Literatura e Livrarias

12/11/2019
Sou capaz de ter-me apaixonado por Stevenson…

The happiest lot on earth is to be born a scotsman. You must pay for it in many ways, as for all other advantages on earth… but somehow life is warmer and closer; the hearth burns more redly; lights of home shine softer on the rainy streets; the very names endeared in verse and music cling nearer round our hearts. Robert Stevenson, 1883.

Edimburgo, Escócia 2019

Identifico-me muito com a bipolariade amor x ódio em relação à vida, como o descrevem amiúde.

E na capital, onde até os sem abrigo lêem, é impressionante, vi uns dois ou três, não há assim tantos, não faltam livrarias de rua.

Cada uma mais encantadora do que a outra.

Um dia ainda vou ter uma…

De tamanhos diversos, umas maiores do que outras, mas todas divididas por secções, a maioria com dois andares ou uma extensão suficiente para tal, e lugares para uma pessoa se sentar a ler e a beber café.

Há esperança na humanidade. Ou pelo menos na Escócia.

Há uma tour que recomendo vivamente, a Literary Pub Tour, em Edimburgo. Percorremos alguns bares e locais por onde passaram vários dos maiores nomes da literatura da Escócia, como Burns, Stevenson e W. Scott.

E também pelo museu, onde tinha estado no dia seguinte a ter chegado.

Foi o primeiro sítio que visitei.

Confesso que nos primeiros 5 minutos não percebi grande coisa. Parecia que estava a ouvir o Rupert e o Angus a falar um com o outro. E era só um ator a falar. Com um sotaque escocês cerradíssimo.

Depois de habituar o ouvido, ela percebia-se melhor, foi sempre a melhorar. Ouvir falar de literatura é sempre um prazer. E os atores, como bons escoceses, são muito bem dispostos.

Não quero desenvolver muito porque o fator surpresa é importante.   

Já tinha ouvido falar na suposta relação amor x ódio que Stevenson tinha com Edimburgo.

Mas quem escreve o que escreveu acima, só pode ser muito apaixonado pela cidade.

No entanto, talvez seja preciso isso, odiar (e amar) a nossa terra, ancestralidade, quem nós somos na nossa identidade, para podermos distanciar-nos geograficamente.

E assim ver a nossa cidade natal, e a nós mesmos, com novos olhos. Reapaixonarmo-nos pela nossa história, o nosso legado.

Que nos pulsa em cada veia.

A questão do sotaque não é manifestamente exagerada, dependendo do escocês. Dá para entender quando eles falam uns com os outros. E também dá para ficar a olhar para eles de olhos abertos e não entender uma palavra… Nos bairros, é para esquecer…

Gotta love the Scots…

Que fazem poesia até com a guerra…

Trouxe dois livros. A biografia da Mary Queen of Scots, a minha nova heroína, não sei se já disse, e um livro sobre lendas e mitos escoceses.

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