Eurovisão

08/05/2018

Como o meu BFF é melhor do que os vossos, ontem fui à Eurovisão. Como é mesmo muito melhor, ficámos no Golden Circle, que é aquele espacinho mesmo colado ao palco.

Nas primeiras três filas, era só gajos. Nunca tinha visto tamanho concentração de homens por metro quadrado. Nem na bola. A Eurovisão é um reduto gay masculino, não sei porquê. Por causa da música? Do glitter? Das lantejoulas e dos brilhos? Não faço ideia. Ao todo, haveríamos de ser meia dúzia de mulheres…

E foi divertido.   

As nossas meninas estavam lindas, virei fã da Daniela Ruah no 5 para a meia noite no outro dia. Da Cautela já era. E quanto à Catarina tenho pena que ache que tem de parecer tontinha para ter graça. Porque é linda, tem menos um ano que eu e umas pernas que nem daqui a três vidas terei. Diz-me o meu BFF que frequentava o ginásio dele e malhava todos os dias. Mas sei que não é só isso. Houve uma época da minha vida em que malhava todos os dias e às vezes duas e três vezes por dia e não fiquei assim.

Ademais, não conheço ninguém real que malhe a sério, eu malhava, e seja magro. Exceto os profissionais do Atletismo. Ou seja, é preciso cardio para tal. Caso contrário é massa muscular em barda, que faz de nós largos, não magros… Ela é magra, coisa que nunca fui. Daí que a genética conta e muito. Passar fominha também. E eu sempre fui coxuda.

Não tinha ideia que era muito mais um espetáculo televisivo do que qualquer outra coisa. De tal maneira que cenários e luzes resultavam muito melhor nos ecrãs dos telefones do que ao vivo. O som é muito diferente. E estão-se absolutamente borrifando para o público presente. A produção é exemplar, nós somos excelentes produtores, e enorme. Enquanto vocês em casa vêem os videozinhos dos países, nós vemos a moçada a mudar o palco e a preparar os artistas. É muito louco…

De resto, aquilo é um freak show do caneco.

Adorei o cabelo da grega, a atitude da miúda da Suíça e tive a perfeita noção que passei ao lado de uma grande carreira de artista de variedades quando dei por mim embasbacada a olhar para a miúda do Chipre. Aquele fato laranja coleante, aquele menear de cabeça sem correr o risco do torcicolo, aqueles esquemas que parecem coisa de miúdas do ciclo, tudo me fascina.

O concurso haveria de ser para ver quem é mais freak.

E nesse caso, Israel já ganhou. Se no ano passado para lá levaram um chimpanzé, este ano ela resolveu que imitava galinhas. Para o ano, ganha o gajo que levar um hipopótamo. Proíbem animais no circo, para os levar para a Eurovisão, de certezinha…

As luzes a piscar, boas para a epilepsia, o palco a pegar fogo, o tecno-trash a bombar, o paraíso do pirómano, até lança-chamas lá havia, tudo verdade. Mas parece que o nosso Salvadorzinho alguma coisa fez pelo certame. Houve muitas músicas calmas, até ópera, e a da Lituânia é a melhor. A da Bélgica não é má, mas alguém havia de dizer à miúda para dar um corte valente naquele cabelo que aquilo é coisa que já não se usa. É capaz de ganhar o Brexit… 

O público tenta acompanhar como pode o outefite dos artistas. Verdadeiras pérolas.

E havia um finlandês atrás de mim que cantava as músicas TODAS, inclusive em grego…

Por fim, leio hoje no Observador que a primeira meia final é mais logo. Mas juro pela minha saúde que ontem aquelas músicas desfilaram todas e foram votadas. Até já tinham anunciado quem passava à final. As miúdas gritaram: “parem de votar agora”, em estrangeiro, e tudo.

Como achei que o que faltava ali eram as Doce e os Abba, resolvi que cantava o amanhã de manhã enquanto as votações vinham e não vinham.

Houve um miúdo, que esteve horas a filmar-se em direto, a sério, porque hoje em dia não é preciso fazer nada, a esta miudagem basta ligar uma câmara de vídeo apontada a si e existir, que me filmou. Só percebi no fim.

Ninguém mais se questiona sobre privacidade, é coisa que não existe para estes miúdos. A questão nem sequer se põe. Como já tinha bebido dois Gins, estava bem-disposta e não lhe peguei no telefone e o atirei para longe. Mas avisei-o para não divulgar as imagens. O mais provável é que tenha posto no stories do instagram e que hoje já não exista. A temporalidade e a permanência são conceitos difíceis de entender para esta gente e eu temo pelo futuro da humanidade. Ninguém há de sustentar relacionamentos tempo suficiente para ter filhos…

O meu BFF é melhor do que os vossos e esta foi uma experiência imperdível.

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