Jornada do Herói

18/11/2019
Quando o Kev me disse que tinha ido ao Japão para ver a Escócia jogar, de propósito e só para isso, lembro-me de ter pensado: o que estes malucos não fazem pela bola…
 
Para partir para a jornada do herói, o ego precisa de um motivo, um objetivo concreto. Algo suficientemente forte que o convença a sair de casa.
E que ele entenda, aceite, ou não vai…
Para comprar o bilhete, ir até ao aeroporto e passar a porta de embarque. O Self, embora seja o vento que enfuna a vela, não chega. Mantém-nos nela, até ao fim, se conseguirmos ouvi-lo, sentir a presença de algo mais forte, inexplicável e irrecusável.
Mas é o ego que dá o passo decisivo
A minha desculpa para vir e ter viajado tanto por aqui, com tempo e sem obrigações coletivas, foi o Outlander, o Jamie.
 
Mas o que sinto quando leio os livros e vejo a série é bem mais profundo. Como o é a história dos dois. E a relação que constroem.
Por isso fui a Ayr hoje.
O porto de onde Bree vê Frank, já morto, abençoando-a na jornada. O mesmo de onde Roger parte para ir ao encontro dela.
 

Ayr, Escócia 2019.

Jornada essa que, por mais ameaçadora que seja, é para nós, está à nossa espera e nós temos condições para a cumprir. 

É a cabeça que nos ilude o tempo todo.
O corpo, o que vai além do intelecto e do pensamento, nunca nos mente. Nunca… Sem a interferência do ego controlador, ele sabe o que fazer. Para onde ir. O que lhe faz bem e o que lhe faz mal.
 
Dunure também é o porto de onde partem Jamie e Claire para a Jamaica.
 
Também é aqui que Jamie e Claire vêem o jovem Ian nadar até às ilhas Silkie. E onde Jamie havia ido antes, quando fugiu de Ardsmuir na esperança de encontrar Claire…

Todas as jornadas do herói sem exceção servem para entrar em contacto e integrar conteúdos psíquicos reprimidos, não vividos, arquetípicos.

Porto, Dunure, Ayr, Escócia 2019.

 
Não tenho dúvidas de que algo de muito forte aconteceu aqui. Se resolveu, integrou, se encaixou.
Espaços outrora vazios foram preenchidos.
Como quando se agita um frasco de qualquer coisa e essas coisas encaixam umas nas outras quase sem deixar passar a luz entre elas.
De forma sólida, como a pedra do castelo de Dunure…

Um luto e um reencontro.

Fiz a viagem que quis. E o que não fiz, era irrealista. Duas ilhas. Uma de Inverness, Skye, e outra de Glasgow, Arran.

Uma das viagens de uma vida.

Com promessa de retorno. Logo eu, que não volto aos lugares onde já estive. O mundo é muito grande e eu não tenho muito tempo. Não tenho muitas dúvidas de que voltarei à Escócia. Talvez mesmo antes das duas Irlandas e de Gales…

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