Oscars – 1 filme por dia: Maleficent*

17/01/2015

Antes de mais nada, o meu total e absoluto rejúbilo pelo facto de a heroína ser uma mulher.url Volta, feminino, estás perdoado. De resto, está lá tudo o que faz de uma jornada a jornada do herói: arquétipos a rodos, princesas, príncipes, heroínas, dragões, e mãe bruxa, protagonista, quanto a mim, do tema central do filme, o feminino revisitado. O que reflete os tempos que vivemos e que obrigam ao resgate urgente do feminino em todos nós, homens e mulheres.

Para sermos heróis temos de pôr o feminino de lado e ativar o masculino, correndo o risco de nos tornarmos tiranos, ativando negativamente o arquétipo paterno.

Aqui, o exemplo é outro. A heroína, mãe bruxa que se transforma em mãe boa de uma forma genial, é conquistada pelo amor que a miúda lhe despertou. Amor esse que Malévola julgava perdido, porque o seu sweetheart a trocou pelo poder, essa tentação do demónio que se opõe ao amor e que é o grande motivo de discórdias várias, com as devidas consequências. O amor que sentiu por Malévola não foi superior à neurose de poder. Além de que esse mesmo sweetheart lhe cortou literalmente as asas, que faziam de Malévola completa. Com o poder e a liberdade que as asas lhe conferiam, Malévola afrontava-o, e já eram tempos patriarcais. Se não lhe podia ter cortado antes os cornos?

Muito bom, vale muito a pena ver, pela mensagem final, que indiretamente nos diz que só aprendemos a amar-nos com o exemplo de amor de mãe, quando somos amados incondicionalmente por esta, independentemente do controlo que o ego gosta de manter. Maleficent foi surpreendida por esse amor e, por mais que lhe resistisse, porque também a lembrava de que perdeu o seu forever sweetheart, ele, esse amor, foi mais forte.

O que começa aos poucos a desconstruir a imagem de feminino associado a bruxaria, a maldade e sabe deus a que mais. Herança pesada, de muitos séculos, vai levar tempo, mas vai valer a pena esse equilíbrio, que só a consciência da alteridade – amena convivência entre feminino e masculino, guardadas as devidas tendências de género – nos proporciona, ainda que não seja constante, isso não existe, os dinamismos da consciência não o permitem, mas que desejavelmente poderá vir a ser um padrão.

*Melhor guarda-roupa

Sobre arquétipos: “expressões de grandes emoções, criatividade, ideias, modelos de realização, mas, em si mesmos, são tão-somente imagens. O divino (o arquétipo) precisa humanizar-se“. Maria Zelia de Alvarenga, analista junguiana.

  • Elaine 15/07/2014 at 13:57

    adorei seus comentários, amei o filme, esta semana estou indo ver pela segunda vez. E só consigo pensar no mote “There is no such thing as true love”. Unless, of course, o de mãe. E sim, como você bem desenvolveu, CABOU príncipe encantado, at last. Saravá.

    • Isa 15/07/2014 at 15:04

      eu adorei o filme tb, vou até ver de novo. Bjão

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