A Patti Smith faz 70 anos hoje

16/03/2017

Já não é a primeira vez que me vem à cabeça que pareço a Patti Smith quando corto o cabelo, Dr. Freud… Desconheço em absoluto o corte de cabelo da Patti Smith, tenho a vaga ideia de que pertencia ao mundo da música, mas sou incapaz de nomear uma canção que seja.

Habituada a que o inconsciente fale por associações e imagens, sabendo eu que sabe mais do que o meu ego, tratei de fazer uma busca pelo nome para ver se percebia o que raio é que o inconsciente coletivo queria dizer-me.

Para começar, não me pareço nada com ela, fisicamente falando. Descubro que não era muito bonita, tinha um cabelo desgrenhadíssimo e era punk. Ou seja… Diz-me a enciclopédia grátis online que era “poetisa, cantora e musicista norte-americana”, por esta ordem. Gosto de associar palavras a imagens, o que poderia ser considerado poético. Mas de poetisa não tenho rigorosamente nada. Sou demasiado incontinente verbal… O que se segue é que é o diabo… “trouxe um lado feminista e intelectual à música punk”. Feminista, meu deus…

Patti Smith

Devo dizer que não tenho a melhor imagem das feministas. O que importa para a nossa psique não é a definição oficial, intelectual e racional do termo, é o que as palavras despertam emocionalmente em nós.

A palavra feminista causa-me uma repulsa imensa.

No porão escuro da minha cabeça, as feministas não passam de mulheres que só gritam e se insurgem por tudo e por nada, padecem de ataques histéricos a cada cinco segundos, querem agarrar as pessoas e atraí-las para a causa delas de uma forma quase ditatorial, desprezam mulheres que não sejam praticamente homens de saias – chegando mesmo, se as deixarem, a aterrorizar emocionalmente as suas companheiras de género – para além de aparecerem sempre descuidadas, largadonas, parece até que fazem gala disso, ou seja, ainda se orgulham…

No fundo, no fundo, odeiam-se por causa da sua condição de mulheres – por lhes ser obscuro, o seu lado feminino manifesta-se da pior forma, daí os ataques histéricos e o terror em relação a outras mulheres – e queriam à viva força ser homens. No entanto, sentem por eles uma espécie de nojo, apesar de adotarem um comportamento e uns modos aparentemente masculinos. A palavra irrita-me tanto e deixa-me tão fora de mim que só pode ser uma projeção.

Descubro, para grande infortúnio do meu ego, que o que o meu querido inconsciente me quer dizer é que sou feminista, Dr. Freud…

No sentido em que queria ser homem. Gosto tanto deles, acho que têm a vida facilitada, por causa disso dos sentimentos e não sei quê, conseguem quase sempre ser razoáveis, civilizados e, quando lhes dá o nervoso e reagem espontaneamente, são engraçados, muito engraçados – quando projetamos alguma coisa em alguém é como se estivéssemos apaixonados pelo objeto da projeção, ignoramos tudo o resto e apenas vemos o que nos serve, o que é nosso e o ego ainda não integrou.

O que o meu cabelo Patti Smith quer dizer-me é: para de lutar contra a tua condição, aceita-a de uma vez, sem medo de seres feliz. In: “Ficam os dedos”, Eu e o Sr. Freud.

Parabéns, Patti, e obrigada por tudo.

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