Deixem o miúdo em paz

19/05/2017

Portugal tem este problema. Ninguém cresce, mas quando alguém se destaca, espremem-no até à exaustão, usando-o para coisas que não têm nada a ver. Convidam-no para falar do tigre em extinção, do défice, de música ou de feminismo, apenas para garantir audiência, colar na imagem do ganhador e garantir algum protagonismo com isso.

No caso, é mais do que merecido e justo, o que é bom.

Holofotes

Mas é preciso ter punho de ferro para resistir a esta palhaçada, pôr ordem no caos, devolver o bom senso à humanidade.

Salvador Sobral recebido no Parlamento, a que se segue almoço com Ferro Rodrigues.

Porquê? O miúdo fez mal a alguém? Porque não se respeita a vontade dele e o deixam quieto, a fazer música, sem demasiados holofotes, ele não gosta, e menos, bem menos mediatismo?

Há uma ideia errada de que quando alguém ganha alguma notoriedade o público acha que tem direitos sobre a vida dessa pessoa. Não tem. E mais, não lhe faz favor nenhum. O público recebe na mesma medida em que dá, muitas vezes nada, não tem o que exigir. Não, não é o preço a pagar. Porque raio é que alguém tem de pagar um preço violento por fazer alguma coisa da qual a sociedade vai beneficiar?

Esta tudo doido?

Ainda para mais quando não usa nem nunca usou os media para nada. Nunca se serviu do sistema. Tudo o que conquistou foi com humildade, sobriedade, amor à arte, fiel a ele próprio, sem se vender a nada nem a ninguém. É esse o mérito de Salvador Sobral, para além da música, que é no que ele é absolutamente sublime.

Deixem o miúdo fazer música, cada macaco no seu galho, que é o que sabe e gosta de fazer. E protejam-no, que não é de ferro. Para que possamos tê-lo por cá muito tempo, a cantar e a encantar.

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