa um vazio, que vai continuar a existir, só está disfarçado. E que gera mais comportamento compulsivo e autodestrutivo, ao mesmo tempo que nos desvia a atenção para coisas que nos satisfaçam de verdade e nos engordem menos.

Com as pessoas é igualzinho…

Saber quem está a tapar um buraco com uma folhinha de parra e quem está a preenchê-lo até que fique uniforme com a superfície faz toda a diferença na saúde mental de uma pessoa.

Já que, também emocionalmente, o que nos tira ou engana a fome não é necessariamente o que nos nutre.

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