Covid-19 – Natureza

25/03/2020

A natureza, como o planeta, existe há milhões de anos.

Nunca precisou nem precisa que o Homem lhe diga o que fazer para se salvar e/ou equilibrar. Pois arranja sempre maneira de tratar do assunto. Eliminando tudo o que não faz falta ao seu equilíbrio. Incluindo o Homem. Mas as pessoas ainda acham que precisam de ajudar animais a beber água em bebedouros.

Sem qualquer noção do ridículo…

Desde que Itália parou, o mesmo já se tinha verificado com a China, as emissões de CO2 na atmosfera baixaram brutalmente.

O ambiente não precisa de ativistas de espécie alguma.

Muito menos de uma adolescente aos berros a culpar meio mundo pela sua existência. Adolescente essa que deveria estar na escola, a aprender. Para poder falar apenas e só sobre o que sabe, com base em conhecimento. Científico, real, factual. E não em todo o tipo de insanidade e neurose que lhe enfiaram na cabeça. Não apresentando soluções, apenas críticas.

E de uns pais responsáveis e conscientes.

Ademais, os avisos estavam à vista. No entanto, ninguém parou para pensar. Nem ninguém fez a sua parte, evitando deslocações de carro quando podem ser feitas a pé, por exemplo. Ninguém se preocupou em poupar recursos, optando pelo teletrabalho que, como se vê agora, não só é possível como desejável. Ou em perceber de uma vez que 90% das reuniões presenciais podem ser evitadas, bastando meia dúzia de mails para resolver a maioria dos assuntos.

Nenhuma empresa produtora de tecnologia parou dois segundos para pensar que não precisamos de modelos, atualizações, a cada minuto, tornando os aparelhos obsoletos ou a funcionar mal, para perpetuar um consumo insano de dispositivos que não acrescentam em nada aos antigos. Sequer fazem falta. Apenas alimentam um sistema que cria falsas necessidades às pessoas, provocando um consumo desenfreado de objetos inúteis e quantidades industriais de lixo eletrónico.

Nenhuma marca se preocupou em reduzir ao mínimo as embalagens dos seus produtos.

Entre tantas soluções que agora miraculosamente aparecem.

Este vírus veio mostrar que, com um pouco de consciência, há uma série de opções, de alternativas, ao modo de vida que nos foi imposto como certo. Como único possível, até.

Neste momento, o mundo só precisa de gente que investigue, faça a sua parte o melhor que sabe e pode, com trabalho sério, honesto, responsável. Que maravilha se toda a gente só fizesse, falasse, escrevesse sobre o que sabe, verdadeiramente. E pensasse, além do próprio ego, antes de o fazer.

Há uma série de miúdos a fazer e a descobrir coisas incríveis.

A desenvolver projetos que visam o coletivo. A arranjar soluções para problemas seríssimos, como abastecimento de água em regiões remotas de África. Calados, nos seus espaços. A produzir resultados eficazes e concretos. Que não precisam de palavras ocas para se fazer ouvir. E ver.

Só de jornalismo responsável para o divulgar

Perante o que se está a passar no mundo, continua a ouvir-se gente apenas focada na economia, no modo como se tem vivido até aqui. Gente que insiste num sistema que já se provou estar saturado.

E, como tal, não é mais viável.

A natureza vem agora mostrar, da pior maneira possível, que uma mudança do sistema é urgente. Sistema esse que precisa agora de ser mais equilibrado. Para permitir que toda a gente, e tudo o que compõe a natureza e a biodiversidade, tenha o seu espaço. Que toda a gente faça o que sabe e pode e que não se exija mais do que isso. Nem menos.

A natureza e o planeta não obedecem a lei de mercado nenhuma. Isso é uma invenção que foi incutida na cabeça das pessoas, que a papagueiam sem o mínimo de sentido crítico.

O sistema não pode excluir uns e privilegiar outros.

Proteger uns e desproteger os outros. Conforme lhe dá jeito. Está aí a prova. De que todos precisamos uns dos outros.

Em colaboração e cooperação.

Com autonomia, responsabilidade, consciência individual e coletiva. Sem que seja preciso tentar anular, diminuir, humilhar, controlar quem quer que seja para ter espaço para si. Basta ocupar apenas o espaço que lhe cabe. E fazer a sua parte, contribuindo para o bem comum, a consciência coletiva e o seu próprio equilíbrio psíquico. O universo irá refleti-lo. Ou tudo fará nesse sentido. Como sempre fez.

A natureza, como mostra esta foto  de capa da The Economist, fechou o mundo. Todo.

Acabou com todas as formas de distração, como o futebol, os restaurantes e bares, as lojas, entre outras formas de alienação individual. E de fuga de nós mesmos. E está a obrigar-nos a recolhermo-nos. A olhar para dentro. A aceitar que não controlamos rigorosamente nada. A pedir que fiquemos quietos e confiemos, mesmo que não saibamos em quê ou em quem. Que a aceitação e a assimilação de tudo o que está a acontecer se façam individualmente. Dentro da psique de cada um.

A deixar que os que têm de continuar a sair para trabalhar o façam, protegidos.

Da melhor forma que souberem e puderem. A voltar a dar aos cientistas e investigadores a oportunidade de serem ouvidos. Para que, usando a inteligência e os recursos disponíveis, possamos sair disto vivos.

Os comuns mortais, do mundo todo, a única coisa que podem fazer é ficar quietos e calados. A pensar na vida, na sua quota parte de responsabilidade no caos que criaram. E continuam a criar, queixando-se nas redes sociais de tudo e mais alguma coisa. Policiando a vida alheia sem olhar para a sua.

E deixar que o universo se resolva.

Porque esse sim fá-lo-á pelo melhor, o bem comum, e não o desejo de poder e controlo de meia dúzia, em contraponto à fantasia narcisista e infantil dos que insistem em querer que os outros se responsabilizem pelas suas vidas, suas ações e respetivas consequências.

Quietos e calados, caramba, não é pedir muito…

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