MBTI – Pensamento e Sentimento

09/02/2018

Queixamo-nos muito do quão desagradáveis são as pessoas nos comentários das notícias dos jornais online, dos anónimos nos blogs, dos tuiteiros. Das suas reclamações e agressividade gratuita. Da vontade de discutir ser tão grande que se dão ao trabalho de o fazer com perfeitos desconhecidos. De os cutucar, os provocar, os insultar, até, sem a mínima consciência do que estão a fazer. 

Ontem, num post dos escritores online que falava de Namora, comentei: dêem voz aos vivos. Com um sorriso.

É um desejo, uma vontade legítima, um cansaço extremo desta mania portuguesa oportunista irritante de só elogiar e divulgar quando a pessoa já não precisa, já fez o trabalho todo ou já morreu. Ou não temos de lhe pagar direitos de autor. Queremos desfrutar da sua obra, mas achamos que não precisamos de pagar por isso.  Uma questão de justiça, de reconhecimento em vida, que é quando precisamos dele, inclusive para pagar contas.

Vamos parar com o romantismo de que artista bom é artista morto, que morre na miséria ou se mata.

Houve alguém, que não me conhece de lado algum, nunca me viu, que me pede desculpa pela “ousadia” e me diz que o que eu disse é um rotundo disparate. Aproveitando para dizer o que pensa sobre o assunto.

Eu, do tipo sentimento, não tenho necessidade alguma de insultar ou diminuir a opinião dos outros para valorizar a minha. E, enquanto sentimento introvertido, ofendo-me profundamente que o façam. Sinto-me agredida, desvalorizada. Acho de fraco caráter, pouco inteligente e nada criativo. Começar por tentar diminuir-me não é a melhor forma de obter a minha atenção e disponibilidade para ouvir… Acresce que não me interessa discutir com gente que nunca vi, sequer tenho afinidade. Por isso, apenas comentei: não me qualifique por favor, ainda fui bem educada… E acrescentei:

Na eternidade não precisamos de comer e depois de mortos de nada nos serve o reconhecimento.

Houve outra que me respondeu, mas num tom e com uma postura tais que nem me dei ao trabalho de ripostar. Vi claramente que era coisa da cabeça dela e que nada tinha a ver comigo, apenas usou a minha resposta para soltar a besta.

A pessoa, certamente numa tentativa de amizade, carinho, compreensão e, claro, “promoção do diálogo”, ainda me respondeu: não estava a qualificá-la de nenhuma forma, apenas a promover o diálogo sobre esse (estafado) tema dos escritores e o seu reconhecimento em vida e/ou pos mortem.

Ou seja, a pessoa quer promover o diálogo, mas diz que o tema, que eu propus, é estafado. Continua, portanto, a diminuir o que tenho a dizer sobre o assunto. E, indiretamente, a ofender-me. Mas, ainda assim, a querer alegadamente debatê-lo.

Na minha terra, a isto não se chama debater, chama-se calar uma voz e querer impor outra.

Mas devo ser eu que tenho muito mau feitio. Como, outra vez, não me apetece discutir com quem não conheço nem me interessa minimamente, ainda por cima com esta atitude, insisti, a ver se a ficha caía: se não estava a desqualificar-me, não diga que o que escrevi é um rotundo disparate, porque, além de tudo o resto, nem sequer o é. Obrigada. E a pessoa, que começa e acaba a atacar-me, posa de vítima ofendida e ainda me diz: Lamento se a escolha de palavras foi a menos acertada e que se tenha focado apenas nisso…

Portanto, a culpa é minha…

E eu lamento profundamente a falta de noção das pessoas em geral. Que querem que as ouçam, as vejam, as reconheçam, fazendo exatamente o oposto do que cativa alguém, afastando-as para bem longe. Querem proximidade, afastando. Querem que lhes reconheçam o ponto de vista, ofendendo e agredindo verbalmente o alvo que pretendem que as reconheça. E admiram-se muito quando o alvo as manda pra real puta que as pariu, ainda que mentalmente, porque é do tipo sentimento e prefere assim, virar costas e ir à sua vida do que perder o seu tempo a tentar que a outra pessoa veja o mundo como ela o vê. Tudo no seu discurso indica o contrário, precisamente a intenção de propor um monólogo, e não um diálogo, que pressupõe que ambas as partes se disponham a ouvir, verdadeiramente. Daí que rapidamente me dei conta de que não valia a pena.

A falta de autoconhecimento e de noção da própria postura faz isto e muito pior connosco. É um querer relativo. Um querer proximidade sem aproximar. Intimidade sem vulnerabilidade.

Tinha acabado de voltar de uma aula de dança ultraordinária, como diria o Nuno, e deixei para lá.

Ontem, antes da aula, tinha começado a ler Tipos Psicológicos (C. G. Jung, Obras Completas, Vol. 6). O tema-paixão da vez. É um tesão ler sobre isto… Achava que a histeria dos extrovertidos era o que mais irritava um introvertido. Descubro que ainda pior é a característica dos Tipo Pensamento, que precisam de diminuir os outros. Convencidos que acham que estão de que a sua verdade é una e universal. Se acaso o estivessem verdadeiramente, não precisariam sequer de discutir.

Quando digo que era terapia obrigatória na veia, a partir dos dez anos de idade, eu é que sou aloka.

De resto, tenho um rico trabalhinho pela frente no que à minha função inferior diz respeito. Pensamento Extrovertido de seu nome…

INFPs rarely want to be involved in any kind of power struggle, and might find the idea distasteful. They often become frustrated when people try to fight over maintaining power, and dislike when one person has so much control in any given situation. INFPs would rather things be peaceful and reasonable instead of having to constantly deal with a power struggle. INFPs will likely want to step away entirely, and dislike interacting with someone who is only interested in seeking control.

error: Content is protected !!