Lisboa

31/10/2017

Na minha saída anual, o que é capaz de mudar um pouco, depois de um ano de reclusão profunda, estou a voltar-me para fora e a procurar a companhia dos meus, fui a Lisboa, matar saudades do Adamastor. Depois, vim por ali fora até ao Honorato do Chiado, encantada com a minha cidade.

É mesmo bonita, a minha Lisboa.

Olho-a com o maravilhamento dos estrangeiros, de quem a vê pela primeira vez. Como quando ficava um ano fora e voltava com os olhos viciados da decadência, da miséria, do caos urbanístico de São Paulo, à exceção de alguns bairros, que se mantinham bonitos e cool. Lisboa

Os meus amigos lisboetas não têm o meu olhar para a cidade. Passam batido pelos lugares, na pressa de resolver a vida, focados em contornar os turistas que ocupam os passeios como se fosse tudo deles. É impressionante o que não vemos sempre que estamos com a cabeça num lugar e o corpo noutro. E a ansiedade que causa.

Lisboa é cidade de cinema

Lembro-me da, hoje, mulher do núcleo pobre da novela, paulistana dos 4 costados, quando veio morar para cá. Dizia que adorava ir pelas ruas, olhar para o lado e surpreender-se com o azul do Tejo.

Aconteceu-me este fim-de-semana, com estas ruas. Encantar-me mais e mais com a perspetiva, o desenho da cidade. Lisboa é de um romantismo incrível e eu alucino com estas escadarias, as mesas na rua, com velas acesas e casais apaixonados a jantar. As promessas silenciosas, os sussurros da intimidade, os medos escondidos nos afetos suaves.

Artist’s Date 301/365 -Cross country ski  the City Walking

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