Dia Internacional da Mulher – Deusas e Mulheres

08/03/2018

Mulheres, feministas, que achamos que protegemos tanto outras mulheres e meninas, esquecemo-nos frequentemente de nós mesmas, traindo-nos todos os dias. 

Somos Deusas e Mulheres. Vejamos como:

A cada vez que negamos o nosso poder de sedução, a nossa beleza, a capacidade de ouvir, a sensibilidade; a cada vez que nos envergonhamos do nosso corpo, que deixamos de nos entregar ao prazer, que castramos a nossa liberdade, que nos recusamos a sorrir,

negamos e traímos Afrodite.

A cada vez que negamos a nossa capacidade de cuidar, nutrir, acolher, o nosso instinto materno,

negamos e traímos Deméter.

A cada vez que nos recusamos a considerar tudo o que vai além da razão, o obscuro que há em nós, a nossa necessidade de cuidado, a sabedoria do inconsciente,

estamos a trair Perséfone.

A cada vez que desconsideramos a importância do casamento, do homem que temos ao lado, da fidelidade; a cada vez que descartamos a nossa capacidade de liderança, que deixamos de lutar pelo nosso relacionamento,

estamos a negar e a trair Hera.

A cada vez que nos recusamos a ser independentes, a correr por montes e vales, a solidarizarmo-nos com as nossas irmãs, as nossas amigas, a cada vez que damos de bandeja e reconhecemos a primazia do poder ao masculino, por nos acharmos inferiores,

negamos e traímos Artémis.

A cada vez que nos recusamos a ser estrategas, a usar a razão para resolver conflitos, a ir para a guerra caso a razão não chegue,

estamos a trair Atena.

A cada vez que nos recusamos a confiar na sabedoria interna de cada uma de nós, que consideramos demais o mundo externo e de menos o mundo interno, que abdicamos dos nossos valores pessoais,

estamos a negar e a trair Héstia.

A cada vez que tentamos racionalizar emoções, que procuramos argumentos para validar o que sentimos, que abdicamos de nós em prol do que é coletivamente aceite, que nos recusamos a satisfazer um desejo, que damos primazia à razão, quando o que devíamos fazer era dar uns bons gritos para impor limites;

A cada vez que descuramos necessidades básicas, vontades imperiosas, sentimentos verdadeiros e emoções pulsantes; que nos recusamos a receber o que for, amor, carinho, afeto, manifestações públicas de apreço;

A cada vez que nos negamos à compaixão, lutamos por poder com agressividade, em vez de usarmos a intuição e o instinto para mostrarmos aonde queremos chegar; a cada vez que nos negamos a aceitar que nos sentimos magoadas, que nos enganamos a nós mesmas para validar outros, estamos a trair o feminino que há em cada uma de nós.

Abracemo-nos, acolhamo-nos, respeitemo-nos, amemo-nos acima de todas as coisas, de todos os outros. Ao que somos, no todo, e não apenas em parte, a parte masculina e sobrevalorizada de nós mesmas.

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