MBTI – Sensação Introvertida

22/06/2018

Uma das coisas mais frustrantes que nos podem dizer, pelo menos a partir de uma certa idade, em que já somos maduros o suficiente para saber que há coisas que não conseguimos fazer e ser, é:

Só tens de…

Há motivos emocionais pelos quais não fazemos determinada coisa. E não dizemos uma série delas.

Por isso, a auto-ajuda e outros métodos e meios que implicam que tudo é uma questão de força de vontade têm tanto sucesso. Entre quem acha que basta querer, que se pode tudo, que basta acreditar.

Mesmo que nada mude…

É uma pretensão do Ego – que entra em pânico perante a possibilidade do desconhecido – achar e convencer-se de uma série de coisas. Por isso esses métodos têm tantos adeptos… E geram uma enorme frustração, apatia e muitas vezes depressão, entre quem tem um pouco mais de consciência.

Um dos medos associados a esses motivos emocionais é o de deixarmos de ser aquela persona na qual nos revemos. Com quem nos identificamos, que nos dá, aparentemente, segurança. Que faz de nós acolhidos e aceites pelo exterior. Ou nos protege dele, no caso dos introvertidos. É só o que conhecemos, o que temos consciência de que faz parte de nós…

Mesmo que nos prejudique até à exaustão…

Uma das formas mais eficazes de olharmos para nós, nos autoconhecermos e nos apropriarmos das nossas particularidades é, como já falei inúmeras vezes, pelo tipo psicológico tal como definido por Carl Jung. E que Isabel e Katharine Myers Briggs materializaram no instrumento a que deram o nome: MBTI – Myers Briggs Type Indicator*.

Não para nos enfiar em caixinhas, mas para nos guiar e estruturar.

No caso de um INFP, cuja função dominante é Sentimento Introvertido (FI), e tem como função auxiliar Intuição Extrovertida (NE), a função terciária é Sensação Introvertida (SI). Com Pensamento Extrovertido (TE) como função inferior.

Enquanto Sentimento Introvertido, acho os Pensamento Extrovertido uns frios, insensíveis e brutos como as casas. O que quer dizer que não quero ser como eles. Por isso, vou anular e abafar todas as características que lhes associo. Para agir em coerência com o meu tipo e acima de tudo para não me transformar num calhau com olhos.

Só que isso impede-me de chegar onde quero…

Por outro lado, a terceira coisa a que dou importância é à Sensação Introvertida, a última hipótese antes de entrar no buraco negro da função inferior, a sombra do Pensamento Introvertido. Dedico-lhe muito menos tempo do que às duas primeiras. E já sabemos o que acontece quando ignoramos alguém ou alguma coisa na nossa cabeça. Ganha umas proporções astronómicas e vai fazer-se notar. A bem ou a mal…

Possuindo o ego e agindo à sua revelia…

Assim, a forma como a minha Sensação Introvertida se manifesta é na compulsão. Por comida, cigarros, o que for. Diz-se de quem tem esta função, neste lugar, terciária, tende a não fazer escolhas saudáveis…

Porque a idade não perdoa, o metabolismo já não é o mesmo, temendo o pior, tenho andado em busca de coisas que possa associar a esta função. Qualquer uma que tenha a ver com os 5 sentidos, e não só com um…, está valendo.

A consciência é a chave de toda a transformação

Não há volta a dar… E nós não podemos ser outra pessoa que não a que somos. Não se trata de fatalismo, de síndroma Gabriela. A psicologia Junguiana está aí para não me deixar mentir. Nós evoluímos, sim, mas dentro da nossa personalidade, da nossa identidade, melhor dizendo, e não do que gostamos nos outros e achamos que temos de sê-lo, que nos serve.

Não serve… Só nós podemos e conseguimos saber o que nos serve, o que aguentamos viver. E isso só se descobre com autoconhecimento e uma consciência cada vez maior de nós e, acima de tudo, do que não conhecemos. Do que temos medo de e em nós. Que é precisamente o que está a impedir-nos de ir mais longe.

Para tal, temos de elaborar e desconstruir alguns símbolos, para que possamos precisamente apropriar-nos de determinadas características de forma a que as aceitemos na nossa consciência. Não para fazer a vontade aos outros, facilitar-lhes a vida. Mas para nos ajudar a ir ao encontro deles e do que queremos. Porque…

O que não somos não nos faz falta alguma…

*

error: Content is protected !!