Fantasia

06/12/2017

Vinha discorrer sobre a fantasia, que, mais até do que a projeção, é a responsável pelas grandes desilusões amorosas, profissionais, pessoais, a todos os níveis. Que talvez precisasse de parar de ser tão emocional, tão crente no amor e nos afetos, no desejo de ligação e de conexão. Que precisava de deixar de ser tão coração e passar a ser um pouco mais dura, impenetrável, impermeável, implacável, firme e forte. Corresponder então à imagem que uma série de pessoas têm de mim, a de durona, porque tenho um vozeirão, sou expontânea e sacudida. fantasia

Que não teremos sempre Paris

Vinha dizer que a culpa é de todas as comédias românticas que vi, devo ter sido quem mais viu comédias românticas no mundo. Amaldiçoar as séries americanas e a fantasia de que tudo se resolve e todos sabem sempre o que dizer e o que fazer a todo o momento. E que nos deixam um vazio de vida imenso quando acabam. E os romances da Jane Austen, apesar de não gostar de bailes e de já não ter idade para dar beijos à chuva.

Que talvez tivesse chegado a hora de adotar o cinismo, o distanciamento e a amargura da idade adulta.

Que não se encanta com nada e se acha ridícula quando se deixa levar pelo entusiasmo.

Vinha dizer que, apesar de nunca ter tido tanta saída e tanto sucesso como agora, pior do que a idade, na minha cabeça continuo a ter 30 anos e menos dez quilos, são os rituais de passagem. Os biológicos e os sociais. Que nos dizem que não há como voltar atrás, viver o que não vivemos aos 20 anos, conquistar o que é suposto conquistar aos 30 e aos 40. Que não podemos abdicar das escolhas que fizemos, nem trocá-las por outras, como quem vai à loja e pede para substituir um eletrodoméstico que não funciona. Que não temos garantia de dois anos. Que mesmo que a escolha tenha sido consciente, é possível a nostalgia do que não vivemos e não temos mais hipóteses de viver nos enevoe os olhos e nos deixe uma cicatriz no coração.

Mas é dezembro

As luzes chegaram à cidade e a Av. da Liberdade está linda, com estrelas que caem do céu e brilham nas árvores. Os edifícios chiques da cidade estão iluminados de luzes douradas e eu sorrio involuntariamente perante o cenário de magia que acontece todos os Natais e que me faz esquecer a solidão e a época do ano em que há mais suicídios.

A pessoa que mais ouço e mais respeito neste momento no mundo disse-me que temos de fazer o que nos faz sentir bem, é o que nos nutre e nos permite, dá estrutura e força para enfrentar o menos bom, mas necessário.

E ontem fui dançar… A Identidade

Ouvi o My Way… E, no torpor da vivência e das lágrimas de comoção, percebi que, com perdas e ganhos, frustrações e inibições, o que importa é que I did it my way.

E no meio daquela parolice do Roberto Carlos, e do tamanho do amor dele sabe deus por quem, uma voz dizia: outra vez? Vais castrar o melhor de ti outra vez? Tolher-te? Encolher-te? É bonito esse amor, todo esse sentimento, essa emoção. É o que te permite conectares-te com o que verdadeiramente importa, significa e é significativo. E criar…

É tão bom ser eu…

Talvez precises de integrar o teu ESTJ, arranjar maneira de conviver com ele. Mas jamais, jamais a expensas do teu INFP. É a tua natureza e já esteve tempo demais sob o subjugo coletivo. Quem gostar, gosta, quem não aguentar, tem bom remédio.

Artist’s Date 336/365 – Rent Casablanca (5 Dez.)

No Comments

Leave a Reply

error: Content is protected !!