Fantasia

17/03/2019

Andava há que tempos a tentar entender a minha embirração com o Carnaval, a fantasia e tudo o que implicasse bailes de máscaras. Percorri todos os traumas e vivências alusivas à data e, ainda que fossem belíssimas explicações racionais, nunca chegaram a convencer-me verdadeiramente.

Não há melhor fonte de inspiração criativa do que o caminhar

Melhor ainda do que tomar banho ou lavar os dentes…

E foi precisamente quando deveria estar a pensar noutro tipo de soluções criativas, a caminhar, que me ocorreu o motivo da minha profunda embirração, e até algum nervoso, com o tema carnaval, máscara, fantasia…

A fantasia é coisa séria para um introvertido. Sagrada, até…

O mundo interno é o que temos de mais nosso e de mais precioso. Onde dificilmente deixamos alguém entrar. E é raro partilharmos o seu conteúdo, mesmo com gente de quem gostamos e com quem mantemos alguma intimidade.

A fantasia é a principal protagonista desse mundo

E, por isso, mantida protegida e resguardada dos olhares alheios. Cheios de lógica, razão e outras irritantes impossibilidades.

As pessoas confundem fantasia com unicórnios e filmes da Disney. Chutando-a para o irreal, o imaginário, apenas. Como se fosse coisa de crianças. E não assunto sério, fonte primeira de criação.

Os unicórnios não existem.

No entanto, a fantasia é a única possibilidade de vida para um introvertido. É a única forma que arranjou para viver no mundo extrovertido. E partilhá-la é entrar-lhe pela alma e esventrá-la, deixando-a à mercê de qualquer um.

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