Equilíbrio

06/02/2018

Tenho a certeza absoluta de que não sobreviveria sozinha na selva uma semana. Ou num sítio qualquer onde a civilização não tivesse chegado. Também me lembro amiúde do filme do chato do Tom Hanks numa ilha deserta, em que os cartões de crédito que o safavam na cidade e ainda lhe permitiam fazer boa figura, de nada lhe serviram no meio do oceano. Daí que sei há muito tempo que o intelecto não é síndroma de superioridade. A cultura geral de inteligência. Mas, tal como todos os europeus, sou filha da razão. Da ciência. E por isso não a nego. Também não a exacerbo. Muito menos acredito que é tudo o que há. Essa necessidade de prova e contra prova já quase me matou e é na minha modestíssima opinião o que acabou com o Freud.

Eros e Psiquê. O Amor entre os Deuses e os Homens.

E o que eleva Jung a um patamar superior.

Mas o excesso de patriarcal parece querer empurrar grande parte da humanidade para o extremo oposto. Enquanto a outra parte permanece agarrada a ele, tornando-se excessiva nas suas manifestações e defesas, fazendo a apologia do indefensável.

Gente que não vacina os filhos, que resolveu voltar para o matriarcal negando tudo de bom, positivo, civilizacional, tecnológico, até, isto talvez não, como é que postávamos no facebook que amamos a mãe terra e demais esoterices, que quer fazer dietas do paleolítico, como se os homens de hoje tivessem as mesmas necessidades nutricionais dos primitivos, poupem-me, a sério, gente que paga fortunas por uma garrafa de água do rio tal que não faz ideia se está contaminada, gente que se esquece que o povo, antes da ciência e da revolução industrial, não chegava aos 40 anos, e que enche o bolso dos espertos que se aproveitam de quem não pensa para enriquecer, é tão louca ou desequilibrada, neurótica, vá, quanto o seu oposto.

A nova ordem não é a negação absoluta do patriarcal.

Já lá estivemos e também não deu certo. O patriarcal equilibra o excesso de matriarcal, de desejo, de alienação. O matriarcal também tem o respetivo polo negativo, o descontrolo emocional, o vale tudo. A razão é precisa para haver equilíbrio. O patriarcal é organizador. É o equilíbrio do patriarcal com o matriarcal, o desejo, a nutrição, o instinto, e acima de tudo o princípio feminino do Eros, do Amor, que é o fiel da balança que dá equilíbrio a isto tudo.

E totalidade. Que se obtém com a união dos opostos. Ou, pelo menos, a amena convivência entre eles. Porque ao escolher um lado, estamos a negar o outro, que irá apossar-se da nossa consciência e fazer o que quiser connosco até que o reconheçamos e lhe atribuamos o devido valor.

Parem com isso…
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