Lallybroch

21/10/2018

Tenho uma amiga que volta e meia me perguntava: tomavas a pílula azul ou a vermelha? E eu nunca sabia o que haveria de responder. Até porque nunca me lembrava a que cor correspondia o quê. E o mundo da ficção científica me ser distante, mesmo considerando a minha imaginação fervilhante. Lallybroch

Daí que me era difícil decidir.

Mas, ao ver Jamie e Claire chegarem a Lallybroch, e apesar de achar tudo lindo, imediatamente me ocorreu: nem f*dendo ficaria ali a definhar o resto da vida. Ia com o gajo para onde ele fosse. Mesmo não sabendo se era capaz de esgoelar uns quantos. Ainda que talvez me convencesse, depois de ter um Angus a ensinar-me a matar quem me atacasse, e passasse a andar com uma adaga enfiada nas botas, caso fosse abalroada por um soldado inglês que quisesse violar-me.

Nunca sonhei com filhos.

No entanto, e talvez por ser mulher, sinto que preciso de um lugar para onde voltar. E, desde que tenha segurança emocional, vou para onde for preciso. Porque tirarem-me a aventura é matarem-me em vida…

Nós queremos segurança, uma escola para pôr os filhos, dinheiro para os educar e a esperança de óculos. Porque graças a deus não há guerras para ir, felizmente. Mas o senso de aventura permanece em nós. Homens e mulheres. Apesar de sentir que as mulheres abdicam dela com mais facilidade, lá está, porque têm os filhos que as preenchem de uma forma que aos homens não acontece. Nas mulheres é mais avassalador. Tanto que há uma série de homens bem capazes de ir à sua vida e largar mulheres grávidas e com filhos pequenos para trás. Obviamente que também há mulheres a fazê-lo, mas o instinto materno grita alto e é preciso que o senso de aventura grite mais alto do que ele e do que o seu papel social. A sua consciência emocional.

É isso que falta à esmagadora maioria das pessoas. O Thrill…

E talvez por isso se inventaram os desportos radicais. E as pessoas têm casos amorosos fora do casamento. E saiam de casa para trabalhar todos os dias. E sei lá eu que mais que nos dê a sensação de estarmos vivos. Como ter filhos, por exemplo… E comprar carros…

Sei que lamento profundamente a pouca probabilidade de, pelo menos nesta vida, conhecer o mundo a velejar. Ainda que me tenha estabelecido e que não tenha qualquer vontade de me lançar no mundo outra vez. As minhas aventuras são de outro tipo.

Não tanto físicas, mas psíquicas…

E só deus sabe o que já sonhei com sopas, descanso, romance, sexo à lareira e vinho. E ainda sonho… Mas sei que jamais quereria isso para o resto da vida… Porque acabei de ver uma foto de um gajo giro que se farta, à mesa, com mais uns três gajos, todos com cara de almoço de negócios e pensei: deus me livre de viver o resto da vida à espera da hora de jantar…

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