Esquerda e Direita

14/10/2018

Chateia-me um bocado esta falsa divisão entre esquerda e direita. Principalmente por a esquerda se ter apropriado de valores humanos e humanitários que, naturalmente, não lhe pertencem. Valores esses comungados por muitos católicos, muitas vezes alvo de insultos pela própria esquerda. 

Quando é socialismo, é solidariedade. Quando é catolicismo, é “a puta da caridadezinha”.

Chateia-me por ser mais uma forma de dividir para reinar, do nós contra eles. Chateia-me principalmente por ser redutor e manipulador. Porque implica que nós, os de esquerda, somos os bons e vocês, os de direita, são  maus. Como se tivéssemos 15 anos e não houvesse caminho do meio. Que não fosse igualmente comprometido.

Jamais votaria à esquerda do PSD (Portugal), jamais. Como jamais votaria num militar. O que não quer dizer que seja má. Sou humanista até ao fim da minha vida e os valores que defendo são condizentes com essa condição. Não pertencem a qualquer partido político, existem bem antes deles.

O que acredito e defendo também não faz de mim má, intolerante com os pobrezinhos, preconceituosa ou o que for. Faz de mim gente, pessoa, que defende que quanto menos Estado, melhor Estado. Mas que, ainda assim, defende a presença do Estado sim. Que este deve garantir saúde, educação, segurança e justiça. Isso não faz de mim comuna, de esquerda, faz de mim um ser humano.

De resto, das pessoas mais intolerantes que conheço muitas são “de esquerda”. Das pessoas mais insensíveis que conheço também. Nunca deixei de ser amiga de ninguém por ser de esquerda. Já me vi ser bloqueada e desamigada por gente de esquerda por não aguentar que eu vote à direita. Coisa que em Portugal nem existe, existe, isso sim, centro direita. Com a bandeira da bondade e da solidariedade, acabam por pactuar com verdadeiras aberrações para não serem apelidadas sei lá de quê. Já para não falar na intolerância em relação a todos quantos não partilhem dos seus supostos ideais, não defendam as mesmas causas. Causas essas que, na prática, são atropeladas a toda a hora.

Ser de esquerda na teoria é lindo, fica muito bem na fotografia, mas só aí…

O Brasil votará para a sua presidência no último fim-de-semana de outubro. Os candidatos são um general e um comunista, pau mandado de um ex-presidente que está preso por crimes de corrupção. Os brasileiros fizeram a coisa de maneira a que agora estejam em causa não sei quantos anos de PT no governo ou uma ditadura militar.

Sim, com a história: golpe para lá, não foi golpe para cá, foi a isto que chegámos.

Não votaria nem num nem noutro.

E ainda gostava que alguém me explicasse porque um voto nulo, branco ou uma abstenção são um voto para quem ganha. Sem se limitar a repetir essa frase, não sou surda, não é por repetir que me vai convencer. Explique-me como se eu fosse um INFP, um criativo, uma pessoa que vê além do preto e do branco. Explique-me com poesia. E, obviamente, com sentido. Como é que isso acontece? Que manigância está por detrás do sistema eleitoral que faz que um voto nulo, branco ou uma abstenção sejam um voto no candidato que ganhar?

Mas ficaria furiosa se tivesse que votar no Haddad para que Bozo não ganhasse. Porque, infelizmente, o partido iria usar isso como voto expresso de livre e espontânea vontade, validando aquela como a minha escolha consciente. É isso que me chateia na política, a desonestidade intelectual.

O Brasil arrisca uma ditadura militar na sua tão frágil democracia. E o que me chateia nisto é a outra opção ser um partido comunista que está há 14 anos no poder.

E a responsabilidade é social, é de todos.

Espero que os movimentos de extrema-direita e extrema-esquerda sejam travados na Europa a tempo. Há anos que ando a avisar. Depois, pode ser que seja tarde.

Antes de uma saraivada de textos com Outlander como pano de fundo, ainda aqui venho tentar explicar porque é que partidos e líderes de extrema-direita chegam ao poder, mesmo na Europa, onde a pior das guerras se travou ontem.

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