Desconexão

13/06/2017

Às vezes gostava que não soubéssemos comer e beber tão bem. Que não fossemos orientados para o prazer, ou que o fossemos apenas, conhecêssemos perfeitamente a linha que separa prazer de apego, vontade de dependência. Que não fizesse parte da cultura dos países do Sul, da cultura portuguesa, da cultura familiar, de um lado e de outro, não fosse eu descendente direta de alentejanos e minhotos. Do lado paterno, mais no que aos copos e cigarros diz respeito, e do materno no gosto pela boa comida, e um bom vinho.desconexão

Seria mais fácil do que tentar controlar-me…

Desde que abracei a vida saudável, nada processado, zero glúten, zero açúcar e lactose só nos iogurtes gregos, numa manteiguinha básica e num queijinho ou outro, sinto o corpo mais leve, e a cabeça também. Parece que nada mudou, porque não é óbvio, visível, nada que se note de uma forma inequívoca, intensa, impactante. Vai-se notando.

Enquanto estou por minha conta é fácil, controlo o que como, porque sou eu que faço as compras, não bebo nem fumo. Sequer tenho vontade. Não é uma questão de luta interna, das forças do mal contra as forças do bem.

Quando acontece sair, com pessoas que fumam e bebem, mais extrovertidas, que por isso me levam a ficar mais tempo na rua, é o diabo.

Com esta moda da eliminação do glúten das dietas não só para quem não é alérgico ou intolerante, como é o meu caso, já vi por aí uma série de artigos a dizer que pode ser prejudicial parar de consumir. Só leio o título, nem me dou ao trabalho de abrir o artigo. É experimentar ficar sem consumir um mês. E voltar a consumir um fim-de-semana a ver a diferença no estômago e em tudo o resto. O glúten não faz falta nenhuma.

O problema é o que comer na rua

Se fosse alérgica ou intolerante, e não adorasse pão, era mais fácil. Não podia comer e pronto. Assim, as opções são limitadas. Se tivesse menos 20 anos, dizia, como digo, é só hoje, esta semana, depois isto acaba e eu volto à rotina alimentar decente.

E o tempo que leva a recuperar

Depois dos 40, tudo é mais lento, mais difícil, no nosso corpo. E eu, depois de uma semana de alguns excessos, noto que levo uma vida para me livrar de pequenos momentos de prazer ou de descontrolo, de desregulação.

Noto no corpo, na disposição mental e física, e na corrida…

Achei que era o vento do fim da tarde, que sopra de todas as direções, que andava a afetar-me a performance, causando-me um cansaço fora do normal, um batimento cardíaco acelerado demais, mas descubro que o peso que sinto no corpo está diretamente relacionado com o excesso, de tudo… É uma pena não me lembrar disto quando estou prestes a violentá-lo. Só depois.

E o verão ainda nem começou…

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