Cristiano Ronaldo, CR7 e o Patriarcado: A queda de um mito… 

06/10/2018

Neste caso mediático planetário em que o nome de Cristiano Ronaldo está envolvido, vejo muitas companheiras de género dizer: e mulheres também. Acabando por exigir, mais delas do que dos homens, uma posição em defesa da alegada vítima de Cristiano Ronaldo.

Vejo muita gente extrapolar o facto de alguém dizer: eu acredito nele, usando essa afirmação como todo um conluio com o patriarcado.

Sinal verde para usar e abusar das mulheres. 
Misturando tudo e fazendo mais uma vez um desserviço.

Alternando entre vítimas e agressoras todas as mulheres. Mais patriarcal do que isto seria difícil. Mas, enquanto o projetamos nos outros, folgam as costas.

As mulheres, como os homens, são filhas do patriarcado.

É o mesmo sistema. É natural, como aliás referi num texto recentemente, que nem sequer se apercebam do que estão a dizer, a alimentar e a perpetuar, o machismo,

a superioridade masculina.

Por não conhecerem outra realidade. Não saberem que existe. Não questionarem, seguindo modelos e perpetuando neuroses.

Ou passam para o oposto, querer controlar o masculino. Mais uma vez,

não há arquétipo mais masculino do que o do poder.

As mulheres, mesmo parecendo que concordam, só têm anos, existências inteiras de patriarcado nas costas. É preciso chamar o boi pelo nome, olhá-lo nos olhos, aceitar que faz parte da minha história, trazê-lo para a consciência e integrar o seu conteúdo.

É a única forma de não perpetuar o machismo e o patriarcado ad nauseum.

Depois das primeiras trocas de afetos mútuos entre Cristiano e a modelo, ele telefona – ou manda um sms, os artigos da Der Spiegel de anos diferentes contradizem-se neste ponto – a dizer: vamos subir à minha suite.

E uma mulher responde: ela sabia ao que ia

não quer dizer que ela merece ser violada.

Muito menos que: “estava a pedi-las”.

Só quer dizer que ela já esperava que ele quisesse ir mais longe do que uns abracinhos e uns beijinhos, e, eventualmente, ela também. Se não quisesse correr esse risco, se não quisesse pelo menos iludir o outro, não subia. Isto acontece todos os dias, com todas nós. Ou todas as noites, ou sei lá. Ainda para mais na profissão dela.

Mais uma vez, não é porque faz o que faz que merece sequer pode ser violada.

Só quer dizer que não é nenhuma inocente.

Sabia, como e melhor do que o resto das mortais – que não trabalham a angariar clientes para discotecas, isto é chamar os bois pelos nomes, não é acusar ninguém de nada; o resto fica a cargo da fantasia PESSOAL e intransmissível de cada um – sabe:

A toda a hora há um vamos subir, é melhor não.

Não implica que ela merece ser violada, porque a meretriz (ironia) subiu ao quarto de um homem, que, coitadinho, não conseguiu segurar o pinto.

Exigir mais das mulheres infantilizando emocionalmente os homens, por sinal, comportamento adotado frequentemente por mulheres, mães, filhas, colegas, irmãs, mulheres e namoradas, e avós, é outra das características mais marcantes do patriarcado.

Pôr o mal nas bruxas das mulheres, que têm poderes ocultos que a gente não entende e dos quais tem medo.

Da mancha já não se livra.

E patrocínios já começaram a ser retirados. Eu só espero que isto não passe de um enorme pesadelo. Seria a decepção do século.

A queda de um mito…

Ainda que um comportamento não defina um homem. Uma série de comportamentos sim.

De resto, não: é e será sempre, NÃO.

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