Mariana Portela

21/06/2018

A delicadeza da prosa, as metáforas mais improváveis, o casamento de palavras inesperado, narrativa a fazer lembrar Eça de Queiroz em alguns momentos. Voz originalíssima, uma coragem imensa, a vulnerabilidade exposta com uma mestria poética invejável. Consegue o portento de me fazer querer demorar nas palavras, como se as saboreasse, as eternizasse, como à mais bela melodia, nos meus ouvidos, no meu palato, nas pontas dos meus dedos. Tal é a vontade de cravá-las no cérebro. Na verdade, tudo acontece à revelia do meu ego, o impacto é subtil e numinoso.

É o primeiro livro de Mariana Portela Mariana Portela

Numa edição primorosa, que dá vontade de agarrar para sempre, pelo toque da capa, que  ainda conjuga as minhas cores preferidas: azulejo português e vermelho. A divisão por temas, os azuis que os ilustram, um primor do princípio ao fim.

Extasiante

Tem de haver um nome que ilustre a forma como escreve, ainda o desconheço. Faltam-me as palavras para qualificá-lo. Não chegariam, talvez até o limitassem. Inibo-me então de continuar. Deixo um excerto, difícil é escolher, são umas atrás das outras…

Agora, quando o cheiro de finitude das velas invade as reminiscências de nós dois, coloco-me à disposição do Universo para receber as respostas do que está enclausurado há tantos anos na minha carne. Existe algum pedaço de vida que nos é amputado, pelas coisas que fazemos?

Com os olhos inchados de tamanha realidade, sinto-me pequena, frente àquilo que não vivemos nós. De todas as dores, essa, mais clichê, é a que mais dilacera uma alma bipolar: o lado que sonha.

E a foto de capa, belíssima…

Lançamento de “Viver é fictício”, de Mariana Portela, em Lisboa, ainda este mês.

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