Influencer? RAP explica.

01/08/2018

Dizem-me que agora há uma profissão chamada influencer. Funciona como as vozes na cabeça, mas, pelo menos por enquanto, pretende apenas acicatar o consumo. Sugerir que você compre esta bebida, frequente aquela academia, calce determinado sapato. São os antigos comerciais da televisão, mas agora mais modernos, porque são feitos por pessoas cuja profissão tem o nome em estrangeiro. E, não sei por que, costuma envolver o jogo da velha. Depois de revelar que é um consumidor feliz de determinado produto, o influencer diz coisas precedidas pelo jogo da velha: #bonsmomentos, #olhasóquemaravilha, #nãoseiseaguentotantafelicidade etc. 

A profissão de influencer levanta, contudo, um problema de filosofia da linguagem. Exercer influência sobre outros é uma coisa que se faz, não uma coisa que se diz. É como, por exemplo, a sedução. “Eu agora estou a seduzir-te muito com este meu sensacional encanto” não seduz ninguém. Anunciar “vou seduzir-te” costuma inviabilizar a sedução. O encanto precisa de ser demonstrado com palavras, mas não enunciado.

Ora, o requisito prévio para influenciar pessoas costumava ser omitir o fato de estarmos a tentar influenciá-las. Quando uma pessoa desconfiava que estavam a querer influenciá-la, resistia a ser influenciada. Ser influenciável não era exatamente uma qualidade.

@FolhaSP

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