Inconsciente Coletivo

26/09/2018

Um dos mais significativos contributos de Carl Jung para a Humanidade foi o conceito de Inconsciente Coletivo. Apenas reconhecido pela sua linha de psicologia, a psicologia analítica.

Corresponde à camada mais profunda e mais ancestral da nossa psique e diz-nos, no fundo, que todos somos um. Com base na teoria dos arquétipos, os personagens que habitam este inconsciente, Jung defende que os seus padrões, potenciais, estão presentes em cada um de nós e determinam muitas vezes inúmeras das nossas ações e inações. inconsciente coletivo

A maioria das pessoas chama-lhe vidas passadas

Provavelmente, por não conseguirem explicá-lo de outra forma. Dada a ausência de relação com a experiência individual. Pois o que está armazenado na nossa memória coletiva é tudo o que foi vivido e não processado pelos nossos ancestrais.

Causando sombra, medo, castração, inibição.

Uma forma de nos apercebermos dos potenciais arquetípicos em nós, vivenciados ou não, é conhecer os mitos gregos (no caso da civilização ocidental, outras civilizações têm outros mitos, mas com base nos mesmos arquétipos).

E os padrões de personalidade dos respetivos deuses.

Ontem, a ler sobre a parceria Artémis-Perséfone, os arquétipos mais presentes na minha consciência, apercebi-me de como o patriarcado me influencia. E porque me irrita tanto a conversa esotérica, sem base científica, lógica, racional (características do patriarcado, que anulou o feminino).

Quando um grupo qualquer é perseguido ou vitimizado, aprende a sentir-se impotente e culpado por aquilo que pode ou não ter cometido. Isso é, sem dúvida, o que aconteceu no final da Idade Média com os milhões de mulheres Perséfone-Artémis, que eram curandeiras, parteiras, xamanesas, videntes ou simplesmente excêntricas. (…) Na sociedade comum, a antiga paranoia cristã ainda paira na consciência patriarcal, disfarçada de desprezo racionalista.

É importante a consciência crítica de Atena

A mais racionalista das deusas e, por isso, a preferida do pai Zeus, para dar fundamento ao que pulsa no inconsciente. E, acima de tudo, para que os seus conteúdos possam ser acolhidos pela comunidade. Que ainda é quase exclusivamente patriarcal. Ainda sofre com a memória do que aconteceu a milhares de mulheres Artémis-Perséfone, que ameaçavam o masculino e a sede de controlo e poder.

A memória do que aconteceu com essas mulheres está enraizada no inconsciente coletivo. O medo delas também. Do que representavam: a liberdade, o acesso ao inconsciente, fonte de sabedoria milenar, a sabedoria feminina, intuitiva, que ameaça a sociedade de consumo e demais instâncias de poder e co-dependência.

Autoconhecimento segue sendo urgente…

Nomeadamente, o contacto com a intuição, a sabedoria feminina, que equilibra com o patriarcal e traz Eros para todas, todas as decisões e discussões. Sem Eros não há vida, há projeção, neurose, ignorância, radicalismo, fundamentalismo.

Negar o inconsciente coletivo é perder uma oportunidade imensa de nos apaziguarmos com o que não conseguimos explicar, apenas sentir. O que tem feito por mim vai além do mágico, é sublime.

Os mitos gregos parecem uma realidade demasiado distante para que os tenhamos na devida conta.

No entanto, estão presentes em cada escolha.

Em cada medo, em cada projeção, em cada neurose, em cada área que consideramos vida. Tudo o que é vida é arquetípico. E é um desperdício de potencial não conhecer o que cada arquétipo traz para a vida de todos os dias. Acima de tudo, para os nossos relacionamentos, causando isolamento, self-doubt, ausência de conexão. O que resulta em dependência, pois deixa-nos à mercê dos outros, das suas escolhas, decisões, medos, fobias, neuroses…

Pode ser confortável, mas não é real. A vida que temos para viver continua à nossa espera. E vai cobrar-nos, de uma forma ou de outra, que a honremos e a vivamos. Com autenticidade.

error: Content is protected !!