Fazer

18/10/2017

Numa cultura em que o sucesso se mede pela quantidade de coisas que fazemos, é difícil aceitar que não há nada que possamos fazer. E não me refiro apenas a casos extremos em que nos resta apenas esperar a morte. Mas a momentos particulares em que somos tomados por uma tristeza, uma melancolia, que não conseguimos identificar, não queremos racionalizar, desviar-nos da emoção que nos invade para a qual há motivos concretos, e a única coisa a fazer é aceitar a apatia e esperar que passe.

Não se trata de alimentar, mas de aceitar que cumpra o propósito, desconhecido da consciência, mas certamente certeiro psiquicamente, como um todo.

E acima de tudo que faz parte

Que não é permanente, que há de passar, mas que faz parte. Do equilíbrio, da vida. No mundo moderno em que os cheerleaders da felicidade viraram profissão, é preciso resistir a essa esquizofrenia. 

Sem que sequer haja lugar a queixume, reclamação. Muito menos a pedidos de soluções. Porque não há soluções, pelo menos dadas por terceiros. A solução, se a houver, está em nós.

E a única coisa que se pede é espaço com presença. Sentir que as pessoas de quem gostamos, com quem partilhamos a vida, estejam ali, por nós. Sem nos invadir, sem nos abandonar à nossa sorte. Confiando que conseguiremos ultrapassar, seguir em frente apesar dos pesares.

Se calhar medimo-nos pela capacidade de ficar. Sem intervir, sem nos abalarmos, nos distanciarmos. A capacidade de ver além, de gostar ser suficiente. Apesar da frustração, da nossa incapacidade, do nosso desconhecimento, de não podermos tudo, de que querer, afinal, não é poder.

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