Gillette: o melhor para o homem (e a mulher…)

21/01/2019

Mal anda o mundo em que um anúncio, bom, ainda por cima, que diz basicamente não à violência, ao abuso, à prepotência da força bruta sobre a liberdade individual, gera controvérsia, polémica, ódios generalizados e desgostos em barda.

O mundo anda polarizado e não é de hoje.

Especialmente em relação ao tema homens e mulheres. Há muito desconhecimento, muita agressão mútua, muita vitimização, muita defesa e ninguém ouve ninguém.

Anda tudo em modo reativo, tipo cão de Pavlov. 

A questão é, obviamente, muito mais profunda do que uma mera e eterna guerra dos sexos. É do masculino (poder) e do feminino (amor) que se trata. Esse está em homens e mulheres. E é esse equilíbrio que é necessário. Primeiro em cada um de nós e depois nos nossos relacionamentos, sejam de que tipo forem.

Movimentos como o #metoo não ajudaram muito

O que começou como um alerta para tomadas de consciência maiores, tornou-se numa tentativa de domínio das mulheres sobre os homens. Homem nenhum aceita isso. E há imensas mulheres que também o recusam. Sem necessariamente serem machistas, apenas não querem perpetuar a vitimização. O que as afasta ainda mais das suas congéneres.

Vamos parar de dividir o mundo entre bons, os que concordam connosco, e maus, os outros.

A coisa chegou a um ponto em que teve de aparecer um manifesto, encabeçado pela Catherine Deneuve entre outras personalidades, para travar uma onda de gente que se aproveitou de um movimento válido e necessário para expiar a neurose, não se coibindo de acabar com a vida de uma série de gente inocente.

Para lembrar que ambos têm de aprender a coabitar.

Os tempos foram ingratos para as mulheres? Foram. Uma merda. A cultura dominante foi abusiva. No entanto, foi o que foi e não dá para apagá-la da História da Humanidade. Mas também não dá para compensar, cometendo o mesmo erro. É um guerra que não tem fim e todos perdemos.

O que dá é para tentar equilibrar. Ajustar. Corrigir a rota e seguir em frente.

Queria deixar isso claro aqui: nós continuamos a querer os nossos homens masculinos. Mais masculinos do que nós mesmas, por favor. Pela parte que me toca, e a muitas mulheres, nós não queremos dominar-vos, que percam um milímetro da vossa masculinidade.

O nosso objetivo primeiro e último é de aproximação, de equilíbrio, de amena convivência. Não de domínio, subjugação.

Essa agressividade toda, essa coisa de controlo, de poder, isso vocês deixam para o desporto. A arte. Não para o relacionamento. Ou para a resolução de conflitos. Relacionamento nenhum vinga sem a presença do feminino.

O feminino equilibra a força bruta. Dá uma temperada na cabeça, impede o radicalismo da lógica, do intelecto, dá-lhe humanidade com a emoção e o sentimento.

Essa coisa da masculinidade entre os pares, equilibrem-na com o feminino. No fundo, no fundo, vocês sabem que muitas vezes é só infantil. Insegurança, coisa de adolescente que tem de provar que é macho.

Já o feminino precisa por sua vez de equilibrar emoções transbordantes com a razão e a lógica.

No fundo, no fundo, ambos temos muito trabalhinho pela frente e, curiosamente, estamos na mesma batalha: fazer as pazes com o feminino. Aceitá-lo, em vez de o temer. Incluí-lo, em vez de tentar anulá-lo, castrá-lo.

Temperança, meu povo, temperança…

E, em precisando de inspiração, é pôr os olhos no Jamie Fraser. O herói de Outlander, magistralmente interpretado por Sam Heughan, é o caminho da evolução do arquétipo do masculino. Não ter medo do que sente.

De o viver e de o expressar.

O gajo mais sexy que conheço usa saias. E andam vocês aí preocupados com a vossa masculinidade e com medo das mulheres. Ponham os olhos no Jamie Fraser, senhores. E nada temam, homens deste mundo.

No fundo, do que todos temos medo não é das mulheres nem dos homens. É do feminino, do que sentimos, porque isso faz uma confusão danada à cabeça, que é impotente perante a força do Amor, a única que nos leva para um lugar mais próximo de nós. Nos conecta, nos vincula e nos une, verdadeiramente.

É a harpa (feminino) que nos une, não a espada (masculino).

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