Late Date

07/08/2017

Coloro todos os dias; não sei muito bem como fazer um livro para colorir. Também coloro o cabelo a cada três semanas, um mês no inverno, serve? De resto, não, não tenho mimado o meu artista-criança com paixões infantis, lamentavelmente. A não ser as que me despertam todos os dias, de geração expontânea, basta-me existir…

colorir

Artist’s Date 213/365 – Make a coloring book

É verdade. Valoriza-se pouco a alegria no lar, no relacionamento, nos companheiros de estrada e de cama. Ainda que a arte venha eventualmente de um sítio sofrido – vem sempre de um questionamento, de uma angústia – e o processo criativo seja doloroso por causa disso, também o é prazeroso, e muito. Prazer esse que tem pouco a ver com práticas sadomasoquistas e muito a ver com o prazer da conquista, que vem naturalmente depois de muita dor.

Emocional, psicológica, física, às vezes, existencial, seguramente.

Não sou adepta do sofrimento, não concordo e repudio absolutamente que só com ele chegaremos ao reino dos céus. Recuso-me a pactuar com esse tipo de vida e de escolha. Sei que faz parte e considero-o apenas e justamente nessa medida. Em mais nenhuma outra. Jamais para manipular. Deus me livre de campeonatos de sofrimento, cada vez tenho menos paciência, e de menosprezar o prazer em detrimento do dever.  Aprendi assim, primeiro o dever depois o prazer e acho que faz sentido, desde que haja prazer.

Quanto ao periquito, ó Julia, poupa-me.

Artist’s Date 214/365 – Meet a Parakeet

‘Tou um bocado cansada disto
Artista que é artista é rebelde
porque raio me meti nisto
Quase se me arranca a pele

Se fosse letrista queria ser o David
O Reininho é o nosso Byrne
De música não percebo pevide
A melodia a de um western

Falta-me a paciência e o brio
tenho mais que fazer
Não consigo com este frio
estou quase a derreter

E agora me vou
eu gosto mesmo é de escrever
e tudo a música levou
e eu aqui a padecer.

Artist’s Date 215/365 – Make up a song

Praga equivalente aos esquilos nos EUA seriam os pombos. Há-os aos milhões e as velhas e crianças não param de os alimentar, apesar da ameaça de multa. Nunca fui bufa, mas apetece-me denunciar o primeiro que vir a fazê-lo. Vejo-os todos os dias, queira ou não. E já lá vai o tempo que era bonito ver crianças rodeadas de pombas brancas a esvoaçar no centro da cidade, em fotos a preto e branco. Era matá-los a todos.

Artist’s Date 216/365 – Watch a squirrel

Uma vez, há muitos muitos anos, estava no cabeleireiro à espera que me cortassem o cabelo, quando reparo que tenho um olho diferente do outro. Foi a primeira vez que a minha imagem no espelho me surpreendeu. (wipe the mirror, your image may surprise you). Usei lentes 20 anos, não tenciono voltar a pô-las nos olhos, nem para brincar.

Artist’s Date 217/365 – Get colored contacts
  • marina w. 08/08/2017 at 03:39

    Não atendo porque quando as pessoas crescem param de desenhar e colorir.

    • Isa 08/08/2017 at 09:13

      é altamente terapêutico, não quero outra coisa, coloro todos os dias :)

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