É a conexão que me comove

05/11/2019
É a conexão com, e a rendição a, algo maior do que eu, atemporal, que me comove, sempre.
 
O bom de viajar sozinha é não me sentir obrigada a falar ou a ouvir o tempo todo. O mau é não ter ninguém que nos tire fotos… Falar afasta-nos da conexão. É uma necessidade do ego de retomar o controlo que perdeu com a conexão maior. Que não quero perder, nem por um segundo.
Já não tenho medo de caminhar entre os mortos.
E faço-o, sem direção ou objetivo, deixando-me guiar por algo que não controlo.
Sem pressa, olhando os nomes cravados na pedra, para sempre.
Talvez numa tentativa vã de os manter aqui, pelos que cá ficam. Com a consciência plena de que todas aquelas almas são livres, agora. Por terem vivido as suas vidas da melhor forma que puderam e souberam. Guiadas pelos deuses, a vontade, o instinto, o arquétipo.
Invejo-lhes a ausência de corpo e a presença de espírito.
 
Depois de Jamie ser açoitado duas vezes no espaço de um dia, quase morre às mãos de Black Jack Randall, mas em momento algum cede ao seu carrasco, sem nunca vergar nem mesmo verter uma lágrima, há um médico que, encarregue de lhe cuidar das feridas, lhe diz:
não está aqui ninguém, podes chorar.
Na necrópole de Glasgow, que fica numa elevação do terreno, ao lado e acima da catedral que serviu de Hôpital des Anges, em Outlander, choro os mortos dos outros. E os meus, um bocadinho, aproveitando que aqui, onde deixaram os seus ossos, estão mais pertinho do céu.

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