Feedback – Não basta gostar, tem de funcionar…

19/04/2018

Quantas vezes entramos em relacionamentos, de trabalho, afetivos, amorosos, porque sim, porque faz sentido, por gostarmos da persona que se nos apresenta, porque a família casa bem. Ou precisamente pelo contrário, por ser o oposto de nós e nos encantar pela diferença, pelo que gostaríamos de experienciar e viver e, por algum motivo, não conseguimos. Por ser suposto assentar, nos ser exigido socialmente. Por falta de melhor opção, por estar ali à mão, porque nos apaixonamos e perdemos a razão, por não conseguirmos não ir, resistir… Por, mesmo abaixo da nossa condição, poder ser uma plataforma para algo melhor, nunca, nunca é… Por, por, por… 

E quantas vezes nos frustramos

Por tentar e não dar certo. Por embatermos em muros a toda a hora. Pelo caminho que se estreita para que consigamos chegar ao outro, caminho esse que nos aperta, já. Por falta de liberdade, de conexão, de entendimento, de ação. Por sucumbirmos à necessidade do outro, por domínio do mesmo, para que sucumba à nossa, pelo corpo presente, por estarmos presos por fios, por não conseguirmos sair para algo melhor, pela razão que nos atrapalha e o coração que nos prende…

E a insana insistência em ficar

Na esperança sabe deus de quê, pelo medo do desconhecido, até explodirmos, mandarmos tudo para o alto, chutarmos a porta e sairmos sem rumo nem destino.

Se há coisa que a Biodanza nos mostra é precisamente que não basta gostar. Temos de querer e fazer funcionar. E, para tal, há um requisito fundamental. O feedback. É muito escancarado quando não existe. Quando queremos apenas que o outro faça o que nós queremos, como e quando queremos. O que não é relação, é, atrevo-me a dizer, dominação, egomania, prepotência, narcisismo. Nós não queremos relacionar-nos, queremos alguém que sustente a nossa necessidade, que nos sirva, apenas.

E, para quem sucumbe, nem sequer é meio para chegar ao outro. Porque esse irá sempre tentar levar a sua avante, o que resulta numa canseira imensa e, lá está, num chutar de porta.

Como em Biodanza o encontro é, em princípio, num estádio psíquico que vai além do ego, um estado de mais conexão, estamos sensíveis ao outro e à experiência. E o pior que pode acontecer é o outro não estar nem aí para quem tem à frente. Já para quem aparentemente conduz, o pior é a ausência de presença do outro. Porque podemos perfeitamente seguir e estar presente, inclusive surpreender.

O caminho do meio…

É o feedback, que vai ditar os termos da coisa. Sem ele, não há festa… Não há encontro, há uma série de desencontros, a remota possibilidade de um encontro e a volta aos desencontros.

É preciso querer algo maior, desejar intimidade e conexão para abdicar da necessidade de segurança, de poder, de domínio da situação. Das próprias emoções e temores, é sempre, sempre disso que se trata, para podermos entregar-nos, não ao outro, mas à experiência do todo de nós. O outro é apenas um meio. E a fusão é das melhores sensações do mundo. Por isso só funciona na e com a presença, a disponibilidade e a permissibilidade. E o compromisso, de ambos.

Que tem por base invisível algo maior do que a vontade do ego. O compromisso é com o Self… E o objetivo último é a plenitude, não a segurança, a mera satisfação, o prazer por si só.

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