Há algo de podre no reino de Portugal

15/03/2017

Amiga partilhou notícia sobre uma mulher encontrada morta, no dia em que a polícia e agentes de execução se preparavam para a tirar de casa, por falta de pagamento de prestações ao banco. Causa Mortis: suicídio.

Não sou “de esquerda”, seja o que for que isso queira dizer, não pactuo com vitimismo, e não acho que a culpa de a Maria ter comprado casa seja do Estado. Mas acho sim que há responsabilidade social pelo suicídio da Maria.

O suicídio é uma falha do sistema

E tem sempre, sempre uma quota parte de responsabilidade social, por isso não é noticiado. Está provado que depois de um, seguem-se vários.

suicídio

Num país em que bancos vão à falência por gestão incauta dos seus proprietários; em que cidadãos são chamados a pagar pelos erros de gente que supostamente sabe o que está a fazer; em que cidadãos perdem dinheiro por irresponsabilidade dos gestores das instituições em quem confiaram os seus valores, porque é assim que uma sociedade funciona, com confiança nas instituições.

Num país em que todos os dias se ouve falar de mais problemas financeiros em mais bancos. Só ontem vi a notícia do Montepio via twitter e da CGD nas gordas de um jornal qualquer.

“Protejam as pessoas, não os bancos”

Nesse mesmo país, uma mulher mata-se por não conseguir passar pela humilhação, a vergonha e a desumanidade de ser posta na rua pela polícia, por não pagar a prestação da casa a um banco. Provavelmente, o mesmo que, pela mão pesada do Estado, através de impostos dos quais é impossível fugir, lhe iria pedir para financiar os seus desvarios financeiros, daqui a um mês ou dois.

Ouvi uma vez que não podia tratar-se um banco como se trata outra empresa qualquer: faliu, é responsabilidade do gestor. Porque faria cair a confiança no sistema. Protege-se um banco, gestores que amanhã estão a ganhar tanto ou mais do que ganhavam, não havendo qualquer responsabilização. Mas permite-se, com o conluio do Estado, que se chegue ao ponto do suicídio.

Estado que não promove nem incentiva a independência dos seus cidadãos, e falha na sua proteção é uma vergonha de Estado.

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