Ioga

18/04/2017

Na minha aula de dança, que começa e acaba em roda, há um momento em que somos convidados, se nos apetecer, a ir dançar para o meio.

Há uma miúda, uma rapariga da minha idade, a Matilde, que me inspira imenso, pela soltura de movimentos nomeadamente pélvicos. Acho tão libertador, e vejo-a tão solta, que não consigo deixar de olhar para ela.

ioga

No fim da aula, depois de lhe ter dito que adorava vê-la dançar, o à-vontade, a soltura, perguntei-lhe se nunca tinha tido aulas de dança africana, nunca tinha lá estado, se não tinha raízes. Respondeu-me que não. Era o que me parecia, África na veia, raiz. Intrigada, continuei. Ainda ficamos ali uns bons minutos a falar sobre o assunto, para eu tentar descobrir de onde lhe vinham aqueles movimentos de cintura, sendo ela do mesmo país que eu, onde essa parte do corpo, principalmente nas mulheres, é travada por imposição cultural e religiosa. Até que ela me disse que a única coisa que tinha feito era Kundalini Ioga. Descobrimos que a soltura e o ritmo vinham daí.

Mandou-me a meditação, que consiste em tremer como se não houvesse amanhã, dançar, e tal.

Não tenho nervos muito menos elasticidade que aguentem outro tipo. É a única aula de ioga que me permito, uma horinha. E ainda não perdi a esperança de tremer sozinha, sem controlar o movimento, é esse o objetivo, deixando que tome conta do meu corpo.

Artist’s Date 107/365 – Take a Ioga Class
error: Content is protected !!