Make Up Sex

13/11/2017

No livro que estou a acabar de ler, Whitmont descreve uma situação que ocorre em todos os relacionamentos. Várias vezes, de forma esporádica, a espaços convenientemente demarcados. E que leva os homens a dizer: vá-se lá entender as mulheres. E estas, à loucura momentânea.

Diz ele que, sem qualquer intenção consciente, motivo aparente, ou em resposta a um estímulo menor, algo salta do inconsciente das mulheres. Qualquer coisa as faz reagir de forma exagerada, irracional, sem fundamento, ao explodirem por uma coisinha de nada, perturbando um relacionamento calmo e amoroso. 

Se o homem não tiver entretanto abandonado o local do crime, a explosão e a fúria vão tão depressa quanto vieram.

Os homens ficam estupefactos com tamanha manifestação de irracionalidade. Mas as mulheres sentem-se profundamente satisfeitas nas suas emoções. Excitadas, até. O make up sex há de ter nascido aqui. Em que, depois de uma discussão homérica, as mulheres se apresentam apaixonadas e amorosas.

Como se aparentemente nada tivesse acontecido

Não quero pôr o autor, que é homem, em causa. E fiquei muito feliz por saber que não sou a única. Que partilho a esquizofrenia com as minhas fabulosas companheiras de género. No entanto, quero aqui salvaguardar que só nós e deus sabemos haver sempre motivos válidos. Não é à toa, do nada, e ambos os membros da parelha amorosa sabem que as mulheres têm sempre razão. Tanto quando levantam a questão de forma acalorada como quando a questão se encerra. Mesmo quando são irracionais na sua exposição. Acrescento ainda que o objetivo último não é a condescendência masculina da razão. Nós, apesar de a termos, sempre, não a queremos por si, por capricho de meninas mimadas e filhinhas do pai.

Isto esclarecido, pus-me a pensar:

Porque raio então temos nós necessidade de tamanha esquizofrenia?

O autor diz que acontece sempre que aparentemente a coisa fica morna. Os homens se acomodam, a rotina se instala, nada se passa fora dos padrões.

Rapidamente, cheguei à conclusão de que o fazemos para ver se eles ainda lá estão. Emocionalmente. Se ainda se importam. Se nos estão a ver. Se nos mantemos conectados. Se não partiram de vez para o maravilhoso mundo lá da cabeça deles e nos deixaram abandonadas à nossa sorte, ficando de corpo presente e os olhos na bola.

Mas estou aberta a outras propostas e interpretações.

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